Se um dia eu morrer, quero que
digam que vivi.
Que amei com fome e ri até a face
doer.
Que deixei rastros de alegrias, saudades
e noites de embriaguez.
Que alguém sorriu lembrando de mim — e foi o bastante.
Se um dia eu morrer, quero que
digam que vivi.
Que amei com fome e ri até a face
doer.
Que deixei rastros de alegrias, saudades
e noites de embriaguez.
Que alguém sorriu lembrando de mim — e foi o bastante.
Ela herdou a mansão.
Mas o que herdou de verdade foi a loucura que respirava nas paredes.
Delírio ou realidade?
Sombra ou homem?
O desequilíbrio sempre soube o caminho do corpo e mente dela.
E no reflexo da própria insanidade, Lydia encontrou desejo.
Inspirada no universo de Boneco do Mal, esta é uma história onde a insanidade ganhou forma, e o grotesco encontrou quem o desejasse.
Há sempre um peso que me visita quando a semana do meu
aniversário chega. Invisível, mas tão real quanto a insônia que me mantém
acordada à noite. É como se os dias perdessem as cores, tudo ficando mais
opaco, mais áspero, mais incômodo.
Foram dias diferentes de tudo o que vivi em décadas.
O cheiro dela impregnado na cama, no corredor, até no Ghost,
que já parecia ser mais dela do que meu.
Ela tocava em mim com cada vez mais naturalidade, sem
hesitar. Punha a mão na minha nuca quando passava por mim, me beijava sem
motivo aparente, reclamava das minhas broncas durante os treinos como se já
tivesse o direito de me provocar. Às vezes, gargalhava. Gargalhadas que
atravessavam a escuridão e me davam angústia e conforto ao mesmo tempo.
Eu sentia como se tivesse conseguido o impossível:
transformar prisão em convivência, mentira em rotina, cativeiro em intimidade.
Ela agora vinha até mim sem medo. Deitava a cabeça no meu
ombro quando parávamos pra descansar.
E eu, em silêncio, alimentava dois monstros:
Logo cedo, tomo meu café em silêncio. A xícara quente nas
mãos e o delito entalado na garganta.
A ressaca moral bate mais forte que qualquer bebida. Mas não
é o tipo que me faz querer esquecer. É o tipo que me faz lembrar de cada
detalhe com ainda mais fome.
Não consigo parar de pensar nela, e na porra daquele paraíso
rosado entre suas pernas.
Já fazia um tempo que eu sabia que ela passava por aquela área. Não por boato, nem por trilha óbvia, mas porque algumas coisas não acont...