terça-feira, 5 de agosto de 2025

Dear Teacher, pt I

 

Dentro da mesma história, duas versões do mesmo desejo. O dela. E o dele.

Narrado por Maddy & Jonathan.

 

Uma releitura provocante inspirada no universo do filme “Miller’s Girl” — partindo do mesmo ponto, mas indo muito além.



Professor Miller. Ou melhor… Jonathan, pra mim.

Já faz um bimestre desde que ele chegou à faculdade. Escritor renomado, cinquenta e poucos anos, casado, com uma vida que, à primeira vista, exalava tédio. Mas havia nele algo — um cheiro discreto de promessa, de perigo adormecido.

E eu? Fã assídua. Leitora obsessiva. Não deixaria uma oportunidade dessas escorrer feito água entre os dedos.

Me aproximei devagar, com paciência de formiguinha. Aluna exemplar. Aspirante à escritora. Participava de todos os clubes do livro que ele indicava. Especialmente dos que ele frequentava.

Meus textos sempre foram pra ele.

Nunca disse isso em voz alta — nem precisava. Os subtextos falavam por mim.

Cada linha que eu escrevia era um convite velado, uma confissão disfarçada, um desejo escorrendo entre metáforas. Ardentes, conotativos, excêntricos. Cheios de pausas prolongadas, de detalhes sensoriais, de frases que terminavam onde a imaginação dele começaria.

E eu sabia que ele lia. Sabia que, mesmo sem admitir, ele enxergava nas entrelinhas o que eu jamais escreveria com todas as letras.

Os outros achavam meus textos brilhantes, ousados, instigantes. Mas só ele entenderia o verdadeiro motivo daquele calor nas palavras.

Só ele saberia que aquelas descrições — da boca, do toque, do peso do olhar — eram dele. Sempre foram dele.

Era o meu jeito de tocá-lo, mesmo à distância. De despi-lo, letra por letra.

Foi assim que a intimidade se construiu. Silenciosa. Invejável. Irresistível.

Foi numa dessas conversas que, certa vez — de caso pensado — esqueci meu celular sobre a mesa dele.

Ops.

Horas depois, já em casa, disquei do telefone fixo para o meu próprio número. Ele atendeu. Claro que sabia que era eu. Soa clichê, eu sei. Mas foi o que me veio no improviso daquele momento.

Pedi que trouxesse meu aparelho até minha casa. Ele disse que já era tarde. Tentou relutar. Mas… causa ganha pra mim.

Algum tempo depois, quando a campainha finalmente toca, meu coração ameaça parar.

Caminho descalça sobre o assoalho de madeira, cada passo ecoando entre a ansiedade e a intenção. Abro a porta. Lá está ele — parado sob a penumbra do alpendre, levemente molhado pela chuva fina que insiste em cair. Os olhos inquietos. O gesto contido. Desconcertado.

Convido-o a entrar, dizendo que é só por um momento. Que vou buscar uma toalha. Que posso emprestar um guarda-chuva. Mentira, claro. Era só um blefe. Eu só queria que ele cruzasse a porta.

Ele entra. O barulho discreto da porta se fechando atrás de nós parece mais alto do que deveria. Talvez porque seja definitivo. Talvez porque algo tenha mudado no ar no instante em que ele cruzou a soleira.

Silêncio. O tipo de silêncio que não pede para ser preenchido, mas sentido. Eu caminho até o sofá e me sento como quem não tem pressa — como quem já venceu. Ele permanece em pé por alguns segundos, meio tenso, meio curioso. O olhar passeia pela sala, mas volta pra mim. Sempre volta.

Tiro uma taça do aparador e ofereço vinho. Ele hesita. Aceita. Dois goles depois, estamos ali.

A chuva lá fora se tornou ruído branco. A sala, um confessionário abafado. Não é mais sobre o celular. Nunca foi. É sobre o que transborda nos espaços entre o que dizemos. É sobre a maneira como ele se senta — confortável demais. Sobre como meus olhos não conseguem evitar segui-lo. Sobre como o tempo parece dobrar ao nosso redor, feito uma página marcada com gosto.

