O tempo passa devagar agora.
O som da casa é baixo, casual — o ranger do piso de madeira sob meus passos, carros
passando ao longe na rua.
Mas aí...
Ela desperta.
Seu corpo se move lento no sofá. A cabeça ergue. As mãos vão aos olhos. Ela se
espreguiça.
O peito levanta sob a blusinha colada. As costas estalam.
E o mundo volta com cheiro de descanso e do gozo já seco entre suas pernas.
Mas tem algo mais.
Ela sente.
Uma ardência sutil. Um calor ali, na pele.
A minha mão.
Estampada em sua bunda.
Marcada por debaixo do short.
A porra da minha assinatura.
Como se seu corpo, mesmo depois do descanso, ainda dissesse “fui dele”.
Jane passa pelo corredor, rindo no celular, nem olha pro sofá.
Mas eu vejo da cozinha.
Vejo ela acordar.
Se esticar.
Se lembrar.
E ver a marca.
Meu copo de whisky para no meio do caminho até os lábios.
O gelo derretido.
Minha garganta seca de novo.
E por um segundo… a casa volta a tremer.
Mesmo em silêncio agora.
** Tiff **
— Meu Deus... acho que apaguei por
tempo demais no sofá — murmuro pra mim mesma, a voz ainda sonolenta, arrastada,
enquanto esfrego os olhos com os punhos fechados, tentando afastar o torpor.
O céu alaranjado pinta a sala
através da janela, e por um instante tudo parece silencioso demais, lento
demais.
Deslizo a mão pela nuca, sentindo a
pele quente, os músculos ainda soltos pelo que foi feito mais cedo.
Jane sobe as escadas falando ao
celular, distraída, sem me notar.
Sem notar nada.
Como se eu nem estivesse ali.
E, pela primeira vez em todos esses
anos de amizade… eu gosto disso.
Gosto de ser invisível pra ela.
Porque agora, nesse silêncio cheio
de segredos, sou só eu e o que você deixou em mim.
Me espreguiço devagar, sentindo o
corpo esticar com um certo prazer preguiçoso, e o ardor leve ainda presente na minha
bunda…
Aquele tapa.
Sorrio sozinha.
Sem saber que você está ali.
Observando a distância.
Como sempre faz.
** Lester **
Sua voz suave corta o ar morno da
sala, meio rouca do sono, meio carregada do peso de tudo que viveu hoje.
E eu ouço da cozinha.
Com o copo na mão, os olhos fixos
no céu da janela que você observa agora.
O céu alaranjado.
O fim da tarde.
O fim do silêncio.
O começo de tudo de novo.
Você passa a mão pela nuca, o corpo
ainda lento, como se estivesse saindo de um transe.
Como se cada músculo seu ainda
carregasse minha presença sob a pele.
E carrega.
Eu sei.
Porque eu estou marcado em você.
Na carne.
Na memória.
Jane passa por você, falando no
celular, rindo, sem nem notar que você acordou.
E isso me permite te olhar livremente.
Com a lembrança da sua boca
mordendo meu ombro, do seu corpo tremendo no meu colo, do seu gemido preso
entre meus lábios.
Apoio o copo na pia.
Me aproximo da porta da cozinha.
Me encosto no batente.
— Dormiu bonito.
Minha voz é baixa, tranquila...
Mas cheia de promessas.
— Sonhou comigo? Ou já nem precisa
mais dormir pra isso?
** Tiff **
Olho pra você de canto de olho,
aquele jeito preguiçoso de quem sabe exatamente o que sempre está fazendo, viro
o rosto por sobre o ombro, deixando o cabelo cair um pouco na frente, só pra
provocar.
— Sonhei que você me pegava no colo
e me prensava contra a parede. Idiota!
Viro o corpo de vez na sua direção,
sem pressa.
Dou dois passos de volta ao sofá,
subo nele com os joelhos, deslizando as pernas sobre o couro que range sob o
meu peso.
Me apoio com os cotovelos no
encosto, tombando a cabeça de lado, o olhar preguiçoso, o cabelo bagunçado
caindo novamente no rosto.
— Você acabou comigo hoje mais
cedo. Só não vai ficar se achando demais por causa disso...
Esfrego o rosto no meu próprio
braço, me encolhendo como uma gata manhosa pedindo por mais um afago.
E no fundo...
Talvez pedindo outra rodada.
Ou só te lembrando de quem é que
você tem na sala.
** Lester **
Você me olha por cima do ombro e
sorri com aquela preguiça maldita, com o corpo ainda relaxado, mas os olhos
dizendo tudo — e mais.
E quando diz que sonhou que eu te
prensava na parede…
Meu pau reage antes de mim.
Você vira de frente, se ajoelha no
sofá, os cotovelos apoiados no encosto, a bunda empinada com aquele short que
grita meu nome só de existir.
E eu sei.
Você não está só falando. Está me
chamando. Ainda sonolenta.
E ainda assim está aí.
Oferecida.
Como se não quisesse misericórdia,
só mais destruição.
Meus Deus, Lester. Meu. Deus.
Dou dois passos pra dentro da sala,
a luz do pôr do sol recortando meus ombros.
Minha voz sai grave, baixa, sem
pressa — mas carregada.
— E você acha que eu vou deixar
isso passar agora?
Me aproximo pelas suas costas.
Minhas mãos pousam no encosto do
sofá, uma de cada lado da sua cabeça.
Minha respiração quente contra sua
nuca.
Minha presença firme.
— Tiff... Se eu te pegar no colo
agora e te prensar na parede...
Minha boca chega perto do seu
ouvido.
— Quer pôr em prática esse sonho? Ou
vai fingir que essa posição aí é só coincidência?
** Tiff **
Olho pro topo da escada ao ouvir o
som do chuveiro sendo ligado.
Jane está em casa. Mas agora... no
banho.
Sorte ou risco?
Talvez os dois.
E eu não estou exatamente
preocupada com o perigo nesse instante.
— Sabe que estamos brincando com
fogo, senhor Burnham.
Digo com a voz baixa, carregada,
cada sílaba gotejando com aquela perversão juvenil que você adora fingir que
reprova — mas que no fundo venera.
Apoio o rosto no encosto do sofá,
os braços dobrados, e abro bem as pernas, ajoelhada no assento, oferecendo sem
dizer.
Sabendo que você está me devorando
com o olhar.
— Tá gostando dessa posição,
Lester?
Movimento os quadris devagar, num
vai-e-vem calculado, cirúrgico só pra te provocar ainda mais.
Só pra ver até onde você aguenta
sem fazer besteira.
E então eu ouço.
Aquele rosnado baixo, vindo de
você. Um grunhido abafado, instintivo, como se cada fibra do seu corpo
estivesse implorando pra me devorar ali mesmo.
E eu sorrio.
Porque sei que você vai ceder de
novo.
E acho que eu também.
