sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Enfermé - pt II

 

Dez e meia da manhã.

Fico parado no meio do escritório depois que você saiu, ainda sentindo o fantasma do seu corpo contra o meu. O silêncio pesa como chumbo. A sala parece menor, mais abafada, como se as paredes tivessem se aproximado enquanto te fodia contra aquela mesa.

Passo a mão pelo rosto, esfregando os olhos. Meus dedos tremem. Não é cansaço. É adrenalina residual misturada com algo mais perigoso.

Desejo.

Fome.

Vício.

O cheiro de sexo ainda impregna o ar. Passei perfume ambiente três vezes, abri a janela deixando o frio de outono invadir a sala, mas continuo sentindo. O almíscar da sua pele misturado ao meu suor. O perfume barato do sabonete da prisão que não consegue esconder o cheiro real de mulher que você tem.

Ou talvez seja só minha mente me torturando. Me lembrando. Me provocando.

Fecho a janela devagar, apoiando a testa no vidro frio.

O que eu fiz?

A pergunta ecoa na minha cabeça, mas não vem acompanhada de culpa. Vem acompanhada da lembrança vívida de como foi bom. De como seu corpo me recebeu, quente, molhado, apertado. De como você gemeu meu nome com aquela voz rouca, entregue, como se eu fosse a única coisa real no mundo.

Fodi uma presa.

No meu escritório.

Durante horário de trabalho.

Com a porta trancada e vinte minutos de margem antes das guardas passarem.

Porra, Jean. Você está completamente enlouquecido.

Mas quando considero não aparecer na biblioteca às três da tarde, quando penso em te evitar, em manter distância, em tentar recuperar algum resquício de profissionalismo...

Meu corpo reage.

Meu pau pulsa dentro da calça, endurecendo só de imaginar te ter de novo. Com mais tempo dessa vez. Sem pressa. Sem o medo iminente de sermos pegos a qualquer segundo. Podendo te explorar do jeito que não pude antes. Podendo te foder direito. Devagar. Até você implorar.

Até você esquecer seu próprio nome e só lembrar do meu.

Me viro, olhando pra mesa. Ainda está levemente torta, empurrada alguns centímetros pra frente. Os papéis que caíram estão empilhados de qualquer jeito. O porta-retratos com Claire e Sophie está de pé de novo, mas virado pro lado errado.

Endireito ele. Olho pra foto.

Claire sorri congelada ali, com Sophie nos braços. Quatro anos atrás. Férias de verão em Provence. Eu pareço feliz na foto. Pareço um homem com a vida resolvida.

Mentira.

Faz anos que não toco Claire. Anos que nosso casamento virou apenas coexistência educada. Ela dorme do lado dela da cama, eu do meu. Conversamos sobre Sophie, sobre contas, sobre o jardim. Nunca sobre nós. Porque não há mais “nós”.

Mas Emma...

Merde.

Fecho os olhos, apertando a ponte do nariz.

Emma não é solução. Emma é destruição. É o fim da minha carreira, da minha reputação, da minha liberdade se alguém descobrir.

Mas porra...

Valeu a pena.

Cada segundo valeu.

E eu quero mais.

Preciso de mais.

Olho pro relógio na parede. Dez e quarenta e dois.

Quatro horas e dezoito minutos até as três da tarde.

Quatro horas e dezoito minutos até te ter de novo.

Como caralhos vou sobreviver até lá?

 

Saio do escritório às onze. Preciso circular, mostrar presença, fingir normalidade. Diretor presente, acessível, cumprindo protocolo.

Caminho pelos corredores com as mãos nos bolsos, cumprimentando guardas com acenos automáticos. Passo pela sala de convivência. Algumas presas me olham, a maioria desvia rapidamente. Sou autoridade. Sou ameaça.

Mas tem uma que não desvia.

Emma.

Você está sentada sozinha numa mesa no canto, folheando distraidamente uma revista. Quando passo, nossos olhos se cruzam por uma fração de segundo.

E eu vejo.

Vejo o mesmo que está queimando em mim.

Fome.

Você desvia o olhar primeiro, mas não antes de morder o lábio inferior. Um gesto pequeno, quase imperceptível. Mas eu vi. E meu pau lateja em resposta, pressionando contra a calça como um maldito adolescente sem controle.

Saio de lá antes que alguém perceba.

 

Meio-dia e quinze.

Estou no pátio, supervisionando a hora do banho de sol. Fico perto da cerca, observando as presas em grupinhos. Algumas fumam escondido. Outras conversam baixo. A maioria só fica ali, aproveitando a luz fraca do outono como se fosse a única coisa boa que vai ter no dia.

E então te vejo de novo.

Você está encostada na parede, sozinha, os braços cruzados. O uniforme novo que te dei de manhã fica justo demais no corpo. Ou talvez seja só porque agora eu sei exatamente o que tem por baixo.

Você olha pro céu, os olhos fechados, o rosto virado pro sol. Parece quase serena. Quase inocente.

Mas eu sei a verdade.

Sei como você geme. Como se entrega. Como suas unhas cravam na minha pele quando goza.

Três horas e quarenta minutos.

Eu conto cada minuto como se fossem anos.

 

Treze horas.

Almoço no meu escritório. Sanduíche que não tem gosto, café que esfria antes de beber. Não consigo comer. Não consigo pensar em nada além de você.

Fecho os olhos, apoiando a cabeça na cadeira.

E te vejo.

De joelhos na minha frente. Aqueles olhos verdes olhando pra cima enquanto a boca...

Meu pau fica duro instantaneamente.

Porra.

Abro os olhos, ajusto a calça com raiva. Não posso ficar assim. Não posso caminhar pelo presídio com uma ereção. Vão perceber. Vão saber.

Me levanto, caminho até o banheiro privativo do escritório. Fecho a porta. Olho pro espelho.

