sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Let it Burn - pt III

 

O tempo passa devagar agora.
O som da casa é baixo, casual — o ranger do piso de madeira sob meus passos, carros passando ao longe na rua.

Mas aí...
Ela desperta.
Seu corpo se move lento no sofá. A cabeça ergue. As mãos vão aos olhos. Ela se espreguiça.
O peito levanta sob a blusinha colada. As costas estalam.
E o mundo volta com cheiro de descanso e do gozo já seco entre suas pernas.
Mas tem algo mais.
Ela sente.
Uma ardência sutil. Um calor ali, na pele.
A minha mão.
Estampada em sua bunda.
Marcada por debaixo do short.
A porra da minha assinatura.
Como se seu corpo, mesmo depois do descanso, ainda dissesse “fui dele”.

Jane passa pelo corredor, rindo no celular, nem olha pro sofá.
Mas eu vejo da cozinha.
Vejo ela acordar.
Se esticar.
Se lembrar.
E ver a marca.
Meu copo de whisky para no meio do caminho até os lábios.
O gelo derretido.
Minha garganta seca de novo.
E por um segundo… a casa volta a tremer.
Mesmo em silêncio agora.

 

** Tiff **

 

— Meu Deus... acho que apaguei por tempo demais no sofá — murmuro pra mim mesma, a voz ainda sonolenta, arrastada, enquanto esfrego os olhos com os punhos fechados, tentando afastar o torpor.

O céu alaranjado pinta a sala através da janela, e por um instante tudo parece silencioso demais, lento demais.

Deslizo a mão pela nuca, sentindo a pele quente, os músculos ainda soltos pelo que foi feito mais cedo.

Jane sobe as escadas falando ao celular, distraída, sem me notar.

Sem notar nada.

Como se eu nem estivesse ali.

E, pela primeira vez em todos esses anos de amizade… eu gosto disso.

Gosto de ser invisível pra ela.

Porque agora, nesse silêncio cheio de segredos, sou só eu e o que você deixou em mim.

Me espreguiço devagar, sentindo o corpo esticar com um certo prazer preguiçoso, e o ardor leve ainda presente na minha bunda…

Aquele tapa.

Sorrio sozinha.

Sem saber que você está ali.

Observando a distância.

Como sempre faz.

 

** Lester **

 

Sua voz suave corta o ar morno da sala, meio rouca do sono, meio carregada do peso de tudo que viveu hoje.

E eu ouço da cozinha.

Com o copo na mão, os olhos fixos no céu da janela que você observa agora.

O céu alaranjado.

O fim da tarde.

O fim do silêncio.

O começo de tudo de novo.

Você passa a mão pela nuca, o corpo ainda lento, como se estivesse saindo de um transe.

Como se cada músculo seu ainda carregasse minha presença sob a pele.

E carrega.

Eu sei.

Porque eu estou marcado em você.

Na carne.

Na memória.

Jane passa por você, falando no celular, rindo, sem nem notar que você acordou.

E isso me permite te olhar livremente.

Com a lembrança da sua boca mordendo meu ombro, do seu corpo tremendo no meu colo, do seu gemido preso entre meus lábios.

Apoio o copo na pia.

Me aproximo da porta da cozinha.

Me encosto no batente.

— Dormiu bonito.

Minha voz é baixa, tranquila...

Mas cheia de promessas.

— Sonhou comigo? Ou já nem precisa mais dormir pra isso?

 

** Tiff **

 

Olho pra você de canto de olho, aquele jeito preguiçoso de quem sabe exatamente o que sempre está fazendo, viro o rosto por sobre o ombro, deixando o cabelo cair um pouco na frente, só pra provocar.

— Sonhei que você me pegava no colo e me prensava contra a parede. Idiota!

Viro o corpo de vez na sua direção, sem pressa.

Dou dois passos de volta ao sofá, subo nele com os joelhos, deslizando as pernas sobre o couro que range sob o meu peso.

Me apoio com os cotovelos no encosto, tombando a cabeça de lado, o olhar preguiçoso, o cabelo bagunçado caindo novamente no rosto.

— Você acabou comigo hoje mais cedo. Só não vai ficar se achando demais por causa disso...

Esfrego o rosto no meu próprio braço, me encolhendo como uma gata manhosa pedindo por mais um afago.

E no fundo...

Talvez pedindo outra rodada.

Ou só te lembrando de quem é que você tem na sala.

 

** Lester **

 

Você me olha por cima do ombro e sorri com aquela preguiça maldita, com o corpo ainda relaxado, mas os olhos dizendo tudo — e mais.

E quando diz que sonhou que eu te prensava na parede…

Meu pau reage antes de mim.

Você vira de frente, se ajoelha no sofá, os cotovelos apoiados no encosto, a bunda empinada com aquele short que grita meu nome só de existir.

E eu sei.

Você não está só falando. Está me chamando. Ainda sonolenta.

E ainda assim está aí.

Oferecida.

Como se não quisesse misericórdia, só mais destruição.

Meus Deus, Lester. Meu. Deus.

Dou dois passos pra dentro da sala, a luz do pôr do sol recortando meus ombros.

Minha voz sai grave, baixa, sem pressa — mas carregada.

— E você acha que eu vou deixar isso passar agora?

Me aproximo pelas suas costas.

Minhas mãos pousam no encosto do sofá, uma de cada lado da sua cabeça.

Minha respiração quente contra sua nuca.

Minha presença firme.

— Tiff... Se eu te pegar no colo agora e te prensar na parede...

Minha boca chega perto do seu ouvido.

— Quer pôr em prática esse sonho? Ou vai fingir que essa posição aí é só coincidência?

 

** Tiff **

 

Olho pro topo da escada ao ouvir o som do chuveiro sendo ligado.

Jane está em casa. Mas agora... no banho.

Sorte ou risco?

Talvez os dois.

E eu não estou exatamente preocupada com o perigo nesse instante.

— Sabe que estamos brincando com fogo, senhor Burnham.

Digo com a voz baixa, carregada, cada sílaba gotejando com aquela perversão juvenil que você adora fingir que reprova — mas que no fundo venera.

Apoio o rosto no encosto do sofá, os braços dobrados, e abro bem as pernas, ajoelhada no assento, oferecendo sem dizer.

Sabendo que você está me devorando com o olhar.

— Tá gostando dessa posição, Lester?

Movimento os quadris devagar, num vai-e-vem calculado, cirúrgico só pra te provocar ainda mais.

Só pra ver até onde você aguenta sem fazer besteira.

E então eu ouço.

Aquele rosnado baixo, vindo de você. Um grunhido abafado, instintivo, como se cada fibra do seu corpo estivesse implorando pra me devorar ali mesmo.

E eu sorrio.

Porque sei que você vai ceder de novo.

E acho que eu também.

