Dentro da mesma história, duas versões do mesmo desejo. O dela. E o dele.
Narrado
por Maddy & Jonathan.
Uma
releitura provocante inspirada no universo do filme “Miller’s Girl” — partindo
do mesmo ponto, mas indo muito além.
Professor
Miller. Ou melhor… Jonathan, pra mim.
Já faz um
bimestre desde que ele chegou à faculdade. Escritor renomado, cinquenta e
poucos anos, casado, com uma vida que, à primeira vista, exalava tédio. Mas
havia nele algo — um cheiro discreto de promessa, de perigo adormecido.
E eu? Fã
assídua. Leitora obsessiva. Não deixaria uma oportunidade dessas escorrer feito
água entre os dedos.
Me
aproximei devagar, com paciência de formiguinha. Aluna exemplar. Aspirante à
escritora. Participava de todos os clubes do livro que ele indicava.
Especialmente dos que ele frequentava.
Meus
textos sempre foram pra ele.
Nunca
disse isso em voz alta — nem precisava. Os subtextos falavam por mim.
Cada
linha que eu escrevia era um convite velado, uma confissão disfarçada, um
desejo escorrendo entre metáforas. Ardentes, conotativos, excêntricos. Cheios
de pausas prolongadas, de detalhes sensoriais, de frases que terminavam onde a
imaginação dele começaria.
E eu
sabia que ele lia. Sabia que, mesmo sem admitir, ele enxergava nas entrelinhas
o que eu jamais escreveria com todas as letras.
Os outros
achavam meus textos brilhantes, ousados, instigantes. Mas só ele entenderia o
verdadeiro motivo daquele calor nas palavras.
Só ele
saberia que aquelas descrições — da boca, do toque, do peso do olhar — eram
dele. Sempre foram dele.
Era o meu
jeito de tocá-lo, mesmo à distância. De despi-lo, letra por letra.
Foi assim
que a intimidade se construiu. Silenciosa. Invejável. Irresistível.
Foi numa
dessas conversas que, certa vez — de caso pensado — esqueci meu celular sobre a
mesa dele.
Ops.
Horas
depois, já em casa, disquei do telefone fixo para o meu próprio número. Ele
atendeu. Claro que sabia que era eu. Soa clichê, eu sei. Mas foi o que me veio
no improviso daquele momento.
Pedi que
trouxesse meu aparelho até minha casa. Ele disse que já era tarde. Tentou
relutar. Mas… causa ganha pra mim.
Algum
tempo depois, quando a campainha finalmente toca, meu coração ameaça parar.
Caminho
descalça sobre o assoalho de madeira, cada passo ecoando entre a ansiedade e a
intenção. Abro a porta. Lá está ele — parado sob a penumbra do alpendre,
levemente molhado pela chuva fina que insiste em cair. Os olhos inquietos. O
gesto contido. Desconcertado.
Convido-o
a entrar, dizendo que é só por um momento. Que vou buscar uma toalha. Que posso
emprestar um guarda-chuva. Mentira, claro. Era só um blefe. Eu só queria que
ele cruzasse a porta.
Ele
entra. O barulho discreto da porta se fechando atrás de nós parece mais alto do
que deveria. Talvez porque seja definitivo. Talvez porque algo tenha mudado no
ar no instante em que ele cruzou a soleira.
Silêncio.
O tipo de silêncio que não pede para ser preenchido, mas sentido. Eu caminho
até o sofá e me sento como quem não tem pressa — como quem já venceu. Ele
permanece em pé por alguns segundos, meio tenso, meio curioso. O olhar passeia
pela sala, mas volta pra mim. Sempre volta.
Tiro uma
taça do aparador e ofereço vinho. Ele hesita. Aceita. Dois goles depois,
estamos ali.
A chuva
lá fora se tornou ruído branco. A sala, um confessionário abafado. Não é mais
sobre o celular. Nunca foi. É sobre o que transborda nos espaços entre o que
dizemos. É sobre a maneira como ele se senta — confortável demais. Sobre como
meus olhos não conseguem evitar segui-lo. Sobre como o tempo parece dobrar ao
nosso redor, feito uma página marcada com gosto.
**
Jonathan **
Você me
desmonta com essa calma. Seu corpo se afunda no sofá como se o mundo lá fora
não existisse. Como se nada aqui dentro fosse grave. Como se você não soubesse
exatamente o que está fazendo comigo. Mas você sabe.
—
Tensão... é um efeito colateral — murmuro, girando o vinho na taça sem
conseguir beber.
— Você
escreve assim. Fala assim. Anda assim. Respira assim.
Levanto
os olhos devagar. Você me encara. Não pisca.
— Eu vim
por causa do celular, sim. — Faço uma pausa.