O homem que me encara de volta parece mais velho. Cansado. Obcecado.

Você está perdido, Jean.

Mas não me importo.

Abro a torneira, jogo água fria no rosto. Não adianta.

Olho pro relógio de pulso.

Treze e vinte e três.

Uma hora e trinta e sete minutos.

Volto pro escritório. Pego o processo de Emma pela quinta vez hoje. Releio cada linha, procurando as falhas que já sei que existem. As testemunhas contraditórias. A falta de provas diretas. O advogado incompetente.

Ela não deveria estar aqui.

E eu vou tirá-la.

Não só porque é justo.

Mas porque a ideia de vê-la livre... de poder te encontrar fora dessas grades... de tê-la sem medo, sem risco, sem cronômetro...

Caralho.

Essa fantasia me excita mais do que deveria.

 

Quatorze horas.

Saio pra mais uma ronda. Protocolo. Visibilidade.

Passo pela lavanderia. Pela cozinha. Pela enfermaria.

E pela biblioteca.

Paro na porta. Olho pra dentro.

É um espaço grande, com estantes altas, pouca luz natural. Ninguém aqui nunca lê. Não há ninguém para organizar nada.

Lá no fundo, quase invisível...

A porta da sala de arquivo.

Onde ninguém vai.

Onde vou te ter daqui a pouco.

Meu coração acelera só de pensar.

 

Quatorze e quarenta e cinco.

Volto pro escritório. Tranco a porta. Sento na cadeira, olhando pro relógio.

Quinze minutos.

Minha perna treme, nervosa. Passo a mão pelo cabelo, desarrumando. Ajusto os óculos. Desabotoo o primeiro botão da camisa porque sinto calor.

Calma, Jean. Você é um homem de cinquenta e três anos. Não um garoto prestes a transar pela primeira vez.

Mas é exatamente assim que me sinto.

Ansioso. Desesperado. Com medo de que você não apareça.

Com medo de que apareça.

 

Quatorze e cinquenta.

Olho pela janela. Vejo presas voltando das atividades. Guardas trocando turno.

Te procuro entre elas.

Não te vejo.

Onde você está?

 

Quatorze e cinquenta e cinco.

Me levanto. Arrumo a gravata. Pego a pasta — qualquer pasta, só pra ter desculpa se alguém perguntar por que estou indo pra biblioteca.

Saio do escritório, trancando atrás de mim.

Caminho devagar pelo corredor. Cada passo parece ecoar alto demais.

 

Quatorze e cinquenta e oito.

Entro na biblioteca. Silêncio.

Caminho entre as estantes. Os passos pesados.

Chego até o fundo. A porta da sala de arquivo está entreaberta.

Olho ao redor. Ninguém.

Empurro a porta devagar e entro.

A sala é pequena, empoeirada, cheia de caixas empilhadas e estantes velhas. Cheiro de papel envelhecido. Luz fraca entrando por uma janela suja.

Fecho a porta atrás de mim.

E espero.

 

Quinze horas.

Três da tarde.

Meu coração bate tão alto que ouço o pulso no ouvido.

Você vai vir, Emma?

Por favor... venha.

 

** Emma **

 

Quinze horas.

Caminho pelos corredores tentando parecer estupidamente entediada, arrastando os pés como se cada passo fosse um esforço monumental. Tento não levantar nenhuma suspeita, fingindo o mesmo desinteresse de sempre, a mesma apatia que me protege há dois anos.

Mas por dentro, meu coração está disparado.

Quando uma guarda me aborda no meio do corredor — uma morena baixa e mal-humorada que sempre me olha com desprezo —, ela barra meu caminho com o corpo.

— Onde você pensa que vai? — A voz sai ríspida, desconfiada.

— Aula de cerâmica. — Respondo sem hesitar, mantendo o tom entediado, indiferente. — Quero fazer algo de presente pros meus pais. Sabe como é... tentar parecer uma filha menos merda.

Ela me encara por um segundo, avaliando se estou mentindo. Funga com desdém, revira os olhos e sai caminhando, crente de que estou dizendo a verdade.

Idiota.

Assim que ela vira a esquina, acelero o passo. Meu coração martela contra as costelas, cada batida gritando que estou atrasada. Cinco minutos. Só cinco minutos, mas parece uma eternidade quando se trata de você.

Olho ao redor nervosamente, me certificando de que ninguém me segue, que nenhuma câmera está focada em mim, que nenhuma guarda decidiu me escolher como alvo hoje.

Quando finalmente avisto a porta pesada da biblioteca, meu coração parece querer se suicidar de dentro de mim, subindo pela minha garganta num salto desesperado.

Empurro a porta devagar, sem alarde, sem fazer barulho. O cheiro de papel velho e poeira me recebem como cúmplice. Carregado. Cheio de promessas sujas.

Caminho entre as prateleiras altas, os dedos roçando as lombadas gastas dos livros enquanto avanço em direção aos fundos. E então, vejo a porta discreta escondida no canto, exatamente como você havia dito.

Minha mão treme quando a abro.

Entro e a fecho atrás de mim com as costas, me apoiando contra a madeira por um segundo, tentando recuperar o fôlego.

E te vejo.

De pé, tenso como uma corda esticada prestes a se romper, os olhos cravados em mim com uma intensidade que me atravessa. Como se eu estivesse duas horas atrasada, e não apenas cinco minutos.

— Eu disse que viria. — As palavras saem num tom que tento fazer soar calmo, controlado.

Mas nada em mim está calmo agora.

Absolutamente nada.

 

** Jean **

 

Quando a porta se abre e você entra, todo o ar sai dos meus pulmões de uma vez.

Graças a Deus.

Você fecha a porta com as costas, se apoiando ali por um segundo, a respiração acelerada fazendo seu peito subir e descer. Os olhos verdes me encontram através da penumbra empoeirada, e algo dentro de mim se aperta.

