Minha mãe tem mãos pequenas, mas nelas cabia o mundo. Não sei como conseguia: o peso das contas, a pressa dos dias, a exaustão das noites. Ainda assim, sobrava espaço para o meu rosto entre seus dedos, para o afago quente que parecia dissolver qualquer dor. Hoje, quando fecho os olhos, é esse toque que ainda me consola, como se cada linha de sua palma fosse um fio invisível que ainda me prende a ela.
Cresci acreditando que o amor de mãe era um amor sem medida,
um amor que nascia pronto e que se entregava inteiro desde o primeiro choro.
Mas só entendi sua verdadeira dimensão quando senti, no meu peito, o peso doce
de minha filha recém-nascida. Era como se minha mãe tivesse deixado um segredo
guardado dentro de mim, um baú que só poderia ser aberto no momento em que outra
vida dependesse do meu abraço.