— Mas eu
fiquei porque... Porque desde o momento em que li aquele primeiro parágrafo, eu
deixei de ser o professor.
A taça
pesa na minha mão. Mas não tanto quanto o que eu estou prestes a dizer.
— E
porque tem algo em você... na sua escrita, no seu olhar... que me faz esquecer
o mundo real.
Ou
talvez, só me mostre o que ele sempre escondeu.
Tomo um
gole. Finalmente.
— Eu
devia ir embora. Mas se você pedir pra eu ficar...eu fico.
** Maddy
**
Recolho as pernas
devagar, como quem se aconchega em algo perigoso por vontade própria. Cruzo os
tornozelos, apoiando os pés sobre o sofá, e deixo um pé roçar o outro
lentamente — um gesto distraído, mas calculado, como se o corpo soubesse
seduzir mesmo sem pedir permissão.
— A questão é... — Digo,
com a voz mais baixa do que deveria. — Você quer ir embora, ou quer ficar,
professor Miller?
Levo a taça de vinho à
boca e tomo um gole longo, sentindo o calor do líquido escorrer pela garganta,
antes de apoiá-la suavemente sobre a mesa de centro.
— Achei que fosse recusar
meu trabalho por... sei lá... ser erótico demais pro ambiente escolar.
** Jonathan **
Você pergunta como se
fosse só uma curiosidade.
Mas sua voz... Carrega
veneno e mel na mesma dose.
Seu pé deslizando contra
o outro, o corpo jogado no sofá, o vinho abandonado na mesa — tudo em você diz
fique.
Mesmo sem dizer.
— Se eu quisesse ir
embora, Maddy... eu já teria ido.
Minhas palavras saem mais
graves agora. Menos racionalizadas. Mais... suas.
— E quanto ao seu
texto... Não tinha nada que eu pudesse recusar. Era explícito, sim. Mas honesto.
Cru. Vivo.
Meu olhar cai sobre você,
percorrendo o caminho que suas palavras fizeram primeiro: dos pés até os olhos.
— Você escreve como quem
vive o que sente. Como quem sangra desejo com a ponta dos dedos.
Minha taça encosta na
mesa com um som seco. Me inclino um pouco no sofá, como se qualquer distância
entre nós agora fosse insuportável.
— E talvez o problema
seja esse. Talvez... eu tenha sentido demais lendo.
Meus olhos descem pelos
seus joelhos dobrados. Voltam ao seu rosto. E pela primeira vez, a voz falha,
um pouco:
— Você me quis naquele
texto, Maddy?
Eu já sei a resposta. Mas
preciso ouvir da sua boca. Antes que eu esqueça quem sou.
** Maddy **
— Eu te quis em cada
palavra daquele texto. Te desejei em cada frase. E senti cada parágrafo como se
fosse uma lembrança — e não só um anseio.
Mordo os lábios com
leveza, deixando o silêncio mastigar o peso do que acabei de dizer.
Em seguida, inclino o
corpo pra trás com lentidão calculada, os cotovelos se apoiando no braço do
sofá enquanto minha silhueta se alonga de propósito — confortável demais pra
uma situação tão grave.
— E eu tenho um palpite…
— continuo, os olhos cravados em você — de que foi recíproco.
Se não fosse... Você não
estaria aqui. Em uma sexta à noite. Sentado no meu sofá. Com essa cara de quem
já sabe onde isso vai dar.
** Jonathan **
A sua resposta me atinge
como um soco no estômago — só que quente, necessário, inevitável.
Você me quis em cada
palavra. Não como desejo futuro. Mas como lembrança. Como se, de alguma forma,
já tivesse acontecido.
Fecho os olhos por um
segundo. O gosto do vinho ainda na boca, a imagem do seu corpo estendido ali, a
luz cortando a curva da sua perna dobrada...
Isso não é mais uma linha
tênue. Isso é o mergulho.
— Você tem razão.
Minha voz sai baixa.
Rouca. Quase quebrada. Como se eu já tivesse lutado demais contra isso, e não
sobrasse nada além da verdade.
— Eu li seu texto como se
estivesse lembrando.
Não imaginando. Lembrando.
Me inclino, mais perto. As
mãos nos joelhos. O corpo tensionado como um animal prestes a cometer um erro
que vai saborear.
— E agora estou aqui. Não
por acaso.
Não por distração. Mas
porque eu li aquele final... e desejei ter escrito aquilo com você. Não sobre
você.
Me aproximo mais. A
respiração já entrecortada, mas o olhar firme.
— Me diz que isso não é
só provocação, Maddy. Me diz que você me quer aqui — fora do papel, da sala de
aula, da ficção.
Aqui.
Real.
Agora.