** Lester **
O som do chuveiro ecoa lá de cima,
distante — como se o mundo lá fora ainda tivesse coragem de continuar girando,
enquanto aqui embaixo, você e eu estamos à beira do colapso.
Você me olha por cima do ombro, o
olhar queimando, a boca suja mesmo sem dizer uma palavra definitiva.
E o jeito que você diz aquilo,
porra…
Com essa voz de garota que se
diverte com o próprio veneno.
É um soco na sanidade.
Senhor Burnham.
Esse nome na sua boca é uma punheta
emocional. É você me chamando de culpa enquanto pede por castigo.
E então…
Você desce o rosto no encosto do
sofá.
Abre as pernas.
Ajoelhada.
Empinada.
Pronta.
E você move o quadril. Devagar. Filhadaputamente
maldita.
Eu encosto atrás de você.
Minha mão desliza pela curva da sua
cintura até sua bunda.
Pego firme, como quem segura algo frágil
e inquebrável ao mesmo tempo.
— Gostando?
Minha voz sai rouca, baixa,
carregada.
— Eu vou lembrar da visão dessa
posição pro resto da minha vida.
Aperto mais forte.
— Me chama de senhor Burnham de
novo, Tiff.
Porque a próxima vez que isso sair
da sua boca...
** Tiff **
Cravo os dentes no canto do lábio,
o rosto pressionado contra o encosto do sofá, sentindo o couro frio contra a
pele quente da minha bochecha. Me esfrego ali, sem vergonha, como um cão
carente pedindo atenção. Pedindo você.
O coração martela no peito,
desesperado, como se implorasse por alguma decisão.
Continuar com esse jogo sujo ou
correr do incêndio que eu mesma comecei.
— Tá pensando numa rapidinha de
roupa mesmo? Hm?
A voz sai carregada de deboche e
desejo, como se provocar um coroa solitário tivesse virado meu hobby favorito.
Não sei quando foi que me perdi no
papel. Quando perdi totalmente a razão.
Mas em algum momento viciei em
você.
No jeito que você me olha, me toca,
me consome.
A ponto de ignorar tudo — o risco,
a lógica, o limite.
Olhar pra você e tentar não
desejar?
É um esforço maior do que qualquer
força que eu tenha.
Meu coração pulsa entre as pernas.
Sinto ele lá.
Forte, quente, desesperado.
Toda vez que seu nome passa na
minha cabeça.
Merda.
Eu já fui longe demais.
E mesmo assim... quero ainda mais.
** Lester **
Você esfrega a cara no couro do
sofá como uma vadia mimada implorando carinho — e meu pau lateja com tanta
força que quase me faz gemer só de olhar.
Você é o próprio pecado disfarçado
de provocação juvenil.
Me aproximo ainda mais, a mão ainda
apertando sua bunda.
E então passo o polegar entre suas
pernas, por cima do tecido do short.
Sinto a umidade da sua calcinha já
atravessando camadas, como se seu corpo estivesse me chamando antes mesmo de
você abrir a boca.
— É. Tô pensando numa rapidinha de
roupa mesmo.
Minha voz é grave, quente, colada
na sua orelha.
Minha mão desliza pra frente, por
baixo do seu corpo, os dedos encaixando por dentro do short e da calcinha.
E quando te toco, porra…
Está escorrendo.
Quente.
Molhada.
— Você nasceu pra isso, Tiff. Pra
ser fodida assim… de surpresa, com a alma pingando depravação, e o corpo se
contorcendo só pra não gritar meu nome com sua melhor amiga no andar de cima.
E eu vou te dar isso agora mesmo.
** Tiff **
Viro o rosto um pouco pra trás,
ainda apoiada no sofá, te olhando pelo canto dos olhos, o olhar carregado de
intenção e perigo.
— Vai ter que tapar minha boca pra
eu não gemer alto demais...
Sussurro como quem confessa um
pecado pesado num confessionário enodado, com a voz tremendo no instante em que
sinto sua mão percorrer meu sexo, quente, molhado.
Mordo o ar, como se estivesse à
beira de cometer um crime.
E talvez eu esteja.
Arqueio mais o corpo, contraindo o
abdômen, empurrando as costelas pra baixo até a bunda empinar ainda mais,
oferecida, rendida, feita pra você.
— E trate de não fazer barulho
também.
A voz sai trêmula, quase falhando.
Meu coração ameaça pular pela
garganta.
Não sei se é medo.
Ou tesão.
Ou os dois.
Foda-se.
** Lester **
Você me olha pelo canto dos olhos
com aquele rosto de crime anunciado — e eu já estou pronto pra ir preso por
você.
Sua boca morde o ar, como se me
provasse que é mais selvagem do que qualquer coisa que eu já toquei.
E porra… é.
Filha da puta…
Meu pau endurece com tanta
brutalidade que chega a doer preso dentro da roupa.
Seguro sua boca com uma mão só,
firme, meu corpo já colado no seu.
A outra puxa o short e a calcinha pra
baixo, os deixando pendentes entre suas coxas.
Abro meu zíper...
E meu pau encaixa — rígido, pronto
pra reabrir teu inferno com céu dentro.
— Então geme aqui…
Rosno contra sua orelha, a mão
abafando sua boca.
— Porque eu vou te meter fundo.
E eu empurro.
De uma vez.
Eu gemo baixo entre os dentes.
O sofá gemendo junto.
Céus, Lester. Sempre pensando
com a cabeça de baixo.
Mas é direto pro inferno que eu
vou, com toda certeza.
** Tiff **
Solto um gemido abafado contra a
palma da sua mão, o som preso, sufocado, como se meu corpo implorasse por alívio,
mas não tivesse mais permissão pra pedir.
Minhas unhas se cravam no couro do
sofá, arranhando com força, marcando sem nem perceber, como se tudo em mim
precisasse se agarrar em alguma coisa pra não desmoronar novamente.
Murmuro algo entre os dentes,
inaudível, quase um soluço de prazer bruto.
E você mantém sua mão firme no meu
rosto, segurando tudo, controlando tudo, como se até meu prazer te pertencesse.
Deslizo a ponta da língua pela sua
mão aberta cobrindo minha boca, sentindo o gosto da pele, a perversão me
consumindo pedaço por pedaço, como um veneno quente.
Fecho os olhos por um instante,
rendida, como se o mundo inteiro pudesse acabar ali — e eu deixaria.
Porque isso aqui, esse momento,
esse castigo divino…
É tudo o que importa.
Sinto seu pau latejar dentro de mim
com tanta força que quase me faz perder o ar.
Como se você só existisse ali,
entre minhas pernas.
Como se o que estivesse enterrado
em mim fosse a porra de uma vida inteira de tesão reprimido, de contenção
doentia, de perversão engarrafada prestes a explodir.
E eu quero mais.
Mesmo que doa.
Porque nada… nada nunca foi tão bom
quanto isso.
** Lester **
Seu gemido explode abafado na palma
da minha mão, desesperado.
E eu sinto.