 

** Lester **

 

O som do chuveiro ecoa lá de cima, distante — como se o mundo lá fora ainda tivesse coragem de continuar girando, enquanto aqui embaixo, você e eu estamos à beira do colapso.

Você me olha por cima do ombro, o olhar queimando, a boca suja mesmo sem dizer uma palavra definitiva.

E o jeito que você diz aquilo, porra…

Com essa voz de garota que se diverte com o próprio veneno.

É um soco na sanidade.

Senhor Burnham.

Esse nome na sua boca é uma punheta emocional. É você me chamando de culpa enquanto pede por castigo.

E então…

Você desce o rosto no encosto do sofá.

Abre as pernas.

Ajoelhada.

Empinada.

Pronta.

E você move o quadril. Devagar. Filhadaputamente maldita.

Eu encosto atrás de você.

Minha mão desliza pela curva da sua cintura até sua bunda.

Pego firme, como quem segura algo frágil e inquebrável ao mesmo tempo.

— Gostando?

Minha voz sai rouca, baixa, carregada.

— Eu vou lembrar da visão dessa posição pro resto da minha vida.

Aperto mais forte.

— Me chama de senhor Burnham de novo, Tiff.

Porque a próxima vez que isso sair da sua boca...

 

** Tiff **

 

Cravo os dentes no canto do lábio, o rosto pressionado contra o encosto do sofá, sentindo o couro frio contra a pele quente da minha bochecha. Me esfrego ali, sem vergonha, como um cão carente pedindo atenção. Pedindo você.

O coração martela no peito, desesperado, como se implorasse por alguma decisão.

Continuar com esse jogo sujo ou correr do incêndio que eu mesma comecei.

— Tá pensando numa rapidinha de roupa mesmo? Hm?

A voz sai carregada de deboche e desejo, como se provocar um coroa solitário tivesse virado meu hobby favorito.

Não sei quando foi que me perdi no papel. Quando perdi totalmente a razão.

Mas em algum momento viciei em você.

No jeito que você me olha, me toca, me consome.

A ponto de ignorar tudo — o risco, a lógica, o limite.

Olhar pra você e tentar não desejar?

É um esforço maior do que qualquer força que eu tenha.

Meu coração pulsa entre as pernas.

Sinto ele lá.

Forte, quente, desesperado.

Toda vez que seu nome passa na minha cabeça.

Merda.

Eu já fui longe demais.

E mesmo assim... quero ainda mais.

 

** Lester **

 

Você esfrega a cara no couro do sofá como uma vadia mimada implorando carinho — e meu pau lateja com tanta força que quase me faz gemer só de olhar.

Você é o próprio pecado disfarçado de provocação juvenil.

Me aproximo ainda mais, a mão ainda apertando sua bunda.

E então passo o polegar entre suas pernas, por cima do tecido do short.

Sinto a umidade da sua calcinha já atravessando camadas, como se seu corpo estivesse me chamando antes mesmo de você abrir a boca.

— É. Tô pensando numa rapidinha de roupa mesmo.

Minha voz é grave, quente, colada na sua orelha.

Minha mão desliza pra frente, por baixo do seu corpo, os dedos encaixando por dentro do short e da calcinha.

E quando te toco, porra…

Está escorrendo.

Quente.

Molhada.

— Você nasceu pra isso, Tiff. Pra ser fodida assim… de surpresa, com a alma pingando depravação, e o corpo se contorcendo só pra não gritar meu nome com sua melhor amiga no andar de cima.

E eu vou te dar isso agora mesmo.

 

** Tiff **

 

Viro o rosto um pouco pra trás, ainda apoiada no sofá, te olhando pelo canto dos olhos, o olhar carregado de intenção e perigo.

— Vai ter que tapar minha boca pra eu não gemer alto demais...

Sussurro como quem confessa um pecado pesado num confessionário enodado, com a voz tremendo no instante em que sinto sua mão percorrer meu sexo, quente, molhado.

Mordo o ar, como se estivesse à beira de cometer um crime.

E talvez eu esteja.

Arqueio mais o corpo, contraindo o abdômen, empurrando as costelas pra baixo até a bunda empinar ainda mais, oferecida, rendida, feita pra você.

— E trate de não fazer barulho também.

A voz sai trêmula, quase falhando.

Meu coração ameaça pular pela garganta.

Não sei se é medo.

Ou tesão.

Ou os dois.

Foda-se.

 

** Lester **

 

Você me olha pelo canto dos olhos com aquele rosto de crime anunciado — e eu já estou pronto pra ir preso por você.

Sua boca morde o ar, como se me provasse que é mais selvagem do que qualquer coisa que eu já toquei.

E porra… é.

Filha da puta…

Meu pau endurece com tanta brutalidade que chega a doer preso dentro da roupa.

Seguro sua boca com uma mão só, firme, meu corpo já colado no seu.

A outra puxa o short e a calcinha pra baixo, os deixando pendentes entre suas coxas.

Abro meu zíper...

E meu pau encaixa — rígido, pronto pra reabrir teu inferno com céu dentro.

— Então geme aqui…

Rosno contra sua orelha, a mão abafando sua boca.

— Porque eu vou te meter fundo.

E eu empurro.

De uma vez.

Eu gemo baixo entre os dentes.

O sofá gemendo junto.

Céus, Lester. Sempre pensando com a cabeça de baixo.

Mas é direto pro inferno que eu vou, com toda certeza.

 

** Tiff **

 

Solto um gemido abafado contra a palma da sua mão, o som preso, sufocado, como se meu corpo implorasse por alívio, mas não tivesse mais permissão pra pedir.

Minhas unhas se cravam no couro do sofá, arranhando com força, marcando sem nem perceber, como se tudo em mim precisasse se agarrar em alguma coisa pra não desmoronar novamente.

Murmuro algo entre os dentes, inaudível, quase um soluço de prazer bruto.

E você mantém sua mão firme no meu rosto, segurando tudo, controlando tudo, como se até meu prazer te pertencesse.

Deslizo a ponta da língua pela sua mão aberta cobrindo minha boca, sentindo o gosto da pele, a perversão me consumindo pedaço por pedaço, como um veneno quente.

Fecho os olhos por um instante, rendida, como se o mundo inteiro pudesse acabar ali — e eu deixaria.

Porque isso aqui, esse momento, esse castigo divino…

É tudo o que importa.

Sinto seu pau latejar dentro de mim com tanta força que quase me faz perder o ar.

Como se você só existisse ali, entre minhas pernas.

Como se o que estivesse enterrado em mim fosse a porra de uma vida inteira de tesão reprimido, de contenção doentia, de perversão engarrafada prestes a explodir.

E eu quero mais.

Mesmo que doa.

Porque nada… nada nunca foi tão bom quanto isso.

 

** Lester **

 

Seu gemido explode abafado na palma da minha mão, desesperado.

