sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Walking Side by Side - pt I


O mundo acabou. Os mortos caminham. E os vivos...

Parece um romance, mas não é.

Parece erótico. Talvez seja.

Aqui, ninguém promete nada.

Apenas fica,

enquanto der.

Uma releitura do universo de The Walking Dead. Quente, crua, melancólica.

Feita de devaneios  não de finais felizes.


Quando conheci Merle Dixon, eu estava coberta de lama até os tornozelos, com a chave de grifo numa mão e um cadeado enferrujado na outra. Tinha acabado de arrombar a porta de um depósito velho em busca de gasolina, e dei de cara com aquele traste, armado até os dentes, o cigarro pendurado no canto da boca e a pior cara de mau humor que eu já tinha visto.

Ele me apontou a arma. Eu apontei o dedo do meio.

A partir dali, virou rotina.

A gente nunca foi gentil um com o outro. Não é desse tipo de história que eu vim contar. Não teve cavalo branco, nem pôr do sol bonito. Teve estrada rachada, caminhonete fedendo a sangue e carne seca, e um monte de palavrão trocado como se fossem apelidos carinhosos. Teve fome, sede, zumbis, gente morta espalhada pelo chão e noites mal dormidas. Mas ele ficou.

Ficou quando eu vomitei a alma depois de matar um cara pela primeira vez.

Ficou quando eu consertei o motor daquela velha F-100 que ninguém mais acreditava.

Ficou, mesmo quando a minha língua afiada fazia questão de tentar afastar todo mundo.

E Merle... Merle era igual ou pior. Um idiota velho, cheio de opinião, sujo, grosseiro, machista, e ainda por cima, engraçado sem querer. Vivia me chamando de “florzinha intocada”, como se minha aparência — cabelo lilás desbotado, pele pálida, corpo marcado de tatuagens — fosse alguma piada idiota diante do caos que nos engoliu.

Mas mesmo quando a gente brigava feito cão e gato, mesmo quando ele me deixava falando sozinha pra ir fumar ou caçar bicho no mato, eu sabia que ele estava ali. Vigiando de longe. Me protegendo. Sempre por perto. Sempre com aquele olhar entre o desprezo e o desejo.

Eu comecei a perceber isso nas noites mais silenciosas, quando ele se sentava do lado de fora da loja onde nos abrigamos com um grupo pequeno. Eu fingia que dormia, mas via sua sombra pela fresta da porta. Escutava a bicada do isqueiro e o estalo do cigarro. Ele estava sempre ali. Nunca entrou, até aquela noite.

Naquela noite teve festa.

Os outros acharam bebida, o Zeke trouxe um cervo, a fogueira foi acesa. Todo mundo riu alto, dançou, gritou. Eu bebi. E bebi de novo. E quando dei por mim, estava rindo com ele, encostando minha cabeça no ombro de Merle, dividindo a garrafa como se fosse confissão.

Disse que estava afim dele. Ele riu da minha cara. Me chamou de florzinha mais uma vez.

Me provocou com aquele sotaque de caipira que me fazia querer bater e beijar ao mesmo tempo.

Eu fiquei puta. Me levantei, gritei, mandei ele se foder, literalmente, e quase desmaiei de raiva e de álcool. Um dos caras do grupo se aproximou. Eu mal conseguia manter os joelhos firmes. E foi aí que Merle me pegou como um cão de guarda.

 

** Merle **

 

— Merda nenhuma que eu ia deixar aquilo acontecer.

Assim que vi aquele babaca se chegando, já senti meu sangue ferver. Aquele tipinho não vale porra nenhuma, e tua cara, tua postura, tudo em você gritava que não queria aquela aproximação. Mas claro que o desgraçado não ligava.

Tava te cercando como urubu em carniça.

Quando falei com ele, minha voz saiu mais alta do que eu queria, mas foda-se. O cara recuou como bom covarde que é, e eu cheguei perto de você. Tava zonza, os olhos meio perdidos, tentando manter a pose mesmo quase desabando.

— Porra garota... — resmungo entre dentes, segurando teu braço, te mantendo firme em pé. — Bebe que nem uma condenada e depois fica dando showzinho no meio do acampamento...

Apoio sua cintura com o braço, te puxando contra mim. Corpo mole. Leve pra caralho. Uma pena que você seja tão cabeça dura.

— Anda, vamo. Antes que eu tenha que quebrar uma cara por tua causa hoje.

Te guio pra dentro, passando no meio do povo que já calou a boca. Todo mundo vendo. E que vejam. Que saibam que quem mexe contigo mexe comigo, e vai sair sem os dentes, se tiver sorte.

Entro com você na porra da loja, onde montaram aquele quarto improvisado pros fundos. Te largo no colchão com um suspiro irritado.

— Tá aí. Inteirinha. E ainda com o rabo no lugar, graças a mim.

Passo a mão no rosto, frustrado pra cacete.

— Não sei o que me dá, mas puta merda… Quando vi aquele otário te encostando, me deu vontade de cortar o braço dele fora. — falo baixo, quase pra mim mesmo, andando de um lado pro outro. — Você devia se cuidar mais. Ou pelo menos parar de beber sem freio.

Paro ao teu lado de novo. Te olho.

— Quer que eu fique aqui até você dormir? Ou vai me xingar e me mandar tomar no cu de novo?

 

** Lyra **

 

Me jogo de lado no colchão onde você me largou sem um pingo de cuidado. O corpo ainda quente do álcool, a cabeça girando, e o peito ardendo mais de raiva do que de cansaço. Você fala comigo como se eu fosse uma encrenca ambulante, e talvez eu seja, mas mesmo assim, cada palavra sua me deixa mais afim do que eu quero admitir.

