segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O Amor Que Transborda

 

Minha mãe tem mãos pequenas, mas nelas cabia o mundo. Não sei como conseguia: o peso das contas, a pressa dos dias, a exaustão das noites. Ainda assim, sobrava espaço para o meu rosto entre seus dedos, para o afago quente que parecia dissolver qualquer dor. Hoje, quando fecho os olhos, é esse toque que ainda me consola, como se cada linha de sua palma fosse um fio invisível que ainda me prende a ela.

Cresci acreditando que o amor de mãe era um amor sem medida, um amor que nascia pronto e que se entregava inteiro desde o primeiro choro. Mas só entendi sua verdadeira dimensão quando senti, no meu peito, o peso doce de minha filha recém-nascida. Era como se minha mãe tivesse deixado um segredo guardado dentro de mim, um baú que só poderia ser aberto no momento em que outra vida dependesse do meu abraço.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Let it Burn - pt III

 

O tempo passa devagar agora.
O som da casa é baixo, casual — o ranger do piso de madeira sob meus passos, carros passando ao longe na rua.

Mas aí...
Ela desperta.
Seu corpo se move lento no sofá. A cabeça ergue. As mãos vão aos olhos. Ela se espreguiça.
O peito levanta sob a blusinha colada. As costas estalam.
E o mundo volta com cheiro de descanso e do gozo já seco entre suas pernas.
Mas tem algo mais.
Ela sente.
Uma ardência sutil. Um calor ali, na pele.
A minha mão.
Estampada em sua bunda.
Marcada por debaixo do short.
A porra da minha assinatura.
Como se seu corpo, mesmo depois do descanso, ainda dissesse “fui dele”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Se um dia eu morrer...


Se um dia eu morrer, quero que digam que vivi.

Que amei com fome e ri até a face doer.

Que deixei rastros de alegrias, saudades e noites de embriaguez.

Que alguém sorriu lembrando de mim — e foi o bastante.


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

"Behind the Madness"

 

Ela herdou a mansão.

Mas o que herdou de verdade foi a loucura que respirava nas paredes.

Delírio ou realidade?

Sombra ou homem?

O desequilíbrio sempre soube o caminho do corpo e mente dela.

E no reflexo da própria insanidade, Lydia encontrou desejo.


Inspirada no universo de Boneco do Mal, esta é uma história onde a insanidade ganhou forma, e o grotesco encontrou quem o desejasse.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A Crônica do Tempo.

 

Há sempre um peso que me visita quando a semana do meu aniversário chega. Invisível, mas tão real quanto a insônia que me mantém acordada à noite. É como se os dias perdessem as cores, tudo ficando mais opaco, mais áspero, mais incômodo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Don't Open That Door - pt II (final)

 

Foram dias diferentes de tudo o que vivi em décadas.

O cheiro dela impregnado na cama, no corredor, até no Ghost, que já parecia ser mais dela do que meu.

Ela tocava em mim com cada vez mais naturalidade, sem hesitar. Punha a mão na minha nuca quando passava por mim, me beijava sem motivo aparente, reclamava das minhas broncas durante os treinos como se já tivesse o direito de me provocar. Às vezes, gargalhava. Gargalhadas que atravessavam a escuridão e me davam angústia e conforto ao mesmo tempo.

Eu sentia como se tivesse conseguido o impossível: transformar prisão em convivência, mentira em rotina, cativeiro em intimidade.

Ela agora vinha até mim sem medo. Deitava a cabeça no meu ombro quando parávamos pra descansar.

E eu, em silêncio, alimentava dois monstros:

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Let It Burn - pt II

 

Logo cedo, tomo meu café em silêncio. A xícara quente nas mãos e o delito entalado na garganta.

A ressaca moral bate mais forte que qualquer bebida. Mas não é o tipo que me faz querer esquecer. É o tipo que me faz lembrar de cada detalhe com ainda mais fome.

Não consigo parar de pensar nela, e na porra daquele paraíso rosado entre suas pernas.

Walking Side by Side - pt III

  Já fazia um tempo que eu sabia que ela passava por aquela área. Não por boato, nem por trilha óbvia, mas porque algumas coisas não acont...