Cinco minutos.

Cinco malditos minutos que pareceram cinco horas.

Achei que você não viria. Achei que tinha mudado de ideia. Que tinha percebido a insanidade disso tudo e tinha decidido me deixar aqui, sozinho, fodido de desejo e arrependimento.

Mas você veio.

Sua voz sai tentando soar calma, mas eu ouço o tremor por baixo. A mesma urgência que queima em mim.

Não respondo de imediato.

Fico parado ali, te olhando, bebendo cada detalhe como um homem sedento.

O cabelo levemente bagunçado. O uniforme novo, ainda justo demais, marcando cada curva que toquei há poucas horas. Os lábios entreabertos, ainda úmidos, como se você tivesse passado a língua neles antes de entrar.

E os olhos.

Porra, esses olhos que me destroem sem esforço nenhum.

Dou dois passos na sua direção. Devagar. Controlado. Mas cada músculo do meu corpo está tenso, vibrando de contenção.

— Cinco minutos atrasada. — Minha voz sai rouca, grave, carregada de algo entre alívio e repreensão. — Pensei que tinha me deixado esperando de propósito. Só pra me torturar.

Mais dois passos.

Agora estou perto. Perto o suficiente pra sentir o calor que emana de você. Perto o suficiente pra ver os veios de suor no seu pescoço; não de calor, mas de nervosismo. De excitação.

— Mas você veio. — Repito, quase pra mim mesmo, como se precisasse confirmar que é real. — Você realmente veio.

Minha mão se ergue, devagar, e os dedos roçam de leve na lateral do seu rosto. Apenas um toque. Mas é como completar um circuito elétrico. Meu corpo inteiro reage.

— Sabe o que eu fiz nas últimas horas? — Minha voz desce ainda mais, quase um sussurro rouco. — Contei cada minuto. Cada segundo. Tentei trabalhar, tentei me distrair, tentei fingir que não estava completamente obcecado.

Minha outra mão sobe, segurando seu rosto entre minhas palmas. Te forçando a me olhar.

— Mas não consegui, Emma. Não consegui pensar em mais nada além de você. De como foi ter você de manhã. De como seu corpo me recebeu. De como você gemeu meu nome quando gozou.

Minha testa encosta na sua. Fecho os olhos por um segundo, só sentindo. Sentindo seu cheiro. Seu calor. Sua presença que me desestabiliza completamente.

— E agora você está aqui. — Abro os olhos de novo, cravando-os nos seus. — E eu tenho tempo. Não vinte minutos roubados com medo de sermos pegos. Eu tenho uma hora inteira.

Minha mão desliza pelo seu pescoço, descendo devagar, sentindo seu pulso acelerado sob meus dedos.

— Uma hora pra fazer tudo que não pude fazer de manhã. — Minha voz é puro veneno agora, carregada de promessas sujas. — Pra te foder do jeito que você merece. Devagar. Com calma. Até você não conseguir mais andar direito.

Mordo de leve seu lábio inferior, puxando com os dentes antes de soltar.

— Mas primeiro... — Meu polegar roça sua boca. — Quero que você me diga. Você pensou em mim? Desde que saiu da minha sala essa manhã... você conseguiu pensar em outra coisa além disso?

Preciso ouvir. Preciso saber que não sou só eu enlouquecendo sozinho. Que você está tão fodida quanto eu.

Que isso que está nascendo entre nós — esse vício perigoso, essa obsessão destrutiva — é mútuo.

Porque se for...

Porra.

Se for, não há volta pra nenhum de nós.

 

** Emma **

 

Você me toca com desespero e anseio, as mãos tremendo levemente enquanto percorrem meu rosto, meu pescoço, como se eu fosse uma relíquia sagrada que você finalmente conseguiu roubar. Como se eu fosse a resposta para todas as suas preces proibidas, aquelas que você sussurra no escuro da madrugada quando ninguém está olhando.

Você morde meu lábio com força, não pede, não hesita, só toma, e eu aperto as coxas instintivamente, friccionando-as uma contra a outra só de sentir sua boca na minha de novo, só de lembrar como foi há poucas horas atrás.

— Se eu disser que quase esqueci do nosso compromisso... — A voz sai tentando parecer séria, provocante, mas treme nas bordas. — Você acreditaria?

Te olho no fundo dos olhos, tão perto agora que consigo ver cada desenho minúsculo da sua íris escura, cada segredo enterrado ali, cada desejo que você tenta esconder e falha pateticamente.

— Porque se acreditasse, iria crer numa mentira descarada. — Minha respiração falha, saindo em suspiros curtos. — Porque... eu pensei em você cada segundo, Jean. Cada maldito segundo desde que saí daquela sala.

Apoio as mãos nos seus ombros largos, firmes, sentindo os músculos tensos sob meus dedos. Deslizo-as devagar para frente, correndo as palmas abertas pelo seu peito por cima da camisa perfeitamente aprumada que pretendo amarrotar, destruir tão em breve.

— Eu não consigo tirar da mente a sensação de ter você entre minhas pernas. — As palavras saem cruas, honestas, sem filtro. — A forma como você me encheu, como me fodeu contra aquela mesa... Eu quero te dar tudo, Jean. Quero sentir tudo que você pode me fazer.

Passo a língua lentamente pela barba áspera no seu queixo, subindo até seus lábios que entreabrem involuntariamente, depois até a ponta do seu nariz, marcando você com meu gosto, com minha saliva, reivindicando você do jeito que você me reivindicou há horas atrás.

— Então para de me olhar com essa cara de sofrimento — murmuro rouca contra sua boca — e vamos deixar a conversa pra depois. Vamos sanar agora essa coisa que tem nos matado por dentro há tantas horas, esse vício que começou e não vai parar tão cedo.