— Dorme aqui comigo então… por favor. — a voz sai rouca, pesada de sono e bebida, mas o pedido vem do fundo.

Arrasto o corpo pro lado, o colchão range, e deixo um espaço pra você. O lençol amassado cheira a poeira e fumaça de fogueira, o mesmo cheiro que ficou na sua roupa.

— Já que você não me quer como mulher… — murmuro, sem olhar direto pra você, mexendo no colchão com os dedos. — Pelo menos fica aqui comigo. Faz companhia pra mim. Só por essa noite.

O silêncio pesa, e no fundo eu só quero sentir seu corpo ali perto, do meu lado, mesmo que você finja que não sente nada.

 

** Merle **

 

Respiro fundo. Passo a mão no rosto de novo. Você tem esse dom, né? De me desmontar. De me deixar sem saber se te dou um esporro ou um afago.

— Porra… — murmuro, baixo, cansado, com aquela raiva que não é mais raiva, só um tipo torto de afeto entalado no peito.

Chuto as botas pro canto, tiro a jaqueta e me abaixo devagar. O colchão afunda sob meu peso e o cheiro da tua pele ainda quente, de fumaça e de bebida me invade como um soco no estômago.

Deito de lado, virado pra você. Nem encosto.

— Tô aqui. Não vou a lugar nenhum. Só tenta não vomitar em mim, beleza? — brinco num tom mais baixo, mais rouco. Meus olhos já pesados também, mas grudados nos teus por um instante longo demais.

Você tá tão linda. Mesmo tonta, mesmo toda torta de álcool e teimosia.

Apoio o braço por trás da cabeça. Fico quieto.

— Você sabe que não é porque eu não te quero, né? — solto, sem olhar. — Eu só… sei que você merece mais do que um fodido como eu.

A frase paira no ar. E eu fico ali, deitado, esperando tua respiração se acalmar. Esperando teu corpo adormecer. Rezando pra não fazer nenhuma merda essa noite. Rezando pra conseguir só... ficar.

 

** Lyra **

 

— Não vem com desculpinha esfarrapada, não, Merle. — resmungo, a voz meio arrastada, mas firme o bastante pra cutucar seu ego. — Desde que a gente se conheceu, meses atrás, você me canta, me provoca, vive dando em cima de mim.

Me apoio num cotovelo e ergo o corpo, o cabelo caindo pela frente do rosto, uma mecha grudando na boca por causa do suor. Dou um sopro pra afastar e continuo, irritada, encarando você de lado.

— Aí, quando eu finalmente te dou mole… — faço uma pausa dramática, o canto da boca curvando num meio sorriso debochado — você me larga lá, bêbada, falando sozinha, e sai andando como se eu fosse uma baranga qualquer.

Encosto o rosto no teu braço, roçando a pele só pra te sentir. Fecho os olhos, mas mantenho aquele sorrisinho irritante nos lábios, o tipo que sempre te tira do sério.

— Você consegue ser mais irritante que eu as vezes. — murmuro, a voz quase manhosa, um restinho de riso escapando. — Porque eu posso até estar tonta, mas burra eu não sou.

Fico ali, brincando com a costura da sua camisa, os dedos traçando o tecido sem pressa. O coração bate rápido demais pro tanto de calma que tento fingir.

— Se não quer nada, então para de me olhar daquele jeito. — abro os olhos devagar, fixando em você, a expressão entre raiva e desejo. — Porque eu posso até ser teimosa, mas você me deixa pior.

 

** Merle **

 

— Baranga é o caralho, — rosno, sem pensar, minha voz saindo mais rouca do que devia.

Fecho os olhos por um instante, mas o calor do seu rosto encostado em mim, o jeito que você fala... porra, isso mexe comigo de um jeito que nem bebi nada e já tô mais tonto que você.

— Se eu fosse só um qualquer, eu já teria te jogado no colchão naquela primeira noite na casa abandonada, lembra? Você saiu do banho frio pingando, com aquela camiseta colada no corpo…

Abro os olhos de novo, olhando pra cima, engolindo seco.

— Mas eu fiquei lá. Quieto. Como um merda. Porque se eu encosto em você, não tem mais volta pra mim, florzinha.

Afasto o braço devagar, só o bastante pra te puxar pela cintura e te encaixar junto de mim, com cuidado, como quem segura uma bomba relógio.

— Você tem esse dom, de me fazer querer ser alguém melhor, e isso... assusta mais do que qualquer merda de walker.

Encosto o queixo na sua cabeça, fechando os olhos de novo. Fingindo que consigo dormir com você colada em mim desse jeito. Fingindo que meu coração não tá quase explodindo dentro do peito.

 

** Lyra **

 

— Talvez você devesse ter me jogado na cama naquela primeira noite, então. — falo baixo, mas o tom sai cortante, ferido. — Como se eu fosse uma qualquer então. Talvez tivesse sido melhor assim.

Afasto o rosto do seu braço e deslizo pra trás no colchão, cada movimento meio desajeitado, guiado mais pela raiva do que pela coordenação. Estreito os olhos devagar e encaro você, o cenho franzido, o peito subindo e descendo rápido.

— Agora quem não quer mais sou eu. Beleza? — a voz falha no fim, mas seguro firme, fingindo indiferença.

Viro de costas, o corpo todo tenso, e encosto a testa na parede fria. Fecho os olhos com força, respirando fundo, tentando abafar o nó na garganta.

