Passei aquele fim de semana inteiro pensando no que fizemos. Revivendo cada detalhe.
Cada toque.
Cada gemido. Cada palavra dita e, principalmente, as não ditas.
Ele foi
embora enquanto eu dormia — e mesmo sem despedida, deixou em mim algo que ninguém
jamais vai conseguir arrancar.
Um tipo de
realização estranha.
Bruta.
Quase
sagrada.
Como se, por
algumas horas, eu tivesse existido por completo.
E isso me
fez sentir mais viva do que qualquer outra coisa em todos esses anos.
Mas então vieram
os dias seguintes.
Na aula, ele
evitava me olhar.
Sua voz era
seca, o tom distante, o olhar fugidio — como se estivesse tentando
desesperadamente fingir que nada aconteceu.
Mas
aconteceu. E eu estava marcada até os ossos por aquilo.
Esperei até
o final da aula. Tentei falar com ele.
Ele foi
cortês… e frio.
Educado… e
cruel.
E aquilo… me
doeu na alma. Como se cada palavra dele fosse uma lâmina coberta de silêncio.
Eu me
recusei a aceitar aquilo.
A ser
tratada como uma tola apaixonada, como um rascunho descartável de um escritor
arrependido.
Foi então
que me lembrei do salão literário.
Acontecia
toda quarta à noite — um espaço intimista onde escritores e leitores liam seus
próprios textos.
Luzes
baixas, vinho barato, palavras afiadas.
O cenário
perfeito pra acabar com essa situação mal resolvida entre nós.
Com classe. Com
veneno.
Fui pra
casa.
Tomei banho
devagar, como se me preparasse pra uma performance. Vesti um vestido preto
justo, tecido que abraçava cada curva com precisão quase matemática. Cabelos
soltos. Batom vermelho.
E fui. Despretensiosamente.
Ou quase.
Chegando lá,
aceitei uma taça de alguma bebida que até agora não sei identificar — algo
entre vinho e devaneio líquido.
Me sentei em
uma das poltronas laterais, pernas cruzadas, costas eretas, e mergulhei no
silêncio, observando um homem ler um trecho do romance que estava escrevendo.
Sua voz era calma, mas não me prendia. Meus pensamentos, sim. Eles estavam
ocupados demais revivendo uma outra voz, um outro toque, um outro nome que agora
ardia sob a pele.
Me perdi até
sentir uma mão suave no ombro.
Uma mulher,
sorriso polido, me perguntou se eu gostaria de ler algo também.
Antes que eu
pudesse responder, o vi.
Jonathan.
No canto
oposto do salão.
Postura
rígida, olhar indeciso — como se estivesse dividido entre permanecer ou fugir.
Sim, ele já
tinha me visto.
E foi
naquele instante que soube: era a minha vez de escrever a próxima linha da
nossa história.
Me levantei
com uma tranquilidade que não sentia. Não carregava nenhum papel. Nenhum rascunho.
Apenas a lembrança viva do que fizemos — impressa em cada nervo do meu corpo.
Caminhei até
a frente, com os olhos vagando pela sala como se buscassem alguma referência
poética, mas era ele que eu sentia, em cada sílaba prestes a nascer da minha
boca.
E então
falei.
Versos
livres. Sem nomes. Sem rostos.
Mas
carregados de gemidos disfarçados de metáforas. De suor velado por adjetivos. De
uma foda travestida de poesia.
Pra todos os
presentes, era arte.
Mas pra
ele... era faca.
Era fogo.
Era
provocação pura.
A cada
palavra, o silêncio entre nós se incendiava.
Quando
terminei, os aplausos vieram. Sorrisos, elogios, cumprimentos.
Mal
sabiam...
Com um aceno
breve, caminhei entre eles, sem dar margem pra conversas, e subi as escadas com
a desculpa casual de lavar o rosto.
Mas nenhuma
água do mundo apagaria o incêndio que deixei plantado ali.
Muito menos
o que ainda viria.
** Jonathan
**
Meus olhos
te seguem até sumir no corredor, e a porta do banheiro se fechar.
