terça-feira, 5 de agosto de 2025

Dear Teacher, pt II


Passei aquele fim de semana inteiro pensando no que fizemos. Revivendo cada detalhe.

Cada toque. Cada gemido. Cada palavra dita e, principalmente, as não ditas.

Ele foi embora enquanto eu dormia — e mesmo sem despedida, deixou em mim algo que ninguém jamais vai conseguir arrancar.

Um tipo de realização estranha.

Bruta.

Quase sagrada.

Como se, por algumas horas, eu tivesse existido por completo.

E isso me fez sentir mais viva do que qualquer outra coisa em todos esses anos.

Mas então vieram os dias seguintes.

Na aula, ele evitava me olhar.

Sua voz era seca, o tom distante, o olhar fugidio — como se estivesse tentando desesperadamente fingir que nada aconteceu.

Mas aconteceu. E eu estava marcada até os ossos por aquilo.

Esperei até o final da aula. Tentei falar com ele.

Ele foi cortês… e frio.

Educado… e cruel.

E aquilo… me doeu na alma. Como se cada palavra dele fosse uma lâmina coberta de silêncio.

Eu me recusei a aceitar aquilo.

A ser tratada como uma tola apaixonada, como um rascunho descartável de um escritor arrependido.

Foi então que me lembrei do salão literário.

Acontecia toda quarta à noite — um espaço intimista onde escritores e leitores liam seus próprios textos.

Luzes baixas, vinho barato, palavras afiadas.

O cenário perfeito pra acabar com essa situação mal resolvida entre nós.

Com classe. Com veneno.

Fui pra casa.

Tomei banho devagar, como se me preparasse pra uma performance. Vesti um vestido preto justo, tecido que abraçava cada curva com precisão quase matemática. Cabelos soltos. Batom vermelho.

E fui. Despretensiosamente.

Ou quase.

Chegando lá, aceitei uma taça de alguma bebida que até agora não sei identificar — algo entre vinho e devaneio líquido.

Me sentei em uma das poltronas laterais, pernas cruzadas, costas eretas, e mergulhei no silêncio, observando um homem ler um trecho do romance que estava escrevendo. Sua voz era calma, mas não me prendia. Meus pensamentos, sim. Eles estavam ocupados demais revivendo uma outra voz, um outro toque, um outro nome que agora ardia sob a pele.

Me perdi até sentir uma mão suave no ombro.

Uma mulher, sorriso polido, me perguntou se eu gostaria de ler algo também.

Antes que eu pudesse responder, o vi.

Jonathan.

No canto oposto do salão.

Postura rígida, olhar indeciso — como se estivesse dividido entre permanecer ou fugir.

Sim, ele já tinha me visto.

E foi naquele instante que soube: era a minha vez de escrever a próxima linha da nossa história.

Me levantei com uma tranquilidade que não sentia. Não carregava nenhum papel. Nenhum rascunho. Apenas a lembrança viva do que fizemos — impressa em cada nervo do meu corpo.

Caminhei até a frente, com os olhos vagando pela sala como se buscassem alguma referência poética, mas era ele que eu sentia, em cada sílaba prestes a nascer da minha boca.

E então falei.

Versos livres. Sem nomes. Sem rostos.

Mas carregados de gemidos disfarçados de metáforas. De suor velado por adjetivos. De uma foda travestida de poesia.

Pra todos os presentes, era arte.

Mas pra ele... era faca.

Era fogo.

Era provocação pura.

A cada palavra, o silêncio entre nós se incendiava.

Quando terminei, os aplausos vieram. Sorrisos, elogios, cumprimentos.

Mal sabiam...

Com um aceno breve, caminhei entre eles, sem dar margem pra conversas, e subi as escadas com a desculpa casual de lavar o rosto.

Mas nenhuma água do mundo apagaria o incêndio que deixei plantado ali.

Muito menos o que ainda viria.