Sinto seu corpo me apertando por
dentro, — uma garota quebrada em silêncio por um homem que te fode como se o
universo dependesse disso.
Você se agarra no sofá como uma
selvagem domada, as unhas afundadas no couro, o corpo empinado, os quadris
recebendo cada estocada minha como se fossem bênçãos.
Minha mão cobre sua boca, mas
você... porra... você lambe.
A ponta da sua língua desliza na
minha palma como um erro intencional, uma provocação molhada, um convite pro
inferno particular que é te ter.
— Eu vou te foder até você nem
lembrar mais como era o mundo antes desse pau dentro de você.
Meus quadris batem forte. Cada
estocada me faz grunhir.
Minha mão aperta sua boca com mais
força.
Minha outra mão segura sua cintura.
E eu te puxo pra mim com desespero.
Fazendo seu corpo bater no meu, de
roupa, de alma, de porra toda.
— Fica quietinha, fica. Me deixa
gozar dentro de você aqui mesmo…
Antes da água lá em cima parar.
E a gente ter que fingir que isso
não existe.
** Tiff **
Você continua se afundando em mim,
lento, firme, me preenchendo como se cada investida fosse feita pra me deixar
marcada por dentro.
Sinto meu corpo apertar ao seu
redor, como se minha carne te sugasse pra não te deixar sair mais.
Meu quadril se move de encontro ao
seu, e o som da sua pélvis batendo na minha bunda ecoa em estalos baixos,
molhados, indecentes.
Mas é quando você enfia dois dedos
na minha boca, fundo, até quase tocar minha garganta, que eu quase me sinto
ruir.
Você pressiona minha língua pra
baixo com os dedos médio e anelar, firme, me fazendo salivar na sua mão.
Seu polegar segura meu queixo,
enquanto os outros dois dedos pressionam minhas bochechas, forçando meu rosto a
ficar ali, submisso à sua vontade.
Mordo de leve seus dedos, me
contorcendo de prazer, sentindo seu pau me invadir de novo, e de novo, como se
fosse tudo que eu precisasse pra continuar respirando.
A onda começa a se formar dentro de
mim, intensa, prestes a me tomar inteira.
Eu sei que estou perto.
Meu corpo já se prepara pra gozar,
pra explodir, pra ceder...
E então…
O chuveiro desliga.
O som da água para.
O mundo volta.
A realidade se esgueira pela escada
como um tapa seco.
E eu…
Quase gozando.
** Lester **
O chuveiro desliga. O som da água
some.
E o mundo segura a respiração com a
gente.
Mas eu não paro.
Não posso.
Você está quente demais. Apertada
demais. Molhada demais.
Seu corpo ajoelhado, empinado, me
recebendo como se meu pau fosse ar, e você estivesse se afogando.
Minha mão babada na boca, segurando
seu silêncio.
Meu rosto cola na sua nuca, o suor
da minha testa escorrendo na sua pele.
— Não para Tiff… Pelo amor de Deus.
Não para!
Murmuro quente, com os dentes
cravando de leve no seu ombro.
Minhas estocadas viram investidas
de puro desespero.
Rápidas. Fundas. Irregulares.
Lá em cima, passos.
Jesus.
Mas eu ainda estou dentro de você.
Afoito.
** Tiff **
Cada passo lá em cima ecoa como um
gatilho, tensionando cada nervo do meu corpo — mas agora não é mais tesão.
É puro pânico.
Num impulso, tiro sua mão da minha
boca com rapidez, o olhar cravado no teto como se ele fosse desabar a qualquer
momento.
Me desencaixo de você de qualquer
jeito, sem cuidado, sem tempo pra prazer, só pressa.
Meu corpo praticamente se joga pro
lado no sofá, num movimento seco, desesperado.
Você mal tem tempo de reagir.
— Se veste, Lester. — sussurro
entre os dentes, a voz firme, cortante, como quem está ordenando uma execução.
Me sento no sofá ainda tremendo por
dentro.
Ajeito a calcinha às pressas, subo
o short com as mãos trêmulas, respiro fundo, pegando o controle e ligando a TV
no primeiro canal que aparece, qualquer porcaria, só pra ter som ambiente.
Deslizo as mãos pelos cabelos,
tentando arrumar os fios que insistem em cair desalinhados, em me entregar.
Forço uma expressão de sono.
Quase convincente.
Mas meu corpo…
Meu corpo ainda pulsa por dentro,
ainda sente você, ainda falha.
Cada músculo parece ter esquecido
como funciona, tropeçando em si mesmo.
E cada movimento ameaça me trair.
** Lester **
O som dos passos lá em cima é como
uma bomba silenciosa explodindo entre nossos corpos colados.
E você reage com uma agilidade que
só o pavor excitado consegue produzir.
Tira minha mão da sua boca. Se
desencaixa de mim, me deixando com o pau duro, exposto à esmo.
Você se senta no sofá como se não
tivesse sido fodida segundos atrás. Ajeita a calcinha, puxa o short.
Se recompõe como uma maldita atriz,
disfarçando o caos com a cara mais angelical do mundo.
E eu fico ali.
De pé.
Fecho a calça com a cara mais deslavada
possível.
E o som alto de um programa
qualquer tenta cobrir o que a sala ainda vibra.
O risco delicioso de um crime quase
consumado.
Jane aparece no topo da escada.
De toalha na cabeça, celular na
mão.
— Acordou finalmente, dorminhoca?
Ela sorri, descendo tranquila.
— Você vive desmaiando nesse sofá.
Devia virar sua cama de uma vez.
E eu?
Eu só passo a mão nos cabelos.
Dou dois passos pra trás.
E finjo que não estava prestes a
gozar dentro de você.
Mais uma vez.
** Tiff **
— Seu pai ligou a porra da TV alto
demais e me assustou.
Reviro os olhos e te encaro com um
desdém bem calculado, como se toda a tensão do meu corpo não estivesse tentando
disfarçar algo infinitamente mais grave.
— Podia ter esperado eu acordar
pelo menos, antes de me matar do coração com esse bang bang reprisado ridículo.
Jane termina de descer as escadas
sorrindo, ainda ajeitando a alça da bolsa no ombro.
— Tá rolando uma festa na casa de
uns amigos, e eu marquei de encontrar o Bradley lá. Se quiser, vem comigo. Eu
espero você se arrumar. Você sabe que o Matt é apaixonado por você desde a
época da escola.
Eu dou aquele sorriso forçado, o
mesmo que sempre dou quando me oferecem algo que eu jamais aceitaria em sã
consciência.
— Isso é uma ideia tentadora...
Deslizo as mãos pelos cabelos
bagunçados pelo “sono”, tentando dar um ar de naturalidade que sei que não me
pertence mais desde que trepei com você pela primeira vez.
— Bom, eu vou subir, tomar um banho
então... me trocar, me maquiar.
Aperto os lábios, engolindo o
desgosto. Um convite “irrecusável” da Jane, envolto numa boa intenção burra.