“Deflorava.”
A palavra que
citou enquanto falava ao público, martela na minha mente como uma sentença.
Crua. Suja. Real.
Você sabe
exatamente o que dizer pra me deixar sem chão.
E conseguiu.
De novo.
A imagem do
seu corpo arqueando sob o meu ainda me assombra cada vez que fecho os olhos. E
agora você a usa como munição.
Com aquele
tom provocativo, carregado de mágoa, orgulho e... um erotismo que me tortura
mais do que qualquer punição divina.
Aperto a
ponte do nariz com os dedos, tentando respirar.
Mas não
adianta.
Levanto,
atravesso a sala tentando ignorar a culpa que paira sobre mim desde a sua
leitura. Cada degrau da escada que subo parece pesar toneladas. Me aproximo do
banheiro. Paro diante da porta.
Não bato.
Não ouso
entrar.
Mas falo.
Baixo. Rouco. Cru.
— Você me
tortura, Maddy. E pior... você sabe.
** Maddy **
Abro a porta
de repente, num impulso que nem tento conter, enquanto uma nova leitura ecoa lá
embaixo, abafada pelas paredes.
O som
distante de palavras bem pontuadas contrasta com o caos silencioso dentro de
mim.
Meus olhos
ardem.
O lápis
borrado ao redor denuncia o nervosismo — ou o que restou da tentativa de
parecer no controle.
— Você me
usou — disparo, sem rodeios, sem filtro.
— Eu achei
que era sua musa… mas não passei de um brinquedo. Um alívio pro tédio da sua
vida medíocre.
Minha
respiração sai descompassada, o peito subindo e descendo num ritmo que me
denuncia mais do que qualquer palavra.
O decote do
vestido parece mais inapropriado do que nunca, diante do seu olhar — ou do seu
silêncio.
Me sinto
exposta.
Intencionalmente.
Mas também
cansada de esperar sua reação.
— O que você
quer agora, Jonathan?
Minha voz
treme. Mas não de fraqueza. De raiva contida. De desejo não resolvido. De tudo
que você deixou em mim… e fingiu não levar.
** Jonathan
**
A porta se
abre com um estrondo seco que ecoa pelo corredor abafado. Me viro de imediato,
e te vejo ali, o rosto levemente corado, os olhos brilhando por trás da mágoa
contida. A luz fria do banheiro realça o suor em seu colo, o vestido preto
colado no seu corpo como se fosse sua própria pele.
E o
decote...
Deus do céu.
Por um
segundo esqueço como se fala.
Mas só por
um segundo.
Dou um passo
em sua direção, a voz baixa, tensa, sufocada por tudo o que não pude dizer nos
últimos dois dias.
— Eu te
quero.
Outro passo.
— Eu quero
você escrevendo sobre mim, me odiando, me amando, me amaldiçoando por ter te
tocado daquele jeito.
Aproximo o
rosto do seu, encostando a testa na sua, minha respiração colidindo com a sua.
— Quero você
queimando por dentro, como eu tô agora. Fingindo que me esqueceu enquanto goza
sozinha pensando em mim.
Meus olhos
descem pelo seu corpo. O tecido fino, a pele quente, o perfume que ainda me
arranca o juízo.
— Eu quis
fugir, Maddy. Mas você é o tipo de texto que a gente termina de ler e ainda
carrega dias na cabeça. Você é impossível de apagar.
Minha mão se
ergue, mas para no meio do caminho.
— Me diz o
que você quer agora. Porque se você disser que quer que eu vá embora… eu juro
que tento. Mesmo que doa como o inferno.
** Maddy **
— Quero que
você vá embora!
As palavras
saem da minha boca, mas não do meu coração.
E antes
mesmo que elas te atinjam de verdade, minha mão já trai qualquer intenção de
fuga — vai até você, decidida, firme, espalmada sobre o volume do seu jeans.
A pressão é
precisa. Quase cruel.
— Você quer
isso. – Não é uma pergunta. É constatação. — Você é tão sujo quanto eu,
Jonathan.