O colchão afunda com o peso do meu movimento, o ar entre nós fica pesado. Finjo que não te escuto, mas a verdade é que cada segundo de silêncio me queima por dentro.

 

** Merle **

 

Fico ali, parado, te olhando em silêncio por um tempo que parece longo demais. Cada palavra tua ainda ecoando dentro da minha cabeça como se tivesse sido cuspida com faca.

— Beleza, — murmuro por fim, num tom seco, arrastado, aquela voz embargada que quase nunca deixo escapar.

Puxo o cobertor velho de qualquer jeito, cobrindo você com ele, mesmo depois da sua recusa. Mesmo depois de você virar as costas pra mim como se eu fosse um merda qualquer.

— Se dormir mal, a culpa é tua. Fiquei aqui por você. Mesmo quando você me tratou igual lixo agora. Mesmo assim.

Levanto devagar, os ossos estalando. Fico te olhando por cima do ombro, o maxilar travado, a raiva batendo de frente com o resto de sentimento que não sei mais expressar.

— Mas tá anotado, florzinha. A próxima vez que você quiser um homem de verdade do seu lado, tenta não cuspir na cara dele antes.

Bato a porta devagar ao sair, sem força, mas com aquele peso de quem tá se segurando pra não socar a parede. Dou dois passos no escuro e acendo um cigarro, sentando no chão ali mesmo, com o peito apertado e a cabeça cheia demais pra dormir.

 

** Lyra **

 

Depois de um tempo, o torpor do álcool começa a sumir, deixando só a dorzinha insistente martelando na minha têmpora. Sento no colchão com um suspiro pesado, alcanço a garrafa de água do lado e viro quase inteira de uma vez, o líquido descendo, raspando na garganta seca.

A cabeça lateja, não sei se é ressaca ou raiva de você. Talvez os dois.

Olho pra porta e já sei. Claro que você está ali, do lado de fora, igual sempre, fingindo que não se importa, mas vigiando como um cachorro bravo.

— Foda-se se eu bebi demais. — murmuro, só pra mim, mas alto o bastante pra se espalhar pelo silêncio.

Levanto devagar, tiro o jeans e deixo cair no chão, sem pressa. A barra roça nos tornozelos e desliza, fria, até parar num amontoado de tecido. Fico só de camiseta e calcinha, o ar do quarto gelando minha pele. Ando descalça, o piso áspero arranhando de leve a sola dos pés, e paro diante da porta.

Respiro fundo, abro, e lá está você, sentado no chão do corredor, encostado na parede, cigarro entre os dedos, o olhar cansado, mas atento.

— Eu quero você, Merle! — digo firme, com o coração martelando tão alto que quase abafa minha voz. — E quero agora.

Fico ali parada, de pé no batente, a luz fraca da lua iluminando metade do meu corpo. A camiseta cai solta num ombro, e parte da pele nua brilha sob o calor do fogo distante. Te encaro com um desafio quieto nos olhos, meio birra, meio desejo.

Quero ver até onde você aguenta fingir que é o mais certo entre nós dois.

 

** Merle **

 

Solto a fumaça devagar, sem te olhar de imediato. O cigarro treme um pouco entre os dedos. Finjo que não vi, porra, mas é claro que vi. Vi tudo. A camiseta grudada, a calcinha enfiada entre aquelas coxas que me tiram o juízo, o peito subindo e descendo de raiva ou tesão, vai saber.

Mas o que me fode de verdade é tua voz. A porra da tua voz jogando gasolina no fogo que eu tô tentando apagar desde o dia que você cruzou meu caminho.

— Cacete, Lyra... — respiro fundo, fecho os olhos, jogo a cabeça contra a parede. — Você quer me matar, é isso? Quer que eu exploda igual um carro velho em incêndio, é?

Viro o rosto devagar na tua direção, e quando finalmente encaro você... pronto. O cigarro cai da minha mão sem eu perceber.

— Não faz isso. — minha voz sai mais rouca do que deveria. Quase um rosnado. — Não aparece assim. Me oferecendo o que eu venho tentando evitar, porra.

Passo a língua pelos lábios, irritado, excitado, fodido de tanta coisa.

— Você é a porra de uma pirralha perto de mim. — falo tentando me manter de pé. — Mas me olha, olha pra esse velho fodido aqui e me diz, olhando nos meus olhos, que você sabe o que tá pedindo. Que não vai se arrepender depois. Que não vai me jogar isso na cara.

Me aproximo devagar, corpo tenso, a respiração já mudando. Paro a poucos centímetros de você, e abaixo o rosto até ficar na tua altura.

— Se disser com todas as letras, se disser sem gaguejar, que me quer de verdade... — minha mão se fecha ao lado do teu quadril, contra a madeira da porta. — Eu juro por Deus que eu entro aí e te faço esquecer qualquer porra nesse mundo.

 

** Lyra **

 

— Mas eu não sou pirralha, Merle. — falo firme, o queixo erguido, a respiração curta. — Já sou maior de idade, e sei muito bem o que eu quero.

O sorriso vem devagar, começando nos lábios e subindo até os olhos, um brilho malicioso, carregado de pura provocação.

Minhas mãos se agarram na sua camisa, puxando o tecido com tanta força que os nós dos dedos chegam a ficar brancos.

— Eu, Lyra, quero trepar violentamente com você, Merle Dixon. — cada palavra sai quente, atravessada por raiva, desejo e certeza. — Foda-se se eu estava chapada. Eu sei exatamente o que quero… e sei o que quero que você faça comigo.