E eu sinto.

Sinto seu corpo me apertando por dentro, — uma garota quebrada em silêncio por um homem que te fode como se o universo dependesse disso.

Você se agarra no sofá como uma selvagem domada, as unhas afundadas no couro, o corpo empinado, os quadris recebendo cada estocada minha como se fossem bênçãos.

Minha mão cobre sua boca, mas você... porra... você lambe.

A ponta da sua língua desliza na minha palma como um erro intencional, uma provocação molhada, um convite pro inferno particular que é te ter.

— Eu vou te foder até você nem lembrar mais como era o mundo antes desse pau dentro de você.

Meus quadris batem forte. Cada estocada me faz grunhir.

Minha mão aperta sua boca com mais força.

Minha outra mão segura sua cintura.

E eu te puxo pra mim com desespero.

Fazendo seu corpo bater no meu, de roupa, de alma, de porra toda.

— Fica quietinha, fica. Me deixa gozar dentro de você aqui mesmo…

Antes da água lá em cima parar.

E a gente ter que fingir que isso não existe.

 

** Tiff **

 

Você continua se afundando em mim, lento, firme, me preenchendo como se cada investida fosse feita pra me deixar marcada por dentro.

Sinto meu corpo apertar ao seu redor, como se minha carne te sugasse pra não te deixar sair mais.

Meu quadril se move de encontro ao seu, e o som da sua pélvis batendo na minha bunda ecoa em estalos baixos, molhados, indecentes.

Mas é quando você enfia dois dedos na minha boca, fundo, até quase tocar minha garganta, que eu quase me sinto ruir.

Você pressiona minha língua pra baixo com os dedos médio e anelar, firme, me fazendo salivar na sua mão.

Seu polegar segura meu queixo, enquanto os outros dois dedos pressionam minhas bochechas, forçando meu rosto a ficar ali, submisso à sua vontade.

Mordo de leve seus dedos, me contorcendo de prazer, sentindo seu pau me invadir de novo, e de novo, como se fosse tudo que eu precisasse pra continuar respirando.

A onda começa a se formar dentro de mim, intensa, prestes a me tomar inteira.

Eu sei que estou perto.

Meu corpo já se prepara pra gozar, pra explodir, pra ceder...

E então…

O chuveiro desliga.

O som da água para.

O mundo volta.

A realidade se esgueira pela escada como um tapa seco.

E eu…

Quase gozando.

 

** Lester **

 

O chuveiro desliga. O som da água some.

E o mundo segura a respiração com a gente.

Mas eu não paro.

Não posso.

Você está quente demais. Apertada demais. Molhada demais.

Seu corpo ajoelhado, empinado, me recebendo como se meu pau fosse ar, e você estivesse se afogando.

Minha mão babada na boca, segurando seu silêncio.

Meu rosto cola na sua nuca, o suor da minha testa escorrendo na sua pele.

— Não para Tiff… Pelo amor de Deus. Não para!

Murmuro quente, com os dentes cravando de leve no seu ombro.

Minhas estocadas viram investidas de puro desespero.

Rápidas. Fundas. Irregulares.

Lá em cima, passos.

Jesus.

Mas eu ainda estou dentro de você. Afoito.

 

** Tiff **

 

Cada passo lá em cima ecoa como um gatilho, tensionando cada nervo do meu corpo — mas agora não é mais tesão.

É puro pânico.

Num impulso, tiro sua mão da minha boca com rapidez, o olhar cravado no teto como se ele fosse desabar a qualquer momento.

Me desencaixo de você de qualquer jeito, sem cuidado, sem tempo pra prazer, só pressa.

Meu corpo praticamente se joga pro lado no sofá, num movimento seco, desesperado.

Você mal tem tempo de reagir.

— Se veste, Lester. — sussurro entre os dentes, a voz firme, cortante, como quem está ordenando uma execução.

Me sento no sofá ainda tremendo por dentro.

Ajeito a calcinha às pressas, subo o short com as mãos trêmulas, respiro fundo, pegando o controle e ligando a TV no primeiro canal que aparece, qualquer porcaria, só pra ter som ambiente.

Deslizo as mãos pelos cabelos, tentando arrumar os fios que insistem em cair desalinhados, em me entregar.

Forço uma expressão de sono.

Quase convincente.

Mas meu corpo…

Meu corpo ainda pulsa por dentro, ainda sente você, ainda falha.

Cada músculo parece ter esquecido como funciona, tropeçando em si mesmo.

E cada movimento ameaça me trair.

 

** Lester **

 

O som dos passos lá em cima é como uma bomba silenciosa explodindo entre nossos corpos colados.

E você reage com uma agilidade que só o pavor excitado consegue produzir.

Tira minha mão da sua boca. Se desencaixa de mim, me deixando com o pau duro, exposto à esmo.

Você se senta no sofá como se não tivesse sido fodida segundos atrás. Ajeita a calcinha, puxa o short.

Se recompõe como uma maldita atriz, disfarçando o caos com a cara mais angelical do mundo.

E eu fico ali.

De pé.

Fecho a calça com a cara mais deslavada possível.

E o som alto de um programa qualquer tenta cobrir o que a sala ainda vibra.

O risco delicioso de um crime quase consumado.

Jane aparece no topo da escada.

De toalha na cabeça, celular na mão.

— Acordou finalmente, dorminhoca?

Ela sorri, descendo tranquila.

— Você vive desmaiando nesse sofá. Devia virar sua cama de uma vez.

E eu?

Eu só passo a mão nos cabelos.

Dou dois passos pra trás.

E finjo que não estava prestes a gozar dentro de você.

Mais uma vez.

 

** Tiff **

 

— Seu pai ligou a porra da TV alto demais e me assustou.

Reviro os olhos e te encaro com um desdém bem calculado, como se toda a tensão do meu corpo não estivesse tentando disfarçar algo infinitamente mais grave.

— Podia ter esperado eu acordar pelo menos, antes de me matar do coração com esse bang bang reprisado ridículo.

Jane termina de descer as escadas sorrindo, ainda ajeitando a alça da bolsa no ombro.

— Tá rolando uma festa na casa de uns amigos, e eu marquei de encontrar o Bradley lá. Se quiser, vem comigo. Eu espero você se arrumar. Você sabe que o Matt é apaixonado por você desde a época da escola.

Eu dou aquele sorriso forçado, o mesmo que sempre dou quando me oferecem algo que eu jamais aceitaria em sã consciência.

— Isso é uma ideia tentadora...

Deslizo as mãos pelos cabelos bagunçados pelo “sono”, tentando dar um ar de naturalidade que sei que não me pertence mais desde que trepei com você pela primeira vez.

— Bom, eu vou subir, tomar um banho então... me trocar, me maquiar.