Me aproximo
mais, o olhar cravado no seu como se eu quisesse te despir só com a força da
lembrança.
— Cada vez
que você se toca sozinho… é em mim que você pensa.
Minhas
palavras saem quentes, carregadas de algo que não é mais só raiva — é fome, é
saudade, é sede de domínio.
O ar que
escapa dos meus lábios bate na lateral do seu rosto como um sopro de noites
atrás. Como o eco da vez em que você me teve — e se perdeu dentro de mim.
E agora...
Eu vejo nos
seus olhos que você quer se perder de novo.
** Jonathan
**
Sinto seu toque — quente, atrevido,
impiedoso — e meu corpo responde com uma brutalidade que me envergonha.
Minha mandíbula trava.
— Merda, Maddy...
O som da sua voz, as palavras sujas
sussurradas com a certeza de quem sabe exatamente o efeito que causa, me
desmontam por dentro.
Minha cabeça pende pra trás por um
instante, os olhos fechados, respirando fundo.
Sim, é você. Sempre foi você.
Abro os olhos e te encaro, os dedos
fechando com força ao redor da pia atrás de mim, tentando manter o controle que
já se esfarela feito papel molhado.
— Eu me odeio por isso. — murmuro
entre os dentes. — Odeio o quanto eu penso em você... o quanto eu sonho com seu
gosto, com a sua pele, com a porra do jeito que você me olha enquanto goza pra
mim.
Minha mão vai até seu pulso e
segura com força, sem afastar, apenas pra sentir sua pele contra a minha, pra
reafirmar que isso é real.
— Eu sou casado. E mesmo assim, tô
aqui, duro por você num maldito banheiro, pronto pra me ajoelhar de novo só pra
sentir seu gosto.
Meu rosto se aproxima do seu, e a
voz desce num sussurro rouco, quase suplicante:
— Me diz pra parar. Me diz que você
não sente o mesmo. Ou me beija.
Mas não me deixa nesse inferno
morno entre o certo e o que eu mais quero na vida.
** Maddy **
Aproximo meu
rosto do seu, os lábios a milímetros dos seus, mas não te beijo.
Não ainda.
Porque o
não-beijo também castiga. Também excita.
Tiro a mão
do volume duro no seu jeans com lentidão provocante, e encosto a porta atrás de
mim, fechando-a sem pressa, sem barulho — só tensão.
Dou um passo
pra trás, como se recuasse... mas é armadilha.
Apoio as
costas na parede fria, o contraste me despertando mais ainda, e então, com os
olhos cravados nos seus, subo o vestido.
Devagar.
Até a altura
dos seios.
Revelo a
calcinha preta de renda, quase transparente, presa contra minha pele já quente.
Uma
provocação sussurrada em tecido.
— Então fala
pra mim, Jonathan… Fala que você não quer mais isso. Que não pensa mais em mim.
Ou… Me mostra. Me mostra o que a culpa faz com você quando a distância não
consegue mais nos manter separados.
Me mostra
com o corpo.
Com o erro.
Com tudo que
você quis esquecer.
** Jonathan
**
Meus olhos
descem, famintos, percorrendo cada centímetro do seu corpo com o desespero de
quem passou dias se torturando com lembranças. A calcinha — essa provocação
obscena e delicada — parece rir da minha tentativa fracassada de ser um homem
contido.
Você me
desarma com a mesma precisão com que escreve.
Dou um
passo, depois outro.
Fecho de vez
a porta, travando a tranca num estalo seco.
— Eu te
evitei… porque sonhei que fazia exatamente isso.
Minha voz
falha de leve, carregada de um peso que já não cabe mais dentro de mim.
— E quando
acordei, tinha gozado pensando em você.
Me aproximo
devagar, meu corpo quase roçando no seu. A respiração quente, o olhar cravado
entre suas pernas como se aquilo fosse o último fragmento de sanidade que ainda
quero destruir.
— Você quer
saber o que a culpa faz comigo? Ela me deixa de joelhos.
