sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Let It Burn - pt II

 

Logo cedo, tomo meu café em silêncio. A xícara quente nas mãos e o delito entalado na garganta.

A ressaca moral bate mais forte que qualquer bebida. Mas não é o tipo que me faz querer esquecer. É o tipo que me faz lembrar de cada detalhe com ainda mais fome.

Não consigo parar de pensar nela, e na porra daquele paraíso rosado entre suas pernas.

Meu corpo inteiro ainda responde só de lembrar. Me sinto como uma mariposa, atraído pela chama mortal.

Jane acorda já falando demais, com aquela voz arrastada de ressaca e entusiasmo. Conta da balada, dos garotos, da música, da fila do banheiro.

Eu olho pra ela, mas não ouço merda nenhuma.

Ainda estou lá. Na noite passada. No sofá. No corpo dela.

Na forma como ela dizia meu nome entre os dentes, como se fosse pecado. No cheiro dela que grudou em mim. No meu pau melado de tudo que a gente fez.

Estou com a cabeça girando ainda. Não de álcool. De lembranças.

E aí ela aparece no alto da escada. Cabelo bagunçado, olhos apertados de sono, bocejando com preguiça.

Um pijama curto, justo, feito pra me testar.

Me seguro pra não sorrir feito um predador.

Uma lágrima quase escapa. Mas não é do meu olho que estou falando.

Ah, Lester...

Você não vale porra nenhuma.

E nunca valeu.

Jane a chama pra ir ao shopping. Planos, bolsas, sapatos, o inferno.

Tiff caminha pela cozinha e vira o suco de laranja direto da garrafa.

E eu?

Sinto inveja da garrafa.

Mas aí ela responde que vai ficar. Que quer organizar as coisas.

Sozinha.

Aqui.

Meu coração trava no peito. O tempo para por um segundo.

Ela vai ficar.

Jane sai reclamando por Tiff ser tão monótona e pacata.

Mas Tiff e monotonia não combinam na mesma frase.

Não pra mim.

 

** Lester **

 

Você sorri.

Termina o suco como se não tivesse me deixado em ruínas só por existir.

Vai até a pia com aquele caminhar preguiçoso e proposital — E eu sigo você com os olhos como um predador domado por um olhar.

Você some na lavanderia.

Silêncio e você.

Me levanto devagar.

Passo a mão no rosto. Atravesso a cozinha até a porta da lavanderia.

Você está ali, de costas, mexendo na máquina, o short subindo com o movimento, a blusinha justa deixando um pedaço das costas à mostra.

O cenário mais doméstico do mundo.

Com a mulher mais indecente que já passou pela minha vida.

— Você vai mesmo fingir que nada aconteceu?

Minha voz sai baixa, rouca, firme, atrás de você.

— Vai me deixar olhando pro seu corpo dentro dessa casa como se ele já não tivesse sido meu?

Dou um passo. Minha mão pousa na lateral da máquina, te prendendo ali.

O corpo quente, o cheiro do sabão, o barulho da água enchendo…

E o meu pau crescendo de novo só por estar atrás de você.

— Você quer isso de novo?

Porque se disser sim...

Eu te viro aqui mesmo.

E te faço lembrar do que um cinquentão com sede é capaz.

 

** Tiff **

 

Me viro de frente pra você, encurralada entre seus braços e a máquina de lavar que ainda vibra baixo, como se soubesse o que está pra acontecer aqui.

Não falo nada.

Só sorrio.

Largo a blusa do pijama ali mesmo, puxando por cima da cabeça sem pressa, sem pudor nenhum.

Sem joguinho, sem a enrolação da noite passada.

— Ok. Tira a roupa e me mostra então, Lester.

Minha voz sai carregada da mesma luxúria que nos embalou ontem até a melhor foda da minha vida.

Desço o short, ficando só de calcinha na sua frente.

Encostada na máquina.

No meio do calor que pulsa entre minhas pernas e o jeito sujo que você me olha.

Entre meu desejo e a sua eloquência.

E eu quero os dois.

Agora.

 

** Lester **

 

Enlouqueço só em te ver assim, como se fosse seu trono. Como se o cenário mais banal fosse agora o centro do mundo.

E é.

Porque você está nele.

Porque você está me desafiando. De novo.

Minha mandíbula trava.

O peito infla.

Meu pau já está duro antes mesmo de tocar o botão da calça.

— Você tem noção do que tá fazendo comigo?

Minha voz sai quase baixa demais pra aguentar.

Puxo a camiseta por cima da cabeça. Jogo no chão.

Desço a calça com um puxão. A cueca segue junto.

E meu pau salta.

Pesado.

Erguido.

Latejando.

— Olha bem.

Dou um passo à frente, o corpo suado, tenso, duro como pedra.

— Porque agora você vai ter que arcar com o que provocou.

Seguro sua cintura.

Encosto minha pele quente na sua.

— E eu vou te foder aqui mesmo, com a porra da máquina balançando junto.

E nada vai me impedir.

 

** Tiff **

 

Te ver enlouquecido, perdendo o controle que costuma fingir ter, me deixa molhada. Alvoroçada até o âmago

Agarro seu corpo com força, sem cerimônia, faminta de você.

Te puxo mais pra perto, colando nossos corpos até sentir seu pau duro, latejando contra meu ventre, quente, impaciente.

— Me fode inteira então. Aproveita que estamos sozinhos por um tempo.

A frase escorre dos meus lábios direto pro seu ouvido, suja, baixa, quase como uma promessa feita em sussurro suado, como quem se entrega de bom grado, num quarto de motel barato... feliz por isso.

Passo a língua pela sua orelha, lenta, provocante, soltando seu nome num gemido baixo, só pra te atiçar ainda mais.

Minha pele arrepia inteira.

E eu sinto você pronto.

Pulsando.

Afoito pra me invadir do jeito mais errado possível.

E eu quero exatamente isso.

 

** Lester **

 

— Filha da puta... — grunho entre os dentes, minhas mãos já te virando com brutal precisão.

Te encosto contra a máquina, os seios colando no metal gelado, minha mão segurando sua nuca, a outra abaixando sua calcinha com força, de uma vez.

— Você vai sentir isso entrando em você com tudo, entendeu?

Minha voz é quase um rosnado.

— E vai me agradecer por cada estocada e por cada vez que eu meter tão fundo que você vai esquecer quem é.

Seguro seu quadril com força. Me posiciono.

E te penetro.

Num único impulso.

Até o fim.

A máquina já treme sob nós.

O barulho da água enchendo se mistura com o estalo dos meus quadris contra sua bunda.

E você geme.

Porra, você geme tão alto que meu pau lateja mais.

— Você é tão apertada!

Minha mão desce, batendo firme na sua bunda, depois acariciando como desculpa.

— Você adora isso, né?

Me curvo sobre você.

Minha boca morde sua omoplata, meu peito colado às suas costas.

— Você é minha porra de obsessão agora.

E eu vou te foder cada vez mais forte…

Até essa casa lembrar da gente em cada canto.