Minha mão desce pela sua calça, apertando seu pau já duro através do tecido.

— Me fode de novo, Jean. Mas dessa vez... dessa vez me fode direito.

 

** Jean **

 

Quando você aperta meu pau através da calça, quando diz aquelas palavras —” me fode direito” — algo dentro de mim explode.

Todo o controle que tentei manter nas últimas horas se evapora. A contenção, a racionalidade, o medo... tudo vira pó.

— Emma, Emma... — A voz sai num rosnado baixo, animalesco. — Você não faz ideia do que acabou de liberar.

Minhas mãos agarram sua cintura com força, te virando e te prensando contra a parede empoeirada da sala. O impacto arranca um suspiro dos seus lábios, e esse som, esse maldito som de rendição, me deixa ainda mais excitado.

Minha boca invade a sua num beijo faminto, violento, dentes batendo, línguas se enroscando sem delicadeza nenhuma. Não é romântico. Não é gentil. É puro desespero carnal.

— Você quer que eu te foda direito? — Murmuro contra seus lábios, mordendo o inferior até sentir o gosto levemente metálico. — Então você vai ter exatamente isso. Cada centímetro. Cada segundo.

Minha mão sobe pela lateral do seu corpo, passando pela cintura, subindo até seu seio. Aperto com força sentindo a firmeza contra minha palma.

— Pensei em você o dia inteiro. — Confesso entre beijos, a voz saindo entrecortada. — Não consegui trabalhar. Não consegui pensar. Só ficava imaginando isso... te tendo aqui, sozinha comigo, sem pressa.

Desço a boca pelo seu pescoço, chupando, mordendo, marcando cada pedaço de pele que alcanço. Quero que você saia daqui coberta de mim. Quero que cada presa, cada guarda veja as marcas e saiba — mesmo sem entender — que você é minha.

— Sabe o que eu mais queria fazer? — Sussurro rouco no seu ouvido, a mão descendo pela frente do uniforme. — Queria te comer com a minha boca. Queria te colocar sentada na minha cara e te fazer gozar até você implorar pra eu parar.

Puxo o elástico da calça com um movimento brusco, forçando-a pra baixo. Minha mão desliza pra dentro, por cima da calcinha, sentindo o calor, a umidade que já molha o tecido fino.

— Cacete... — Solto um gemido admirado. — Você tá encharcada.

Meus dedos pressionam por cima da calcinha, esfregando devagar, torturando, sentindo como seu corpo reage; as pernas tremendo levemente, a respiração ficando mais rápida.

— Mas antes de te comer... — Retiro a mão, levando os dedos aos lábios, chupando a umidade que ficou no tecido. — Eu quero que você me mostre o quanto me quer.

Te puxo pela cintura, nos afastando da parede. Olho ao redor rapidamente. Caixas empilhadas, uma mesa velha coberta de poeira, estantes cheias de arquivos esquecidos.

Arrasto uma cadeira velha pro centro da sala. O estofado está gasto, rasgado em alguns pontos, mas vai servir.

Me sento, abrindo as pernas, te puxando pra ficar de pé entre elas. Meus olhos sobem pelo seu corpo devagar, como se te desenhasse mentalmente.

— Tira a roupa. — A ordem sai firme, autoritária. — Devagar. Quero ver cada centímetro de você que não vi direito essa manhã.

Minha mão vai até minha calça, ajustando o pau que já dói de tão duro, mas não tiro. Ainda não.

Quero ver você primeiro.

Quero gravar na memória a forma como você se despe pra mim, com o mundo continuando lá fora enquanto nós dois nos afundamos cada vez mais nesse abismo.

— E depois... — Minha voz desce, rouca, carregada de promessa suja. — Depois você vai ajoelhar aqui na minha frente. Vai abrir minha calça. E vai me chupar até eu gozar na sua boca.

Passo a língua pelos lábios, os olhos queimando nos seus.

— E só então, Emma... só depois disso, eu vou te colocar de quatro naquela mesa e te foder até você gritar meu nome tão alto que vou ter que cobrir sua boca pra você não nos entregar.

Cruzo os braços, recostando na cadeira, te observando.

Esperando.

 

** Emma **

 

Observo você se ajeitar na cadeira com uma calma calculada, me posicionando estrategicamente entre suas pernas abertas como se isso fosse um jogo. Seu jogo doentio, sujo, pervertido. Eu aceito jogar sem hesitar.

Arqueio as sobrancelhas ao ouvir você falar, sua voz rouca dando ordens enquanto seu olhar faminto vagueia por mim de cima a baixo, devorando cada centímetro como se já estivesse me despindo com os olhos.

— Oui, Monsieur. — A resposta sai em tom de deboche puro, carregada de ironia e provocação. — Você é um grande fils de pute, Jean. — Sorrio torto, mordaz. — E eu adoro isso. Adoro como você finge ser o diretor respeitável lá fora, mas aqui dentro... aqui você é só meu.

Dou meio passo para trás, criando distância suficiente para que você consiga me ver por completo, cada detalhe, cada curva, cada marca na minha pele.

Seguro na barra da camiseta laranja com dedos que tremem — não de medo, mas de pressa — e puxo-a para cima com uma lentidão torturante. Revelando pouco a pouco cada desenho tatuado que sobe pelo meu abdômen pálido, contornando a linha dos seios, se perdendo entre outros rabiscos indecifráveis que marcam minha pele como um mapa de tudo que já vivi.

A camiseta cai no chão, esquecida.

Enfio os polegares por dentro do cós da calça do uniforme, forçando-a para baixo centímetro por centímetro, movendo os quadris em círculos lentos para ajudar o tecido a deslizar. Abaixo o corpo na sua frente, joelhos esticados, bunda empinada, até a calça cair sobre meus tornozelos. Chuto-a para longe com um movimento do pé, sentindo meu rosto levemente rubro quando percebo como você está me olhando inquieto. Faminto. Como se estivesse se segurando por um fio fino demais.