 

** Jonathan **

 

Você me desmonta com essa calma. Seu corpo se afunda no sofá como se o mundo lá fora não existisse. Como se nada aqui dentro fosse grave. Como se você não soubesse exatamente o que está fazendo comigo. Mas você sabe.

— Tensão... é um efeito colateral — murmuro, girando o vinho na taça sem conseguir beber.

— Você escreve assim. Fala assim. Anda assim. Respira assim.

Levanto os olhos devagar. Você me encara. Não pisca.

— Eu vim por causa do celular, sim. — Faço uma pausa.

— Mas eu fiquei porque... Porque desde o momento em que li aquele primeiro parágrafo, eu deixei de ser o professor.

A taça pesa na minha mão. Mas não tanto quanto o que eu estou prestes a dizer.

— E porque tem algo em você... na sua escrita, no seu olhar... que me faz esquecer o mundo real.

Ou talvez, só me mostre o que ele sempre escondeu.

Tomo um gole. Finalmente.

— Eu devia ir embora. Mas se você pedir pra eu ficar...eu fico.

 

** Maddy **

 

Recolho as pernas devagar, como quem se aconchega em algo perigoso por vontade própria. Cruzo os tornozelos, apoiando os pés sobre o sofá, e deixo um pé roçar o outro lentamente — um gesto distraído, mas calculado, como se o corpo soubesse seduzir mesmo sem pedir permissão.

— A questão é... — Digo, com a voz mais baixa do que deveria. — Você quer ir embora, ou quer ficar, professor Miller?

Levo a taça de vinho à boca e tomo um gole longo, sentindo o calor do líquido escorrer pela garganta, antes de apoiá-la suavemente sobre a mesa de centro.

Meus olhos verdes se fixam nos seus.
Você está tenso. Quase... perdido.
Aparentemente sóbrio, mas por dentro parece tragado por algo muito mais forte do que álcool.

Gosto de ver como você segura sua taça. Como se segurasse, ao mesmo tempo, sua lucidez.
Como se o vidro pudesse impedir suas intenções de vazarem.

— Gosta da forma como eu escrevo? — pergunto com doçura venenosa.
Inclino um pouco o rosto, observando sua reação.

— Achei que fosse recusar meu trabalho por... sei lá... ser erótico demais pro ambiente escolar.

Sorrio de leve, mas meus olhos não sorriem.
Eles queimam, esperando o que vem depois.

 

** Jonathan **

 

Você pergunta como se fosse só uma curiosidade.

Mas sua voz... Carrega veneno e mel na mesma dose.

Seu pé deslizando contra o outro, o corpo jogado no sofá, o vinho abandonado na mesa — tudo em você diz fique.

Mesmo sem dizer.

— Se eu quisesse ir embora, Maddy... eu já teria ido.

Minhas palavras saem mais graves agora. Menos racionalizadas. Mais... suas.

— E quanto ao seu texto... Não tinha nada que eu pudesse recusar. Era explícito, sim. Mas honesto. Cru. Vivo.

Meu olhar cai sobre você, percorrendo o caminho que suas palavras fizeram primeiro: dos pés até os olhos.

— Você escreve como quem vive o que sente. Como quem sangra desejo com a ponta dos dedos.

Minha taça encosta na mesa com um som seco. Me inclino um pouco no sofá, como se qualquer distância entre nós agora fosse insuportável.

— E talvez o problema seja esse. Talvez... eu tenha sentido demais lendo.

Meus olhos descem pelos seus joelhos dobrados. Voltam ao seu rosto. E pela primeira vez, a voz falha, um pouco:

— Você me quis naquele texto, Maddy?

Eu já sei a resposta. Mas preciso ouvir da sua boca. Antes que eu esqueça quem sou.

 

** Maddy **

 

— Eu te quis em cada palavra daquele texto. Te desejei em cada frase. E senti cada parágrafo como se fosse uma lembrança — e não só um anseio.

Mordo os lábios com leveza, deixando o silêncio mastigar o peso do que acabei de dizer.

Em seguida, inclino o corpo pra trás com lentidão calculada, os cotovelos se apoiando no braço do sofá enquanto minha silhueta se alonga de propósito — confortável demais pra uma situação tão grave.