 

** Tiff **

 

Você me vira com tanta pressa que mal tenho tempo de reagir.
Só sinto meu corpo ser girado, encaixado, dobrado sobre a máquina de lavar como se eu fosse seu brinquedo favorito.

Minhas costas se curvam, formando um arco perfeito enquanto você me fode com pressa, com fome, com um desespero que me acende inteira.

Puta merda.

Solto um gemido alto quando sua mão estala na minha bunda, marcando, queimando, me fazendo ainda mais sua.

— Você não faz ideia de como eu tô adorando cada segundo disso.

Fico na ponta dos pés, os joelhos quase tremendo, o rosto encostado no metal gelado da máquina, que contrasta com o calor do seu corpo me pressionando por trás.

Me empino mais, oferecendo tudo.
Aceitando tudo.

Seu peso sobre mim me faz sentir pequena, rendida.
Submissa.
Tão subjugada que mal consigo pensar em mais nada.

— Seu pau é minha religião agora, Lester.

E eu quero me curvar pra você.
Todo maldito dia que eu estiver nessa casa.
Toda vez que estivermos sozinhos.
Toda vez que você quiser me usar assim.

 

** Lester **

 

Você geme alto, o som entra direto no meu cérebro, e o tapa que dei na sua bunda ecoa na lavanderia como uma declaração depravada.

E quando você diz, com essa voz embriagada de prazer:

 “Seu pau é minha religião agora, Lester.”

Eu enlouqueço.

— Porra, Tiff…

Grunho com os dentes cravados no seu ombro, as mãos afundadas na sua cintura, segurando você como se o mundo fosse desabar se eu soltasse.

E eu meto.

Mais forte.

Mais rápido.

Mais fundo.

Como um homem que foi condenado a amar desse jeito sujo, proibido e sem volta.

Você fica nas pontas dos pés, empinada, com o rosto contra o metal gelado da máquina, enquanto seu corpo quente me recebe inteiro.

A sua pele já é altar, sua buceta é culto, e meu pau... teu sacramento.

— Eu vou fazer você gozar nessa máquina, Tiff.

Pausa

— E quero sua calcinha encharcada dentro do meu bolso depois.

Minha mão sobe pelo seu corpo, alcança sua garganta, puxando você contra mim.

Meu pau te arromba com força, ritmo, precisão de homem que não vai te esquecer nunca mais.

— Repete.

Sussurro quente no seu ouvido, com a respiração falhando.

— Diz de novo.

Fala que meu pau é tua religião... e eu juro que te faço ver Deus agora.

 

** Tiff **

 

Você falando assim, rosnando no meu ouvido de um jeito sujo, descarado, quase animalesco... me faz perder qualquer resquício de controle.

Jogo as mãos pra trás, afundando os dedos nos seus quadris, cravando as unhas na sua carne.

Te puxo com força, te forço ainda mais pra dentro de mim, como se meu corpo tivesse fome demais pra aceitar qualquer distância.

Os estalos úmidos do nosso sexo batendo ecoam alto, sujos, indecentes.

Parece trilha sonora de um pornô suado.

— Eu vou gozar, Lester...

Me agarro na borda da máquina com uma das mãos, quase arrancando a tampa, enquanto meu corpo rebola contra o seu, sentindo suas bolas baterem com força em mim a cada estocada brutal.

Solto um gemido alto, profundo, quase exagerado de tão real.

Meus olhos se apertam, o rosto se contorce, o corpo inteiro se entrega.

Perco toda a compostura.

— Isso é seu. Cada gota do meu prazer!

Minhas pernas começam a falhar, tremendo.

E meu corpo se aperta ao redor do seu pau, pulsando com força, sugando você a cada onda quente do meu orgasmo.

Espalhando prazer por cada maldito centímetro do meu corpo.

Me desfazendo inteira, e querendo mais.

 

** Lester **

 

Seu corpo começa a me retribuir os movimentos — com força, com fome, com desespero.

— Vai, porra...

Rosno entre os dentes, sentindo suas palavras entrarem em mim como um comando devasso.

— Goza pra mim, Tiff. Goza nesse pau, minha garota.

Faz essa buceta me agradecer por existir.

Minhas mãos apertam sua cintura com mais força, quase marcando, meu quadril batendo no seu com brutalidade suada, minhas bolas estalando contra sua pele cada vez que afundo.

E então...

Você geme alto.

Puro inferno e céu misturados.

Sinto seu corpo tremer, suas pernas falharem, sua buceta apertar com tudo ao meu redor, me sugando, me travando.

Seu gozo pulsa em ondas, me arrebatando com ele, como se você me engolisse inteiro, por dentro.

— Puta que pariu... — minha voz quebra, rouca.

Seguro sua nuca, te puxando pra mim, colando sua pele na minha, ouvindo seu gemido ainda preso na garganta.

— Assim, porra... assim mesmo!

Minha respiração rasga no peito.

E eu meto mais três vezes.

Fundo.

Seco.

Final.

E eu gozo.

Com tudo.

Me derramo dentro de você com força, gemendo seu nome como um homem condenado à eternidade por amar errado —

Mas amar com tudo.

 

** Tiff **

 

— Porra, Lester… você é um furacão em forma de homem — solto com a voz ainda rouca, carregada daquele tom arrastado de tesão recém aliviado.

Encosto a testa na máquina de lavar ainda tremendo sob nós dois.

Sorrio.

O suor gruda meu cabelo no rosto e, de algum jeito, isso me parece confortável.

Confortavelmente indecente.

Viro devagar, sentindo você escorregar pra fora de mim, ainda duro, e ouço o seu gemido preso, mandíbula trincada, como se até sair fosse gostoso.

Fico de frente pra você, ofegante, nua, suada, fodida — no melhor sentido da palavra.

Seguro suas mãos e as guio até meus seios, só pela provocação.

— Sorte a minha... Jane ter um pai tão gostoso assim.

Mordo o lábio, te encarando exausto, desarmado, com aquele olhar sujo de quem sabe que acabou de fazer merda.

Merda boa.

Tão gostoso.

Tão ferrado.

Tão sujamente meu.

 

** Lester **

 

Você se vira, ainda ofegante, o corpo suado, marcado, com o gozo escorrendo entre as pernas como uma maldição que eu plantei em você.

E mesmo assim, sorri.

Como se tivesse vencido uma guerra. Como se ainda quisesse mais.

E isso me faz rir.

Como quem acabou de explodir por dentro e ainda quer destruir o mundo com você.

Você pega minhas mãos e guia até seus seios.

Quentes. Inchados.

Pele sensível que arrepia sob meus dedos calejados.

E então solta essa.

“Sorte a minha Jane ter um pai tão gostoso assim.”

Filha da puta.

Você sabe o que isso faz comigo.

— Tiff...

Minha voz sai rouca, profunda, embriagada de você.

— Se você continuar falando desse jeito, eu juro que te coloco sentada nesse tanque e te faço gozar com meus dedos até você perder a razão.

Aperto seus seios com as mãos, firmes, o polegar circulando os mamilos como se eu pudesse hipnotizar sua alma ali.

— E depois disso... Eu vou te fazer um café.

Dou um sorriso torto, suado, o olhar pesado, mas cheio de algo que já não é só luxúria.