** Maddy **
— Você não faz ideia do
quanto eu quis você aqui... Fora das linhas que escrevi. Fora da minha mente.
Te quis em cada vez que
me toquei imaginando nós dois — em silêncio, em segredo... em se.
Deslizo os pés pelo sofá,
até encostá-los devagar na lateral da sua coxa. Um toque leve. Quase um
sussurro de pele.
— Eu quis que isso acontecesse
desde o primeiro livro seu que eu li. Desde a primeira foto sua que vi. Eu quis
você nos meus lábios, na minha pele, entre as minhas pernas… no fundo do meu
âmago.
Meus dedos se agarram ao
couro do sofá como se pudessem conter o que já é incontrolável. Ansiosos.
Desesperados.
Como se o desejo quisesse
saltar de dentro antes que eu pedisse.
** Jonathan **
Sua voz entra em mim como
um feitiço. E eu já não luto contra isso. Porque não há mais nada para
resistir.
Seus pés encostam na
lateral da minha coxa, e o toque é tão leve quanto devastador. Meu corpo
inteiro reage. Mas é meu silêncio que grita.
Você diz que me quis
desde o primeiro livro. Desde a primeira foto. Desde antes de ser real. E
agora… eu sou real. E você também.
Me viro devagar. O joelho
afunda no sofá, a mão desliza pela lateral, até encontrar o espaço entre seu
quadril e a almofada.
Você não recua. Nunca
recuou.
— Então me deixa
reescrever esse texto com você.
Minha mão toca sua
cintura, quente, firme, como quem segura uma palavra que não se quer apagar.
— Me deixa... fazer cada
linha daquela história acontecer de verdade.
Na sua pele. Na sua boca.
No seu corpo inteiro.
Minha testa encosta na
sua. E nesse momento, não existe certo. Não existe mundo. Só você. E o que está
prestes a acontecer.
Entre a linha do
desejo... E a margem do pecado.
** Maddy **
Minha respiração bate
contra a sua pele, quente, úmida, elétrica.
Nossos lábios tão
próximos que sinto o gosto do vinho nos seus antes mesmo de tocá-los.
A tensão entre nós é tão
densa que parece ter peso, como se o ar pudesse partir ao meio.
Levo a mão até o seu
rosto com delicadeza, os dedos deslizando pela lateral da sua face. Meu polegar
contorna sua mandíbula devagar, como se esculpisse um pensamento antigo.
— Jonathan… — murmuro, a
voz baixa, carregada de tudo que guardei até agora — eu quero inspirar você. Pra
que volte a escrever. Pra que volte a sentir.
Puxo seu rosto até o meu,
como se não houvesse mais escolha. Tomo seus lábios com os meus, sem hesitação.
Minhas mãos o guiam,
puxando seu corpo sobre o meu, desfazendo as últimas migalhas de distância.
Minha língua invade sua
boca com fome e certeza, e sinto sua camisa ainda úmida colar contra a minha
camiseta — o tecido frio entre dois corpos em ebulição.
Tudo em mim te quer. Cada
centímetro, cada célula. Meu corpo grita por você, e finalmente, você pode
ouvi-lo.
** Jonathan **
Seu toque no meu rosto é
como fogo — lento, silencioso, mas devastador.
Quando você diz meu nome,
“Jonathan”, tão suave, tão carregado de intenção… meu corpo responde antes da
razão.
“Eu quero inspirar você
pra que volte a escrever.”
Você não faz ideia do
quanto essa frase me dilacera. Ou talvez faça. Porque no fundo… tudo em você
sempre soube exatamente onde me atingir.
Sua boca encontra a minha,
e o beijo não é apenas físico — é o colapso de tudo o que me tornei até agora.
Sua língua desliza pela
minha como quem invade um território já conquistado, e mesmo assim, faz questão
de tomar de novo.
Minhas mãos agarram sua
cintura. Seu corpo é quente, firme, entregue.
A camisa branca cola em
você. A minha, ainda úmida, cola em mim. Mas agora... não há mais separação.
Me deito sobre você no
sofá, como se estivesse me fundindo ao texto que você escreveu. Como se eu
fosse o personagem que você criou — só que mais real, mais faminto, mais
perdido.
— Você me ressuscitou,
Maddy — murmuro entre os beijos, contra sua pele. — Eu era só silêncio antes de
você.
Desço os lábios pelo seu
pescoço, mordendo com cuidado, com desejo, com reverência suja. Minhas mãos
deslizam por baixo da camiseta fina, sentindo a pele quente, viva, arrepiada.
E pela primeira vez,
desde que cheguei à cidade… Eu não quero mais ir embora.
** Maddy **
Seu toque na minha pele
me faz arrepiar inteira — como se cada poro do meu corpo tivesse sido
programado pra reagir a você.