Aperto os lábios, engolindo o desgosto. Um convite “irrecusável” da Jane, envolto numa boa intenção burra.

Evito olhar na sua direção. Porque se eu olhar… se eu ver seu rosto agora, isso definitivamente me entregaria.

Matt.

Como se existisse espaço pra outro nome na minha cabeça depois de tudo que essa casa presenciou.

E agora ela me observa como cúmplice.

Como um diário secreto do nosso pecado.

 

** Lester **

 

Você solta sua provocação com aquele tom ácido, debochado, como se não estivesse gemendo e babando contra minha mão minutos atrás com meu pau enterrado em você, bem no meio dessa sala.

Revira os olhos, me dá aquele olhar de desdém — mas seus olhos não mentem. Não pra mim.

Seu corpo muito menos.

Você está tentando disfarçar o caos, e está fazendo isso muito bem, cá entre nós.

Eu permaneço em silêncio, apenas observando a conversa entre vocês.

Jane parece animada, alheia ao campo minado no qual acabou de pisar.

Ela fala sorrindo.

E você responde com aquele sorrisinho empolgado, deslizando as mãos pelos cabelos, ainda bagunçados do que fizemos.

Do que quase fizemos de novo.

E eu? Por dentro eu estou rindo.

Rindo de nervoso. De ciúmes.

— Eu levo vocês, se quiserem. — comento, casual, sem tirar os olhos da TV.

Mas minha voz sai com um peso oculto, como se dissesse:

“Tenta. Vai. Olha pra outro homem.”

Jane se joga no sofá, rindo, mexendo no celular pra variar, totalmente alheia ao que aquele estofado já presenciou.
Ela cruza as pernas, ajeita o cabelo e sorri como se estivesse sentada num lugar qualquer.
Como se aquela merda não tivesse sido palco do ato mais indecente da minha vida.

Da nossa vida.

— Vai rápido então, eu vou te esperar aqui enquanto você se arruma. Mas não demora. — ela resmunga sem tirar os olhos do aparelho.

Você esfrega o rosto, cansada, forçando uma simpatia que eu sei que não sente nem de longe.
E eu vejo.
Vejo você subir as escadas meio arrastada, o corpo ainda entregue, a alma tentando manter a pose.

E mesmo sabendo que só aceitou esse convite por educação, por obrigação...

Meu estômago revira.

A ideia de outro cara — um moleque — se aproximando de você, rindo perto de você, se inclinando pra cochichar alguma merda no seu ouvido...
Me faz querer quebrar alguma coisa.
Ou alguém.

O pensamento dele colocando as mãos em você, te olhando do jeito que eu olho, querendo te beijar, tocar...
É um ácido na minha garganta.

Você é minha.
Mesmo que o mundo diga o contrário.
Mesmo que ninguém possa saber.

Um tempo depois

A casa inteira cheira a perfume doce. Jane se entupiu de brilho nos olhos, e a Tiff... bem, Tiff desceu as escadas como quem pisa num palco. Regata curta demais, jeans colado, cabelo meio bagunçado de propósito. Aquela porra toda me fez prender a respiração por alguns segundos.

Eu devia estar orgulhoso de ser o motorista responsável da noite. Mas tudo em mim gritava o contrário.

Levo as duas até a tal festa, com o rádio ligado só pra disfarçar o silêncio desconfortável entre a gente. Elas riem de coisas que eu não entendo mais, Tiff ainda meio desconfortável com a situação, mas finge bem.

Bem até demais.

— Não precisa me buscar, a mãe da Kate leva a gente depois. – Jane diz, já abrindo a porta.

Tiff só me olha por cima do ombro, aquele olhar de quem sabe a merda da qual se enfiou sem querer. Nem diz tchau. Só desce e some na multidão de jovens idiotas suados e barulhentos.

Volto pra casa com a cara enfiada no volante. Tento assistir TV. Tento ler. Masturbo meus próprios pensamentos com a mesma mão que deveria me dar algum controle, mas nem isso funciona direito hoje.

O relógio marca 00:41. Depois 01:12. Depois 02:03.

Será que ela está dançando com alguém?

Sentada no colo de algum moleque de boné virado pra trás, que acha que transar mal é um ato de masculinidade?

Será que ela deixou alguém encostar nela do jeito que eu encosto?

Será que ela riu? Mordeu o lábio? Disse sim pra algo?

Eu me levanto da poltrona, ando pela cozinha, bebo água gelada que parece espinhos descendo pela garganta.

Me olho no espelho da sala e odeio tudo que vejo. Um velho. Um maldito velho que ainda acha que pode controlar o tesão de alguém como ela.

Que patético, Lester.

Quando o relógio marca 02:57, ouço o carro parando. Risadas. Passos tropeçados. A chave errada tentando entrar na fechadura umas três vezes até finalmente conseguir.

Jane entra primeiro, rindo alto, com cheiro de álcool que sinto daqui de cima. Vai direto pro sofá e desmaia ali mesmo, bêbada demais, como sempre.

Tiff entra logo depois.

Eu já estou na cama.

Ou, pelo menos, é o que ela vai pensar.

Deito de lado, puxo o lençol até a cintura e fecho os olhos antes mesmo de ouvir os passos dela subindo as escadas.

Cada degrau faz meu coração bater mais rápido, mais do que deveria. Meu rosto virado pro lado da parede, como se eu estivesse dormindo profundamente, fingindo que nada disso me importa.

Mas eu escuto.

O ranger da madeira sob os pés dela.

E tudo em mim quer se levantar e ir até lá.

Mas eu fico.

Travado.

Enterrado na própria miséria desse ciúme estúpido.

Dormir vai ser impossível hoje.

 

** Tiff **

 

Jane desaba no sofá antes mesmo que eu consiga cruzar a porta por completo.

Mais bêbada do que nunca. Corpo largado, respiração pesada, um sorrisinho frouxo no rosto como se estivesse sonhando com o próprio ego.

A casa está mergulhada num silêncio anormal. Escura, abafada.  Eu diria até, triste.

Tiro os sapatos devagar, segurando-os nas mãos enquanto subo as escadas de ponta dos pés, feito ladra. Deveria ir direto pro quarto que Jane me cedeu por esses dias.

Mas eu paro.

Fico ali, no meio do corredor. Imóvel.

Deixo os sapatos encostados junto à parede e sigo, sem pensar, guiada por alguma força burra e deliciosa que pulsa no fundo da minha barriga.

A porta do seu quarto está entreaberta. E você — você está deitado de costas, metade do corpo coberto pelo lençol, como se tivesse apagado depois de mil pensamentos bagunçados demais pra organizar.

Eu mordo o lábio. O mesmo lábio que você calou com a palma da sua mão hoje mais cedo.

Me lembro do sofá. Do que ficou pela metade.

Dou de ombros pro nada.