Porque agora tem vício.

Tem apego.

Porra Lester. Tem apego...

 

** Tiff **

 

Você aperta meus seios, e eu jogo a cabeça pra trás, entregue, como se meu corpo inteiro gritasse pra você me usar de novo.

Seu toque é sempre bruto, urgente, direto.

Me sinto como o último pedaço de bolo numa festa cheia — e você está faminto.

— Eu gosto de ver você nu. Me dá vontade de dar pra você de novo. E de novo. E de novo.

Deslizo a mão pelo seu peito suado, os dedos se enroscando nos pelos escuros que cobrem sua pele quente, ainda ofegante.

Te encaro com os olhos estreitados, maliciosos, já pensando na próxima foda.

Na próxima posição.

No próximo orgasmo.

Abaixo devagar, pegando minha blusa de pijama do chão. Visto com calma, sabendo que essa lentidão te desmonta mais do que qualquer provocação dita em voz alta.

Quando abaixo pra pegar o short, a campainha toca.

— Mas que timing filho da puta...

Pego o short com pressa, quase visto ele do avesso mesmo, tentando me recompor enquanto seu cheiro ainda está grudado em mim.

Lá da porta, escuto a voz da vizinha. Aquela solteirona carente, que vive dando em cima de você.

— Fiz um bolinho... queria jogar conversa fora, sabe como é…

Reviro os olhos.

Ajeito a roupa rápido, passo o dorso da mão no rosto pra limpar o suor, respiro fundo.

Mudo a expressão.

Troco a luxúria pela inocência.

A devassa pela boa moça.

Ou, pelo menos, a boa moça que ainda finjo ser.

 

** Lester **

 

Você diz que gosta de me ver nu, que isso te dá vontade de me dar de novo, e de novo, e de novo…

E eu fico ali, parado, com seu gosto ainda na boca, o gozo secando entre nós,

E o meu pau ameaçando endurecer de novo.

— Você fala isso como se eu fosse ter paz alguma vez enquanto você estiver nessa casa.

Minha voz sai baixa, rascante, exausta e excitada ao mesmo tempo.

Você me esgota e me alimenta. Me destrói e me vicia.

Mas então...

A campainha toca.

E eu congelo por um segundo.

Você, rápida, veste a blusa do pijama, depois se abaixa — e quando faz isso, eu quase gemo.

Sua bunda ainda está marcada dos meus dedos.

Sua pele ainda brilha de suor.

E agora você se veste como se fosse uma santa distraída.

Filha da puta perfeita.

— Merda. — sussurro, puxando a calça rápido, ainda sem cueca, o pau meio mole, meio armado de tanto querer de novo.

A campainha toca de novo, e quando ouço a voz...

Eu já sei.

A vizinha. A maldita solteirona que vive trazendo bolo como desculpa pra ver se me laça.

Dou um suspiro. Passo a mão no rosto. Puxo a camiseta amarrotada do chão.

Saio da lavanderia, atravessando a cozinha até a entrada.

Abro a porta.

— Oi, Dolores. — forço um sorriso educado, ainda com a respiração levemente irregular.

Ela sorri largo, com aquela empolgação exagerada.

— Lester! Que bom que está em casa. Fiz aquele bolo de abacaxi que você gosta... pensei em trazer um pedaço. A casa tá tão silenciosa hoje...

Silenciosa o caralho. Essa casa gemeu com a Tiff colada em mim minutos atrás.

— Que gentileza, Dolores. A Tiff tá por aqui também, vai adorar. — comento, com o olhar de canto pra você.

E aí vem você.

De shortinho.

De blusinha solta.

Com cara de quem não tem ideia do que fez.

Mas com o cheiro do meu gozo ainda entre as pernas.

Dolores olha pra você, disfarçando o incômodo com um sorriso forçado.

— Ah... que bom. Vocês duas se reencontrando, que ótimo.

— Mas você sabe, Lester, se precisar de algo mais doce... é só bater na minha porta.

O queixo dela quase cai com o seu sorriso fingido.

Mas o que eu vejo em você é só deboche.

E eu... me delicio.

 

** Tiff **

 

Dou um aceno leve com a mão, o sorriso mais doce que consigo forçar — daquele tipo que até parece verdadeiro, porque alcança os olhos… mas só parece.

Pego o outro cesto de roupas deixado ao lado da escada e passo por vocês com aquele ar angelical que, em outra circunstância, te faria ficar duro de novo só de me ver andar.

— Bom dia, Dolores.

A voz sai macia, educada, quase infantil.

Sigo até a lavanderia sem perder o charme, apoio o cesto no chão e deixo meus olhos deslizarem até a porta lateral que dá pra garagem.

Caminho até lá, ainda descalça, sentindo o chão frio sob os pés. O espaço é escuro, com cheiro de óleo e ferrugem, mas meus olhos logo acham o que me interessa: um banco de academia, pesos, cordas, equipamentos de musculação jogados no canto.

Passo os dedos pelo rosto, pensativa.

Alguma ideia começa a se formar, bem ali, no meio da sujeira e do silêncio.

Lá dentro, ouço a voz irritantemente animada da Dolores dizendo que “trouxe bolo quentinho” e que “vai adorar um cafézinho”.

Se convidando pra entrar, pra sentar, pra ocupar o espaço que, horas atrás, era só nosso.

Mas tudo bem.

Eu posso esperar.

Ou planejar.

E com essa academia improvisada aqui do lado...

Talvez você descubra o que mais eu posso fazer com você.

 

** Lester **

 

Você acena, doce como veneno.

Sorriso de garota boa.

Corpo de maldição.

E o cesto de roupas nos braços como se estivesse vivendo uma manhã tranquila.

Não uma manhã em que foi fodida até gozar gritando meu nome na lavanderia.

Você passa por mim e pela Dolores com esse ar de quem não deve nada a ninguém. Mas eu sei.

Sei o que está por trás daquele sorriso.

O jeito que sua calcinha colou na pele.

O brilho nos seus olhos.

A lembrança escorrendo entre suas pernas.

— Bom dia, Tiff! — Dolores força, tentando manter o tom simpático.

Você só sorri, atravessa a porta da garagem e desaparece como se tivesse mais o que fazer do que perder tempo com vizinhas carentes.

Eu fico ali.

Com a porra do bolo na mão.

E o cheiro da sua pele ainda no meu peito.

Dolores insiste.

— Posso entrar um minutinho? Te ajudo a preparar o café e corto o bolo.

Sorriso plástico. Olhos querendo invadir a casa inteira.

— Claro. — murmuro, sem emoção, fechando a porta atrás de nós.

Enquanto ela entra e começa a tagarelar sobre coisas que não importam, meus olhos seguem até a garagem.

Vejo você ali.

O cesto apoiado de lado.

O short justo.

O olhar vasculhando os equipamentos de musculação.

Você não olha pra mim.

Mas sabe que eu estou olhando.

Dolores fala sobre clima, vizinhos, bolos.

Mas minha mente...

 

** Tiff **

 

Volto pra cozinha com passos lentos, quase preguiçosos, como quem não tem pressa nenhuma — só presença.