Evito olhar na sua direção. Porque
se eu olhar… se eu ver seu rosto agora, isso definitivamente me entregaria.
Matt.
Como se existisse espaço pra outro
nome na minha cabeça depois de tudo que essa casa presenciou.
E agora ela me observa como
cúmplice.
Como um diário secreto do nosso pecado.
** Lester **
Você solta sua provocação com
aquele tom ácido, debochado, como se não estivesse gemendo e babando contra
minha mão minutos atrás com meu pau enterrado em você, bem no meio dessa sala.
Revira os olhos, me dá aquele olhar
de desdém — mas seus olhos não mentem. Não pra mim.
Seu corpo muito menos.
Você está tentando disfarçar o
caos, e está fazendo isso muito bem, cá entre nós.
Eu permaneço em silêncio, apenas
observando a conversa entre vocês.
Jane parece animada, alheia ao
campo minado no qual acabou de pisar.
Ela fala sorrindo.
E você responde com aquele
sorrisinho empolgado, deslizando as mãos pelos cabelos, ainda bagunçados do que
fizemos.
Do que quase fizemos de novo.
E eu? Por dentro eu estou rindo.
Rindo de nervoso. De ciúmes.
— Eu levo vocês, se quiserem. —
comento, casual, sem tirar os olhos da TV.
Mas minha voz sai com um peso
oculto, como se dissesse:
“Tenta. Vai. Olha pra outro homem.”
Jane se joga no sofá, rindo,
mexendo no celular pra variar, totalmente alheia ao que aquele estofado já
presenciou.
Ela cruza as pernas, ajeita o cabelo e sorri como se estivesse sentada num
lugar qualquer.
Como se aquela merda não tivesse sido palco do ato mais indecente da minha vida.
Da nossa vida.
— Vai rápido então, eu vou te
esperar aqui enquanto você se arruma. Mas não demora. — ela resmunga sem tirar
os olhos do aparelho.
Você esfrega o rosto, cansada,
forçando uma simpatia que eu sei que não sente nem de longe.
E eu vejo.
Vejo você subir as escadas meio arrastada, o corpo ainda entregue, a alma
tentando manter a pose.
E mesmo sabendo que só aceitou esse
convite por educação, por obrigação...
Meu estômago revira.
A ideia de outro cara — um moleque
— se aproximando de você, rindo perto de você, se inclinando pra cochichar
alguma merda no seu ouvido...
Me faz querer quebrar alguma coisa.
Ou alguém.
O pensamento dele colocando as mãos
em você, te olhando do jeito que eu olho, querendo te beijar, tocar...
É um ácido na minha garganta.
Você é minha.
Mesmo que o mundo diga o contrário.
Mesmo que ninguém possa saber.
—
Um tempo depois
—
A casa inteira cheira a perfume
doce. Jane se entupiu de brilho nos olhos, e a Tiff... bem, Tiff desceu as
escadas como quem pisa num palco. Regata curta demais, jeans colado, cabelo
meio bagunçado de propósito. Aquela porra toda me fez prender a respiração por
alguns segundos.
Eu devia estar orgulhoso de ser o
motorista responsável da noite. Mas tudo em mim gritava o contrário.
Levo as duas até a tal festa, com o
rádio ligado só pra disfarçar o silêncio desconfortável entre a gente. Elas
riem de coisas que eu não entendo mais, Tiff ainda meio desconfortável com a
situação, mas finge bem.
Bem até demais.
— Não precisa me buscar, a mãe da
Kate leva a gente depois. – Jane diz, já abrindo a porta.
Tiff só me olha por cima do ombro,
aquele olhar de quem sabe a merda da qual se enfiou sem querer. Nem diz tchau.
Só desce e some na multidão de jovens idiotas suados e barulhentos.
Volto pra casa com a cara enfiada
no volante. Tento assistir TV. Tento ler. Masturbo meus próprios pensamentos
com a mesma mão que deveria me dar algum controle, mas nem isso funciona
direito hoje.
O relógio marca 00:41. Depois
01:12. Depois 02:03.
Será que ela está dançando com
alguém?
Sentada no colo de algum moleque de
boné virado pra trás, que acha que transar mal é um ato de masculinidade?
Será que ela deixou alguém encostar
nela do jeito que eu encosto?
Será que ela riu? Mordeu o lábio?
Disse sim pra algo?
Eu me levanto da poltrona, ando
pela cozinha, bebo água gelada que parece espinhos descendo pela garganta.
Me olho no espelho da sala e odeio
tudo que vejo. Um velho. Um maldito velho que ainda acha que pode controlar o
tesão de alguém como ela.
Que patético, Lester.
Quando o relógio marca 02:57, ouço
o carro parando. Risadas. Passos tropeçados. A chave errada tentando entrar na
fechadura umas três vezes até finalmente conseguir.
Jane entra primeiro, rindo alto,
com cheiro de álcool que sinto daqui de cima. Vai direto pro sofá e desmaia ali
mesmo, bêbada demais, como sempre.
Tiff entra logo depois.
Eu já estou na cama.
Ou, pelo menos, é o que ela vai pensar.
Deito de lado, puxo o lençol até a
cintura e fecho os olhos antes mesmo de ouvir os passos dela subindo as
escadas.
Cada degrau faz meu coração bater
mais rápido, mais do que deveria. Meu rosto virado pro lado da parede, como se
eu estivesse dormindo profundamente, fingindo que nada disso me importa.
Mas eu escuto.
O ranger da madeira sob os pés
dela.
E tudo em mim quer se levantar e ir
até lá.
Mas eu fico.
Travado.
Enterrado na própria miséria desse ciúme
estúpido.
Dormir vai ser impossível hoje.
** Tiff **
Jane desaba no sofá antes mesmo que
eu consiga cruzar a porta por completo.
Mais bêbada do que nunca. Corpo
largado, respiração pesada, um sorrisinho frouxo no rosto como se estivesse
sonhando com o próprio ego.
A casa está mergulhada num silêncio
anormal. Escura, abafada. Eu diria até,
triste.
Tiro os sapatos devagar,
segurando-os nas mãos enquanto subo as escadas de ponta dos pés, feito ladra.
Deveria ir direto pro quarto que Jane me cedeu por esses dias.
Mas eu paro.
Fico ali, no meio do corredor.
Imóvel.
Deixo os sapatos encostados junto à
parede e sigo, sem pensar, guiada por alguma força burra e deliciosa que pulsa
no fundo da minha barriga.
A porta do seu quarto está
entreaberta. E você — você está deitado de costas, metade do corpo coberto pelo
lençol, como se tivesse apagado depois de mil pensamentos bagunçados demais pra
organizar.
Eu mordo o lábio. O mesmo lábio que
você calou com a palma da sua mão hoje mais cedo.
Me lembro do sofá. Do que ficou
pela metade.
Dou de ombros pro nada.