 

** Jonathan **

 

Meus olhos te seguem até sumir no corredor, e a porta do banheiro se fechar.

“Deflorava.”

A palavra que citou enquanto falava ao público, martela na minha mente como uma sentença. Crua. Suja. Real.

Você sabe exatamente o que dizer pra me deixar sem chão.

E conseguiu.

De novo.

A imagem do seu corpo arqueando sob o meu ainda me assombra cada vez que fecho os olhos. E agora você a usa como munição.

Com aquele tom provocativo, carregado de mágoa, orgulho e... um erotismo que me tortura mais do que qualquer punição divina.

Aperto a ponte do nariz com os dedos, tentando respirar.

Mas não adianta.

Levanto, atravesso a sala tentando ignorar a culpa que paira sobre mim desde a sua leitura. Cada degrau da escada que subo parece pesar toneladas. Me aproximo do banheiro. Paro diante da porta.

Não bato.

Não ouso entrar.

Mas falo. Baixo. Rouco. Cru.

— Você me tortura, Maddy. E pior... você sabe.

 

** Maddy **

 

Abro a porta de repente, num impulso que nem tento conter, enquanto uma nova leitura ecoa lá embaixo, abafada pelas paredes.

O som distante de palavras bem pontuadas contrasta com o caos silencioso dentro de mim.

Meus olhos ardem.

O lápis borrado ao redor denuncia o nervosismo — ou o que restou da tentativa de parecer no controle.

— Você me usou — disparo, sem rodeios, sem filtro.

— Eu achei que era sua musa… mas não passei de um brinquedo. Um alívio pro tédio da sua vida medíocre.

Minha respiração sai descompassada, o peito subindo e descendo num ritmo que me denuncia mais do que qualquer palavra.

O decote do vestido parece mais inapropriado do que nunca, diante do seu olhar — ou do seu silêncio.

Me sinto exposta.

Intencionalmente.

Mas também cansada de esperar sua reação.

— O que você quer agora, Jonathan?

Minha voz treme. Mas não de fraqueza. De raiva contida. De desejo não resolvido. De tudo que você deixou em mim… e fingiu não levar.

 

** Jonathan **

 

A porta se abre com um estrondo seco que ecoa pelo corredor abafado. Me viro de imediato, e te vejo ali, o rosto levemente corado, os olhos brilhando por trás da mágoa contida. A luz fria do banheiro realça o suor em seu colo, o vestido preto colado no seu corpo como se fosse sua própria pele.

E o decote...

Deus do céu.

Por um segundo esqueço como se fala.

Mas só por um segundo.

Dou um passo em sua direção, a voz baixa, tensa, sufocada por tudo o que não pude dizer nos últimos dois dias.

— Eu te quero.

Outro passo.

— Eu quero você escrevendo sobre mim, me odiando, me amando, me amaldiçoando por ter te tocado daquele jeito.

Aproximo o rosto do seu, encostando a testa na sua, minha respiração colidindo com a sua.

— Quero você queimando por dentro, como eu tô agora. Fingindo que me esqueceu enquanto goza sozinha pensando em mim.

Meus olhos descem pelo seu corpo. O tecido fino, a pele quente, o perfume que ainda me arranca o juízo.

— Eu quis fugir, Maddy. Mas você é o tipo de texto que a gente termina de ler e ainda carrega dias na cabeça. Você é impossível de apagar.

Minha mão se ergue, mas para no meio do caminho.

— Me diz o que você quer agora. Porque se você disser que quer que eu vá embora… eu juro que tento. Mesmo que doa como o inferno.

 

** Maddy **

 

— Quero que você vá embora!

As palavras saem da minha boca, mas não do meu coração.

E antes mesmo que elas te atinjam de verdade, minha mão já trai qualquer intenção de fuga — vai até você, decidida, firme, espalmada sobre o volume do seu jeans.

A pressão é precisa. Quase cruel.

— Você quer isso. – Não é uma pergunta. É constatação. — Você é tão sujo quanto eu, Jonathan.