Abro a geladeira, pego uma garrafa de refrigerante e destampo com aquele estalo seco que ecoa pelo ambiente, cortando o papo de vocês por um segundo.

Levo a garrafa à boca sem cerimônia, e depois olho.

Pra você.

Bem pra você.

— Sabe... vocês formariam um casal bonito.

A frase sai doce, como se fosse um elogio sincero.

Mas você sabe.

Você sente a provocação escorrendo por trás de cada palavra.

Ela, por outro lado, dá uma risadinha sem graça, e quase se contorce na cadeira, animada demais com a ideia. Quase se vê casando contigo ali mesmo, com direito a buquê e tudo.

E isso me diverte muito mais do que deveria.

Consigo sentir suas têmporas pulsarem de raiva daqui.

Você está rangendo os dentes por dentro, segurando a onda pra não explodir.

E eu?

Bebo mais um gole.

Como quem assiste um bom espetáculo de camarote.

 

** Lester **

 

Você volta pra cozinha como se fosse só mais uma manhã qualquer. Abre a geladeira com a calma de quem não tem nada a esconder.

Mas sua voz, porra… sua voz vem carregada de dinamite.

“Sabe, vocês formariam um casal bonito.”

Você solta isso com doçura.

Com aquele tom de menina inocente que só engana quem não conhece o calor entre suas pernas.

E eu quase cuspo o café.

Dolores congela.

Sorri.

Mas por dentro... derrete.

O rosto cora, os olhos brilham, o talher que ela usava pra cortar o bolo vacila na mão.

— Oh, nossa… que coisa gentil de se dizer, Tiff. — ela responde com aquele tom de falsa modéstia inflada.

Eu olho pra você.

E você não me encara.

Porque não precisa.

O estrago já está feito.

Minha mão aperta a borda da caneca.

Você está me testando.

Me provocando.

— A gente se dá bem. — murmuro, casual, mas o tom vem arrastado.

— Mas acho que ela merece alguém mais… calmo. — continuo, os olhos agora fixos em você.

Porque você sabe.

Que se eu te pego agora...

É na mesa.

Em cima do bolo.

Dolores sorri, sem entender a tensão no ar, mas feliz com a ilusão.

Você dá um passo, cruza a cozinha, a garrafa gelada estalando.

E o som que ninguém ouve, é o meu pau pulsando.

Com raiva.

Com tesão.

Com fome de você de novo.

 

** Tiff **

 

Dou alguns passos pela cozinha, cruzando o olhar entre vocês dois como quem não quer nada — mas quer tudo.

Quase cúmplice dos sonhos ridículos que ela começa a construir na própria cabeça.

— Ah, que falsa modéstia, Lester… Você é um coroa incrível. O tipo de homem que eu... queria ter como pai.

Quase engasgo segurando a própria gargalhada.

Balanço a garrafa devagar, só pra ter o pretexto de te encarar por mais um segundo.

De ver seu desconforto estampado ali, te consumindo por dentro.

— Dolores teria muita sorte por ter você.

A frase cai como veneno embrulhado em laço de presente.

Me viro com um sorrisinho no canto da boca.

— Agora, se me dão licença… vou ali na garagem. Preciso arrumar a bagunça lá.

Saio caminhando com expressão serena, quase entediada.

Mas por dentro?

Estou rindo.

Rindo da enrascada deliciosa que eu acabei de te meter.

E mal posso esperar pra ver como você vai se virar com ela.

 

** Lester **

 

Você fala com tanta naturalidade, tanta doçura disfarçada, que se eu não tivesse gozado dentro de você hoje, talvez até acreditasse.

“O tipo que eu queria ter como pai.”

Filha da puta.

Dolores sorri como uma debutante que acabou de ganhar flores do crush da vizinhança.

O rosto dela acende, os olhos brilham, e a colher finalmente encontra o bolo sem tremer.

— Ai, Tiff, que querida você é. Eu sempre disse que o Lester era um homem especial…

E então, você sai.

Com aquele andar leve.

Short colado. Blusinha frouxa.

E um sorriso no rosto que só eu sei o que significa.

Dolores continua falando sozinha sobre como o bolo está macio.

Mas meu olhar vai até a porta da garagem, semiaberta.

A imagem de você com a boca no meu pau, deitada no banco de supino, já martelando na minha cabeça como uma porra de vício.

— Você tem uma hóspede muito... especial. — Dolores comenta, afundando o garfo no bolo.

— Você não faz ideia. — respondo, o olhar fixo na porta.

A voz baixa.

Perigosa.

Porque você me deixou aqui.

Com ela.

Mas toda minha pele ainda é sua.

E eu estou contando os segundos pra entrar naquela garagem...

E tirar o “pai” da equação.

Pra virar só o homem que faz você esquecer como se respira.

 

Um tempo depois...

 

** Lester **

 

Dolores agradece com aquele sorriso que escorre carência e ilusão.

Agradece pelo café, pelo papo, pelo “carinho”, pela fantasia de casal de comercial de margarina que você esfregou na cara dela com a naturalidade de uma vadia angelical.

Eu acompanho até a porta, forçando gentileza.

— Até mais, Dolores. Obrigado pelo bolo.

Ela sorri. Diz algo sobre “passar qualquer hora pra saber se preciso de ajuda com a casa”, e vai embora andando devagar, tentando fazer com que cada passo seja notado.

A porta se fecha.

E o mundo muda de tom.

Eu fico parado por um instante. As mãos apoiadas no balcão da cozinha. A testa baixa.

Ouço o som abafado vindo da garagem.

Sons curtos. Intensos. Rítmicos.

Abdominais.

Seu corpo se contraindo.

Sua pele suando.

Seu cheiro enchendo aquele espaço.

Eu sigo o som.

Abro a porta da garagem com o corpo ainda tensionado.

E te vejo.

Deitada no chão do tapete emborrachado, o short subindo a cada subida, a blusa frouxa grudada nas suas curvas.

Cabelos colados à nuca.

Respiração ofegante.

O corpo que gozei ainda latejando ali, suado, glorioso, sujo.

Eu paro. Assisto.

— Você tá fazendo isso de propósito.

Minha voz quebra o ar, grave, seca, crua.

— Suando nesse tapete como se o mundo não tivesse regras. Me fazendo pensar em você gozada de novo aqui, agora, com o meu pau te segurando aberta.

Me aproximo, sem pressa.

— Sabe o que eu quero? Quero deitar nesse chão. E te ver tremer de novo, bem aqui, sua peste.

E dessa vez, eu não vou ser gentil.

 

** Tiff **

 

Paro com os exercícios, puxo as pernas pra perto do corpo e abraço os joelhos, sentando no chão da garagem, te olhando com aquele sorrisinho safado preso nos lábios.

— Desistiu da sua namorada nova, foi?

Apoio as mãos no chão atrás de mim e começo a rir, alto, provocante, vendo o jeito como você me encara — como se fosse me virar de bruços só pra me dar umas boas palmadas pela insolência.

— Vocês ficam tão bonitinhos juntos...

Me levanto devagar, estico o corpo suado, passo o braço pelo rosto pra limpar o suor, sem pressa, só pra deixar a visão mais difícil de ignorar.