Empurro a porta com o ombro,
devagar, num movimento impulsivo. Entro como se a casa ainda pudesse me flagrar
e me denunciar.
Mas não há ninguém ali pra me
impedir de terminar o que ficou pendente.
** Lester **
Você entra.
Devagar.
Como se o chão do meu quarto fosse te
deletar a qualquer passo em falso.
Você não pede licença.
Nunca pediu.
Você invade como um vício que volta
depois de meses limpo.
Sinto o ar mudar quando seus pés
cruzam a linha da porta.
O quarto fica menor.
E mesmo com os olhos fechados, eu
sinto tudo.
O sangue me ferve por dentro.
Você não diz nada.
Mas eu sinto seu olhar sobre mim.
Sinto sua hesitação. Sua decisão.
Sinto você se aproximar.
Minha mão fecha em punho sob o
lençol.
Minha mente grita “não faça isso”,
mas o corpo... o corpo já disse sim desde a hora que ouvi seus passos no
corredor.
Você está aqui.
E eu continuo fingindo dormir.
Porque, de algum jeito doentio,
isso faz tudo parecer menos errado pra mim.
Ou mais errado ainda — o que, vindo
de você, parece sempre mais certo.
O colchão afunda do meu lado.
Meu coração dispara.
E eu sigo fingindo, porque não sei
mais como ser homem diante de você, sem ser bicho.
** Tiff **
Ajoelho na beirada do colchão,
sentindo o tecido macio afundar sob meus joelhos. Seguro uma das extremidades
do lençol entre os dedos e puxo devagar, permitindo que ele deslize pelo seu
corpo como se fosse parte do meu toque. O pano cai no chão sem fazer barulho, e
ali, exposto à meia-luz do abajur, você finge um sono que não me convence nem
por um segundo.
— Eu sei que você tá fingindo,
Lester… — murmuro, com aquele sorrisinho preguiçoso e provocante que você tanto
adora ver dançando no canto da minha boca.
Meus olhos percorrem o contorno
evidente da sua ereção marcada sob a cueca. Não há dúvida: seu corpo te trai
antes que você sequer abra os olhos.
Apoio uma das mãos no colchão,
próxima ao seu quadril, sentindo o calor do seu corpo irradiar. A outra mão
paira sobre sua pele. Deixo meus dedos escorregarem lentamente pela lateral da
sua perna, desenhando um caminho preguiçoso até alcançar sua coxa. Pressiono
ali, com um toque firme, como se testasse o quanto de controle ainda me restava
sobre você.
— Vai continuar com esse teatro
barato… ou quer terminar aquela gozada que ficou entalada à tarde no sofá?
A inclinação da minha voz cai como
uma provocação sussurrada no escuro. O ar entre nós se adensa. Eu sei que você
está acordado. Sei que está me ouvindo. E que cada palavra minha martela direto
no centro da sua vontade.
Minhas unhas riscam levemente sua
pele, como quem avisa: não vou parar por aqui.
** Lester **
Sua voz me atravessa como um
estilete afiado.
Eu deveria continuar fingindo.
Deveria manter os olhos fechados, o
corpo imóvel, a dignidade miserável que ainda me resta.
Mas você…
Você não joga limpo.
O lençol já não cobre mais nada —
nem meu corpo, nem minhas intenções.
E seus dedos na minha perna...
porra.
Eu quase gemo só com isso.
Quase.
Abro os olhos devagar, virando o
rosto na sua direção.
E lá está você.
Ajoelhada.
Maldita visão sacrílega.
— Tarde demais pra dormir agora. —
murmuro, com a voz rouca, seca, crua.
Levanto o corpo, minha mão desliza
até sua nuca, meus dedos afundando no seu cabelo.
Puxo de leve, só o suficiente pra
sentir que você é real, que está mesmo aqui, que não é mais um dos meus
delírios noturnos.
— Você voltou só pra isso, né?
A ponta dos meus dedos escorrega
pra sua mandíbula, traçando o contorno do seu rosto.
— Me deixar ainda mais fodido do
que eu já tô.
E o pior?
Está funcionando.
** Tiff **
— Depois de tudo que a gente fez
esses dias… vai mesmo se fazer de bom moço agora?
Empurro você pra trás com as duas
mãos bem no centro do peito, firme, sem delicadeza nenhuma.
— Ficou aí se remoendo por conta da
porra da festa… mas sabe muito bem que eu só fui pra não escancarar na cara da
Jane que eu vivo enfiada nessa casa por causa do pai dela, né?
Engatinho devagar sobre a cama,
meus joelhos se encaixando entre suas pernas abertas, enquanto minhas mãos
deslizam por fora do seu tórax, sentindo seu calor subir até os meus dedos.
Meu cabelo cai pelas laterais do
rosto, emoldurando minha expressão provocadora enquanto te encaro de cima.
— Eu não fiz nada de errado. Nada.
Mas mesmo assim… vim aqui me redimir. Vim continuar o que a gente não conseguiu
terminar àquela hora.
Minha voz sai arrastada, manhosa,
mas sem culpa. Só desejo.
** Lester **
Você me empurra e meu corpo afunda
no colchão, quente demais pra alguém que jurava estar dormindo.
Fico te olhando de baixo, seu rosto
emoldurado por esse cabelo desgrenhado, essa cara de provocação crua, essa boca
que parece feita só pra me enlouquecer.
Você fala com essa voz doce que
esconde tudo, menos a intenção.
E eu escuto.
Escuto como quem escuta uma
sentença.
Mas não me defendo.
— Eu sei que não fez nada. —
respondo, baixo, grave, com aquela vergonha idiota ainda empacada no fundo da
garganta.
— Eu só… eu só odiei a ideia de
você lá. Rindo pra outro alguém. Fingindo que aquele lugar fazia mais sentido
do que isso aqui.
Levo as mãos até suas coxas,
subindo devagar, marcando o caminho com os dedos.
— Você devia saber que já não tem
volta. Que depois de tudo que a gente fez... — minha voz morre por um segundo,
os olhos presos nos seus — …eu não sou mais o mesmo cara.
Puxo você pela cintura, colando seu
corpo no meu, sentindo o calor, o peso, a praga boa que você se tornou.
— Termina então. Termina o que
começou.
Mas me faz esquecer que eu já vivi
sem você antes disso. Porque agora… parece impossível.
** Tiff **
Deslizo o corpo pra baixo, deixando
um rastro quente de beijos e lambidas pelo seu peito, sentindo a textura da sua
pele arrepiar sob a minha. A respiração sai pesada contra a sua barriga,
conivente com o que minhas mãos já começam a fazer.
Mordo a borda da sua cueca, puxando
com os dentes enquanto uma das mãos entra em cena, firme, ajudando a arrancar
de vez esse maldito tecido de você.
Ela enrosca no seu pau já duro,
quente, pulsando. Eu sorrio. Ergo o rosto só pra te ver, só pra te encarar
enquanto você me olha daquele jeito, como se estivesse vendo um filme colorido
pela primeira vez depois de uma vida em preto e branco.