— Espero que esteja gostando do que está vendo. — A provocação sai num sussurro rouco.

Levo as mãos atrás das costas, desabotoando o sutiã com movimentos experientes. Deixo as alças escorregarem pelos ombros devagar antes de jogar a peça de lado, revelando seios firmes, fartos, mamilos rosados, pele arrepiada pelo frio do ambiente e pela excitação que pulsa em cada terminação nervosa. Pequenos tremores percorrem meu corpo ao sentir o ar gelado batendo contra a pele superaquecida.

Mordo o canto do lábio inferior com força quando seguro nas laterais finas da calcinha — a última barreira entre nós — e te encaro com a maior calma do mundo, como se estivéssemos num simples quarto velho de motel barato, e não numa sala trancada de biblioteca em plena prisão.

— Você vai ganhar o melhor sexo oral da sua vida, Jean. — A voz sai arrastada, embargada, quase uma promessa imunda que flutua no ar pesado entre nós. — E depois... vai me agradecer de joelhos por isso.

Forço a calcinha para baixo lentamente, torturantemente, até o meio das coxas. Balanço os quadris de leve para que ela termine de descer sozinha, escorregando pelas minhas pernas até os pés.

Me abaixo numa cócoras perfeita, retirando a calcinha de vez com dedos que tremem de expectativa.

E então, te olho nos olhos enquanto a jogo diretamente no seu colo, a peça de renda pousando sobre seu pau que já marca a calça social.

Sem o menor pudor.

Sem a menor vergonha.

Completamente nua diante de você, exposta, vulnerável e poderosa ao mesmo tempo.

— Agora... — murmuro rouca, me aproximando novamente — me diz o que você quer que eu faça primeiro.

 

** Jean **

 

Quando você joga a calcinha no meu colo — quente, úmida — algo dentro de mim se incendeia definitivamente.

Pego a peça de renda com dedos firmes, sentindo a umidade que ainda está ali, levando-a até o rosto. Inalo fundo, fechando os olhos por um segundo, deixando seu cheiro me invadir completamente.

— Porra... — A palavra escapa num gemido baixo, gutural.

Abro os olhos de novo, te encarando. Você está ali, completamente nua na minha frente, a pele pálida coberta de tatuagens, os seios firmes com mamilos rosados apontando pra mim, as coxas ainda levemente afastadas mostrando tudo que eu quero devorar.

Caralho. Como você é linda.

Me inclino pra frente, as mãos agarrando seus quadris com força, puxando você mais perto. Minha boca desce até seu abdômen, beijando cada tatuagem, mordendo de leve, marcando um caminho tortuoso pela sua pele.

— Primeiro... — Minha voz sai rouca, abafada contra sua barriga. — Primeiro você vai ficar exatamente assim. De pé. Pernas abertas.

Minha boca desce mais, beijando o osso do seu quadril, depois a virilha, sentindo o calor que emana de você.

— E eu vou te comer. — Murmuro contra sua pele, a barba áspera arranhando de leve. — Vou enfiar minha língua dentro de você até você gozar na minha boca.

Minhas mãos sobem pelas suas coxas, apertando, separando-as um pouco mais. Olho pra cima, te encarando por entre suas pernas, os olhos queimando.

— Depois... — Faço uma pausa, lambendo os lábios. — Depois você vai me chupar. Vai engolir cada centímetro. E vai me fazer gozar na sua garganta.

Minha boca roça sua intimidade, apenas um toque, um sopro quente.

— E só então... — A voz desce ainda mais, rouca, promessa pura. — Só então eu vou te foder daquele jeito que prometi. De quatro. Naquela mesa. Até você esquecer onde está.

Puxo você mais pra frente, forçando-a a se apoiar nos meus ombros pra não cair.

— Agora abre mais essas pernas, Emma. — A ordem sai firme. — E deixa eu te provar direito.

E sem esperar resposta, enfio minha língua dentro de você.

 

** Emma **

 

Meus dedos se afundam desesperadamente nos seus ombros quando você enfia a língua em mim sem aviso, me sugando com uma fome animalesca, fazendo círculos lascivos e tortuosos com a língua pelo meu clitóris já inchado, pulsante, implorando por atenção.

— Isso é... — A voz vacila, quebra, some. — Meu Deus, Jean. Isso é uma delícia... isso é...

Tombo a cabeça pra trás num movimento involuntário, perdendo completamente o controle, firmando as pontas dos pés ao chão com tanta força que meus músculos das panturrilhas protestam. Reteso as coxas quase implorando pra você não parar.

Pequenos espasmos percorrem meu corpo em ondas cada vez mais intensas, começando no baixo ventre e se espalhando como fogo líquido por cada terminação nervosa.

Gemidos baixos, roucos, desesperados me escapam pelos lábios que tento manter comprimidos, apertados, mordidos com força enquanto sofro essa tortura deliciosa da sua língua quente e habilidosa trabalhando em mim como se você tivesse nascido pra isso.

— Isso... assim... continue... — As palavras saem entrecortadas, sufocadas. — Por... — *arf* — por favor, Jean... não para... por favor...

Imploro. Literalmente imploro, e não me importo com o quanto isso é patético.

Sinto cada músculo do meu corpo tremer violentamente, vibrar sem controle a cada investida precisa da sua língua dentro de mim, cada chupada no meu clitóris, cada vez que você geme contra minha pele sensível mandando vibrações que me destroem por dentro.

Minhas pernas começam a fraquejar, os joelhos ameaçando ceder.

— Eu vou... Jean, eu vou... — Tento avisar, mas mal consigo formar frases. — Porra, eu vou gozar...