Te puxo com força, os corpos se chocando, e tomo seus lábios sem pedir licença. Minha língua invade sua boca, faminta, desesperada, sentindo o gosto do cigarro e da raiva misturados.

Quando afasto o rosto, os lábios ainda úmidos, te encaro de perto, o olhar cravado no seu como uma ordem muda, urgente, impossível de negar “me fode de todos os jeitos possíveis, seu filho da puta”.

 

** Merle **

 

A porra do inferno inteiro se acende dentro de mim no instante em que você diz meu nome desse jeito, com essa fome nos olhos, essa boca indecente falando como se já tivesse nascido me provocando.

— Filha da puta... — murmuro contra tua boca. Meus olhos queimam. Não tem mais como fingir, segurar, me conter. Não depois disso. Não depois de ouvir você dizer aquilo como se fosse uma sentença.

Minhas mãos agarram tua cintura, te puxando com tanta força que teu corpo cola no meu, quente, vivo. Fecho a porta com um chute seco e te empurro contra a parede, as mãos deslizando pelas tuas coxas, subindo com raiva, como se eu tivesse esperado essa merda desde que o mundo virou de cabeça pra baixo.

— Você sabe o que tá pedindo, não sabe? — rosno contra tua pele, já descendo a boca pelo teu pescoço, mordendo, chupando, deixando marcas que vão gritar amanhã.

— Eu vou te destruir, florzinha. — minha mão sobe por debaixo da tua camiseta, os dedos apertando sua pele com força. — Você não vai conseguir sentar amanhã. Vai se lembrar de mim em cada passo que der, cada vez que se olhar no espelho.

Te ergo do chão com facilidade, te colando contra a parede, as pernas ao redor da minha cintura. Minha boca volta pra tua, faminta, desesperada, como se eu precisasse me fundir a você pra continuar existindo.

Não tem volta agora.

Você quis o inferno?

Parabéns, florzinha. Ele acabou de invadir o quarto.

 

** Lyra **

 

Ergo os braços quando você me pega no colo e me prende contra a parede, o impacto arrancando de mim um suspiro entrecortado. Já não luto, não disfarço, estou rendida a você, ao calor bruto que vem das suas mãos e do seu corpo colado no meu.

— Tira minha camiseta e faz isso direito, idiota. — solto entre dentes, o tom de provocação se misturando com o tremor da minha voz.

Mordo seu maxilar, arranho a pele com os dentes e passo a língua logo depois, saboreando o gosto salgado do suor, o cheiro de fumaça e de pele quente. Minhas pernas se apertam em volta do seu corpo, te prendendo ainda mais perto, sentindo o calor crescer até doer.

— Quero ver se é verdade essa fama sua, Merle Dixon… — murmuro contra o seu ouvido, a respiração queimando. — Quero saber como um caipira boca suja fode a florzinha intocada depois de tanto tempo sem trepar.

Abro um sorriso torto, atrevido, te olhando nos olhos. E mesmo que eu tente te provocar, dá pra sentir, cada palavra minha é pura rendição disfarçada de desafio.

 

** Merle **

 

— Ah, é isso que você quer, então? — rosno contra teu ouvido, já arrancando a camisa pela cabeça, jogando a merda no chão sem nem olhar pra onde cai. Meus músculos estalam, tensos, famintos, enquanto seguro firme suas coxas e te encaixo mais ainda contra mim, sentindo teu corpo quente, pulsando junto do meu.

— Vai saber agora, porra... — minha voz sai grave, rouca, como se eu tivesse sido arrancado de dentro de uma cova só pra isso. Meus dentes cravam no teu pescoço com força o bastante pra te fazer soltar um gemido entre raiva e prazer. — Florzinhas como você... a gente fode com cuidado na primeira vez... depois, a gente destrói.

Te levo até o colchão, mas não te solto. Te jogo ali como minha presa, caçada, suada, bêbada de desejo. Me ajoelho entre suas pernas, olhando cada centímetro da tua pele como se eu fosse devorar teu corpo inteiro com a boca.

— Nunca quis ninguém como eu quero você, menina... nunca. — minha mão desliza pela sua barriga, lenta, até alcançar a barra da sua calcinha. — E se eu tiver que provar agora que sou homem pra isso... então você vai se lembrar dessa noite até o fim do mundo.

E ele já começou, não é? Então deixa eu te mostrar como o fim pode ser sujo, quente e inesquecível.

 

** Lyra **

 

Arqueio o corpo, elevando os quadris pra você tirar minha calcinha. Cada músculo já vibrando em êxtase antes mesmo de começarmos. 

Afundo os dentes no lábio inferior, sentindo o sangue pulsar, concentrado em outra parte do meu corpo.

— Cuidado e depois destruição? Acho que estou começando a gostar cada vez mais dessa ideia.

Meu corpo já está fervendo, e nem é só pelo álcool, é pela excitação suja e crua que você me causa.

— Então prova porra. Prova que é tudo que você falou. Prova que me quer tanto, desde o início, igual você vive falando, seu pervertido. — Minha voz sai embargada de excitação e ansiedade, provocação e devoção. — Porque faz tempo que eu estou com vontade de você, Dixon.

 

** Merle **

 

— Você quer que eu prove? — minha voz sai arrastada, quente, com a respiração já descompassada enquanto abaixo a cabeça e deixo a testa encostar na sua barriga. — Então você vai se foder, florzinha... no melhor e pior sentido possível.

Deslizo a calcinha pelas tuas pernas com a boca, os dentes puxando o tecido devagar enquanto minhas mãos seguram teus quadris no lugar. Quando o pano finalmente cai no chão, eu me levanto de novo, te olhando ali deitada, entregue, molhada, implorando sem palavras.