— E eu tenho um palpite… — continuo, os olhos cravados em você — de que foi recíproco.

Se não fosse... Você não estaria aqui. Em uma sexta à noite. Sentado no meu sofá. Com essa cara de quem já sabe onde isso vai dar.

 

** Jonathan **

 

A sua resposta me atinge como um soco no estômago — só que quente, necessário, inevitável.

Você me quis em cada palavra. Não como desejo futuro. Mas como lembrança. Como se, de alguma forma, já tivesse acontecido.

Fecho os olhos por um segundo. O gosto do vinho ainda na boca, a imagem do seu corpo estendido ali, a luz cortando a curva da sua perna dobrada...

Isso não é mais uma linha tênue. Isso é o mergulho.

— Você tem razão.

Minha voz sai baixa. Rouca. Quase quebrada. Como se eu já tivesse lutado demais contra isso, e não sobrasse nada além da verdade.

— Eu li seu texto como se estivesse lembrando.

Não imaginando. Lembrando.

Me inclino, mais perto. As mãos nos joelhos. O corpo tensionado como um animal prestes a cometer um erro que vai saborear.

— E agora estou aqui. Não por acaso.

Não por distração. Mas porque eu li aquele final... e desejei ter escrito aquilo com você. Não sobre você.

Me aproximo mais. A respiração já entrecortada, mas o olhar firme.

— Me diz que isso não é só provocação, Maddy. Me diz que você me quer aqui — fora do papel, da sala de aula, da ficção.

Aqui.

Real.

Agora.

 

** Maddy **

 

— Você não faz ideia do quanto eu quis você aqui... Fora das linhas que escrevi. Fora da minha mente.

Te quis em cada vez que me toquei imaginando nós dois — em silêncio, em segredo... em se.

Deslizo os pés pelo sofá, até encostá-los devagar na lateral da sua coxa. Um toque leve. Quase um sussurro de pele.

— Eu quis que isso acontecesse desde o primeiro livro seu que eu li. Desde a primeira foto sua que vi. Eu quis você nos meus lábios, na minha pele, entre as minhas pernas… no fundo do meu âmago.

Meus dedos se agarram ao couro do sofá como se pudessem conter o que já é incontrolável. Ansiosos. Desesperados.

Como se o desejo quisesse saltar de dentro antes que eu pedisse.

 

** Jonathan **

 

Sua voz entra em mim como um feitiço. E eu já não luto contra isso. Porque não há mais nada para resistir.

Seus pés encostam na lateral da minha coxa, e o toque é tão leve quanto devastador. Meu corpo inteiro reage. Mas é meu silêncio que grita.

Você diz que me quis desde o primeiro livro. Desde a primeira foto. Desde antes de ser real. E agora… eu sou real. E você também.

Me viro devagar. O joelho afunda no sofá, a mão desliza pela lateral, até encontrar o espaço entre seu quadril e a almofada.

Você não recua. Nunca recuou.

— Então me deixa reescrever esse texto com você.

Minha mão toca sua cintura, quente, firme, como quem segura uma palavra que não se quer apagar.

— Me deixa... fazer cada linha daquela história acontecer de verdade.

Na sua pele. Na sua boca. No seu corpo inteiro.

Minha testa encosta na sua. E nesse momento, não existe certo. Não existe mundo. Só você. E o que está prestes a acontecer.

Entre a linha do desejo... E a margem do pecado.

 

** Maddy **

 

Minha respiração bate contra a sua pele, quente, úmida, elétrica.

Nossos lábios tão próximos que sinto o gosto do vinho nos seus antes mesmo de tocá-los.

A tensão entre nós é tão densa que parece ter peso, como se o ar pudesse partir ao meio.

Levo a mão até o seu rosto com delicadeza, os dedos deslizando pela lateral da sua face. Meu polegar contorna sua mandíbula devagar, como se esculpisse um pensamento antigo.

— Jonathan… — murmuro, a voz baixa, carregada de tudo que guardei até agora — eu quero inspirar você. Pra que volte a escrever. Pra que volte a sentir.