— Isso não vai ser rápido. —
murmuro, com a boca já rente ao seu membro, os lábios quase roçando a pele.
— Porquê dessa vez eu quero ver
você tentando segurar os gemidos.
Quero saborear cada segundo do seu
desespero.
** Lester **
Minha cabeça afunda no travesseiro,
os olhos semicerrados, a respiração cortada antes mesmo de você encostar de
verdade.
O jeito que você morde o elástico
da cueca, como se isso fosse a coisa mais natural e cruel do mundo, me faz
quase rosnar só pelo gesto.
Você fala baixo, e cada sílaba
entra em mim como um disparo à queima roupa.
“Não vai ser rápido...”
E eu acredito. Deus, eu acredito.
Minhas mãos agarram o lençol ao
lado, porque se toco em você agora, eu imploro.
E implorar por você seria o fundo
do poço mais prazeroso onde já estive.
— Vai acabar me matando desse
jeito. — sussurro entre dentes, com a voz falhada, sem vergonha nenhuma.
— Mas pelo menos... eu vou morrer
sorrindo.
E você sorri.
Aquele sorriso.
Como se soubesse que já ganhou.
Como se soubesse que é minha
perdição com peitos, lábios e língua.
E é mesmo.
** Tiff **
Eu roço os lábios pela sua virilha,
lenta, provocativamente, sentindo os músculos tremerem sob minha boca. Desço
até as coxas, mordendo de leve, depois volto pela linha da base entre o seu pau
e seu abdômen, como se esculpisse o caminho com a língua.
Repito tudo do outro lado, com a
mesma lentidão sádica, te viciando em cada toque, em cada segundo de espera.
— Gosto do seu olhar de desespero
toda vez que você pensa com a cabeça de baixo. — sussurro com um sorriso sujo,
os olhos cravados nos seus.
Passo a língua pelos seus pelos,
deixando um rastro quente de saliva, uma marca minha, só pra te torturar mais —
te dar o gosto do que ainda não entreguei por completo.
Quando finalmente te seguro com uma
das mãos, firme, sinto seu corpo vibrar como se tivesse esperado uma vida
inteira por isso, como se eu fosse o alívio de décadas de contenção e loucura.
— Você nunca mais vai conseguir
olhar pra minha boca do mesmo jeito depois de hoje. — murmuro, antes de afundar
o rosto entre suas pernas com a devoção de quem veio te arruinar de vez.
** Lester **
Meu quadril reage no mesmo segundo
em que seus lábios tocam minha virilha.
É um espasmo involuntário. Um
pedido silencioso. Um grito sem som.
Minhas mãos se apertam contra o
colchão, contra mim mesmo, contra qualquer merda que me impeça de te puxar
pelos cabelos e implorar.
Mas eu não faço.
Eu fico.
Eu sofro.
Eu vivo esse tormento delicioso que
só você sabe infligir.
— Porra, Tiff... — escapa baixo,
como um suspiro engasgado de luxúria.
Você fala da minha cabeça de baixo.
E eu te odeio por isso.
Porque é verdade.
Porque é exatamente onde estou
agora.
Preso entre o desejo e a humilhação
de ser seu desse jeito.
Quando sua mão me envolve, meu
corpo arqueia.
Como se eu tivesse sido
ressuscitado depois de anos enterrado.
— Eu já não consigo. — confesso,
com a voz arranhada. — Nem agora. Nunca mais.
Tudo em mim treme por essa boca.
Por você.
E mesmo se quisesse fugir…
Não conseguiria.
** Tiff **
Cravo os dentes na sua coxa, firme,
no ponto exato entre o limite da dor e do prazer. O som que escapa da sua
garganta me arrepia, um gemido contido, exacerbado, que denuncia o quanto está
entregue — mesmo sem querer.
Sinto suas coxas retesarem sob meu
toque, e isso só me incita ainda mais. Me instiga como fogo atiçado por vento.
— Sem dar um piu. — ordeno com a
voz baixa, rouca, cheia de perversão, mantendo os olhos nos seus.
E antes mesmo que você possa
assimilar a frase, eu te envolvo. Primeiro com o calor dos meus lábios, depois
com a umidade da minha boca inteira — te tomando como se fosse minha única
fonte de ar.
Minha mão firma a base, controlando
a profundidade, guiando cada centímetro pro fundo do inferno úmido em minha
boca. Te devoro devagar, como um doce deflorado, viciosamente quente. Como se
cada movimento da minha boca fosse uma sentença sem absolvição.
** Lester **
Meu corpo inteiro reage como se
tivesse levado um choque.
Não um desses elétricos…
Um desses que vem da alma e
atravessa a pele.
O jeito que você morde minha coxa —
com raiva, com tesão, com domínio — me arrebenta por dentro.
Eu grunho. Baixo.
Quase um sussurro ferido.
Mas aí vem a ordem.
“Sem dar um piu.”
E eu obedeço.
Porque parte de mim quer ver até
onde você vai se aproveitar disso.
E então… a sua boca.
A porra da sua boca.
Ela me engole como se fosse feita
SÓ pra isso.
Como se me conhecesse melhor do que
eu mesmo.
Como se todo o universo tivesse
conspirado pra me destruir exatamente assim.
A mão firme na base, a língua
torturando cada centímetro.
Meus dedos se cravam no lençol como
garras.
Minhas pernas tremem sob você, mas
não ousam se mover.
Não agora.
Não quando estou tão absurdamente
perto do abismo.
E mesmo com a mandíbula travada,
com o peito subindo e descendo, com o rosto molhado de suor — eu não deixo
escapar um som.
Mas dentro da minha cabeça, eu
grito.
Grito seu nome.
Mil vezes.
E nenhuma delas é suficiente.
** Tiff **
Você é a própria encarnação da
depravação. Mas agora... sou eu quem dita o ritmo.
Minha cabeça se move devagar, com
precisão calculada, enquanto meus lábios te envolvem por completo.
A sucção é firme, úmida, faminta —
e minha língua desliza com maestria ao longo da sua pele sensível, explorando
cada curva, cada pulsar, como se dançasse num compasso visceral feito só pra
você.
Sinto cada veia do seu pau saltar, cada
gota do seu sangue concentrar ali, onde você vibra tenso entre meus lábios.
É como se cada batida do seu
coração passasse primeiro por minhas mãos, pela minha boca, antes de percorrer
o resto de você.
E essa tortura deliciosa que mal
começou.
** Lester **
Eu sou o caos encarnado, e mesmo
assim... você me reduz a um pedaço de carne trêmulo nas suas mãos.
A forma como você me engole
devagar, como se saboreasse minha rendição, me quebra em mil fragmentos.
Nada no mundo — nenhum vício,
nenhum segredo desavergonhado, nenhum orgasmo roubado — se compara a isso.
Você me domina sem amarras.
Só com a boca.