Te encaro.

Na cara dura.

Como se dissesse com o corpo o que a boca ainda não disse de novo:

Me toma.

Me escolhe.

Me fode como se eu fosse a única coisa real nessa merda toda.

 

** Lester **

 

Sua risada me atravessa.

Porque você sabe exatamente onde bater.

E faz isso rindo.

Linda. Suada. Com o corpo pronto e a língua afiada.

Você provoca com o veneno mais doce que já provei.

Eu sorrio.

Mas não é um sorriso calmo.

É torto. Escuro.

De homem que já está com sangue nas veias de novo, e tesão pulsando sob a calça.

— Eu só gosto de mulher que treme quando eu entro nela. Que goza gritando meu nome... e depois ainda olha nos meus olhos e diz que quer mais.

Me aproximo devagar, os olhos cravados nos seus.

— Dolores pode até fazer um bom bolo...

Mas você...

Você fez meu pecado virar vício.

Te encaro por um segundo.

Seu corpo suado.

Suas coxas expostas.

E a porra da lembrança do seu gemido ainda colado no meu ouvido.

Dou mais um passo.

Apenas a um palmo de você agora.

— E você adora me ver puto, né? Adora me provocar...

Passo o polegar pela sua clavícula, colhendo uma gota do seu suor.

Levo à boca, sentindo o sal da sua pele.

— Sabe qual a diferença entre mim e os moleques que você saiu antes?

Aproximo meu rosto do seu, o hálito quente, a voz baixa.

— Eles só te comiam. Eu te marco.

E você adora cada segundo disso.

 

** Tiff **

 

Olho pro banco de couro comprido, com o supino logo atrás, fingindo que nem escutei o que você acabou de dizer.

Mas escutei. E adorei.

Deslizo os olhos até você de novo.

E juro por Deus... esse jeito doentio, nada contido e cheio de fome, com que você me encara…

Me faz quase gemer só de estar sob esse olhar.

— Por que não deita aí e me mostra quanto peso você levanta, Lester?

Tombando o rosto pro lado, deixo o sorriso afundar nas covinhas que só aparecem quando eu estou aprontando.

— Mas sem camisa. Acho tão sexy seus pelos do peito pingando suor. Tão... másculo.

Quase digo “tão meu”, mas seguro.

Porque isso, a gente vai resolver sem palavras.

Ali mesmo.

No banco.

 

** Lester **

 

Você ignora tudo que eu disse — como se não tivesse acabado de me desmontar com o olhar.

Seu foco desliza até o banco de couro com o supino atrás.

Mas a provocação… essa você joga como uma navalha lambida.

Eu entendo o jogo.

Você quer me ver tenso.

Quer me ver duro, ofegante, suado — vulnerável só o suficiente pra virar a porra da sua obsessão.

Tomo o último passo até o banco.

Cruzo o olhar com o seu.

— Vai se arrepender disso, garota.

Minha voz sai grave, lascada.

— Porque cada vez que você me provocar... vai sair daqui com mais gozo entre pernas.

Tiro a camiseta num único movimento.

Os pelos do peito ainda colados de suor.

Me deito no banco.

As veias saltam dos braços, dos ombros, do antebraço que se firma na barra.

E eu levanto.

Uma.

Duas.

Três repetições.

A respiração acelera.

O suor escorre entre os músculos do peito e desliza pela lateral do abdômen.

— Tá gostando do show, garota?

Falo entre uma série e outra, sem te olhar.

— Ou vai ficar aí só olhando...

Quando podia sentar nesse pau de novo enquanto eu malho.

Solto a barra no suporte com um estalo seco.

Me sento.

Respiro fundo.

— Vem cá. Senta aqui.

Dou um tapa na minha coxa.

— Vamos ver se você consegue manter esse sorrisinho quando estiver tremendo em cima de mim.

 

** Tiff **

 

Meus olhos brilham, queimando em você, cada vez que seus músculos se contraem debaixo do esforço.

Vejo as veias saltarem, marcadas, desenhando rotas pelo seu corpo coberto de suor.

Cada gota escorre como se tivesse sido feita pra me enlouquecer.

— Puta que pariu… — murmuro, quase sem ar, sem conseguir desviar o olhar.

Mordo o lábio inferior, afundando os dentes, enquanto minhas coxas se apertam por instinto.

A fricção entre elas já me deixa úmida de novo, só te observando malhar como um maldito deus sujo.

E aí você para.

Dá um tapinha na própria coxa.

Meu corpo inteiro vibra como se eu estivesse no cio.

Como se eu fosse só vontade.

Deslizo o short pelas pernas, deixando cair no chão sem cerimônia.

Passo por cima dele como quem pisa em qualquer dignidade que sobrou.

Fico novamente de calcinha molhada, a blusinha caída num dos ombros.

E você ali. Me esperando.

Monto no seu colo, de frente, com apenas as pontas dos pés ainda tocando o chão.

Braços ao redor do seu pescoço.

Olhos nos seus.

— Você gosta de me ter feito uma cadelinha nas suas mãos, né?

Inclino o rosto, roçando a boca na sua.

— Porque eu… ah, eu adoro cada maldito segundo disso.

E eu sei que você também.

 

** Lester **

 

Você me olha como se fosse me devorar vivo.

E eu facilmente deixaria.

Seu olhar queima minha pele antes mesmo do toque.

E quando morde o lábio…

Puta que pariu.

Meu pau pulsa.

Lá vamos nós de novo.

Porra nenhuma mais importa.

Você tira o short sem pressa, com aquele jeito cruel e lindo de quem sabe o que faz com um homem que já foi destruído por você.

E ainda quer mais.

Você caminha até mim com a calcinha já marcada do seu desejo. A blusinha caída no ombro, quase um convite.

E quando monta no meu colo...

Meus músculos endurecem sob você — mas não mais que meu pau.

Seus braços envolvem meu pescoço.

Seu corpo encaixa no meu.

E a porra do mundo desaparece.

Você sussurra:

 “Você gosta de me ter feito uma cadelinha nas suas mãos, né?”

Meus olhos se cravam nos seus.

Meu coração bate como um tambor de guerra.

E minha mão sobe até o seu pescoço, firme, suada, quente.

— Gosto de ver você perder o controle.

Minha voz roça sua boca, quente, bruta.

— Gosto de te ver implorar, gemer, gozar como se esse pau fosse a única coisa que te faz lembrar quem você é.

Minha mão desce até sua bunda.

Aperta com força.

— E gosto de saber que nenhuma porra de garoto jamais vai conseguir fazer com você… O que esse cinquentão tá fazendo.

E ainda vai fazer.

 

** Tiff **

 

Meus lábios encontram os seus num beijo lento, profundo, daqueles que afundam a boca e fazem a língua dançar como se já soubessem o caminho de cor.

Sua saliva mistura com a minha, quente, úmida.

Minhas mãos sobem pro seu pescoço, deslizam até a base do seu cabelo, puxando de leve, marcando território.

— Você é o coroa mais excitante que eu já conheci na vida — digo com a voz falha, carregada de tesão, colada nos seus lábios.