Puxo seu rosto até o meu, como se não houvesse mais escolha. Tomo seus lábios com os meus, sem hesitação.

Minhas mãos o guiam, puxando seu corpo sobre o meu, desfazendo as últimas migalhas de distância.

Minha língua invade sua boca com fome e certeza, e sinto sua camisa ainda úmida colar contra a minha camiseta — o tecido frio entre dois corpos em ebulição.

Tudo em mim te quer. Cada centímetro, cada célula. Meu corpo grita por você, e finalmente, você pode ouvi-lo.

 

** Jonathan **

 

Seu toque no meu rosto é como fogo — lento, silencioso, mas devastador.

Quando você diz meu nome, “Jonathan”, tão suave, tão carregado de intenção… meu corpo responde antes da razão.

“Eu quero inspirar você pra que volte a escrever.”

Você não faz ideia do quanto essa frase me dilacera. Ou talvez faça. Porque no fundo… tudo em você sempre soube exatamente onde me atingir.

Sua boca encontra a minha, e o beijo não é apenas físico — é o colapso de tudo o que me tornei até agora.

Sua língua desliza pela minha como quem invade um território já conquistado, e mesmo assim, faz questão de tomar de novo.

Minhas mãos agarram sua cintura. Seu corpo é quente, firme, entregue.

A camisa branca cola em você. A minha, ainda úmida, cola em mim. Mas agora... não há mais separação.

Me deito sobre você no sofá, como se estivesse me fundindo ao texto que você escreveu. Como se eu fosse o personagem que você criou — só que mais real, mais faminto, mais perdido.

— Você me ressuscitou, Maddy — murmuro entre os beijos, contra sua pele. — Eu era só silêncio antes de você.

Desço os lábios pelo seu pescoço, mordendo com cuidado, com desejo, com reverência suja. Minhas mãos deslizam por baixo da camiseta fina, sentindo a pele quente, viva, arrepiada.

E pela primeira vez, desde que cheguei à cidade… Eu não quero mais ir embora.

 

** Maddy **

 

Seu toque na minha pele me faz arrepiar inteira — como se cada poro do meu corpo tivesse sido programado pra reagir a você.

Não é só físico. É ancestral. É químico. É inevitável.

— Jonathan… — suspiro, a voz embargada entre o desejo e a confissão. — Eu quis você desde o dia em que te vi naquela sala. Desde que ouvi sua voz... desde que...

A frase morre na garganta. Fica suspensa entre nós, latejando sem som.

Meus lábios se entreabrem quando sinto sua mão deslizar por baixo da minha camiseta, pele encontrando pele com uma intimidade que queima.

Solto um gemido abafado, preso entre os dentes e o medo de me perder demais.

Sua palma, antes apenas pousada, agora aperta meu seio com firmeza, e o mundo ao redor simplesmente desaparece.

Mordo o lábio inferior, enquanto minha mente — embriagada — traduz cada toque seu em mim como poesia.

Uma poesia obscena.

Suja.

Linda.

Minha.

 

** Jonathan **

 

Sua pele sob meus dedos é mais quente do que qualquer palavra que já escrevi. Mais viva do que qualquer personagem que já criei.

Quando você diz que me quis desde o primeiro dia… eu sinto o peso daquelas horas contidas, os olhares trocados, as entrelinhas que nos queimaram em silêncio. Agora tudo isso se transforma em toque.

Minha mão sobe lenta, mas decidida, por baixo da sua camiseta.

E quando meus dedos encontram seu seio, firme, sensível, meu corpo inteiro responde com um estremecer que não controlo.

Aperto com força contida, como se tocasse um parágrafo que me matou de vontade durante noites a fio.

Seu gemido abafado explode dentro de mim como um grito não dito.

— Você é melhor que qualquer palavra, Maddy — murmuro contra sua garganta, minha boca roçando sua pele enquanto deixo beijos molhados, pesados, entre um toque e outro. — Você escreve o tipo de desejo que eu só tinha coragem de esconder.

Minha boca desce pelo seu pescoço. Meus dentes arranham sua pele antes que minha língua suavize a ardência.