Meu quadril ameaça reagir, mas eu
me seguro.
Porque é seu show.
Seu comando.
A cada movimento seu, eu mordo a
língua pra não gemer alto.
Cada vez que sua língua gira em
volta da cabeça, eu sinto o mundo perder o foco.
Se isso for punição…
Que me condenem pra sempre.
Porque agora, eu sou seu.
Faminto.
E completamente perdido.
** Tiff **
Sinto seu quadril tensionar,
buscando mais fundo da minha boca, e o som do meu gemido abafado contra seu pau
ecoa entre nós como pecado puro.
A vibração faz você estremecer, e
eu acelero o ritmo, meus lábios pressionando, minha língua te enlouquecendo com
movimentos precisos, devassos, quase cruéis. Judiando de cada centímetro seu
que se perde na minha boca.
Me afasto só o suficiente pra
respirar, pra fazer você sentir a perda.
Apoio as mãos nas suas coxas, olho
pra cima.
Você está desfigurado de tesão.
Suado. Tenso. Quase implorando sem
dizer nada.
Essa visão me enlouquece.
— Me implora, Lester.
Minha voz sai baixa, firme, molhada
de malícia.
— Implora pra eu te fazer gozar
agora.
Porque eu posso...
** Lester **
— Por favor… — minha voz sai
arrastada, rasgada, sufocada por tudo que você fez comigo até agora.
A respiração falha, o peito subindo
e descendo como se eu tivesse corrido por milhas, mas a única maratona aqui… é
você.
— Me deixa gozar… — repito, quase
sem fôlego, o olhar preso ao seu como se estivesse suplicando por salvação e
condenação ao mesmo tempo.
— Vai, Tiff… me destrói com essa
boca. Me faz perder o juízo de vez.
Minhas mãos apertam os lençóis, os
dedos afundados no tecido como se fosse a única âncora me mantendo vivo.
Pois implorar, é tudo o que eu sei
fazer agora.
E se você mandar, eu rastejo
também.
** Tiff **
Quando você suplica pra eu te fazer
gozar...
Eu afundo os dedos nas suas coxas e
enterro seu pau na minha garganta o mais fundo que posso.
Tão fundo que meus olhos chegam a
lacrimejar com a falta de ar.
Você pulsa, grunhe baixo, se
tensiona.
E eu? Eu lubrifico seu pau com a
saliva do quase engasgo.
Aumentando o ritmo, a pressão, a
precisão.
Querendo te arrastar pro inferno só
pra que você chegue em seguida ao paraíso.
Minha língua dança pelo seu pau
enquanto minha boca te devora, querendo extrair suas forças junto ao gozo.
Porque é isso que você é.
É isso que você merece.
** Lester **
Eu arqueio o corpo sem conseguir
mais controlar porra nenhuma.
Meus quadris reagem sozinhos,
buscando sua boca como se ela fosse a única coisa que importa agora nesse mundo
desgraçado.
— Ah… porra… Tiff... — sussurro
entre os dentes, tentando conter a explosão que já vem rasgando por dentro.
Meu abdômen se contrai, as veias
saltam, o peito vibra como um tambor de uma guerra prestes a estourar.
— Eu vou gozar. — aviso entre um
grunhido e um suspiro desesperado, os dedos se cravando na cama, nos meus
próprios músculos, onde for.
— Isso… isso... continua...
continua...
E então acontece.
Meus olhos se fecham, o corpo
inteiro vibra num gozo longo, quente, insano — como se você tivesse arrancado
ele direto da minha alma com os lábios.
O peito sobe, desce. O suor
escorre. E eu…
Eu só penso em você.
Na sua boca.
No gosto do meu prazer quando ele
escorre dos seus lábios.
** Tiff **
Eu sinto você explodir na minha
boca.
A porra quente me invade de um
jeito brutal, queimando minha garganta como se fosse um incêndio reverso, que
me consome por dentro.
E eu engulo. Engulo como se
estivesse saciando uma sede antiga, como se cada gota tivesse sido feita pra
mim.
Sinto o gosto, denso, quase amargo.
E gosto disso.
Meus olhos marejam, borrando o
delineado preto ao redor deles, enquanto minha respiração ainda vem
entrecortada.
A sensação é intensa. Quase poética.
Levanto devagar, me apoiando sobre
os joelhos.
Minha boca está suja, os lábios
vermelhos, brilhando com os restos do seu prazer.
Passo o dorso da mão na boca, depois
a língua pelo dorso da mão.
Ergo o rosto.
Seus olhos cravados em mim, estáticos,
desarmados.
Felizes.
— Espero que tenha valido a pena me
esperar voltar da festa. — sussurro, com a voz ainda rouca, os lábios curvados
num sorriso lento, imoral e satisfeito.
** Lester **
Eu não respondo. Só deixo o ar
escapar pela boca entreaberta, ainda sentindo o ardor da perdição grudado na
alma.
Minha mão desliza pela barriga,
buscando o próprio resquício do que você arrancou de mim segundos atrás. Meu
pau ainda lateja, mesmo mole.
Me sento devagar, os cotovelos
apoiados nos joelhos, os olhos cravados em você — com a boca lambida, o rosto
manchado da minha porra, os olhos vermelhos do esforço.
— Você... — minha voz sai baixa,
rouca — você acabou de me fazer gozar como um adolescente punheteiro. E sabe o
que é pior?
Meu olhar sobe devagar pela sua
pele, parando naquela boca inchada, suja.
— Eu ainda te comeria agora mesmo.
Desse jeito. Com a minha porra escorrendo no canto da sua boca. Você é uma
maldita visão pornográfica.
Me aproximo, puxando seu rosto com
a mão cheia de desejo.
— A única diferença entre mim e
qualquer moleque dessa festa é que eu sei o que fazer com uma garota como você.
Sei onde tocar, o quanto morder, o quanto pressionar até você gemer o meu nome
como se fosse reza.
Meu polegar limpa o canto da sua
boca, e sem pensar, eu levo o dedo à minha própria língua, provando o gosto do
que deixei em você.
— Você vai me matar, Tiff.
Mas, porra... que morte linda essa
seria.
** Tiff **
Quando você passa o dedo no canto
da minha boca e o leva até sua língua, eu sinto minha calcinha encharcar só por
isso.
O gesto é sujo, simples, mas me
corrói por dentro.
— Você é um tarado filho da puta,
sabia? — minha voz falha, embargada pelo tesão que cresce como uma corrente
elétrica atravessando meu corpo.
Você sorri, aquele maldito sorriso
cínico que me faz perder o juízo.
— Guarda um pouco pra amanhã,
bonitão. — sussurro contra sua boca, inclinando o corpo, pressionando um beijo
quente, faminto, apaixonado.
A língua desliza contra a sua, o
gosto do seu gozo ainda está ali, misturado ao meu desejo.
Me afasto só o suficiente pra
deixar a provocação no ar.
— Não se esquece que você ainda não
fodeu todos os meus buracos.