Sorrio contra sua boca, sentindo-a ainda molhada dos meus beijos.

— E o menos humilde também.

Te beijo de novo.

Agora com fome. Com pressa. Com raiva do tempo.

Porque cada segundo com nossos corpos separados... conta.

Conta como punição.

Castigo de quem vive esperando pela próxima chance de ser tomada por você.

E dessa vez, eu não quero esperar mais nada.

 

** Lester **

 

Sua boca encontra a minha e tudo se cala. Não tem garagem, não tem casa, não tem mundo. Só seu gosto.

Seu calor.

Sua língua dançando na minha como se conhecesse meu inferno e quisesse me salvar dentro dele.

Minhas mãos apertam sua cintura, e o beijo se aprofunda, lento, molhado, cheio de pecado.

Saliva misturada. Respiração dividida. Tesão que não tem mais volta.

Você segura meu pescoço, os dedos se enredando na base do meu cabelo.

E eu me entrego. Sem chance de me recompor.

Você sussurra entre beijos, com a boca encostada na minha, a voz rouca de tesão e verdade.

E eu quase sorrio.

Quase.

Porque no fundo, quero te foder por ter dito isso.

E por me fazer crer que posso ser seu mesmo depois de tanta vida queimada.

— E você é a mulher que vai acabar comigo um dia.

Minha voz sai grave, arrastada, com o hálito quente roçando seu rosto.

— Vai me sugar até não sobrar nada.

E eu vou agradecer por isso.

Minha mão sobe pelas suas costas, segura sua nuca, puxa sua boca de volta pra minha.

E eu te beijo como se quisesse marcar seu corpo com minha alma.

Porque, foda-se a idade.

Foda-se o mundo.

 

** Tiff **

 

Ergo o corpo nas pontas dos pés, te olhando com fome.

Dou um passo pra trás, baixo sua calça junto com a cueca numa puxada só, até deixar o tecido amarrotado caído entre os seus pés.

Fico ali parada por um segundo, olhando direto pra você, pro seu pau rígido, pro corpo tensionado, pro jeito que você me deseja.

— Eu não me canso de olhar pra você excitado assim.

Minhas mãos voltam pros seus ombros, firmes, deslizando na sua pele quente.

Volto a montar no seu colo, sentindo a calcinha encharcada grudar contra você, úmida, castigada pelo que fizemos — e pelo que ainda vamos fazer.

— Pode puxar minha calcinha de lado… Se quiser que eu sente em você aqui mesmo, nesse banco.

Sorrio torto.

Dou uma mordiscada na sua bochecha, como quem comete um tipo de crime que vale a pena.

Minha respiração já está descompassada.

Minhas coxas tremem.

Meu corpo inteiro quer você dentro de mim de novo.

Agora.

Sem mais uma palavra.

Sem mais um segundo de distância.

 

** Lester **

 

Você se ergue com aquela leveza de quem carrega o poder entre as pernas.

E quando agacha e puxa minha calça junto com a cueca, meu pau salta — duro, suando de vontade de voltar pra dentro de você.

Você fala.

E eu não me canso de ver sua boca dizendo essas merdas que me fodem a alma.

Você olha pra mim como se fosse dona.

E é.

Você volta pro meu colo, a calcinha encharcada encostando no meu pau como um convite que já fode por si só.

Seu corpo quente, molhado, implorando sem palavras.

 “Aqui mesmo, nesse banco.”

Porra, Tiff...

Sinto a mordida na bochecha e meu sangue ferve.

Minha mão já está na sua cintura.

A outra puxa a calcinha pro lado com brutalidade quase carinhosa.

— Você não tem noção do que me faz, garota...

Sussurro entre dentes, a boca colada no seu queixo.

— Monta, vai.

Me faz esquecer que já vivi cinquenta anos antes de você sentar em mim.

 

** Tiff **

 

Ergo o corpo devagar, pressionando as pontas dos dedos no chão só o suficiente pra me dar impulso.

Me encaixo em você com lentidão, sentindo cada centímetro entrar, sentindo meu corpo se abrir de novo pra você, como se já fosse sua por dentro.

Meus músculos relaxam aos poucos, coxas cedendo, respiração presa, até que eu te sinta todo dentro de mim outra vez.

— Por que diabos você é sozinho, se fode tão bem assim? — murmuro com a voz embargada, soltando um gemido baixo, contido, quase reverente.

Mas talvez eu já saiba.

Talvez seja porque esse seu jeito sujo, direto, obsceno...

Não é pra qualquer uma.

Talvez porque você sempre teve uma queda por garotas mais novas.

E por sorte — ou por puro instinto — tenha sido eu quem caiu no seu radar.

E o pior?

É que saber disso...

Entender esse seu lado podre, quente, maldito...

Me faz delirar ainda mais cada vez que te olho.

Cada vez que te sinto me preenchendo assim.

Como se meu corpo tivesse nascido pra ser usado por você.

 

** Lester **

 

Você se ergue com aquela precisão instintiva, os pés no chão, as mãos no meu ombro, o corpo arqueando — e eu assisto.

Quase sem respirar.

Sinto a cabeça do meu pau roçar na sua entrada quente, molhada, escorrendo.

E então você desce.

Perfeita.

— Caralho... Tiff...

Minha voz sai abafada, meu maxilar trincado, minhas mãos agarradas na sua cintura como se você fosse meu último pedaço de humanidade.

Você me engole inteiro.

Como se fosse sua maldita missão.

E talvez seja.

Você geme baixo, ainda contida, e então solta aquilo...

E eu rio.

— Porque qualquer mulher que me teve... Nunca aguentou o depois.

Meu olhar sobe até o seu.

Fundo.

Cru.

— Porque depois disso aqui... Eu entro na pele. No pensamento. E não saio nunca mais.

Mordo sua clavícula.

Puxo seu quadril pra baixo enquanto me afundo mais em você.

— E você tá se fodendo nessa mesma sentença agora, Tiff.

 

** Tiff **

 

— Eu poderia dizer que é um desperdício você ser solteiro... Mas sorte a minha. — murmuro, com a voz presa em um gemido baixo, enquanto meu corpo começa a se mover devagar contra o seu.

Subo e desço, sem pressa, roçando meus seios no seu peito suado, sentindo o calor da sua pele, a fricção, a tensão.

Cada movimento meu arranca um som da minha garganta, gemidos soltos, descompassados.

Suas mãos percorrem minha pele como se fossem donas dela, marcando cada parte que tocam.

E eu me afundo em você como se quisesse desaparecer ali, com você dentro, me consumindo inteira.

Vejo seu rosto se contorcer, as sobrancelhas franzidas, a boca entreaberta — como se o prazer fosse tanto que até doesse.

Aperto seus ombros com força, jogo a cabeça pra trás, fecho os olhos.

Sinto cada centímetro de você dentro de mim, cada estocada embalada pelos meus quadris.

— Isso é tão bom... Como se a cada vez ficasse melhor...

A voz sai gemida, abafada entre os suspiros que escapam dos meus lábios entreabertos.

É mais do que sexo.

É um vício.

E eu estou afundando nisso sem freio.