— Você acha que eu sonhei quantas vezes com essa cena, hein? — minha mão passa pela minha calça, abrindo o zíper devagar, só pra ver seu olhar seguir o movimento como um vício. — Você acha que eu não imaginei o gosto da tua pele, o som da tua voz quando eu entrasse em você pela primeira vez?

Ajoelho de novo, colando meu corpo no seu, te pressionando contra o colchão. Seguro teus pulsos, te afundando no colchão enquanto roço o quadril no seu, ainda te torturando com a fricção.

— Você quer que eu prove o quanto eu te quero?

Empurro devagar, sentindo teu corpo me receber quente, apertado, como se tivesse me esperado a vida inteira. Meu rosto cola no seu, minha boca buscando tua respiração, tua pele, tua entrega.

— Então sente, porra. Porque agora você é minha.

 

** Lyra **

 

Eu solto um gemido baixo entre os lábios apertados enquanto você se esfrega, se fricciona contra mim. Meus olhos reviram a ponto de eu quase enxergar por dentro da minha mente.

Sinto meu sengue ferver, percorrendo minhas veias no ritmo acelerado do meu coração.

Quando você começa a me penetrar, meu corpo todo se contorce sob o seu. Eu gemo alto dessa vez, de dor, de prazer. De tudo.

— Puta mer... — A frase é engolida pelos meus gemidos descompassados.

Você aperta mais meus pulsos contra o colchão, e mesmo com dor, meu corpo te recebe com uma voracidade de quem quis isso mais do que tudo.

— Porra Merle, isso. Me fode!

Meus olhos se fecham, apertados, enquanto seu nome escorre pelos meus lábios entreabertos.

 

** Merle **

 

— Assim que eu gosto de ouvir você... gemendo meu nome como se fosse vício, — rosno contra tua pele, afundando mais fundo, sentindo teu corpo se moldar ao meu, quente, apertado, molhado do jeito mais indecente possível.

Meus quadris se movem num ritmo brutal, faminto, e mesmo com tua pele tremendo sob a minha, eu não paro. Pelo contrário. Cada gemido teu me faz querer mais. Te prender mais. Te marcar.

— Você queria saber como um caipira fode, né? Então segura, florzinha. Porque agora você vai aprender do jeito mais sujo e gostoso possível.

Meus dentes cravam de leve no seu ombro enquanto meto com mais força, sua pele batendo na minha, suada, marcada, o som dos nossos corpos se chocando abafando qualquer outro barulho da porra da noite.

— Você é minha agora. Só minha. Vai gritar meu nome até a porra desse acampamento inteiro saber que não tem outro homem que te faça assim.

Solto teus pulsos, só pra te virar de lado, te puxando pela cintura, mantendo você colada em mim enquanto volto a meter com o mesmo ritmo impiedoso.

— Isso... rebola nessa porra. Me mostra o quanto você precisava disso. O quanto você tava esperando eu tomar conta de você.

 

** Lyra **

 

Você me vira de lado sem o menor pudor, como se eu fosse um brinquedo quebrado que ainda serve pra uso. Mas não para, continua metendo em mim com uma fome animal, selvagem, como se fôssemos duas criaturas no cio perdidas no meio do apocalipse.

Uma perna minha se enrosca por entre as suas, a outra levemente dobrada por cima de uma de suas coxas, me abrindo ainda mais pra você.

— Porra, Merle... — gemo alto entre uma estocada e outra, a voz saindo rasgada, quase um choro. — Acho que não vou mesmo conseguir sentar amanhã. Nem andar direito, seu filho da puta.

Meu corpo balança de forma brutal, sendo esfregado contra o colchão velho e sujo abaixo de nós, o tecido áspero arranhando minha pele a cada investida sua. O rangido do colchão se mistura com os nossos gemidos, criando uma sinfonia sórdida e perfeita.

Afundo os dedos na sua coxa com força, as unhas cravando na pele enquanto a outra mão se agarra à borda do colchão, tentando me firmar ali, tentando não desabar completamente sob você.

— Isso... — digo arfando, revirando os olhos até ver só branco, as sobrancelhas comprimidas de tanto prazer. — Caralho, isso daria um ótimo filme adulto se o mundo não tivesse ido pra casa do caralho.

Um riso entrecortado escapa dos meus lábios, misturado com mais um gemido alto quando você acerta aquele ponto que me faz ver estrelas mesmo sem céu.

 

** Merle **

 

— Filme adulto é o cacete, — rosno contra teu pescoço, mordendo a pele ali com força, deixando marca. — Isso aqui é real, florzinha. E você vai sentir cada segundo disso amanhã quando tentar andar.

Seguro teu quadril com uma mão, os dedos afundando na tua carne enquanto a outra desce e aperta tua bunda, te abrindo ainda mais pra mim. Meto mais fundo, mais forte, sentindo teu corpo inteiro tremer sob o meu.

— Você queria isso desde o primeiro dia, não queria? — minha voz sai rouca, entrecortada pelas estocadas. — Queria que eu te fodesse até você esquecer o próprio nome, até não conseguir pensar em mais nada além de mim dentro de você.

Te viro de barriga pra baixo num movimento brusco, puxando teus quadris pra cima, te colocando de quatro. Minha mão desce nas tuas costas, te empurrando contra o colchão enquanto volto a te penetrar com força renovada.

— Agora fica assim e geme meu nome. Quero que todo mundo lá fora saiba quem tá te comendo. Quero que saibam que você é minha propriedade agora.