E no instante em que as palavras
escapam da minha boca, eu vejo sua expressão mudar.
É como invocar o próprio diabo.
Os músculos do seu rosto endurecem,
os olhos queimam em mim.
O ar ao redor parece ferver.
Dou um passo pra trás.
Deslizo da cama, devagar, como quem
tenta escapar da explosão que eu mesma causei.
Talvez eu não devesse ter dito
aquilo.
Talvez.
Porque pra você... isso foi como
jogar gasolina num incêndio que já estava consumindo tudo.
** Lester **
Meus olhos seguem cada movimento
seu como se o resto do mundo tivesse sido engolido por um buraco negro.
Quando você diz aquilo...
Quando você solta essa merda, com a
cara mais descarada e linda que eu já vi...
...eu quase rio. Mas não é um riso
leve.
É um riso abafado, perverso, doente
como sempre.
— Não deveria ter dito isso, Tiff.
Minha voz sai baixa, grave, com
aquela rouquidão que só aparece quando eu estou a um segundo de explodir por
dentro.
Inclino o corpo pra frente e fico
na beira da cama, mãos nos joelhos, te observando deslizar pra trás como se
sentisse que atiçou um monstro.
— Agora vai passar a noite pensando
no que eu poderia estar fazendo com você, se tivesse ficado.
Meu olhar corre por suas pernas,
sua cintura, sua pouca vergonha escondida por quase nada.
— Vai deitar nesse quarto
emprestado aí, vai se revirar entre os lençóis, mordendo o travesseiro, com a
minha porra ainda no paladar.
Me levanto, cueca pendendo entre as
coxas, o pau já dando novos sinais de vida, ainda pingando. Me aproximo
devagar, com a expressão de um predador que já te possuiu... e ainda quer mais.
Paro diante de você, encostando os
dedos no seu queixo e levantando seu rosto pra mim.
Falo rente à sua boca:
— Você não tem ideia do que acabou
de despertar.
Mas vai descobrir. Cada maldito
centímetro.
Amanhã.
Ou talvez... antes mesmo do sol
nascer.
** Tiff **
Engulo a seco, os olhos estalados
presos nos seus enquanto sua mão ainda toca meu rosto.
Me sinto como um cordeirinho diante
do lobo — indefesa, vulnerável.
Por que, em sã consciência, eu fui
falar de sexo anal justo pra você?
Justo agora... depois de você
praticamente ter deflorado minha garganta sem nenhuma piedade.
— E-eu...
A fala morre antes de nascer por
completo.
A respiração falha, tropeça. A
garganta aperta, como se meu próprio corpo tentasse impedir qualquer nova
provocação.
— Ah, Lester... nem inventa. Foi só
uma brincadeira. Uma piada.
Meu Deus, o que eu fui fazer?
Sinto o calor subir pelo pescoço
até as orelhas.
Você não precisa dizer nada. A
forma como me olha já diz tudo.
E agora eu sei...
Joguei gasolina no incêndio.
E você, sempre foi o tipo de homem
que adora ver tudo queimar.
** Lester **
Vejo seu peito subir e descer
rápido.
Sei reconhecer o som de uma
respiração que não sabe se foge ou se implora por mais.
— Só uma piada? — repito, quase
debochado, passando o polegar bem devagar pelo seu lábio inferior, sentindo-o
tremer.
Inclino a cabeça levemente,
sorrindo de canto, daquele jeito que só piora tudo.
— Então por que tá tremendo, hein?
Desço a mão pela sua garganta,
deixo os dedos escorregarem pela lateral do seu pescoço até seu ombro exposto.
Seguro ali. Firme. Só pra que sinta.
— Porque essa sua “piada” me deixou
duro de novo.
E o problema, princesa…
…é que eu sempre tenho fome.
Dou um passo pra trás, o olhar
ainda colado no seu, e vou me afastando devagar.
— Dorme com isso agora.
A frase sai como uma provocação
arrastada, quase cruel, enquanto me viro e caminho seminu de volta até a cama,
sem pressa, sabendo que cada detalhe da minha pele, cada músculo se movendo… está
sendo devorado pelos seus olhos como se fossem pecados em carne viva.
Deito novamente, puxo o lençol até
a cintura só pra provocar ainda mais.
Mas deixo um último aviso, jogado
no ar, como uma sentença:
— E reza pra Jane sair amanhã.
Porque se ela sair… eu não vou mais aceitar piadas.
** Tiff **
Fico imóvel no meio do quarto por
mais tempo do que seria aceitável dadas as circunstâncias.
Ergo as sobrancelhas, os ombros se
enrijecem, como se meu corpo tentasse responder antes da minha mente.
— Nem pense nisso — disparo,
tentando impor algum limite.
Mas agora... sou eu quem está
pensando.
Nunca fiz isso.
É bom?
Dói?
As perguntas me invadem com
violência.
Balanço a cabeça, tentando
afastá-las como se fossem moscas inconvenientes.
Mas elas insistem em voltar,
cutucando, provocando, tentando vencer.
E o pior de tudo: talvez eu queira
que elas vençam.
Lanço um último olhar em sua
direção.
Você já está sob o lençol, relaxado
demais, com essa sua cara de cafajeste de meia idade que me deixa instável.
Seu peito ainda sobe e desce,
calmo. Seu olhar ainda carrega uma centelha suja de promessas silenciosas.
Viro nos calcanhares sem dizer uma
só palavra.
Nem boa noite. Nem até amanhã.
Nada.
Saio do quarto como quem foge da
própria mente e destino.
Volto pro quarto ao lado, descalça,
arfando baixo, com o corpo ainda quente demais pra conseguir dormir.
Porque eu sei o que me espera
amanhã.
E tenho quase certeza que vou
deixar acontecer.
** Lester **
Você sai, mas o eco da sua presença
fica.
Aquele cheiro insolente e juvenil
que eu já associei ao cheiro do meu próprio vício.
O ranger quase inaudível da madeira
sob seus pés descalços.
A porra do silêncio que volta a
reinar depois de tudo que fizemos.
Eu fico ali, deitado, os olhos
abertos na escuridão.
A imagem da sua boca suja de mim, a
voz manhosa dizendo aquilo — “você ainda não fodeu todos os meus buracos” — se
repete feito maldição, tatuada nas paredes da minha mente.
Meu pau ainda pulsa sob o lençol.
Me recuso a tocar em mim de novo
agora, porque quero guardar essa fome. Quero acumular cada gota dessa tensão.
Pra te destruir amanhã.
Passo a mão pelo rosto, rindo
sozinho. Um riso rouco, sujo, mais uma vez satisfeito.
Você não tem ideia no que se meteu,
garotinha.
Amanhã, a gente não vai mais brincar
de provocar.
Amanhã, você vai descobrir do que
eu sou feito.
E se vai gostar?
Bem...
Vai.
Vai gostar tanto que vai implorar
pra eu nunca mais parar.
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