 

** Lester **

 

Você começa a se mover, devagar, como se seu corpo dançasse só pra mim — e eu me esqueço do mundo.

Seu quadril sobe e desce, tão molhada, quente, apertada, perfeita.

Cada vez que você desce, meu pau entra mais fundo,

Como se fosse feito pra viver dentro de você.

Você geme entre as palavras, e eu quase rosno em resposta.

 “…mas sorte a minha.”

Porra. Sorte minha é você.

Montada.

Me fazendo gozar só de ver você se perder.

— A sorte é minha.

Sussurro contra seu pescoço, mordendo sua pele suada.

— Porque nenhuma mulher nunca me fodeu assim com o olhar, com o corpo, com essa buceta do caralho.

Você segura meus ombros com força.

Sua cabeça cai pra trás.

Os olhos se fecham.

E você cavalga como se estivesse num transe.

Minha porra de luxúria pessoal.

Minhas mãos apertam suas coxas.

O banco range.

Seu corpo treme.

E meu pau pulsa dentro de você como se fosse gozar só de ouvir sua respiração falhando.

— Olha pra mim.

Minha voz rasga, suada, quente.

— Me encara enquanto você goza nesse pau, Tiff.

Me mostra o que eu fiz de você.

A mulher que geme com o corpo todo, sem medo, sem vergonha, só por estar fodendo um homem de verdade.

E quando você olhar…

Eu vou meter mais forte.

Até você perder a porra da noção de tempo.

 

** Tiff **

 

Volto o rosto pra frente e nossos olhos se encontram de novo.

E o jeito que você me encara… me desmonta.

Sinto meu corpo pulsar, o sangue correndo quente, queimando nas veias, como se cada célula estivesse viva só por estar em cima de você.

Por mais que soe poético… de poesia não tem nada aqui.

Só suor, respiração pesada, fluidos se misturando.

Pecado puro escorrendo pelos nossos poros.

— Eu poderia transar com você dia e noite, pela casa toda.

E como poderia...

Levo a mão até sua nuca e puxo seu rosto pro meu.

A cada vez que meu corpo sobe e desce, te engolindo de novo, eu deixo um beijo em você.

Na testa.

Na bochecha.

No nariz.

No canto do olho.

Na sua boca.

Meus seios, ainda cobertos pela blusinha fina, continuam se roçando no seu peito quente, molhado.

Como se a gente tivesse no meio de um filme pornô com roteiro impecável.

Com câmera lenta.

Com detalhes.

E cada detalhe...

Cada porra de detalhe...

Contando como parte da nossa própria história suja.

Aquela que ninguém pode saber, mas que vai nos marcar pra sempre.

 

** Lester **

 

Seus olhos encontram os meus e tudo ao redor desaparece.

Não tem garagem, não tem cidade, não tem regras.

Só nós dois.

Corpos colados.

Olhos em chamas.

Almas fodidas uma na outra.

E você dizendo aquilo como quem entrega uma sentença — e eu aceito sem hesitar.

Minha mão segura sua cintura com força.

Você sobe.

Desce.

E me beija.

Primeiro a testa.

Depois a bochecha.

O nariz.

O olho.

E por fim, a boca.

Cada beijo seu é um ritual.

Um rito sujo e poético de posse.

De entrega.

De adoração.

De destruição mútua.

Seus seios roçam meu peito, quentes, pressionados pela blusa fina, e o atrito me faz grunhir baixo, como um animal vencido, entregue, possuído por você.

— Você é um filme pornô de arte, Tiff... Cheia de cena lenta e final explosivo.

Minha boca encontra seu queixo, sobe até seu ouvido.

— E se depender de mim, vai transar comigo em cada parede dessa casa.

Pausa.

— Na mesa. No carro. No chão do banheiro. Até esse corpo não aguentar mais gozar.

Minhas mãos sobem por suas costas, minha boca cola na sua de novo,

E eu começo a meter de baixo, te erguendo com cada estocada. Te fazendo tremer com cada porra de investida.

— Vai, anjo. Grita pra mim.

E goza.

No meu colo.

Onde você pertence.

 

** Tiff **

 

Mudo os movimentos, começo a me mover devagar, deslizando meu quadril pra frente e pra trás, sentindo seu corpo pressionar contra minhas coxas a cada impulso.

— Você me chama de anjo… Mas eu tô me jogando direto na perdição com você, Lester.

Meu quadril se move num vai-e-vem constante, alternando com giros lentos, me forçando contra você até sentir seu pau alcançar a base, bem fundo, do jeito que me deixa tonta.

— Me beija, Burnham!

Seguro seu rosto entre as mãos, olho nos seus olhos por um segundo — e depois me entrego.

Gemendo contra sua boca, friccionando os lábios nos seus, com a respiração quente, entrecortada.

Enquanto te beijo, acerto o ângulo exato do meu prazer. Aquele ponto que me faz perder o juízo.

Você sente.

Sente meu corpo inteiro começar a vibrar, as pernas tremendo sem controle, a respiração curta, quase sufocada.

E o seu pau deslizando dentro de mim, ensopado, afundando como se meu corpo tivesse sido feito só pra você estar ali.

Como se eu nunca mais quisesse sair de cima.

 

** Lester **

 

Você muda o movimento — e o inferno inteiro muda com você.

Agora não sobe e desce.

Agora você esfrega.

Desliza.

Me tortura.

Com esse quadril que gira, rebola, me arranca o juízo.

Seu corpo roça nas minhas coxas, seu clitóris esfrega onde sabe que vai me deixar louco, seu gemido explode contra minha boca.

Porra. Aguenta um pouco mais, Lester.

Minha mão agarra sua cintura, os dedos cravando, o corpo inteiro em alerta.

Você não é um anjo.

É a porra da perdição vestida de fogo e pele macia.

E eu quero arder com você até sobrar só cinza.

 “Me beija!” — Você ordena com fome.

E eu obedeço como um homem vencido.

Como um maldito adorador da sua existência.

Seguro seu rosto, a boca cola na sua.

Beijo molhado, profundo, um grito mudo de luxúria em forma de língua.

Você geme contra minha boca, e eu sinto.

Seu corpo vibra.

Trepa em cima de mim como se estivesse sendo possuída por algo maior.

As pernas tremem.

A buceta aperta.

E meu pau entra e sai ensopado, afundando até a base.

Te preenchendo até o limite.

— Isso… vai, porra… vai…

Murmuro contra seus lábios, sentindo sua pele arrepiar, seu quadril grudar mais, os círculos te levando direto pro abismo.

— Goza pra mim de novo, Tiff. Goza se esfregando desse jeito. Me mostra que esse pau é tudo que sua alma queria…

E que agora não tem mais volta.

 

** Tiff **

 

Continuo me esfregando em você, pele contra pele, suor misturado ao gozo, tudo se fundindo entre minhas pernas e o seu pau grosso, enterrado fundo em mim.

Meus gemidos saem baixos, roucos, como se a satisfação me sufocasse, me deixasse aérea só pela ideia de ainda estar montada em você, cavalgando sua porra como se ela fosse minha por direito.