Me aproximo mais, o olhar cravado no seu como se eu quisesse te despir só com a força da lembrança.

— Cada vez que você se toca sozinho… é em mim que você pensa.

Minhas palavras saem quentes, carregadas de algo que não é mais só raiva — é fome, é saudade, é sede de domínio.

O ar que escapa dos meus lábios bate na lateral do seu rosto como um sopro de noites atrás. Como o eco da vez em que você me teve — e se perdeu dentro de mim.

E agora...

Eu vejo nos seus olhos que você quer se perder de novo.

 

** Jonathan **

 

Sinto seu toque — quente, atrevido, impiedoso — e meu corpo responde com uma brutalidade que me envergonha.

Minha mandíbula trava.

— Merda, Maddy...

O som da sua voz, as palavras sujas sussurradas com a certeza de quem sabe exatamente o efeito que causa, me desmontam por dentro.

Minha cabeça pende pra trás por um instante, os olhos fechados, respirando fundo.

Sim, é você. Sempre foi você.

Abro os olhos e te encaro, os dedos fechando com força ao redor da pia atrás de mim, tentando manter o controle que já se esfarela feito papel molhado.

— Eu me odeio por isso. — murmuro entre os dentes. — Odeio o quanto eu penso em você... o quanto eu sonho com seu gosto, com a sua pele, com a porra do jeito que você me olha enquanto goza pra mim.

Minha mão vai até seu pulso e segura com força, sem afastar, apenas pra sentir sua pele contra a minha, pra reafirmar que isso é real.

— Eu sou casado. E mesmo assim, tô aqui, duro por você num maldito banheiro, pronto pra me ajoelhar de novo só pra sentir seu gosto.

Meu rosto se aproxima do seu, e a voz desce num sussurro rouco, quase suplicante:

— Me diz pra parar. Me diz que você não sente o mesmo. Ou me beija.

Mas não me deixa nesse inferno morno entre o certo e o que eu mais quero na vida.

 

** Maddy ** 

 

Aproximo meu rosto do seu, os lábios a milímetros dos seus, mas não te beijo.

Não ainda.

Porque o não-beijo também castiga. Também excita.

Tiro a mão do volume duro no seu jeans com lentidão provocante, e encosto a porta atrás de mim, fechando-a sem pressa, sem barulho — só tensão.

Dou um passo pra trás, como se recuasse... mas é armadilha.

Apoio as costas na parede fria, o contraste me despertando mais ainda, e então, com os olhos cravados nos seus, subo o vestido.

Devagar.

Até a altura dos seios.

Revelo a calcinha preta de renda, quase transparente, presa contra minha pele já quente.

Uma provocação sussurrada em tecido.

— Então fala pra mim, Jonathan… Fala que você não quer mais isso. Que não pensa mais em mim. Ou… Me mostra. Me mostra o que a culpa faz com você quando a distância não consegue mais nos manter separados.

Me mostra com o corpo.

Com o erro.

Com tudo que você quis esquecer.

 

** Jonathan **

 

Meus olhos descem, famintos, percorrendo cada centímetro do seu corpo com o desespero de quem passou dias se torturando com lembranças. A calcinha — essa provocação obscena e delicada — parece rir da minha tentativa fracassada de ser um homem contido.

Você me desarma com a mesma precisão com que escreve.

Dou um passo, depois outro.

Fecho de vez a porta, travando a tranca num estalo seco.

— Eu te evitei… porque sonhei que fazia exatamente isso.

Minha voz falha de leve, carregada de um peso que já não cabe mais dentro de mim.

— E quando acordei, tinha gozado pensando em você.

Me aproximo devagar, meu corpo quase roçando no seu. A respiração quente, o olhar cravado entre suas pernas como se aquilo fosse o último fragmento de sanidade que ainda quero destruir.

— Você quer saber o que a culpa faz comigo? Ela me deixa de joelhos.