 

** Lyra **

 

Você me vira tão rápido que nem tenho tempo de racionalizar ou de processar o movimento. Me coloca de bruços no colchão, me puxa pelos quadris até me deixar de quatro, depois força minhas costas pra baixo com a mão firme entre minhas omoplatas até eu me sentir arqueada feito a letra M de uma forma estranhamente gostosa e obscena.

As costelas doem de tanta pressão que sua mão faz contra minha coluna, me envergando pra baixo, me deixando completamente exposta, vulnerável, aberta pra você do jeito mais errado possível.

— Está achando que é só você que sabe fazer algo legal? — provoco entre gemidos, a voz rouca, desafiadora mesmo nessa posição de rendição total.

Estico os braços pra frente, as mãos se agarrando no lençol amassado enquanto encosto a lateral da face contra o colchão. E começo a me mover pra trás, de encontro a você, rebolando devagar, sentindo cada centímetro seu dentro de mim.

Minha bunda se choca contra sua pélvis num ritmo que eu controlo agora, enquanto faço círculos lentos e deliberados com os quadris, apertando você dentro de mim, te provocando, te enlouquecendo.

— Me chama de florzinha agora, idiota. — solto com um sorriso torto nos lábios, mesmo de olhos fechados, mesmo gemendo alto. — Aposto que não consegue mais falar direito quando eu faço isso...

Aperto mais, rebolo mais fundo, sentindo você pulsar dentro de mim, sabendo que te deixo tão fodido quanto você me deixa.

 

** Merle **

 

— Porra... — a palavra sai roçada, quase um rosnado preso na garganta. Minha mão aperta tua nuca com força, te prendendo ali contra o colchão enquanto a outra segura teu quadril num aperto que vai deixar mais marcas do que você imagina.

— Você acha que manda em alguma coisa aqui, é? — dou um tapa forte na tua bunda, o estalo reverberando no quarto abafado. — Acha que vai me controlar só porque sabe rebolar essa bunda?

Mas a verdade é que você tá me fodendo tanto quanto eu tô te fodendo. Cada movimento circular desses quadris me arranca um gemido que eu tento segurar e não consigo. Cada aperto desse teu corpo ao redor do meu me faz querer te destruir e te adorar ao mesmo tempo.

— Florzinha do caralho... — murmuro entre dentes cerrados, aumentando o ritmo, metendo com mais violência pra retomar o controle. — Você vai me pagar por isso.

Puxo teu cabelo, forçando tua cabeça pra trás, arqueando teu corpo ainda mais enquanto te fodo sem piedade. Minha boca cola no teu ouvido, a respiração quente e descompassada.

— Continua rebolando assim. Continua me provocando. Porque quando eu gozar dentro de você, vou te virar de novo e recomeçar até você implorar pra eu parar. E mesmo assim não vou parar, porra.

 

** Lyra **

 

— Esse tapa doeu, seu velho caipira! — reclamo alto, mais por reflexo do que por verdade, a pele da minha bunda ainda ardendo onde sua mão acertou com força.

E doeu mesmo. Mas eu reclamo por puro costume, porque a verdade nua e crua é que estou à beira do colapso físico, mental, de tudo. Cada nervo do meu corpo em chamas, cada músculo tremendo sob você.

E o caipira que provoquei durante meses é muito melhor do que eu imaginava. E olha que eu imaginei muita coisa... noites inteiras imaginando exatamente isso.

Você aumenta a força, o ritmo, me fodendo sem piedade, como se quisesse me quebrar ao meio. E eu me contorço da ponta dos pés até a alma, gemendo tão alto que provavelmente acordo os mortos lá fora.

Eu começo a gemer mais alto, os sons saindo quase como gritos histéricos, incontroláveis. E é exatamente quando alguém bate com força na porta, a voz preocupada perguntando “se está tudo bem aí dentro” que eu não sei se me desfaço no riso ou no prazer.

— Tá... porra... — a voz quase não sai, estrangulada, e o que sai é embebida entre gemidos altos e risos descontrolados. — O Merle está aqui... vendo um negócio comigo.

Não é mentira, mas também a verdade está mais clara que manhã de sol. Qualquer idiota do lado de fora sabe exatamente o que está acontecendo aqui dentro.

— Vai embora! — grito entre risos e gemidos, a cara afundada no colchão. — Estamos... ocupados!

 

** Merle **

 

Quando ouço a batida na porta e tua resposta patética tentando disfarçar o óbvio, eu solto uma risada rouca, grave, sem diminuir nem um segundo o ritmo das minhas estocadas.

— Vendo um negócio... — repito com deboche, te fodendo ainda mais forte só pra te fazer gemer mais alto. — Isso, florzinha. Conta pra ele que negócio é esse que eu tô vendo aqui.

Minha mão sobe pela tua coluna, agarra teu cabelo de novo e puxa, forçando de novo tua cabeça pra trás enquanto me inclino sobre você, colando minha boca no teu ouvido.

— Grita mais alto. Quero que esse filho da puta e todo mundo nesse acampamento saiba que você é minha. Que foi eu quem te comeu primeiro. Que ninguém mais vai poder encostar em você sem lembrar que eu já marquei território.

Dou outro tapa na tua bunda, mais forte que o anterior, e depois aperto a carne ali com força, sentindo você se apertar ao redor de mim em resposta.

— E pode mandar o safado ir embora mesmo, porque eu não vou parar. Nem quando você gozar. Nem quando você implorar. Só quando eu quiser.