Sinto como se fosse me desfazer completamente sobre você a qualquer momento, me despedaçar em mil pedaços que nunca mais vão se juntar do mesmo jeito.

E quando finalmente acontece — quando o orgasmo me atinge como um raio —, minha mão voa até a minha própria boca, abafando o grito que ameaça nos entregar.

Meu corpo inteiro treme, convulsiona, se contrai ao redor da sua língua enquanto gozo forte, intenso, molhando seu rosto, sua barba, sem o menor pudor.

— Jean... — Seu nome sai num sussurro quebrado, reverente, como uma oração suja. — Mon Dieu!

E você não para. Continua me lambendo, me sugando, me bebendo até a última gota, prolongando meu prazer até eu não aguentar mais, até eu te empurrar pela testa, tremendo inteira, as pernas bambas.

Olho pra baixo e te vejo. Barba molhada, olhos escuros queimando de luxúria, um sorriso satisfeito no canto da boca.

E porra...

Nunca quis tanto retribuir na minha vida.

 

** Jean **

 

Quando você goza na minha boca, molhando minha barba, meus lábios, minha língua, eu me sinto o homem mais poderoso do mundo.

Continuo te lambendo devagar, prolongando cada espasmo, cada tremor, até você me empurrar pela testa com as mãos trêmulas. Levanto o rosto, te encarando lá de baixo, e passo a língua pelos lábios, saboreando você.

— Você é deliciosa. — A voz sai rouca, satisfeita. — Melhor do que eu imaginei.

Me recosto na cadeira, abrindo mais as pernas, o pau latejando dolorosamente dentro da calça. Passo a mão pela boca, limpando parte da sua umidade, mas deixando propositalmente o resto ali. Quero carregar seu cheiro em mim.

— Agora é sua vez. — Aponto com o queixo pro meu colo, os olhos queimando nos seus. — Ajoelha aqui e me mostra como você agradece.

Minha mão vai até o cinto, abrindo com movimentos lentos, calculados. O som da fivela ecoando na sala silenciosa. Depois o botão. Depois o zíper descendo devagar, revelando a cueca preta já manchada de pré-gozo.

Mas não tiro nada ainda. Quero que seja você. Quero que suas mãos me libertem.

Te puxo pelo pulso, te trazendo pra frente, te forçando a se ajoelhar entre minhas pernas abertas. Quando você se posiciona ali — nua, ainda tremendo do orgasmo, os joelhos no chão frio e empoeirado — algo em mim se contorce.

Tão linda. Tão minha.

Passo a mão pelo seu cabelo azul, afastando os fios do rosto, segurando sua nuca com firmeza.

— Tira. — Ordeno baixo, a voz grossa. — Tira meu pau pra fora e me chupa até eu gozar na sua boca. E você vai engolir tudo, Emma. Cada gota. Entendeu?

Meu polegar roça seu lábio inferior.

— E olha pra mim enquanto faz isso. — Aperto de leve sua nuca. — Quero ver esses olhos verdes me encarando enquanto você me engole.

Meu pau lateja dentro da cueca, uma mancha úmida se espalhando pelo tecido. Estou tão duro que dói. Tão desesperado que qualquer toque seu vai me fazer explodir.

Mas quero prolongar. Quero sentir sua boca me explorando. Quero ver você se esforçando pra me receber inteiro.

— Anda, ma belle. — Sussurro rouco, os dedos apertando seu cabelo. — Mostra pra mim como você agradece quando um homem te faz gozar desse jeito.

 

** Emma **

 

Me ajeito entre suas pernas, ajoelhada no chão frio da sala, completamente nua, ainda trêmula e hipersensível depois de gozar na sua boca há poucos segundos. Meu corpo ainda pulsa com os resquícios do orgasmo, mas a vontade de retribuir, de te ver desmoronar da mesma forma, é mais forte que qualquer cansaço.

Afasto uma mecha rebelde do cabelo pra trás da orelha, prendendo-a ali enquanto percorro a língua pelos meus próprios lábios, umedecendo-os, preparando-os para o que vem agora.

Minhas mãos tremem levemente quando afasto sua cueca com pressa controlada, puxando o elástico pra baixo e liberando seu membro que salta livre, duro, grosso, latejando bem na minha frente como um convite obsceno.

Seguro você na base com a mão direita, com força calculada, firme, mas delicada, sentindo o calor, as veias pulsantes sob meus dedos. Começo a mover a mão devagar, subindo e descendo em movimentos lentos, torturantes, enquanto a outra desliza decidida pela sua coxa tensa, sentindo os músculos contraídos sob a palma.

Inclino a cabeça para frente, mantendo os olhos fixos nos seus, e percorro todo o comprimento do seu membro com a língua, da base até a ponta, deixando um rastro quente e escorregadio de saliva pra ajudar nos movimentos da minha mão.

Seu gosto explode na minha boca — salgado, másculo, viciante.

— Só não gema muito alto, viu? — murmuro rouca com os lábios encostados na sua pele babada de saliva, minha voz vibrando diretamente contra sua glande inchada e sensível.

E então, sem dar tempo de você responder, envolvo meus lábios ao redor de você e desço a cabeça devagar, muito devagar, devorando vagarosamente cada centímetro grosso, sentindo você enrijecer ainda mais dentro da minha boca, sentindo como minha mandíbula se estica pra te acomodar.

Relaxo a garganta, respiro pelo nariz, e desço mais.

E mais.

Até sentir você batendo no fundo, até meus olhos lacrimejarem, até não conseguir descer mais.

Subo de novo. Devagar. Chupando com força no caminho de volta, criando uma pressão deliciosa entre os lábios.

Minha cabeça começa a subir e descer em movimentos lentos, precisos, calculados. Como se quisesse te torturar antes de te levar ao ápice. Como se quisesse te fazer implorar da mesma forma que eu implorei há pouco.