Empurro a porta com o ombro, devagar, num movimento impulsivo. Entro como se a casa ainda pudesse me flagrar e me denunciar.

Mas não há ninguém ali pra me impedir de terminar o que ficou pendente.

 

** Lester **

 

Você entra.

Devagar.

Como se o chão do meu quarto fosse te deletar a qualquer passo em falso.

Você não pede licença.

Nunca pediu.

Você invade como um vício que volta depois de meses limpo.

Sinto o ar mudar quando seus pés cruzam a linha da porta.

O quarto fica menor.

E mesmo com os olhos fechados, eu sinto tudo.

O sangue me ferve por dentro.

Você não diz nada.

Mas eu sinto seu olhar sobre mim.

Sinto sua hesitação. Sua decisão.

Sinto você se aproximar.

Minha mão fecha em punho sob o lençol.

Minha mente grita “não faça isso”, mas o corpo... o corpo já disse sim desde a hora que ouvi seus passos no corredor.

Você está aqui.

E eu continuo fingindo dormir.

Porque, de algum jeito doentio, isso faz tudo parecer menos errado pra mim.

Ou mais errado ainda — o que, vindo de você, parece sempre mais certo.

O colchão afunda do meu lado.

Meu coração dispara.

E eu sigo fingindo, porque não sei mais como ser homem diante de você, sem ser bicho.

 

** Tiff **

 

Ajoelho na beirada do colchão, sentindo o tecido macio afundar sob meus joelhos. Seguro uma das extremidades do lençol entre os dedos e puxo devagar, permitindo que ele deslize pelo seu corpo como se fosse parte do meu toque. O pano cai no chão sem fazer barulho, e ali, exposto à meia-luz do abajur, você finge um sono que não me convence nem por um segundo.

— Eu sei que você tá fingindo, Lester… — murmuro, com aquele sorrisinho preguiçoso e provocante que você tanto adora ver dançando no canto da minha boca.

Meus olhos percorrem o contorno evidente da sua ereção marcada sob a cueca. Não há dúvida: seu corpo te trai antes que você sequer abra os olhos.

Apoio uma das mãos no colchão, próxima ao seu quadril, sentindo o calor do seu corpo irradiar. A outra mão paira sobre sua pele. Deixo meus dedos escorregarem lentamente pela lateral da sua perna, desenhando um caminho preguiçoso até alcançar sua coxa. Pressiono ali, com um toque firme, como se testasse o quanto de controle ainda me restava sobre você.

— Vai continuar com esse teatro barato… ou quer terminar aquela gozada que ficou entalada à tarde no sofá?

A inclinação da minha voz cai como uma provocação sussurrada no escuro. O ar entre nós se adensa. Eu sei que você está acordado. Sei que está me ouvindo. E que cada palavra minha martela direto no centro da sua vontade.

Minhas unhas riscam levemente sua pele, como quem avisa: não vou parar por aqui.

 

** Lester **

 

Sua voz me atravessa como um estilete afiado.

Eu deveria continuar fingindo.

Deveria manter os olhos fechados, o corpo imóvel, a dignidade miserável que ainda me resta.

Mas você…

Você não joga limpo.

O lençol já não cobre mais nada — nem meu corpo, nem minhas intenções.

E seus dedos na minha perna... porra.

Eu quase gemo só com isso.

Quase.

Abro os olhos devagar, virando o rosto na sua direção.

E lá está você.

Ajoelhada.

Maldita visão sacrílega.

— Tarde demais pra dormir agora. — murmuro, com a voz rouca, seca, crua.

Levanto o corpo, minha mão desliza até sua nuca, meus dedos afundando no seu cabelo.

Puxo de leve, só o suficiente pra sentir que você é real, que está mesmo aqui, que não é mais um dos meus delírios noturnos.

— Você voltou só pra isso, né?

A ponta dos meus dedos escorrega pra sua mandíbula, traçando o contorno do seu rosto.

— Me deixar ainda mais fodido do que eu já tô.

E o pior?

Está funcionando.

 

** Tiff **

 

— Depois de tudo que a gente fez esses dias… vai mesmo se fazer de bom moço agora?

Empurro você pra trás com as duas mãos bem no centro do peito, firme, sem delicadeza nenhuma.

— Ficou aí se remoendo por conta da porra da festa… mas sabe muito bem que eu só fui pra não escancarar na cara da Jane que eu vivo enfiada nessa casa por causa do pai dela, né?

Engatinho devagar sobre a cama, meus joelhos se encaixando entre suas pernas abertas, enquanto minhas mãos deslizam por fora do seu tórax, sentindo seu calor subir até os meus dedos.

Meu cabelo cai pelas laterais do rosto, emoldurando minha expressão provocadora enquanto te encaro de cima.

— Eu não fiz nada de errado. Nada. Mas mesmo assim… vim aqui me redimir. Vim continuar o que a gente não conseguiu terminar àquela hora.

Minha voz sai arrastada, manhosa, mas sem culpa. Só desejo.

 

** Lester **

 

Você me empurra e meu corpo afunda no colchão, quente demais pra alguém que jurava estar dormindo.

Fico te olhando de baixo, seu rosto emoldurado por esse cabelo desgrenhado, essa cara de provocação crua, essa boca que parece feita só pra me enlouquecer.

Você fala com essa voz doce que esconde tudo, menos a intenção.

E eu escuto.

Escuto como quem escuta uma sentença.

Mas não me defendo.

— Eu sei que não fez nada. — respondo, baixo, grave, com aquela vergonha idiota ainda empacada no fundo da garganta.

— Eu só… eu só odiei a ideia de você lá. Rindo pra outro alguém. Fingindo que aquele lugar fazia mais sentido do que isso aqui.

Levo as mãos até suas coxas, subindo devagar, marcando o caminho com os dedos.

— Você devia saber que já não tem volta. Que depois de tudo que a gente fez... — minha voz morre por um segundo, os olhos presos nos seus — …eu não sou mais o mesmo cara.

Puxo você pela cintura, colando seu corpo no meu, sentindo o calor, o peso, a praga boa que você se tornou.

— Termina então. Termina o que começou.

Mas me faz esquecer que eu já vivi sem você antes disso. Porque agora… parece impossível.

 

** Tiff **

 

Deslizo o corpo pra baixo, deixando um rastro quente de beijos e lambidas pelo seu peito, sentindo a textura da sua pele arrepiar sob a minha. A respiração sai pesada contra a sua barriga, conivente com o que minhas mãos já começam a fazer.

Mordo a borda da sua cueca, puxando com os dentes enquanto uma das mãos entra em cena, firme, ajudando a arrancar de vez esse maldito tecido de você.

Ela enrosca no seu pau já duro, quente, pulsando. Eu sorrio. Ergo o rosto só pra te ver, só pra te encarar enquanto você me olha daquele jeito, como se estivesse vendo um filme colorido pela primeira vez depois de uma vida em preto e branco.