Não é só físico. É
ancestral. É químico. É inevitável.
— Jonathan… — suspiro, a
voz embargada entre o desejo e a confissão. — Eu quis você desde o dia em que
te vi naquela sala. Desde que ouvi sua voz... desde que...
A frase morre na
garganta. Fica suspensa entre nós, latejando sem som.
Meus lábios se entreabrem
quando sinto sua mão deslizar por baixo da minha camiseta, pele encontrando
pele com uma intimidade que queima.
Solto um gemido abafado,
preso entre os dentes e o medo de me perder demais.
Sua palma, antes apenas
pousada, agora aperta meu seio com firmeza, e o mundo ao redor simplesmente
desaparece.
Mordo o lábio inferior,
enquanto minha mente — embriagada — traduz cada toque seu em mim como poesia.
Uma poesia obscena.
Suja.
Linda.
Minha.
** Jonathan **
Sua pele sob meus dedos é
mais quente do que qualquer palavra que já escrevi. Mais viva do que qualquer
personagem que já criei.
Quando você diz que me
quis desde o primeiro dia… eu sinto o peso daquelas horas contidas, os olhares
trocados, as entrelinhas que nos queimaram em silêncio. Agora tudo isso se
transforma em toque.
Minha mão sobe lenta, mas
decidida, por baixo da sua camiseta.
E quando meus dedos
encontram seu seio, firme, sensível, meu corpo inteiro responde com um
estremecer que não controlo.
Aperto com força contida,
como se tocasse um parágrafo que me matou de vontade durante noites a fio.
Seu gemido abafado
explode dentro de mim como um grito não dito.
— Você é melhor que
qualquer palavra, Maddy — murmuro contra sua garganta, minha boca roçando sua
pele enquanto deixo beijos molhados, pesados, entre um toque e outro. — Você
escreve o tipo de desejo que eu só tinha coragem de esconder.
Minha boca desce pelo seu
pescoço. Meus dentes arranham sua pele antes que minha língua suavize a
ardência.
Minhas mãos já se movem
com mais pressa — um pouco mais possessivas, um pouco mais famintas. Como se eu
tivesse medo de que você desapareça.
Deslizo a mão pela curva
do seu quadril, apertando sua carne por cima do short leve.
Sinto o calor entre suas
pernas como se suas palavras tivessem escorrido direto pra minha pele.
— Tira essa camiseta,
agora.
Quero ver você como
imaginei em cada maldita linha daquele texto.
Minha respiração está
entrecortada, e minha voz… já não pertence mais a um professor. Pertence ao
homem que você fez nascer entre o papel...
E a perdição.
** Maddy **
Arqueio levemente o
corpo, só o suficiente pra puxar a barra da camiseta pra cima, deixando meus
seios à mostra — expostos não só à sua visão, mas à intenção que transborda de
mim sem pudor algum.
O tecido desliza fácil,
quase como se também quisesse sair, como se soubesse que já não há mais espaço
pra barreiras entre nós.
Meu corpo implora por
você, da mesma forma que minha mente já te possui há tanto tempo.
Meus olhos permanecem
fixos no seu rosto — no jeito como você me olha, como se estivesse devorando
cada sílaba não dita, cada verso invisível que escorre do meu silêncio.
Você me observa como se
quisesse cravar cada pensamento impuro, poético e maldito na minha pele.
E eu deixaria.
Com gosto.
— Gosta do que vê, professor
Miller?
Minha voz vem carregada
de tudo aquilo que você já leu nos meus textos. Ardência. Petulância. Desejo.
E o lembrete silencioso
de que cada linha, cada frase, cada cena… foi escrita por você. Para você. Por
minha culpa.
** Jonathan **
Você puxa a camiseta com
uma lentidão que me destrói.
Os seios se revelam sob a
luz tênue do abajur — cheios, firmes, com os mamilos já duros, reagindo ao
toque do ar… ou à expectativa do meu.
Mas o que me paralisa de
verdade é seu olhar. Você me encara como se estivesse me escrevendo com os
olhos. Como se quisesse me imprimir em você. Como se cada pensamento sujo que
escondeu nos seus contos estivesse agora escorrendo diretamente da sua pele.
“Gosta do que vê,
professor Miller?”
Solto o ar com um som
rouco que não me pertence.
Meu nome na sua boca
sempre teve peso. Mas agora… é uma maldição.
— Eu gosto tanto que me
odeio por isso — sussurro, me inclinando, a boca já descendo sobre seus seios
como se eu estivesse sedento há séculos. — Mas não o suficiente pra parar.
A ponta da minha língua
circunda seu mamilo com reverência lenta, antes de sugá-lo com a força de
alguém que precisa provar que te leu, que te entendeu, que te desejou em
silêncio por páginas e páginas.