Minha mão continua trabalhando na base, apertando, torcendo levemente, enquanto a outra sobe e acaricia sua bola com delicadeza, massageando, explorando.

Te olho por baixo dos cílios molhados de lágrimas involuntárias, e a visão de você ali, cabeça jogada pra trás, maxilar travado, tentando desesperadamente não gemer, só me faz querer mais.

Acelero um pouco. Não muito. Só o suficiente pra te deixar louco.

E então murmuro ao redor do seu pau, as palavras saindo abafadas, mas claras:

— Goza pra mim, Jean. Enche minha boca.

 

** Jean **

 

Quando você me engole inteiro, quando sinto sua garganta apertando ao redor da minha glande, seus olhos lacrimejando, mas nunca desviando dos meus, eu quase gozo ali mesmo.

Porra.

Minha mão se fecha com força no seu cabelo, os dedos afundando nos fios, segurando sua cabeça no lugar enquanto luto contra o impulso de empurrar mais fundo, de foder sua boca sem piedade.

— Emma... — Seu nome sai num gemido rouco que eu tento — e falho — abafar. — Caralho... sua boca é... perfeita.

Quando você acelera, quando sua mão aperta minha base e a outra massageia minhas bolas com aquela delicadeza torturante, meu corpo inteiro treme. As pernas ficam rígidas. O abdômen se contrai. Sinto a pressão subindo, queimando, se concentrando na base da espinha.

E então você murmura aquilo —” Goza pra mim, Jean” — com meu pau ainda dentro da sua boca, eu me perco completamente.

— Merda... eu vou... — Tento avisar, mas não dá tempo.

Meu corpo explode.

Jorro dentro da sua boca em ondas violentas, os quadris se erguendo involuntariamente da cadeira, te empurrando mais fundo enquanto gozo. Uma, duas, três, quatro pulsações fortes, cada uma me esvaziando dentro de você.

Minha cabeça tomba pra trás, os olhos fechando com força, a mão no seu cabelo apertando tanto que deve doer. Mas não consigo soltar. Não consigo fazer nada além de gozar e gozar até não ter mais nada pra dar.

Quando finalmente termina, quando a última onda passa, abro os olhos devagar, ofegante, e olho pra baixo.

Você ainda está ali. Ajoelhada. Meu pau ainda na sua boca. Me olhando com aqueles olhos verdes chorosos, os lábios esticados ao redor de mim, esperando.

— Engole. — A ordem sai num sussurro rouco, quase uma súplica. — Tudo, Emma. Quero ver você engolir.

E quando você obedece... quando vejo sua garganta se mover, quando você me solta devagar com um estalo obsceno dos lábios e abre a boca me mostrando que não sobrou nada.

Minha alma se quebra definitivamente.

Te puxo pra cima com força, te arrastando pro meu colo, te beijando com fome desesperada. Não me importo de sentir meu próprio gosto na sua boca. Não me importo com mais nada além de te ter colada em mim.

— Você é fodidamente perfeita. — Murmuro contra seus lábios entre beijos famintos. — Perfeita demais pra estar nesse lugar de merda.

Minhas mãos percorrem seu corpo nu. Cintura, quadris, bunda, costas, como se precisasse te mapear inteira.

— E agora... — Me afasto só o suficiente pra te olhar nos olhos, vendo seus lábios inchados, vermelhos, ainda úmidos. — Agora eu vou te foder do jeito que prometi.

Me levanto da cadeira com você ainda no meu colo, seus braços e pernas se enrolando ao redor de mim. Caminho até a mesa velha, afastando as caixas com o braço, derrubando tudo no chão sem me importar com o barulho.

Te coloco em pé de costas pra mim, minhas mãos pressionando suas costas até você se curvar sobre a mesa, as palmas espalmadas na superfície empoeirada.

— Fica assim. — Minha voz sai num rosnado. — Empina essa bunda pra mim. Quero ver tudo.

Passo a mão pela sua coluna, descendo devagar até sua bunda, apertando com força antes de dar um tapa que ecoa pela sala.

— E dessa vez... — Me posiciono atrás de você, a cabeça do meu pau já recuperado roçando sua entrada molhada. — Dessa vez eu não vou ter pressa nenhuma.

E empurro pra dentro.

Devagar.

Centímetro por centímetro.

Sentindo você me apertando, me recebendo, me engolindo inteiro.

— Caralho... — Fecho os olhos, parando quando estou completamente enterrado. — Como você é apertada... quente...

Fico parado por um segundo. Só sentindo. Só aproveitando a sensação de estar dentro de você de novo.

E então começo a me mover.

Devagar no início.

Depois mais rápido.

Mais forte.

Mais desesperado.

Até os dois estarmos perdidos de novo.

 

** Emma **

 

Meus ossos do quadril se chocam violentamente contra a borda dura da mesa a cada investida brutal sua, meus seios pressionados e esmagados contra a madeira fria que contrasta com o calor escaldante da minha pele suada.

Minhas mãos se agarram desesperadamente à borda da mesa, os dedos se cravando na madeira numa tentativa patética de me segurar ali, de me ancorar enquanto você se choca contra minha bunda repetidas vezes, se enterrando em mim sem a menor piedade, sem a menor consideração, me usando como se fosse sua propriedade particular.

Chega a doer — porra, como dói — mas é uma das dores mais prazerosas, mais perfeitas, mais viciantes que já senti na vida. Aquele tipo de dor que te faz querer mais mesmo quando seu corpo implora por uma pausa.

— Isso... isso, diretor. — As palavras saem quebradas entre gemidos arrastados, desesperados, sufocados que tento abafar mordendo o próprio braço. — Me fode assim... me fode como penitência... como punição...