E quando a onda de prazer começa a dar sinais de que vai embora, eu levanto o corpo, respiro fundo… e desço com força, fazendo minha bunda se chocar contra suas coxas.

O impacto me rasga num novo orgasmo.

Mais forte.

Mais sujo.

— Porra, Lester...

Meus músculos travam, minhas unhas se cravam nas suas costas, marcando sua pele como se eu tivesse esquecido que não devia.

Céus.

— Eu quero que você preencha todos os meus buracos.

Cada maldito dia que eu estiver nessa casa.

A voz falha, vacila, arrastada pelo gozo que me domina de novo.

Meu corpo se contorce, vibra, estremece inteiro.

A respiração falha, parece que vai me abandonar.

Mas eu fico.

Fico ali, fodida, entregue, colada em você.

Ainda em frenesi.

Porque essa merda é boa demais pra largar.

 

** Lester **

 

Você goza, e eu sinto.

Cada vibração. Cada espasmo. Cada contração apertando meu pau como se quisesse arrancar por ali o ar dos meus pulmões.

Mas você não para.

Você sobe.

Choca a bunda com força contra minhas coxas, me engole até o fim com brutalidade.

Com fome. Com fúria.

E quando seu corpo desaba mais uma vez, gemendo:

 “Porra, Lester. Fode todos os meus buracos…”

Eu viro monstro.

Violo céu, terra, tempo e moral.

Torno seu carrasco particular vestido de prazer.

— Puta que pariu, Tiff...

Murmuro contra sua boca, mordendo seus lábios, sentindo suas unhas cravarem nas minhas costas, a pele arder, e o prazer me consumir junto com você.

Minha mão segura sua nuca, minha boca beija seus gemidos, meu quadril estoca por dentro do seu gozo, cavando ainda mais fundo mesmo com seu corpo tremendo em exaustão.

— Eu vou foder você de todos os jeitos.

Todos.

Meus olhos queimam nos seus, meu peito colado no seu, o suor dos nossos corpos virando um só.

— E amanhã, quando acordar, vai estar com o meu gosto ainda entre as pernas.

Como sempre deveria ter sido.

 

** Tiff **

 

Meu peito já arfa, descompassado, cada respiração doendo como se eu tivesse acabado de correr até o limite.

As pernas fraquejam, o ritmo diminui, o corpo inteiro grita exausto.

— E-eu... eu não consigo mais.

A frase escapa num sussurro falho, mas carregado de vitória.

Você me destruiu.

Me fez gozar de novo e de novo.

E eu nem consegui te fazer gozar uma única vez ainda.

Filho da puta.

Puxo o ar como se meus pulmões tivessem queimado com o prazer.

Me sinto leve, mole, fodida. Literalmente.

— E você… — pergunto, arfando, entrecortada — Não vai gozar em mim de novo?

Tento erguer o corpo, forçando os pés ao chão, mas não consigo. As pernas não obedecem mais.

Minha testa encosta no seu ombro, rendida.

Suor escorre pelas têmporas, quente, salgado, misturado com o cheiro do seu corpo.

E eu fico ali.

Aberta. Entregue

 

** Lester **

 

Você pergunta com a voz falha, entre respirações cortadas, o corpo ainda tremendo — e mesmo assim, me desafia.

Ahh, Lester. Lester...

Você mal consegue se manter de pé no meu colo, mas ainda me atiça com a boca. Com a vontade.

Com o fogo que não apaga nem fodendo exausta.

Você tenta se erguer, os pés buscando chão, mas seu corpo já entregou.

E eu sinto.

Sinto o quão fodida, mole, fodidamente perfeita você está.

Sua testa encosta no meu ombro, o suor escorrendo pelo seu rosto, descendo entre seu queixo, molhando meu peito.

Minha mão sobe devagar pelas suas costas.

Te seguro com firmeza.

Te protejo da queda… mas não da posse.

— Eu vou gozar sim.

Murmuro no seu ouvido, a voz rouca, quente, íntima.

— Mas agora eu quero isso devagar. Quero gozar sentindo seu corpo mole, se contraindo mesmo sem força, enquanto você se derrete em cima de mim.

Meus dedos apertam sua cintura, o quadril começa a se mover de novo, lento, profundo, como se eu quisesse tatuar meu gozo dentro de você.

— Vai sentir cada porra de gota minha ficando aí. Te enchendo de novo.

Porque esse pequeno corpo… é meu agora.

Me afundo uma última vez. Até o limite.

E gozo.

Com o rosto colado no seu, os dentes cravados no seu ombro, a alma se esvaindo com o prazer.

Meu pau pulsa dentro de você, o gozo quente invadindo de novo a carne já fodida.

Te selando.

Te amando — do jeito errado.

Do jeito nosso.

 

** Tiff **

 

Depois de alguns minutos ali, grudada em você, os corpos colados, o suor secando devagar… finalmente me mexo.

Me levanto do seu colo com esforço, sentindo meu corpo se desencaixar do seu, ainda quente, ainda sensível.

Você desliza pra fora de mim devagar, deixando um rastro úmido, visceral, do nosso pecado marcado entre minhas pernas.

Ajeito a calcinha com cuidado, puxando de volta pro lugar, o tecido grudado de tanto prazer.

Abaixo com dificuldade, quase desabando, pra pegar o short do chão.

Meus joelhos fraquejam.

— Eu tô… destruída.

Passo as mãos pelo rosto, tentando encontrar alguma dignidade ali, mas só tem exaustão e fadiga.

Meu corpo se move como se tivesse no modo automático, sem controle, sem precisão.

Subo o short meio cambaleando, respiro fundo, e passo as mãos com força pelo rosto, depois pelo pescoço, secando o suor que ainda escorre.

Estou derretida.

— Acho que preciso me deitar um pouco no sofá...

A voz sai baixa, falhada, miserável.

Dou meio passo pra trás, e antes de sair dali, olho por cima do ombro, o rosto suado, a boca entreaberta num meio sorriso torto.

— E por favor… tente se manter distante até eu me recompor.

O canto da boca se ergue num sorriso cansado.

Mas acima de tudo… satisfeito.

 

** Lester **

 

Você se desencaixa devagar, e meu pau escorrega de dentro de você com um som molhado — como se seu corpo relutasse em me soltar.

E eu fico ali…

Vendo você tentar se recompor, as pernas bambas, o corpo mole, minha porra escorrendo por dentro da sua calcinha.

A imagem mais linda, mais suja, mais minha que já existiu.

Você pega o short do chão como quem acabou de sobreviver a um terremoto.

E foi o epicentro.

Eu sorrio.

Cansado. Suado. Orgulhoso.

— Você tá perfeita.

Murmuro, os olhos ainda pesados de prazer, acompanhando cada centímetro seu como se ainda estivesse dentro.

Você sobe o short devagar, passa as mãos no rosto,

E eu só observo.

Cada movimento seu agora carrega meu nome no corpo.

Na alma.

— Vai.

Minha voz sai baixa, quente.

— Vai deitar um pouco…

Sorrio torto.

— Então descansa…

Mas se sonhar comigo, avisa.

Que eu volto pra te acordar do jeito que só eu sei.

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