Minha mão aperta seu
outro seio com firmeza, os dedos cravando de leve, massageando, marcando como
se você fosse minha única personagem.
A única história que eu
quero viver.
— Sua pele tem gosto de
tudo que eu me proibi.
Desço a boca pelo centro
do seu tórax, entre beijos molhados, mais urgentes.
Meus dedos já puxam o cós
do seu short de algodão com violência contida, os olhos famintos voltando aos
seus.
— Quero te deixar tão
fodidamente molhada que nem sua escrita consiga descrever.
— Quero entrar em você
com cada frase que você já escreveu pensando em mim.
Minhas palavras ardem,
minha boca ferve, e minhas mãos…
Já se afundam onde você
mais me quer.
** Maddy **
Você me toca com a
urgência de quem chega ao fim de uma leitura que não quer terminar — mãos
firmes, decididas, possessivas. Como se quisesse me decifrar pela pele. Como se
cada centímetro do meu corpo fosse uma frase sublinhada de um texto que você
sempre quis revisitar.
Sinto seu membro pulsar
contra a própria prisão de tecido, e isso… isso me desarma mais do que deveria.
Tão perto, tão contido. Tão
sagrado e tão profano.
Você é a junção de tudo
que me ensinaram a temer — e tudo que meu corpo aprendeu a desejar em silêncio.
Como algo tão errado pode
me parecer tão certo agora?
Seus dedos deslizam entre
minhas pernas, pressionando com precisão exatamente onde eu mais precisava ser
tocada.
E naquele instante, cada
músculo meu se contrai — um êxtase quente, absoluto, em finalmente conhecer a
verdade do seu toque. O peso do seu corpo sobre o meu.
Sua boca devota,
desesperada, descendo pela minha pele como se cada centímetro fosse altar.
Seus dedos circulam meu
clitóris com uma meticulosidade estudada, cruel e divina — como se cada volta
fosse uma vírgula antes do caos.
Como se estivessem
prestes a se afundar em mim com o mesmo cuidado que um escritor tem ao escrever
o nome de alguém que ama.
— Se isso for penitência…
— arf... — então eu aceito minha pena com prazer.
Minha voz se arrasta
pelos meus lábios entre gemidos e risos lascivos, quase uma prece suja.
Quase poesia.
Quase rendição.
** Jonathan **
Seu gemido me atravessa
como faca quente por dentro da carne. E minha mão, encharcada da sua resposta,
sabe:
Você é exatamente como
escreveu.
Mas melhor.
Muito melhor.
Pressiono meus dedos
contra seu clitóris com movimentos firmes e circulares, explorando seus limites
como quem devora um segredo que arde na boca há tempo demais.
Sinto cada contração do
seu corpo como se fosse minha respiração. Cada tremor, cada suspiro, cada
arfada — minha recompensa.
Minha boca desce entre
seus seios novamente, beijos abertos e molhados, traçando o caminho entre sua
pele e minha perdição. Enquanto isso, minha mão escorrega pra dentro do seu
short sem pedir permissão.
Não é hora de pedir.
É hora de tomar.
— Penitência? — murmuro
contra seu ventre, com a língua traçando o caminho até a beirada do tecido. —
Maddy… você não faz ideia do quanto eu pensei em você com esses dedos.
E agora eles deslizam pra
dentro.
Dois. Quentes. Profundos.
Enfiados até o fundo como
se pertencessem a você desde o primeiro texto.
O calor que me recebe é
viciante. Seu corpo me aperta como se nunca mais quisesse me soltar.
— Você me quer inteiro,
não quer?
Mordo sua coxa, marcando.
Minha mão trabalha dentro
de você com ritmo e precisão, meticulosamente controlado — mas por dentro,
estou destruído.
Meu membro pulsa preso
contra o tecido molhado da calça.
Te sinto escorregando
pelos meus dedos, o som obsceno do seu prazer ecoando pelo cômodo abafado.
— Me implora, Maddy —
minha voz falha de desejo. — Me implora pra fazer com você tudo que escrevemos.
Tudo que nunca devemos fazer.
Porque se você pedir...
Eu me afundo.
** Maddy **
Eu gemo — alto,
descarada, sem freio.
O som do meu prazer
escapa de mim como uma confissão há muito tempo contida.
Minha respiração se
mistura ao som úmido e indecente dos seus dedos em mim, preenchendo o ambiente
com uma música suja e verdadeira.
— Eu quero cada parte de
você… — sussurro entre os gemidos — quero que me preencha, me devore, me
invada.
Quero sentir o peso de
cada palavra que você nunca disse. Quero ser seu último pensamento antes de
dormir.