Escuto passos se afastando do lado de fora e sorrio contra tua pele suada.

— Pronto. Agora todo mundo sabe. Amanhã ninguém vai ter coragem de olhar torto pra você. Porque se olharem, vão ter que lidar comigo.

 

** Lyra **

 

Meu riso morre na garganta quando sinto uma onda violenta subir do meu centro até meu cérebro, me atravessando inteira como um raio elétrico. O prazer explode dentro de mim sem aviso, brutal, avassalador.

— Puta que pariu. Puta que pariu. — digo atropelando as palavras, a voz saindo desesperada, trêmula. — Pelos céus, não para agora, senão eu te mato, Merle. Juro por Deus que te mato!

Desencosto o rosto do colchão num movimento brusco, jogando as mãos pra trás, me agarrando aos seus braços com força, as unhas cravando na sua pele enquanto me apoio em você, me desfazendo completamente.

— Merle! — seu nome me escapa num grito agudo, desesperado, como quem grita um louvor diante de um milagre, como se só você pudesse me salvar desse precipício.

Meu corpo se contrai com tanta força que te ouço grunhir atrás de mim, rouco, quase animal, enquanto minha musculatura interna aperta seu membro como se quisesse engoli-lo até as bolas, te prendendo dentro de mim.

Os músculos começam a falhar, as pernas tremendo violentamente, o corpo explodindo em êxtase puro enquanto eu forço o movimento pra trás, te empurrando, te forçando a se sentar sobre as próprias pernas. E mesmo assim não paro, continuo me movendo já completamente alucinada sobre você, rebolando, gemendo, chorando quase.

— Merda... merda... — repito sem parar, a voz quebrada, os olhos revirados, perdida no meio do meu próprio prazer enquanto você me segura, me mantém ali, fodendo através do meu orgasmo até eu não aguentar mais.

 

** Merle **

 

— Caralho... — a palavra sai rasgada da minha garganta quando sinto você apertar assim, me sugando pra dentro como se o mundo inteiro dependesse disso.

Te sigo no movimento quando você me força a sentar, minhas costas batendo contra a parede enquanto você cavalga de costas em cima de mim, descontrolada, alucinada, completamente entregue. Meus braços te envolvem com força bruta, te segurando contra mim enquanto você rebola, geme, chora.

— Assim... porra, assim... — rosno contra teu pescoço, mordendo, chupando, marcando cada centímetro de pele que alcanço. — Continua... não para caralho.

Minhas mãos descem pelas tuas costas suadas até agarrar tua bunda com força, te guiando, te ajudando a se mover mesmo com as pernas tremendo, mesmo quase desabando. Te seguro como se você fosse desmoronar a qualquer segundo.

— Você é tão linda assim, toda fodida, toda minha... — murmuro rouco no teu ouvido, sentindo meu próprio corpo começar a tremer, o prazer subindo pela espinha como lava quente. — Porra, florzinha... você vai me matar também.

Te aperto mais contra mim, uma mão subindo até tua nuca, puxando seu rosto de lado pra um beijo violento, desesperado, enquanto sinto tudo em mim se concentrar num ponto só.

— Vou gozar dentro de você... — aviso entre dentes cerrados, já sem controle nenhum. — E você vai sentir cada gota, vai saber que é minha do jeito mais sujo possível.

E então eu explodo, te enchendo, te marcando por dentro enquanto te seguro com tanta força que provavelmente vou te machucar. Mas não consigo soltar. Não consigo fazer outra coisa além de te apertar contra mim e gemer teu nome como se fosse uma maldição e uma benção ao mesmo tempo.

 

** Lyra **

 

Meu orgasmo se prolonga em ondas intensas enquanto sinto você jorrar dentro de mim, quente, pulsante, me preenchendo completamente. A sensação me arranca mais um gemido longo, arrastado, quase um suspiro de entrega total.

Eu gemo contra seus lábios, respirando com dificuldade, o peito subindo e descendo descompassado enquanto você me beija com fome, ainda latejando seus últimos espasmos de prazer em mim. Nossos corpos colados, suados, tremendo juntos.

— Eu vou precisar de terapia. — comento quase sem ar, a voz saindo baixa, quebrada. — Porque isso é filhadaputamente bom demais. Porra, Merle... isso devia ser crime.

Quando seu corpo finalmente relaxa, os braços me soltando já sem forças, os músculos cedendo, eu jogo meu corpo pra frente sem controle nenhum, caindo de bruços sobre aquele colchão velho que agora carrega mais história do que sono, mais memória do que descanso.

— Parece que eu fui atropelada por um bando de walkers. — minha voz sai abafada contra o colchão, o rosto afundado no tecido suado. — Ou por uma F-100 velha... sei lá. Estou destruída.

Eu ergo uma das mãos com esforço, como se fosse fazer mais algum comentário sarcástico, alguma provocação de última hora, mas me falta força agora até pra levantar o dedo indicador. A mão cai de volta no colchão, inerte.

— Você me fodeu até a alma, seu velho filho da puta... — murmuro ainda de bruços, um sorriso bobo nos lábios mesmo exausta. — E eu adorei cada segundo.

 

** Merle **

 

Fico ali sentado, encostado na parede, olhando você desabada no colchão como se tivesse sido jogada de um prédio. O peito ainda subindo e descendo rápido, suor escorrendo pelas minhas costas, a respiração saindo pesada.

— Terapia uma ova, — solto com um meio sorriso torto, passando a mão pelo rosto molhado de suor. — Você que pediu, florzinha. Eu avisei que ia te destruir.