Minhas mãos já se movem com mais pressa — um pouco mais possessivas, um pouco mais famintas. Como se eu tivesse medo de que você desapareça.

Deslizo a mão pela curva do seu quadril, apertando sua carne por cima do short leve.

Sinto o calor entre suas pernas como se suas palavras tivessem escorrido direto pra minha pele.

— Tira essa camiseta, agora.

Quero ver você como imaginei em cada maldita linha daquele texto.

Minha respiração está entrecortada, e minha voz… já não pertence mais a um professor. Pertence ao homem que você fez nascer entre o papel...

E a perdição.

 

** Maddy **

 

Arqueio levemente o corpo, só o suficiente pra puxar a barra da camiseta pra cima, deixando meus seios à mostra — expostos não só à sua visão, mas à intenção que transborda de mim sem pudor algum.

O tecido desliza fácil, quase como se também quisesse sair, como se soubesse que já não há mais espaço pra barreiras entre nós.

Meu corpo implora por você, da mesma forma que minha mente já te possui há tanto tempo.

Meus olhos permanecem fixos no seu rosto — no jeito como você me olha, como se estivesse devorando cada sílaba não dita, cada verso invisível que escorre do meu silêncio.

Você me observa como se quisesse cravar cada pensamento impuro, poético e maldito na minha pele.

E eu deixaria.

Com gosto.

— Gosta do que vê, professor Miller?

Minha voz vem carregada de tudo aquilo que você já leu nos meus textos. Ardência. Petulância. Desejo.

E o lembrete silencioso de que cada linha, cada frase, cada cena… foi escrita por você. Para você. Por minha culpa.

 

** Jonathan **

 

Você puxa a camiseta com uma lentidão que me destrói.

Os seios se revelam sob a luz tênue do abajur — cheios, firmes, com os mamilos já duros, reagindo ao toque do ar… ou à expectativa do meu.

Mas o que me paralisa de verdade é seu olhar. Você me encara como se estivesse me escrevendo com os olhos. Como se quisesse me imprimir em você. Como se cada pensamento sujo que escondeu nos seus contos estivesse agora escorrendo diretamente da sua pele.

“Gosta do que vê, professor Miller?”

Solto o ar com um som rouco que não me pertence.

Meu nome na sua boca sempre teve peso. Mas agora… é uma maldição.

— Eu gosto tanto que me odeio por isso — sussurro, me inclinando, a boca já descendo sobre seus seios como se eu estivesse sedento há séculos. — Mas não o suficiente pra parar.

A ponta da minha língua circunda seu mamilo com reverência lenta, antes de sugá-lo com a força de alguém que precisa provar que te leu, que te entendeu, que te desejou em silêncio por páginas e páginas.

Minha mão aperta seu outro seio com firmeza, os dedos cravando de leve, massageando, marcando como se você fosse minha única personagem.

A única história que eu quero viver.

— Sua pele tem gosto de tudo que eu me proibi.

Desço a boca pelo centro do seu tórax, entre beijos molhados, mais urgentes.

Meus dedos já puxam o cós do seu short de algodão com violência contida, os olhos famintos voltando aos seus.

— Quero te deixar tão fodidamente molhada que nem sua escrita consiga descrever.

— Quero entrar em você com cada frase que você já escreveu pensando em mim.

Minhas palavras ardem, minha boca ferve, e minhas mãos…

Já se afundam onde você mais me quer.

 

** Maddy **

 

Você me toca com a urgência de quem chega ao fim de uma leitura que não quer terminar — mãos firmes, decididas, possessivas. Como se quisesse me decifrar pela pele. Como se cada centímetro do meu corpo fosse uma frase sublinhada de um texto que você sempre quis revisitar.

Sinto seu membro pulsar contra a própria prisão de tecido, e isso… isso me desarma mais do que deveria.

Tão perto, tão contido. Tão sagrado e tão profano.

Você é a junção de tudo que me ensinaram a temer — e tudo que meu corpo aprendeu a desejar em silêncio.

Como algo tão errado pode me parecer tão certo agora?

Seus dedos deslizam entre minhas pernas, pressionando com precisão exatamente onde eu mais precisava ser tocada.