Caio de
joelhos no chão frio daquele banheiro estreito, com uma reverência devassa,
quase religiosa.
— E se esse
for o meu castigo, Maddy...
— ...eu
aceito de boca cheia.
** Maddy **
Afundo os
dentes no meu lábio inferior ao te ver cair de joelhos no chão sem o menor
pudor. Ajoelhado diante de mim como se todo o resto do mundo tivesse
desaparecido. Como se a punição por tudo isso… fosse me adorar.
Nem eu
mesma, que transformo desejo em palavras, seria capaz de descrever uma cena tão
crua, tão intensa, tão… sua.
Sua cabeça
baixa, sua respiração pesada contra minhas coxas, e eu sinto — antes mesmo do
toque — meu coração martelar, feroz, tentando escapar do peito.
— A culpa
disso é sua, Jonathan. Sua.
Minha voz
sai baixa, embargada, mas firme.
Respiro
fundo, deixando que o peso da confissão me rasgue por dentro.
— Mas eu sou
mais sua ainda. Mais do que qualquer culpa ou castigo que você ache que deve
carregar.
Mais do que
qualquer norma que tente nos apagar.
Sou sua.
Mais do que
deveria.
Mais do que
consigo suportar.
** Jonathan
**
— Merda… —
murmuro baixo, quase sem ar.
A culpa que
me corroía até aqui se curva diante da forma como você me entrega essas
palavras. Meu olhar sobe devagar, subindo pelas suas pernas até alcançar seus
olhos marejados — uma mistura de dor, desejo e rendição.
Minha mão
desliza pela parte de trás da sua coxa até encontrar a curva perfeita da sua
bunda por baixo da renda.
— Não tem castigo…
— minha voz sai rouca, como se cada sílaba tivesse que atravessar um inferno
pra sair. — Tem adoração. Tem fome. Tem você.
Encosto os
lábios na renda fina e molhada, roçando de leve, respirando seu cheiro como se
me curasse de uma abstinência que me deixou cego por dias. Minhas mãos te
apertam com firmeza, como se pudessem te fundir a mim.
Beijo por
cima do tecido. Uma, duas vezes.
Depois puxo
a calcinha de lado, e o gosto da sua entrega me invade como um grito
silencioso. Deslizo a língua devagar pela sua intimidade, sentindo seu corpo
tremer contra a parede, sua respiração descompassar acima de mim.
Seguro suas
coxas com força, te impedindo de escapar.
Porque
agora, Maddy…
Agora você é
a única coisa que existe no meu mundo.
** Maddy **
Apoio a cabeça
contra a parede fria do banheiro, e fecho os olhos por um instante, me
entregando ao delírio quente que você provoca entre minhas pernas.
Sua língua
úmida e impiedosa desliza pelo meu centro com uma precisão que beira a
perversão.
Se isso for
um devaneio… que o mundo não me acorde.
Minha mão
desce devagar, trêmula, até encontrar seus cabelos curtos.
Afundo os
dedos ali, puxando com uma mistura de desespero e adoração, sentindo cada
mínimo movimento do seu rosto contra mim — cada sucção, cada pressão da sua
boca faminta.
— Você é um
maldito vício, Jonathan… — minha voz oscila, crua, vibrando entre o prazer e a
culpa que já não consigo mais diferenciar.
Aperto os
lábios, numa tentativa inútil de conter os sons que lutam pra escapar.
Mas sua
língua não dá trégua.
Seus dedos
se afundam na minha carne com a mesma fome, e minhas coxas tremem, vacilam,
sentindo cada centímetro do meu clitóris ser torturado por você com reverência
e desejo animalesco.
** Jonathan
**
A forma como
sua voz falha, como sua carne estremece sob minha língua… isso me deixa em
frangalhos por dentro, como se cada gemido sufocado fosse uma confissão que
ecoa dentro de mim mais alto do que deveria.
— Você não
faz ideia do quanto eu pensei nisso… — murmuro entre uma lambida e outra, com a
boca colada ao seu sexo, sentindo você se apertar contra mim em resposta.