Caio de joelhos no chão frio daquele banheiro estreito, com uma reverência devassa, quase religiosa.

— E se esse for o meu castigo, Maddy...

— ...eu aceito de boca cheia.

 

** Maddy **

 

Afundo os dentes no meu lábio inferior ao te ver cair de joelhos no chão sem o menor pudor. Ajoelhado diante de mim como se todo o resto do mundo tivesse desaparecido. Como se a punição por tudo isso… fosse me adorar.

Nem eu mesma, que transformo desejo em palavras, seria capaz de descrever uma cena tão crua, tão intensa, tão… sua.

Sua cabeça baixa, sua respiração pesada contra minhas coxas, e eu sinto — antes mesmo do toque — meu coração martelar, feroz, tentando escapar do peito.

— A culpa disso é sua, Jonathan. Sua.

Minha voz sai baixa, embargada, mas firme.

Respiro fundo, deixando que o peso da confissão me rasgue por dentro.

— Mas eu sou mais sua ainda. Mais do que qualquer culpa ou castigo que você ache que deve carregar.

Mais do que qualquer norma que tente nos apagar.

Sou sua.

Mais do que deveria.

Mais do que consigo suportar.

 

** Jonathan **

 

— Merda… — murmuro baixo, quase sem ar.

A culpa que me corroía até aqui se curva diante da forma como você me entrega essas palavras. Meu olhar sobe devagar, subindo pelas suas pernas até alcançar seus olhos marejados — uma mistura de dor, desejo e rendição.

Minha mão desliza pela parte de trás da sua coxa até encontrar a curva perfeita da sua bunda por baixo da renda.

— Não tem castigo… — minha voz sai rouca, como se cada sílaba tivesse que atravessar um inferno pra sair. — Tem adoração. Tem fome. Tem você.

Encosto os lábios na renda fina e molhada, roçando de leve, respirando seu cheiro como se me curasse de uma abstinência que me deixou cego por dias. Minhas mãos te apertam com firmeza, como se pudessem te fundir a mim.

Beijo por cima do tecido. Uma, duas vezes.

Depois puxo a calcinha de lado, e o gosto da sua entrega me invade como um grito silencioso. Deslizo a língua devagar pela sua intimidade, sentindo seu corpo tremer contra a parede, sua respiração descompassar acima de mim.

Seguro suas coxas com força, te impedindo de escapar.

Porque agora, Maddy…

Agora você é a única coisa que existe no meu mundo.

 

** Maddy **

 

Apoio a cabeça contra a parede fria do banheiro, e fecho os olhos por um instante, me entregando ao delírio quente que você provoca entre minhas pernas.

Sua língua úmida e impiedosa desliza pelo meu centro com uma precisão que beira a perversão.

Se isso for um devaneio… que o mundo não me acorde.

Minha mão desce devagar, trêmula, até encontrar seus cabelos curtos.

Afundo os dedos ali, puxando com uma mistura de desespero e adoração, sentindo cada mínimo movimento do seu rosto contra mim — cada sucção, cada pressão da sua boca faminta.

— Você é um maldito vício, Jonathan… — minha voz oscila, crua, vibrando entre o prazer e a culpa que já não consigo mais diferenciar.

Aperto os lábios, numa tentativa inútil de conter os sons que lutam pra escapar.

Mas sua língua não dá trégua.

Seus dedos se afundam na minha carne com a mesma fome, e minhas coxas tremem, vacilam, sentindo cada centímetro do meu clitóris ser torturado por você com reverência e desejo animalesco.

 

** Jonathan **

 

A forma como sua voz falha, como sua carne estremece sob minha língua… isso me deixa em frangalhos por dentro, como se cada gemido sufocado fosse uma confissão que ecoa dentro de mim mais alto do que deveria.

— Você não faz ideia do quanto eu pensei nisso… — murmuro entre uma lambida e outra, com a boca colada ao seu sexo, sentindo você se apertar contra mim em resposta.