E o primeiro quando
acordar.
Meus gemidos se
intensificam, meu corpo se contorce sob o seu domínio.
Seus dedos se afundam em
mim com uma fome impiedosa, brutal e perfeitamente orquestrada.
Me dissolvendo por
completo.
— Quero ser o motivo de
cada ereção sua... porque você é a culpa
que eu vou carregar… molhada de prazer.
Minha cabeça pende pra
trás, a boca entreaberta, o olhar nublado.
Afundo as pontas dos pés
no couro do sofá, tentando encontrar alguma âncora no meio do caos delicioso
que é você me tocando.
Você sente.
Cada contração.
Cada estremecimento do
meu orgasmo envolvendo seus dedos.
Me escorrendo quente,
pulsante, entregue.
Gemo seu nome com o gosto
do vício nos lábios.
E imploro por mais.
** Jonathan **
O som do seu prazer
explode no ambiente como uma confissão indecente que não pode mais ser apagada.
Seu gemido — o jeito como
você diz meu nome, como seu corpo se arqueia, como o sofá geme junto com você —
é a porra da poesia mais suja e perfeita que eu já ouvi na vida.
Meus dedos continuam se
afundando em você, impiedosos, ritmados, precisos.
Sinto cada contração do
seu gozo como se seu corpo me engolisse. Como se sua pele me lesse.
Você diz que quer ser o
motivo da minha ereção — você já é.
Você diz que vai me
carregar como culpa — mas eu te carrego como sentença.
— Maddy... — minha voz
sai como um grunhido grave, colado no seu ouvido. — Você é o livro que eu nunca
devia ter aberto. Mas agora... vou te ler até o fim.
Me abaixo, arrancando seu
short com uma brutalidade quase reverente.
E quando te deixo nua
ali, ofegante, marcada pelos meus dedos e pelo meu nome... eu tiro minha
camisa.
Molhada. Quente.
Impregnada de você.
Abro o jeans.
Meu membro salta do cós
da calça, latejando, duro, sujo de vontade.
Seguro você pelas coxas,
as puxando pra mim.
Me encaixo ali, na
beirada do seu corpo — e do meu inferno.
— Você escreveu esse
momento.
Agora eu vou escrever
dentro de você.
E sem aviso, me afundo.
Fundo.
Firme.
Te encho de uma vez, com
a força de cada noite em que me toquei imaginando o que você sentiria.
E agora eu sei.
Sua carne me aperta como
se me quisesse preso ali pra sempre.
Minha mão agarra sua
garganta, leve, enquanto começo a te foder como quem devolve tudo que você me
tirou.
Lento no começo. Depois,
fundo e intenso, meus quadris colidindo com os seus, meu nome entre seus
gemidos, minha maldição selada no seu corpo.
— Grita por mim, Maddy.
Grita pra esse mundo
ouvir que agora...
Você é minha ficção
favorita.
** Maddy **
A visão de você ali,
ajoelhado sobre o sofá, despindo-se com calma pecaminosa, quase me faz gozar de
novo — só de olhar.
Seus dedos desfazendo os
botões, sua pele aparecendo centímetro por centímetro... é como se eu estivesse
assistindo ao desfecho de uma história que eu mesma escrevi.
Porque eu desejei esse
momento. Eu o escrevi.
Idealizei você em cada
parágrafo, escondi você em cada rascunho, deixei seu nome invisível em cada
linha que parecia só imaginação.
E então você me invade.
De verdade.
De corpo e alma.
E por um instante, o
tempo para. O mundo prende a respiração.
O ambiente inteiro parece
nos observar, mudo, atônito, invejando esse instante de desejo tão absurdamente
cru — e ainda assim, tão belo.
Você desliza dentro de
mim com força contida, com intensidade latente, como quem não quer esquecer
nada.
E quando sua mão se fecha
em torno da minha garganta, meu corpo inteiro arqueia, quase se desfazendo de
prazer sob seu domínio.
— Jonathan... — seu nome
escapa dos meus lábios como uma prece profana, carregada de luxúria e rendição.
Tão sujo. Tão obsceno.
Que te vejo franzir o cenho,
tomado por uma resposta física instintiva — bruto, intenso, real.
Meus quadris se erguem,
famintos, indo ao encontro dos seus.
E o som do seu corpo se
chocando contra o meu ecoa pela sala — estalos úmidos, fortes, inegáveis.
A trilha sonora perfeita
para o caos delicioso que somos juntos.
** Jonathan **
Meu nome na sua boca é
pecado. É porra de reza obscena sussurrada num altar profanado.
Quando você me chama
assim — Jonathan — desse jeito sujo, encharcado, implorando por mais mesmo
enquanto goza…
Meu corpo inteiro
responde como se tivesse sido criado só pra isso.