Meus dedos se apertam ainda mais na borda da madeira até os nós ficarem completamente brancos, sem circulação, doendo tanto quanto minha entrada esticada ao limite.

Eu me arrebito ainda mais pra você, sem vergonha, sem dignidade, arqueio as costas num ângulo quase impossível pra te receber mais fundo, mais forte, mais selvagem. Oferecendo meu corpo inteiro como sacrifício pro seu prazer.

Encosto a lateral do rosto sobre um dos meus braços esticados, te olhando por cima do ombro com olhos vidrados, embaçados de lágrimas de prazer. E a visão que encontro quase me faz gozar sozinha — você com a expressão mais suja, mais indecente, mais animalesca que já vi. Completamente perdido em mim.

— Continua... — arf — Jean, continua... não para... por favor não para...

E então acontece de novo.

Meu corpo todo se contrai violentamente, cada músculo se retesando ao mesmo tempo. Sinto meu interior apertar em torno de você como um torno, pulsando, ordenhando, tentando te sugar ainda mais fundo enquanto um novo orgasmo me atravessa como um raio.

Meu corpo colapsa contra a mesa mais uma vez, as pernas bambas, tremendo incontrolavelmente, mal conseguindo me manter de pé.

— Caralho... caralho... Jean... — Seu nome sai num mantra quebrado, reverente, enquanto ainda sinto as ondas residuais me percorrendo. — Você vai... você vai me destruir assim...

Viro levemente o rosto, procurando sua boca, querendo te beijar mesmo nessa posição impossível, querendo te provar, te sentir, me certificar de que isso é real.

 

** Jean **

 

Quando você goza ao redor de mim, quando sinto seu corpo inteiro se contraindo, me apertando tão forte que quase me expulsa, eu solto um rosnado baixo, animalesco, perdendo completamente o ritmo.

— Cacete, Emma... — As palavras saem num gemido rouco. — Você que vai me matar... vai me fazer gozar de novo...

Mas não paro. Não consigo parar.

Continuo te fodendo através do seu orgasmo, cada estocada arrancando gemidos sufocados de você, cada investida fazendo a mesa ranger perigosamente contra o chão.

Quando você vira o rosto procurando minha boca, me curvo sobre você, pressionando meu peito contra suas costas suadas. Capturo seus lábios num beijo desesperado, faminto, engolindo seus gemidos enquanto continuo me movendo dentro de você.

Minha mão sobe pelo seu corpo, encontrando sua garganta, segurando com firmeza, não apertando, só segurando, te mantendo presa entre meu corpo e a mesa.

— Você é minha. — Murmuro contra sua boca entre beijos desesperados. — Minha, Emma. Só minha. Não importa quem nos separe... esse corpo é meu.

Minha outra mão desce, encontrando seu clitóris ainda sensível, esfregando em círculos enquanto continuo te fodendo sem piedade.

— Quero sentir você gozar de novo. — A voz sai num sussurro rouco no seu ouvido. — Quero te sentir tremer quando eu gozar dentro de você.

Acelero ainda mais, os movimentos ficando erráticos, desesperados. Sinto minha própria porra subindo de novo, impossível, mas real.

— Emma... — Aviso entre dentes cerrados. — Eu vou... de novo... porra...

E explodo.

Dentro de você.

Fundo.

Jorrando tudo que ainda tinha enquanto meu corpo treme incontrolavelmente, os quadris se chocando contra sua bunda em espasmos irregulares.

Colapso sobre você, o peso do meu corpo te prensando contra a mesa, a respiração saindo em rajadas quentes contra seu pescoço suado.

Ficamos assim por longos segundos. Só respirando. Só existindo.

Quando finalmente consigo me mover, saio de dentro de você devagar, te virando até você estar de frente pra mim. Te puxo pra cima da mesa, te fazendo sentar na beirada enquanto me posiciono entre suas pernas.

Seguro seu rosto entre minhas mãos, te forçando a me olhar.

— Você me viciou, e sabe disso. — Confesso numa voz rouca, vulnerável. — Nem faz um dia e eu já não consigo mais pensar em outra coisa. Em outra pessoa.

Beijo você. Devagar dessa vez. Profundo. Como se tentasse gravar o gosto dos seus lábios na minha memória.

— Eu vou te tirar daqui, Emma. — Murmuro contra sua boca. — Vou dar um jeito. Vou falar com quem for preciso. E quando você sair...

Faço uma pausa, os olhos cravados nos seus.

— Quando você sair, eu vou estar te esperando. Não sei como. Não sei o que vai acontecer com minha vida. Mas eu vou estar lá.

Passo o polegar pelos seus lábios inchados.

— Porque isso aqui... — Aponto entre nós. — Isso não é só sexo. E você sabe disso.

Olho pro relógio na parede. Dezesseis e trinta.

Uma hora e meia se passou.

Merde.

— Você precisa ir. — Digo com relutância, ajudando você a descer da mesa. — Antes que alguém perceba.

Começo a recolher suas roupas espalhadas pelo chão, ajudando você a se vestir com gestos ternos, tão diferentes da brutalidade de minutos atrás.

Quando você já está vestida, te puxo pra um último beijo. Demorado. Desesperado.

— Amanhã. — Sussurro contra seus lábios. — Mesma hora. Mesmo lugar.

Não é um pedido.

É uma necessidade.

Abro a porta devagar, verificando se o caminho está livre.

— Vai. — Digo baixo, mesmo quando cada fibra do meu ser grita pra te manter aqui.

E quando você sai, quando te vejo desaparecer entre as estantes...

Fecho a porta e me encosto nela, passando as mãos pelo rosto.

O que estamos fazendo?

Mas a pergunta não tem arrependimento, tem vício.

Porque amanhã, vou te ter de novo.

E de novo.

E de novo.

Até isso nos destruir completamente.

Ou nos salvar.

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