Meu rosto desliza, minha barba por fazer roçando sua pele sensível, provocando arrepios que percorrem suas coxas e se cravam na sua espinha.

Enfio dois dedos dentro de você com força, sem cerimônia, sentindo seu corpo me sugar como se também tivesse sentido a minha falta com cada fibra.

— Isso... — rosno baixo, com a respiração quente e descompassada. — Isso aqui é meu, Maddy.

Meus dedos se movem ritmados dentro de você, minha boca sugando e girando sobre seu clitóris com uma precisão faminta, suja, impiedosa. Como se eu quisesse te destruir só pra reconstruir você sob minha vontade.

Você se curva levemente, o corpo fugindo e pedindo por mais ao mesmo tempo. O som da sua respiração contra a parede, das minhas mãos firmes segurando você, da minha boca se deliciando com sua entrega... tudo isso transforma aquele banheiro em um altar profano.

E você, minha maldita tentação favorita, é o sacrilégio mais doce que eu já cometi.

 

** Maddy **

 

Meus joelhos quase cedem. Quase.

Apoio uma das mãos no seu ombro, buscando desesperadamente algo que me mantenha de pé enquanto olho pra baixo — seu rosto enterrado entre minhas pernas, como se ali estivesse seu último respiro.

A outra mão aperta o vestido ainda erguido na altura dos seios, o tecido amarrotado entre meus dedos trêmulos, tentando me ancorar a qualquer fragmento de sanidade que ainda me resta.

— Porra... Jonathan! — arfante, sufocada pelo prazer que se espalha como fogo.

Seus dedos me penetram com firmeza, urgentes, enquanto sua boca me suga com uma precisão lasciva, e sua língua me tortura como se conhecesse cada vírgula da minha vontade.

TOC TOC — alguém bate na porta do banheiro.

A pancada me faz prender o ar no peito, o corpo em choque entre o susto e o prazer.

— Tá ocupado! Eu tô... menstruada! — grito sem pensar, a voz saindo num tom nervoso, entrecortado por um gemido mal contido.

Você não para.

E isso só torna tudo ainda mais insuportavelmente bom.

 

** Jonathan **

 

Sufoco o riso contra sua pele, ainda com a boca colada ao seu centro, lambendo devagar só pra te provocar. Minha língua faz um arco preguiçoso, cruel, enquanto meus dedos continuam se movendo dentro de você com precisão cirúrgica. Me delicio com o jeito como seu corpo reage mesmo sob pressão.

— Que desculpa convincente... — murmuro contra seu clitóris, e sinto você se contrair toda com o som abafado da minha voz vibrando ali.

Seguro firme a parte de trás da sua coxa, abrindo mais espaço pra me enterrar, e volto a chupar você com intensidade. Como se aquela interrupção lá fora só me desse mais vontade de te fazer perder o controle aqui dentro.

— Grita meu nome baixinho, Maddy. Só pra mim. Ninguém lá fora precisa saber o quanto você tá se desfazendo por dentro.

Meus olhos sobem pra encontrar os seus. E ali, ajoelhado diante de você, com a boca suja do seu prazer, eu te desafio com o olhar mais indecente que já te lancei.

Porque você me viciou.

E agora, não existe saída limpa pra nós dois.

 

** Maddy **

 

— Filho da puta... — murmuro, tentando conter os gemidos, enquanto você me encara com aquele olhar depravado entre minhas pernas.

Mas você não para. Não recua.

Se afunda ainda mais em mim, como se a minha rendição fosse a única resposta que aceitasse.

Um gemido baixo me escapa, e levo a mão ao rosto, tapando minha própria boca, como se pudesse engolir de volta cada som obsceno que ameaça me denunciar.

— Ah… meu deus… eu vou…

Solto o vestido, que desliza e cobre parcialmente a sua cabeça, como um véu profano.

Minhas mãos buscam apoio na parede atrás de mim, colando-se ali, desesperadas, trêmulas.