Meu rosto
desliza, minha barba por fazer roçando sua pele sensível, provocando arrepios
que percorrem suas coxas e se cravam na sua espinha.
Enfio dois
dedos dentro de você com força, sem cerimônia, sentindo seu corpo me sugar como
se também tivesse sentido a minha falta com cada fibra.
— Isso... —
rosno baixo, com a respiração quente e descompassada. — Isso aqui é meu, Maddy.
Meus dedos
se movem ritmados dentro de você, minha boca sugando e girando sobre seu
clitóris com uma precisão faminta, suja, impiedosa. Como se eu quisesse te
destruir só pra reconstruir você sob minha vontade.
Você se
curva levemente, o corpo fugindo e pedindo por mais ao mesmo tempo. O som da
sua respiração contra a parede, das minhas mãos firmes segurando você, da minha
boca se deliciando com sua entrega... tudo isso transforma aquele banheiro em
um altar profano.
E você,
minha maldita tentação favorita, é o sacrilégio mais doce que eu já cometi.
** Maddy **
Meus joelhos
quase cedem. Quase.
Apoio uma
das mãos no seu ombro, buscando desesperadamente algo que me mantenha de pé
enquanto olho pra baixo — seu rosto enterrado entre minhas pernas, como se ali
estivesse seu último respiro.
A outra mão
aperta o vestido ainda erguido na altura dos seios, o tecido amarrotado entre
meus dedos trêmulos, tentando me ancorar a qualquer fragmento de sanidade que
ainda me resta.
— Porra...
Jonathan! — arfante, sufocada pelo prazer que se espalha como fogo.
Seus dedos
me penetram com firmeza, urgentes, enquanto sua boca me suga com uma precisão
lasciva, e sua língua me tortura como se conhecesse cada vírgula da minha
vontade.
TOC TOC —
alguém bate na porta do banheiro.
A pancada me
faz prender o ar no peito, o corpo em choque entre o susto e o prazer.
— Tá
ocupado! Eu tô... menstruada! — grito sem pensar, a voz saindo num tom nervoso,
entrecortado por um gemido mal contido.
Você não
para.
E isso só
torna tudo ainda mais insuportavelmente bom.
** Jonathan
**
Sufoco o
riso contra sua pele, ainda com a boca colada ao seu centro, lambendo devagar
só pra te provocar. Minha língua faz um arco preguiçoso, cruel, enquanto meus
dedos continuam se movendo dentro de você com precisão cirúrgica. Me delicio
com o jeito como seu corpo reage mesmo sob pressão.
— Que
desculpa convincente... — murmuro contra seu clitóris, e sinto você se contrair
toda com o som abafado da minha voz vibrando ali.
Seguro firme
a parte de trás da sua coxa, abrindo mais espaço pra me enterrar, e volto a
chupar você com intensidade. Como se aquela interrupção lá fora só me desse
mais vontade de te fazer perder o controle aqui dentro.
— Grita meu
nome baixinho, Maddy. Só pra mim. Ninguém lá fora precisa saber o quanto você
tá se desfazendo por dentro.
Meus olhos
sobem pra encontrar os seus. E ali, ajoelhado diante de você, com a boca suja
do seu prazer, eu te desafio com o olhar mais indecente que já te lancei.
Porque você
me viciou.
E agora, não
existe saída limpa pra nós dois.
** Maddy **
— Filho da
puta... — murmuro, tentando conter os gemidos, enquanto você me encara com
aquele olhar depravado entre minhas pernas.
Mas você não
para. Não recua.
Se afunda
ainda mais em mim, como se a minha rendição fosse a única resposta que
aceitasse.
Um gemido
baixo me escapa, e levo a mão ao rosto, tapando minha própria boca, como se
pudesse engolir de volta cada som obsceno que ameaça me denunciar.
— Ah… meu deus…
eu vou…
Solto o
vestido, que desliza e cobre parcialmente a sua cabeça, como um véu profano.
Minhas mãos
buscam apoio na parede atrás de mim, colando-se ali, desesperadas, trêmulas.