Me arrasto até você, deitando de lado ao teu lado, ainda sem fôlego, mas precisando te tocar mesmo assim. Minha mão passa devagar pelas tuas costas, sentindo a pele quente e úmida, marcada pelos meus dedos e pela minha boca.

— F-100 velha... — repito com uma risada já cansada. — Pelo menos esse motor aqui ainda funciona bem, né? Motor original, zero quilômetro de cuidado, mas roda que é uma beleza.

Puxo você pra mais perto, te virando de lado pra me encarar, o corpo mole se encaixando no meu como se sempre tivesse pertencido ali.

— E você adorou mesmo, admite. — minha voz sai mais baixa agora, quase carinhosa, coisa rara vindo de mim. — Adorou cada tapa, cada xingamento, cada segundo que eu te fodi até você não saber mais nem teu nome.

Encosto o queixo no topo da sua cabeça, fechando os olhos por um momento.

— Agora dorme, porque daqui a pouco eu vou querer de novo. E você vai me dar. Porque agora você é minha, florzinha. E eu não divido o que é meu com ninguém.

 

** Lyra **

 

— Uh, e aquela história de que “quem quiser te tocar vai saber que eu já te fodi primeiro e blablabla”, hmn? — provoco com um sorriso cansado nos lábios, a voz ainda exausta. — Mudou de ideia, é? Ciumento de merda!

Apoio o rosto contra seu peito nu, o cheiro de suor e virilidade me atingindo como uma bofetada bem dada, intensa, viciante. Inspiro fundo, como se quisesse guardar esse momento dentro dos pulmões pra sempre.

Minha mão sobe devagar pelo seu corpo, os dedos traçando as cicatrizes, as marcas, até repousar sobre os pelos ásperos do seu peito. Sinto seu coração batendo forte ali embaixo, ainda acelerado.

— Daqui a pouco vai dizer que me ama, me trazer flores... — digo rindo com sarcasmo e cansaço na mesma proporção, a voz saindo mansa, quase sonolenta. — Vai querer casar comigo numa igrejinha de interior que nem existe mais.

Afago o rosto em você, esfregando a bochecha contra sua pele quente, fechando os olhos, suspirando satisfeita por finalmente estar exatamente onde eu queria estar já há meses. Nos seus braços. Fodida, marcada, sua.

— E você falando que era velho demais, fodido demais pra mim... — falo sem pensar, sem filtro, traçando círculos preguiçosos no seu peito com as pontas dos dedos. — Que eu merecia coisa melhor. Sorte a sua que eu sou teimosa pra caralho e não desisto fácil do que eu quero.

Abro um olho só, te olhando de soslaio com aquele brilho malicioso mesmo exausta.

— E eu te queria, Dixon. Desde o primeiro dia que você me apontou aquela arma e eu te mostrei o dedo do meio.

 

** Merle **

 

— Ciumento meus ovos, — resmungo, mas minha mão já tá subindo e descendo pelas tuas costas num carinho automático, sem que eu perceba. — Eu só não gosto de desperdício. Gastei tempo te domando, não vou deixar qualquer babaca vir colher o fruto.

Quando você fala em casamento e flores, eu solto uma risada curta, meio debochada, mas sem maldade de verdade.

— Flor você já é, florzinha. E casamento... porra, se o padre ainda tiver vivo e quiser me aguentar falando “aceito” sem mandar ele tomar no cu no meio da cerimônia, a gente vê. — brinco, passando a mão pelo teu cabelo bagunçado, ainda úmido de suor.

Fico quieto quando você fala sobre aquele primeiro dia. Lembro bem. Você toda suja de lama, com aquela cara de poucos amigos, o dedo do meio erguido bem na minha cara como se eu fosse qualquer merda.

— Eu sabia que você ia ser problema desde aquele dia, — admito em voz baixa, quase confessional. — Do tipo de problema que a gente não esquece. Do tipo que gruda na pele e não sai mais.

Puxo você mais pra perto, te cobrindo melhor com o lençol velho, protegendo do frio da noite que começa a entrar pelas frestas.

— E eu tava certo sobre você merecer coisa melhor. Mas você é burra e teimosa, então agora fudeu. Vai ter que me aguentar até o fim, porque eu não solto mais.

Encosto os lábios na tua testa, num gesto raro, quase terno vindo de mim.

— Dorme logo antes que eu mude de ideia e te acorde do jeito errado daqui a cinco minutos.

 

** Lyra **

 

Eu sorrio sem você ver, sorrio de verdade dessa vez, sem sarcasmo, sem máscaras. Um sorriso genuíno, daqueles raros que só aparecem quando ninguém está olhando.

As pálpebras já se fecham pesadas, o cansaço me puxando pra baixo feito âncora. O corpo relaxa completamente, derretido contra o seu, segura em seus braços de um jeito que nunca me senti antes.

O mundo como conhecíamos acabou. Virou cinzas, sangue e podridão. E de alguma forma deturpada e torta, eu sou grata por isso. Porque se não fosse assim, se tudo continuasse normal, nossos caminhos jamais teriam se cruzado. Eu seria só mais uma garota perdida em alguma cidade qualquer, e você seria só mais um caipira que eu nunca conheceria.

Mas aqui estamos. No meio do apocalipse. Juntos, fodidos, vivos.

Pego no sono com o corpo e o coração quentes, a respiração sincronizando com a sua. E pela primeira vez em toda minha vida, desde que me entendo por gente, eu sinto paz.

Paz de verdade.

E é nos seus braços, Merle Dixon, que eu finalmente encontro o que eu nem sabia que estava procurando.

Casa.

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