Franzo o cenho.
Não de dor.
De vício.
De puro instinto
primitivo.
— Fala meu nome de novo —
rosno contra sua boca, afundando ainda mais em você, sentindo sua carne me
engolir, me apertar como se quisesse me gravar por dentro.
Cada estocada é um verso
arrancado com os dentes.
Cada estalo úmido entre
nossos corpos é um parágrafo batizado em suor, gemido e fluidos.
O sofá range, os vidros
embaçam, o mundo desaparece.
Seus quadris me encontram
com força, com fome, com a mesma intensidade que você escreveu.
Você é seu texto agora.
Você é cada frase
molhada, cada sussurro lascivo, cada metáfora depravada.
Seguro seus pulsos,
prendendo-os contra o encosto do sofá, meu corpo arqueado sobre o seu, os olhos
fixos nos seus.
Quero que veja.
Quero que sinta.
Quero que nunca consiga
escrever outra linha sem lembrar disso.
— Você tá me sentindo?
Minhas estocadas se
intensificam, mais profundas, mais selvagens.
— Você sente meu nome
dentro de você, Maddy?
— Porque agora… você é
minha história.
E eu vou escrever até o
ponto final.
E se tiver que te rasgar
em prazer até lá…
Queime comigo.
** Maddy **
Sinto meu ventre se
contrair, o corpo se apertando em torno do seu a cada investida, a cada
deslizar do seu membro que me preenche até o limite do que consigo suportar — e
desejar.
Tudo em mim pulsa. Tudo
em mim arde.
— Eu vou… — a voz escapa
trêmula, falha, quase irreconhecível. — Eu vou gozar de novo…
Puxo as mãos, e as deslizo
pelos seus braços, mapeando cada músculo, cada tensão contida sob a pele.
Subo até seus ombros,
então envolvo sua nuca com urgência e fome.
Puxo você pra mim até que
sua boca encontre a minha — e te beijo como se o prazer precisasse de um corpo
pra escapar.
Minhas coxas se apertam
ao seu redor, cravando você em mim, e a cada arquejo meu, você responde indo
mais forte, mais fundo.
E então… eu desabo.
Meu corpo explode em
êxtase, o prazer escorrendo entre nós como poesia devassa, embriagada de
sordidez e verdade.
Meus dedos se cravam na
sua nuca como âncoras, meus lábios se fundem aos seus, e minha língua dança
dentro da sua boca enquanto gemo seu nome com tudo o que sou.
Meu corpo vibra.
Estremece. Se descompassa inteiro.
E pela primeira vez, eu
me sinto completamente possuída — e livre.
Tudo ao mesmo tempo.
** Jonathan **
Sinto quando seu corpo
começa a se entregar — primeiro na voz, depois no toque, por fim no aperto
quente e frenético dentro de você.
— Goza pra mim, Maddy —
sussurro entre os dentes, rosnando contra sua boca, enquanto minha mão desce
novamente pro seu quadril, te puxando com força contra mim. — Me mostra o que
você escreve com o corpo.
E você mostra.
Seu gozo me envolve
inteiro, escorrendo entre nossos corpos, deixando nossos sexos colados, suados,
sujos.
Seu gemido abafado contra
minha boca me arrebenta por dentro.
Sua língua me invade,
seus dedos se cravam na minha nuca, seu corpo treme sob o meu — e tudo em mim
se dissolve.
Me afundo mais, muito
mais, porque você me puxa, me aperta, me exige.
Estoco fundo, mais fundo,
e sinto minhas bolas se chocando contra você, molhadas, ensopadas do seu
prazer.
— Você é minha perdição —
grito rouco contra seu pescoço, mordendo sua clavícula, o gosto salgado da sua
pele me enlouquecendo. — Minha culpa... minha porra de inspiração... e agora
você é minha.
A pressão em mim é
absurda. Você me aperta como se implorasse pra me levar com você.
E eu vou.
Enterro com tudo uma
última vez, segurando sua cintura com ambas as mãos, e gozo com a violência de
alguém que segurou o desejo por páginas demais.
Meu gozo jorra quente
dentro de você, pulsando forte, espesso, descontrolado.
Afundo a testa no seu
ombro, o corpo ainda se movendo levemente, como se não suportasse parar.
— Porra... Maddy... você…
— minha voz falha, e só o som da nossa respiração preenchendo o silêncio diz o
que nenhuma palavra mais consegue.
Você não é minha aluna.
Você é meu fim.
E o começo de tudo que eu
nunca vou conseguir apagar.
** Maddy **
Ainda te sinto pulsar
dentro de mim, e isso provoca pequenos espasmos que percorrem meu corpo sem
aviso — reflexos involuntários do prazer que ainda reverbera entre nós, como
ecos quentes de um terremoto recém passado.