E então meu
corpo inteiro cede.
Cada músculo
vibra.
Cada nervo
se acende.
As ondas do
meu orgasmo explodem do meu centro e se espalham como incêndio, enquanto sinto
você me consumir até o último espasmo.
** Jonathan
**
Sinto o peso
do seu corpo desabar de leve contra a parede, os espasmos te fazendo tremer sob
minha boca, e isso só me faz afundar ainda mais a língua, querendo cada gota do
seu prazer como se fosse minha redenção — ou minha condenação final.
O tecido do
vestido cobre parcialmente meu rosto, mas não me impede de ver sua expressão.
Seus olhos semicerrados, os lábios entreabertos, a pele úmida. Você é arte
viva, obscena e divina, se desfazendo em minhas mãos.
Minhas mãos
seguram firme suas coxas, mantendo você aberta, entregue, até os últimos
estalos do seu prazer se extinguirem em tremores suaves. Quando finalmente
recuo, a boca úmida, o peito arfando, olho pra você como se acabasse de
testemunhar um milagre pagão.
— Você é a
porra de um pecado escrito à mão, Maddy. — sussurro, ainda ajoelhado, a voz
rouca, embriagada de você. — E eu vou acabar queimando com gosto.
Me levanto
devagar, passando a língua pela boca sem tirar os olhos dos seus. Me aproximo,
passo os dedos pela sua bochecha, sujando sua pele com o gosto da sua própria
luxúria.
— Agora...
arruma esse vestido. E tenta parecer menos deliciosa quando sair daqui.
Dou um passo
pra trás, mas antes de abrir a porta, me viro de novo.
— Quarta que
vem, esse clubinho do livro vai precisar de outro capítulo seu. E eu vou estar
bem aqui pra ouvir cada palavra. Como sua maldita audiência cativa.
** Maddy **
Então,
quando ele finalmente abre a porta do banheiro e sai, me deixando ali — com o
corpo ainda colado à parede fria, o prazer escorrendo entre as pernas, e o
gosto dele queimando nos meus lábios como se tivesse me marcado — é que a realidade
me atinge com força.
Eu estou
fodida.
Perdidamente,
inevitavelmente, irremediavelmente fodida.
Em todos os
sentidos possíveis da palavra.
Professor
Miller.
Jonathan.
Tão meu
quanto não devia ser.
Tão dentro
de mim quanto já nunca mais vai sair.
** Jonathan
**
Horas mais
tarde... já em casa.
Me encosto
de volta no sofá.
A calça já
está aberta.
A mão
desliza por dentro do tecido, como se procurasse seu calor, como se a lembrança
da sua pele morasse entre meus dedos.
— Porra...
Maddy...
Digo seu
nome no escuro. Sussurro. Como um pedido de desculpa. Como uma confissão.
Fecho os
olhos.
Te imagino
ajoelhada na minha frente, com o vestido preso na cintura e os lábios
entreabertos, implorando sem dizer uma palavra.
A cabeça
tomba pra trás.
O som da
minha respiração começa a pesar.
O toque se
intensifica.
Lembro da
forma como você gemeu no banheiro daquele clube, com as mãos tremendo, a
calcinha torturada entre meus dentes.
Lembro do
gosto. Do som molhado dos seus gemidos tentando se esconder por trás das mãos.
Lembro do
seu corpo contorcendo embaixo da minha língua como se eu fosse seu carrasco e
seu alívio.
Minhas
costas se arqueiam.
— Ah...
merda...
Não consigo
pensar em mais nada.
Só você.
Sempre você.
Mesmo que me
odeie. Mesmo que nunca me perdoe.
A mão
acelera.
O prazer
sobe como um incêndio vindo de dentro, quente, impaciente, inevitável.
— Maddy...
Seu nome
escapa entre os dentes.
E com ele,
tudo o que sou.
Gozo
sozinho.
Não no mesmo
sofá onde te fiz minha.
Permaneço ali,
ofegante, manchado, miserável.
Com a culpa
nas mãos.
E com seu nome tatuado na alma.
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