E então meu corpo inteiro cede.

Cada músculo vibra.

Cada nervo se acende.

As ondas do meu orgasmo explodem do meu centro e se espalham como incêndio, enquanto sinto você me consumir até o último espasmo.

 

** Jonathan **

 

Sinto o peso do seu corpo desabar de leve contra a parede, os espasmos te fazendo tremer sob minha boca, e isso só me faz afundar ainda mais a língua, querendo cada gota do seu prazer como se fosse minha redenção — ou minha condenação final.

O tecido do vestido cobre parcialmente meu rosto, mas não me impede de ver sua expressão. Seus olhos semicerrados, os lábios entreabertos, a pele úmida. Você é arte viva, obscena e divina, se desfazendo em minhas mãos.

Minhas mãos seguram firme suas coxas, mantendo você aberta, entregue, até os últimos estalos do seu prazer se extinguirem em tremores suaves. Quando finalmente recuo, a boca úmida, o peito arfando, olho pra você como se acabasse de testemunhar um milagre pagão.

— Você é a porra de um pecado escrito à mão, Maddy. — sussurro, ainda ajoelhado, a voz rouca, embriagada de você. — E eu vou acabar queimando com gosto.

Me levanto devagar, passando a língua pela boca sem tirar os olhos dos seus. Me aproximo, passo os dedos pela sua bochecha, sujando sua pele com o gosto da sua própria luxúria.

— Agora... arruma esse vestido. E tenta parecer menos deliciosa quando sair daqui.

Dou um passo pra trás, mas antes de abrir a porta, me viro de novo.

— Quarta que vem, esse clubinho do livro vai precisar de outro capítulo seu. E eu vou estar bem aqui pra ouvir cada palavra. Como sua maldita audiência cativa.

 

** Maddy **

 

Então, quando ele finalmente abre a porta do banheiro e sai, me deixando ali — com o corpo ainda colado à parede fria, o prazer escorrendo entre as pernas, e o gosto dele queimando nos meus lábios como se tivesse me marcado — é que a realidade me atinge com força.

Eu estou fodida.

Perdidamente, inevitavelmente, irremediavelmente fodida.

Em todos os sentidos possíveis da palavra.

Professor Miller.

Jonathan.

Tão meu quanto não devia ser.

Tão dentro de mim quanto já nunca mais vai sair.

 

** Jonathan **

 

Horas mais tarde... já em casa.

Me encosto de volta no sofá.

A calça já está aberta.

A mão desliza por dentro do tecido, como se procurasse seu calor, como se a lembrança da sua pele morasse entre meus dedos.

— Porra... Maddy...

Digo seu nome no escuro. Sussurro. Como um pedido de desculpa. Como uma confissão.

Fecho os olhos.

Te imagino ajoelhada na minha frente, com o vestido preso na cintura e os lábios entreabertos, implorando sem dizer uma palavra.

A cabeça tomba pra trás.

O som da minha respiração começa a pesar.

O toque se intensifica.

Lembro da forma como você gemeu no banheiro daquele clube, com as mãos tremendo, a calcinha torturada entre meus dentes.

Lembro do gosto. Do som molhado dos seus gemidos tentando se esconder por trás das mãos.

Lembro do seu corpo contorcendo embaixo da minha língua como se eu fosse seu carrasco e seu alívio.

Minhas costas se arqueiam.

— Ah... merda...

Não consigo pensar em mais nada.

Só você.

Sempre você.

Mesmo que me odeie. Mesmo que nunca me perdoe.

A mão acelera.

O prazer sobe como um incêndio vindo de dentro, quente, impaciente, inevitável.

— Maddy...

Seu nome escapa entre os dentes.

E com ele, tudo o que sou.

Gozo sozinho.

Não no mesmo sofá onde te fiz minha.

Permaneço ali, ofegante, manchado, miserável.

Com a culpa nas mãos.

E com seu nome tatuado na alma.

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