E naquele instante, cada músculo meu se contrai — um êxtase quente, absoluto, em finalmente conhecer a verdade do seu toque. O peso do seu corpo sobre o meu.

Sua boca devota, desesperada, descendo pela minha pele como se cada centímetro fosse altar.

Seus dedos circulam meu clitóris com uma meticulosidade estudada, cruel e divina — como se cada volta fosse uma vírgula antes do caos.

Como se estivessem prestes a se afundar em mim com o mesmo cuidado que um escritor tem ao escrever o nome de alguém que ama.

— Se isso for penitência… — arf... — então eu aceito minha pena com prazer.

Minha voz se arrasta pelos meus lábios entre gemidos e risos lascivos, quase uma prece suja.

Quase poesia.

Quase rendição.

 

** Jonathan **

 

Seu gemido me atravessa como faca quente por dentro da carne. E minha mão, encharcada da sua resposta, sabe:

Você é exatamente como escreveu.

Mas melhor.

Muito melhor.

Pressiono meus dedos contra seu clitóris com movimentos firmes e circulares, explorando seus limites como quem devora um segredo que arde na boca há tempo demais.

Sinto cada contração do seu corpo como se fosse minha respiração. Cada tremor, cada suspiro, cada arfada — minha recompensa.

Minha boca desce entre seus seios novamente, beijos abertos e molhados, traçando o caminho entre sua pele e minha perdição. Enquanto isso, minha mão escorrega pra dentro do seu short sem pedir permissão.

Não é hora de pedir.

É hora de tomar.

— Penitência? — murmuro contra seu ventre, com a língua traçando o caminho até a beirada do tecido. — Maddy… você não faz ideia do quanto eu pensei em você com esses dedos.

E agora eles deslizam pra dentro.

Dois. Quentes. Profundos.

Enfiados até o fundo como se pertencessem a você desde o primeiro texto.

O calor que me recebe é viciante. Seu corpo me aperta como se nunca mais quisesse me soltar.

— Você me quer inteiro, não quer?

Mordo sua coxa, marcando.

Minha mão trabalha dentro de você com ritmo e precisão, meticulosamente controlado — mas por dentro, estou destruído.

Meu membro pulsa preso contra o tecido molhado da calça.

Te sinto escorregando pelos meus dedos, o som obsceno do seu prazer ecoando pelo cômodo abafado.

— Me implora, Maddy — minha voz falha de desejo. — Me implora pra fazer com você tudo que escrevemos. Tudo que nunca devemos fazer.

Porque se você pedir...

Eu me afundo.

 

** Maddy **

 

Eu gemo — alto, descarada, sem freio.

O som do meu prazer escapa de mim como uma confissão há muito tempo contida.

Minha respiração se mistura ao som úmido e indecente dos seus dedos em mim, preenchendo o ambiente com uma música suja e verdadeira.

— Eu quero cada parte de você… — sussurro entre os gemidos — quero que me preencha, me devore, me invada.

Quero sentir o peso de cada palavra que você nunca disse. Quero ser seu último pensamento antes de dormir.

E o primeiro quando acordar.

Meus gemidos se intensificam, meu corpo se contorce sob o seu domínio.

Seus dedos se afundam em mim com uma fome impiedosa, brutal e perfeitamente orquestrada.

Me dissolvendo por completo.

— Quero ser o motivo de cada ereção sua...  porque você é a culpa que eu vou carregar… molhada de prazer.

Minha cabeça pende pra trás, a boca entreaberta, o olhar nublado.

Afundo as pontas dos pés no couro do sofá, tentando encontrar alguma âncora no meio do caos delicioso que é você me tocando.

Você sente.

Cada contração.

Cada estremecimento do meu orgasmo envolvendo seus dedos.

Me escorrendo quente, pulsante, entregue.

Gemo seu nome com o gosto do vício nos lábios.

E imploro por mais.

 

** Jonathan **

 

O som do seu prazer explode no ambiente como uma confissão indecente que não pode mais ser apagada.

Seu gemido — o jeito como você diz meu nome, como seu corpo se arqueia, como o sofá geme junto com você — é a porra da poesia mais suja e perfeita que eu já ouvi na vida.