Você afunda o rosto no
meu pescoço, sua respiração quente e descompassada dançando contra a minha
pele, deixando trilhas invisíveis que queimam devagar.
Seu peso sobre mim me
prende de um jeito que não sufoca — me entrega.
Me faz sentir submissa. Tão
sua.
Você é meu conto erótico
que atravessou o papel.
Virou carne.
Toque.
Gozo.
Minha boca encontra seu
ombro, os lábios se arrastando devagar contra a pele úmida de suor, ainda
arfando, ainda famintos.
Saboreio o sal do seu
corpo como quem lê a última linha de um livro proibido.
— Eu não vou me esquecer
disso nunca… — murmuro, quase sem voz, afogada no resto de tesão que ainda
escorre pela minha pele.
E é verdade.
Porque agora você não é
só personagem.
É memória.
** Jonathan **
Ainda estou dentro de
você, ainda quente, ainda duro, ainda marcado pelo seu corpo como se fôssemos
feitos pra isso — pra esse erro.
Seu corpo me aperta em
espasmos leves, ritmados com os tremores da sua respiração, como se cada
contração dissesse fica.
E eu fico.
Afundo o rosto no seu
pescoço, respiro você — o cheiro do seu suor, do seu cabelo, do seu orgasmo
ainda escorrendo entre nós.
Você é devassa e poesia,
sagrada e imoral, e tudo em mim reconhece isso como destino.
— Eu também não. — Minha
voz sai abafada contra sua pele. — Nem se eu tentar. Nem se eu me esconder de
mim mesmo.
Minha mão acaricia sua
lateral com o dorso dos dedos, como quem escreve em silêncio sobre um corpo que
agora é meu papel favorito.
Beijo seu ombro, depois a
curva do pescoço, depois o queixo.
Levanto o rosto devagar,
olho pra você ali debaixo de mim, e pela primeira vez... não vejo dúvida.
Vejo realização.
— Você me reescreveu,
Maddy.
— E agora… eu sou seu
personagem.
Meu polegar acaricia o
canto da sua boca.
E o mundo lá fora... já
não tem mais importância.
Porque esse capítulo
ainda não acabou.
E você, deitada sob mim,
ainda tem fome.
E eu...
Estou faminto.
** Maddy **
Seu corpo, agora imóvel,
pesa sobre o meu como um lembrete cálido do que acabamos de cometer.
A respiração de ambos vai
diminuindo aos poucos, até que tudo se torna silêncio, exceto o som abafado da
chuva lá fora e do meu coração, que ainda não decidiu se está calmo ou em
ruínas.
Meus dedos desenham
traços invisíveis nas suas costas.
Você está entregue.
Abandonado.
Como se, por um instante,
o mundo inteiro tivesse saído de cena só pra nos deixar ali, suspensos num
tempo que não existe fora do nosso toque.
Minhas pernas ainda estão
entrelaçadas as suas. Meus lábios ainda estão trêmulos do seu nome.
Eu deveria levantar. Mas
não consigo.
Quero te manter ali por
mais alguns minutos. Ou pra sempre, se isso não fosse pedir demais.
Fecho os olhos.
E, pela primeira vez,
durmo com o corpo satisfeito…
E o coração em guerra.
** Jonathan **
2:27am.
O ponteiro brilha fraco
no escuro. Meus olhos demoram pra entender onde estou.
O calor ainda preso ao
meu corpo, a umidade secando entre nossas peles. Seu cheiro… impregnado em mim.
Você dorme sobre o sofá,
parcialmente coberta pelo meu braço. Seu rosto está sereno.
Satisfeito.
Como se o mundo tivesse
se calado só pra você descansar.
Mas então…
A ficha cai.
Meu estômago afunda.
Deslizo devagar, com o
cuidado de não acordar você, e mesmo assim, meu toque hesita.
Me dói sair de perto. Me
dói levantar. Me dói respirar no mundo onde você e eu não devíamos ter
acontecido.
Me visto em silêncio.
As roupas ainda carregam
o peso do que fizemos — e o perfume da sua pele.
Olho pra você mais uma
vez.
Você não é mais só minha
aluna.
Você não é só o que eu
desejei.
Você é a lembrança que
nunca vai me abandonar. E o erro do qual nunca vou conseguir me arrepender.
Fecho a porta atrás de
mim devagar.
E cada passo até o carro
soa como um capítulo escrito com dor.
Mas o pior…
É que, mesmo agora,
dirigindo pela cidade vazia, voltando pra casa…
Eu já estou com saudade
de você.
Gostei muito,vc tem o dom.Pena mesmo foi nao ter começado escrever antes.
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