— Isso não vai ser rápido. — murmuro, com a boca já rente ao seu membro, os lábios quase roçando a pele.

— Porquê dessa vez eu quero ver você tentando segurar os gemidos.

Quero saborear cada segundo do seu desespero.

 

** Lester **

 

Minha cabeça afunda no travesseiro, os olhos semicerrados, a respiração cortada antes mesmo de você encostar de verdade.

O jeito que você morde o elástico da cueca, como se isso fosse a coisa mais natural e cruel do mundo, me faz quase rosnar só pelo gesto.

Você fala baixo, e cada sílaba entra em mim como um disparo à queima roupa.

“Não vai ser rápido...”

E eu acredito. Deus, eu acredito.

Minhas mãos agarram o lençol ao lado, porque se toco em você agora, eu imploro.

E implorar por você seria o fundo do poço mais prazeroso onde já estive.

— Vai acabar me matando desse jeito. — sussurro entre dentes, com a voz falhada, sem vergonha nenhuma.

— Mas pelo menos... eu vou morrer sorrindo.

E você sorri.

Aquele sorriso.

Como se soubesse que já ganhou.

Como se soubesse que é minha perdição com peitos, lábios e língua.

E é mesmo.

 

** Tiff **

 

Eu roço os lábios pela sua virilha, lenta, provocativamente, sentindo os músculos tremerem sob minha boca. Desço até as coxas, mordendo de leve, depois volto pela linha da base entre o seu pau e seu abdômen, como se esculpisse o caminho com a língua.

Repito tudo do outro lado, com a mesma lentidão sádica, te viciando em cada toque, em cada segundo de espera.

— Gosto do seu olhar de desespero toda vez que você pensa com a cabeça de baixo. — sussurro com um sorriso sujo, os olhos cravados nos seus.

Passo a língua pelos seus pelos, deixando um rastro quente de saliva, uma marca minha, só pra te torturar mais — te dar o gosto do que ainda não entreguei por completo.

Quando finalmente te seguro com uma das mãos, firme, sinto seu corpo vibrar como se tivesse esperado uma vida inteira por isso, como se eu fosse o alívio de décadas de contenção e loucura.

— Você nunca mais vai conseguir olhar pra minha boca do mesmo jeito depois de hoje. — murmuro, antes de afundar o rosto entre suas pernas com a devoção de quem veio te arruinar de vez.

 

** Lester **

 

Meu quadril reage no mesmo segundo em que seus lábios tocam minha virilha.

É um espasmo involuntário. Um pedido silencioso. Um grito sem som.

Minhas mãos se apertam contra o colchão, contra mim mesmo, contra qualquer merda que me impeça de te puxar pelos cabelos e implorar.

Mas eu não faço.

Eu fico.

Eu sofro.

Eu vivo esse tormento delicioso que só você sabe infligir.

— Porra, Tiff... — escapa baixo, como um suspiro engasgado de luxúria.

Você fala da minha cabeça de baixo.

E eu te odeio por isso.

Porque é verdade.

Porque é exatamente onde estou agora.

Preso entre o desejo e a humilhação de ser seu desse jeito.

Quando sua mão me envolve, meu corpo arqueia.

Como se eu tivesse sido ressuscitado depois de anos enterrado.

— Eu já não consigo. — confesso, com a voz arranhada. — Nem agora. Nunca mais.

Tudo em mim treme por essa boca.

Por você.

E mesmo se quisesse fugir…

Não conseguiria.

 

** Tiff **

 

Cravo os dentes na sua coxa, firme, no ponto exato entre o limite da dor e do prazer. O som que escapa da sua garganta me arrepia, um gemido contido, exacerbado, que denuncia o quanto está entregue — mesmo sem querer.

Sinto suas coxas retesarem sob meu toque, e isso só me incita ainda mais. Me instiga como fogo atiçado por vento.

— Sem dar um piu. — ordeno com a voz baixa, rouca, cheia de perversão, mantendo os olhos nos seus.

E antes mesmo que você possa assimilar a frase, eu te envolvo. Primeiro com o calor dos meus lábios, depois com a umidade da minha boca inteira — te tomando como se fosse minha única fonte de ar.

Minha mão firma a base, controlando a profundidade, guiando cada centímetro pro fundo do inferno úmido em minha boca. Te devoro devagar, como um doce deflorado, viciosamente quente. Como se cada movimento da minha boca fosse uma sentença sem absolvição.

 

** Lester **

 

Meu corpo inteiro reage como se tivesse levado um choque.

Não um desses elétricos…

Um desses que vem da alma e atravessa a pele.

O jeito que você morde minha coxa — com raiva, com tesão, com domínio — me arrebenta por dentro.

Eu grunho. Baixo.

Quase um sussurro ferido.

Mas aí vem a ordem.

“Sem dar um piu.”

E eu obedeço.

Porque parte de mim quer ver até onde você vai se aproveitar disso.

E então… a sua boca.

A porra da sua boca.

Ela me engole como se fosse feita SÓ pra isso.

Como se me conhecesse melhor do que eu mesmo.

Como se todo o universo tivesse conspirado pra me destruir exatamente assim.

A mão firme na base, a língua torturando cada centímetro.

Meus dedos se cravam no lençol como garras.

Minhas pernas tremem sob você, mas não ousam se mover.

Não agora.

Não quando estou tão absurdamente perto do abismo.

E mesmo com a mandíbula travada, com o peito subindo e descendo, com o rosto molhado de suor — eu não deixo escapar um som.

Mas dentro da minha cabeça, eu grito.

Grito seu nome.

Mil vezes.

E nenhuma delas é suficiente.

 

** Tiff **

 

Você é a própria encarnação da depravação. Mas agora... sou eu quem dita o ritmo.

Minha cabeça se move devagar, com precisão calculada, enquanto meus lábios te envolvem por completo.

A sucção é firme, úmida, faminta — e minha língua desliza com maestria ao longo da sua pele sensível, explorando cada curva, cada pulsar, como se dançasse num compasso visceral feito só pra você.

Sinto cada veia do seu pau saltar, cada gota do seu sangue concentrar ali, onde você vibra tenso entre meus lábios.

É como se cada batida do seu coração passasse primeiro por minhas mãos, pela minha boca, antes de percorrer o resto de você.

E essa tortura deliciosa que mal começou.

 

** Lester **

 

Eu sou o caos encarnado, e mesmo assim... você me reduz a um pedaço de carne trêmulo nas suas mãos.

A forma como você me engole devagar, como se saboreasse minha rendição, me quebra em mil fragmentos.

Nada no mundo — nenhum vício, nenhum segredo desavergonhado, nenhum orgasmo roubado — se compara a isso.

Você me domina sem amarras.

Só com a boca.

Meu quadril ameaça reagir, mas eu me seguro.

Porque é seu show.

Seu comando.

A cada movimento seu, eu mordo a língua pra não gemer alto.

Cada vez que sua língua gira em volta da cabeça, eu sinto o mundo perder o foco.

Se isso for punição…

Que me condenem pra sempre.

Porque agora, eu sou seu.

Faminto.

E completamente perdido.

 

** Tiff **

 

Sinto seu quadril tensionar, buscando mais fundo da minha boca, e o som do meu gemido abafado contra seu pau ecoa entre nós como pecado puro.

A vibração faz você estremecer, e eu acelero o ritmo, meus lábios pressionando, minha língua te enlouquecendo com movimentos precisos, devassos, quase cruéis. Judiando de cada centímetro seu que se perde na minha boca.

Me afasto só o suficiente pra respirar, pra fazer você sentir a perda.

Apoio as mãos nas suas coxas, olho pra cima.

Você está desfigurado de tesão.

Suado. Tenso. Quase implorando sem dizer nada.

Essa visão me enlouquece.

— Me implora, Lester.

Minha voz sai baixa, firme, molhada de malícia.

— Implora pra eu te fazer gozar agora.

Porque eu posso...

 

** Lester **

 

— Por favor… — minha voz sai arrastada, rasgada, sufocada por tudo que você fez comigo até agora.

A respiração falha, o peito subindo e descendo como se eu tivesse corrido por milhas, mas a única maratona aqui… é você.

— Me deixa gozar… — repito, quase sem fôlego, o olhar preso ao seu como se estivesse suplicando por salvação e condenação ao mesmo tempo.

— Vai, Tiff… me destrói com essa boca. Me faz perder o juízo de vez.

Minhas mãos apertam os lençóis, os dedos afundados no tecido como se fosse a única âncora me mantendo vivo.

Pois implorar, é tudo o que eu sei fazer agora.

E se você mandar, eu rastejo também.

 

** Tiff **

 

Quando você suplica pra eu te fazer gozar...

Eu afundo os dedos nas suas coxas e enterro seu pau na minha garganta o mais fundo que posso.

Tão fundo que meus olhos chegam a lacrimejar com a falta de ar.

Você pulsa, grunhe baixo, se tensiona.

E eu? Eu lubrifico seu pau com a saliva do quase engasgo.

Aumentando o ritmo, a pressão, a precisão.

Querendo te arrastar pro inferno só pra que você chegue em seguida ao paraíso.

Minha língua dança pelo seu pau enquanto minha boca te devora, querendo extrair suas forças junto ao gozo.

Porque é isso que você é.

É isso que você merece.

 

** Lester **

 

Eu arqueio o corpo sem conseguir mais controlar porra nenhuma.

Meus quadris reagem sozinhos, buscando sua boca como se ela fosse a única coisa que importa agora nesse mundo desgraçado.

— Ah… porra… Tiff... — sussurro entre os dentes, tentando conter a explosão que já vem rasgando por dentro.

Meu abdômen se contrai, as veias saltam, o peito vibra como um tambor de uma guerra prestes a estourar.

— Eu vou gozar. — aviso entre um grunhido e um suspiro desesperado, os dedos se cravando na cama, nos meus próprios músculos, onde for.

— Isso… isso... continua... continua...

E então acontece.

Meus olhos se fecham, o corpo inteiro vibra num gozo longo, quente, insano — como se você tivesse arrancado ele direto da minha alma com os lábios.

O peito sobe, desce. O suor escorre. E eu…

Eu só penso em você.

Na sua boca.

No gosto do meu prazer quando ele escorre dos seus lábios.

 

** Tiff **

 

Eu sinto você explodir na minha boca.

A porra quente me invade de um jeito brutal, queimando minha garganta como se fosse um incêndio reverso, que me consome por dentro.

E eu engulo. Engulo como se estivesse saciando uma sede antiga, como se cada gota tivesse sido feita pra mim.

Sinto o gosto, denso, quase amargo. E gosto disso.

Meus olhos marejam, borrando o delineado preto ao redor deles, enquanto minha respiração ainda vem entrecortada.

A sensação é intensa. Quase poética.

Levanto devagar, me apoiando sobre os joelhos.

Minha boca está suja, os lábios vermelhos, brilhando com os restos do seu prazer.

Passo o dorso da mão na boca, depois a língua pelo dorso da mão.

Ergo o rosto.

Seus olhos cravados em mim, estáticos, desarmados.

Felizes.

— Espero que tenha valido a pena me esperar voltar da festa. — sussurro, com a voz ainda rouca, os lábios curvados num sorriso lento, imoral e satisfeito.

 

** Lester **

 

Eu não respondo. Só deixo o ar escapar pela boca entreaberta, ainda sentindo o ardor da perdição grudado na alma.

Minha mão desliza pela barriga, buscando o próprio resquício do que você arrancou de mim segundos atrás. Meu pau ainda lateja, mesmo mole.

Me sento devagar, os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos cravados em você — com a boca lambida, o rosto manchado da minha porra, os olhos vermelhos do esforço.

— Você... — minha voz sai baixa, rouca — você acabou de me fazer gozar como um adolescente punheteiro. E sabe o que é pior?

Meu olhar sobe devagar pela sua pele, parando naquela boca inchada, suja.

— Eu ainda te comeria agora mesmo. Desse jeito. Com a minha porra escorrendo no canto da sua boca. Você é uma maldita visão pornográfica.

Me aproximo, puxando seu rosto com a mão cheia de desejo.

— A única diferença entre mim e qualquer moleque dessa festa é que eu sei o que fazer com uma garota como você. Sei onde tocar, o quanto morder, o quanto pressionar até você gemer o meu nome como se fosse reza.

Meu polegar limpa o canto da sua boca, e sem pensar, eu levo o dedo à minha própria língua, provando o gosto do que deixei em você.

— Você vai me matar, Tiff.

Mas, porra... que morte linda essa seria.

 

** Tiff **

 

Quando você passa o dedo no canto da minha boca e o leva até sua língua, eu sinto minha calcinha encharcar só por isso.

O gesto é sujo, simples, mas me corrói por dentro.

— Você é um tarado filho da puta, sabia? — minha voz falha, embargada pelo tesão que cresce como uma corrente elétrica atravessando meu corpo.

Você sorri, aquele maldito sorriso cínico que me faz perder o juízo.

— Guarda um pouco pra amanhã, bonitão. — sussurro contra sua boca, inclinando o corpo, pressionando um beijo quente, faminto, apaixonado.

A língua desliza contra a sua, o gosto do seu gozo ainda está ali, misturado ao meu desejo.

Me afasto só o suficiente pra deixar a provocação no ar.

— Não se esquece que você ainda não fodeu todos os meus buracos.

E no instante em que as palavras escapam da minha boca, eu vejo sua expressão mudar.

É como invocar o próprio diabo.

Os músculos do seu rosto endurecem, os olhos queimam em mim.

O ar ao redor parece ferver.

Dou um passo pra trás.

Deslizo da cama, devagar, como quem tenta escapar da explosão que eu mesma causei.

Talvez eu não devesse ter dito aquilo.

Talvez.

Porque pra você... isso foi como jogar gasolina num incêndio que já estava consumindo tudo.

 

** Lester **

 

Meus olhos seguem cada movimento seu como se o resto do mundo tivesse sido engolido por um buraco negro.

Quando você diz aquilo...

Quando você solta essa merda, com a cara mais descarada e linda que eu já vi...

...eu quase rio. Mas não é um riso leve.

É um riso abafado, perverso, doente como sempre.

— Não deveria ter dito isso, Tiff.

Minha voz sai baixa, grave, com aquela rouquidão que só aparece quando eu estou a um segundo de explodir por dentro.

Inclino o corpo pra frente e fico na beira da cama, mãos nos joelhos, te observando deslizar pra trás como se sentisse que atiçou um monstro.

— Agora vai passar a noite pensando no que eu poderia estar fazendo com você, se tivesse ficado.

Meu olhar corre por suas pernas, sua cintura, sua pouca vergonha escondida por quase nada.

— Vai deitar nesse quarto emprestado aí, vai se revirar entre os lençóis, mordendo o travesseiro, com a minha porra ainda no paladar.

Me levanto, cueca pendendo entre as coxas, o pau já dando novos sinais de vida, ainda pingando. Me aproximo devagar, com a expressão de um predador que já te possuiu... e ainda quer mais.

Paro diante de você, encostando os dedos no seu queixo e levantando seu rosto pra mim.

Falo rente à sua boca:

— Você não tem ideia do que acabou de despertar.

Mas vai descobrir. Cada maldito centímetro.

Amanhã.

Ou talvez... antes mesmo do sol nascer.

 

** Tiff **

 

Engulo a seco, os olhos estalados presos nos seus enquanto sua mão ainda toca meu rosto.

Me sinto como um cordeirinho diante do lobo — indefesa, vulnerável.

Por que, em sã consciência, eu fui falar de sexo anal justo pra você?

Justo agora... depois de você praticamente ter deflorado minha garganta sem nenhuma piedade.

— E-eu...

A fala morre antes de nascer por completo.

A respiração falha, tropeça. A garganta aperta, como se meu próprio corpo tentasse impedir qualquer nova provocação.

— Ah, Lester... nem inventa. Foi só uma brincadeira. Uma piada.

Meu Deus, o que eu fui fazer?

Sinto o calor subir pelo pescoço até as orelhas.

Você não precisa dizer nada. A forma como me olha já diz tudo.

E agora eu sei...

Joguei gasolina no incêndio.

E você, sempre foi o tipo de homem que adora ver tudo queimar.

 

** Lester **

 

Vejo seu peito subir e descer rápido.

Sei reconhecer o som de uma respiração que não sabe se foge ou se implora por mais.

— Só uma piada? — repito, quase debochado, passando o polegar bem devagar pelo seu lábio inferior, sentindo-o tremer.

Inclino a cabeça levemente, sorrindo de canto, daquele jeito que só piora tudo.

— Então por que tá tremendo, hein?

Desço a mão pela sua garganta, deixo os dedos escorregarem pela lateral do seu pescoço até seu ombro exposto. Seguro ali. Firme. Só pra que sinta.

— Porque essa sua “piada” me deixou duro de novo.

E o problema, princesa…

…é que eu sempre tenho fome.

Dou um passo pra trás, o olhar ainda colado no seu, e vou me afastando devagar.

— Dorme com isso agora.

A frase sai como uma provocação arrastada, quase cruel, enquanto me viro e caminho seminu de volta até a cama, sem pressa, sabendo que cada detalhe da minha pele, cada músculo se movendo… está sendo devorado pelos seus olhos como se fossem pecados em carne viva.

Deito novamente, puxo o lençol até a cintura só pra provocar ainda mais.

Mas deixo um último aviso, jogado no ar, como uma sentença:

— E reza pra Jane sair amanhã. Porque se ela sair… eu não vou mais aceitar piadas.

 

** Tiff **

 

Fico imóvel no meio do quarto por mais tempo do que seria aceitável dadas as circunstâncias.

Ergo as sobrancelhas, os ombros se enrijecem, como se meu corpo tentasse responder antes da minha mente.

— Nem pense nisso — disparo, tentando impor algum limite.

Mas agora... sou eu quem está pensando.

Nunca fiz isso.

É bom?

Dói?

As perguntas me invadem com violência.

Balanço a cabeça, tentando afastá-las como se fossem moscas inconvenientes.

Mas elas insistem em voltar, cutucando, provocando, tentando vencer.

E o pior de tudo: talvez eu queira que elas vençam.

Lanço um último olhar em sua direção.

Você já está sob o lençol, relaxado demais, com essa sua cara de cafajeste de meia idade que me deixa instável.

Seu peito ainda sobe e desce, calmo. Seu olhar ainda carrega uma centelha suja de promessas silenciosas.

Viro nos calcanhares sem dizer uma só palavra.

Nem boa noite. Nem até amanhã.

Nada.

Saio do quarto como quem foge da própria mente e destino.

Volto pro quarto ao lado, descalça, arfando baixo, com o corpo ainda quente demais pra conseguir dormir.

Porque eu sei o que me espera amanhã.

E tenho quase certeza que vou deixar acontecer.

 

** Lester **

 

Você sai, mas o eco da sua presença fica.

Aquele cheiro insolente e juvenil que eu já associei ao cheiro do meu próprio vício.

O ranger quase inaudível da madeira sob seus pés descalços.

A porra do silêncio que volta a reinar depois de tudo que fizemos.

Eu fico ali, deitado, os olhos abertos na escuridão.

A imagem da sua boca suja de mim, a voz manhosa dizendo aquilo — “você ainda não fodeu todos os meus buracos” — se repete feito maldição, tatuada nas paredes da minha mente.

Meu pau ainda pulsa sob o lençol.

Me recuso a tocar em mim de novo agora, porque quero guardar essa fome. Quero acumular cada gota dessa tensão.

Pra te destruir amanhã.

Passo a mão pelo rosto, rindo sozinho. Um riso rouco, sujo, mais uma vez satisfeito.

Você não tem ideia no que se meteu, garotinha.

Amanhã, a gente não vai mais brincar de provocar.

Amanhã, você vai descobrir do que eu sou feito.

E se vai gostar?

Bem...

Vai.

Vai gostar tanto que vai implorar pra eu nunca mais parar.

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