Meus dedos continuam se afundando em você, impiedosos, ritmados, precisos.

Sinto cada contração do seu gozo como se seu corpo me engolisse. Como se sua pele me lesse.

Você diz que quer ser o motivo da minha ereção — você já é.

Você diz que vai me carregar como culpa — mas eu te carrego como sentença.

— Maddy... — minha voz sai como um grunhido grave, colado no seu ouvido. — Você é o livro que eu nunca devia ter aberto. Mas agora... vou te ler até o fim.

Me abaixo, arrancando seu short com uma brutalidade quase reverente.

E quando te deixo nua ali, ofegante, marcada pelos meus dedos e pelo meu nome... eu tiro minha camisa.

Molhada. Quente. Impregnada de você.

Abro o jeans.

Meu membro salta do cós da calça, latejando, duro, sujo de vontade.

Seguro você pelas coxas, as puxando pra mim.

Me encaixo ali, na beirada do seu corpo — e do meu inferno.

— Você escreveu esse momento.

Agora eu vou escrever dentro de você.

E sem aviso, me afundo.

Fundo.

Firme.

Te encho de uma vez, com a força de cada noite em que me toquei imaginando o que você sentiria.

E agora eu sei.

Sua carne me aperta como se me quisesse preso ali pra sempre.

Minha mão agarra sua garganta, leve, enquanto começo a te foder como quem devolve tudo que você me tirou.

Lento no começo. Depois, fundo e intenso, meus quadris colidindo com os seus, meu nome entre seus gemidos, minha maldição selada no seu corpo.

— Grita por mim, Maddy.

Grita pra esse mundo ouvir que agora...

Você é minha ficção favorita.

 

** Maddy **

 

A visão de você ali, ajoelhado sobre o sofá, despindo-se com calma pecaminosa, quase me faz gozar de novo — só de olhar.

Seus dedos desfazendo os botões, sua pele aparecendo centímetro por centímetro... é como se eu estivesse assistindo ao desfecho de uma história que eu mesma escrevi.

Porque eu desejei esse momento. Eu o escrevi.

Idealizei você em cada parágrafo, escondi você em cada rascunho, deixei seu nome invisível em cada linha que parecia só imaginação.

E então você me invade.

De verdade.

De corpo e alma.

E por um instante, o tempo para. O mundo prende a respiração.

O ambiente inteiro parece nos observar, mudo, atônito, invejando esse instante de desejo tão absurdamente cru — e ainda assim, tão belo.

Você desliza dentro de mim com força contida, com intensidade latente, como quem não quer esquecer nada.

E quando sua mão se fecha em torno da minha garganta, meu corpo inteiro arqueia, quase se desfazendo de prazer sob seu domínio.

— Jonathan... — seu nome escapa dos meus lábios como uma prece profana, carregada de luxúria e rendição.

Tão sujo. Tão obsceno.

Que te vejo franzir o cenho, tomado por uma resposta física instintiva — bruto, intenso, real.

Meus quadris se erguem, famintos, indo ao encontro dos seus.

E o som do seu corpo se chocando contra o meu ecoa pela sala — estalos úmidos, fortes, inegáveis.

A trilha sonora perfeita para o caos delicioso que somos juntos.

 

** Jonathan **

 

Meu nome na sua boca é pecado. É porra de reza obscena sussurrada num altar profanado.

Quando você me chama assim — Jonathan — desse jeito sujo, encharcado, implorando por mais mesmo enquanto goza…

Meu corpo inteiro responde como se tivesse sido criado só pra isso.

Franzo o cenho.

Não de dor.

De vício.

De puro instinto primitivo.

— Fala meu nome de novo — rosno contra sua boca, afundando ainda mais em você, sentindo sua carne me engolir, me apertar como se quisesse me gravar por dentro.

Cada estocada é um verso arrancado com os dentes.

Cada estalo úmido entre nossos corpos é um parágrafo batizado em suor, gemido e fluidos.

O sofá range, os vidros embaçam, o mundo desaparece.

Seus quadris me encontram com força, com fome, com a mesma intensidade que você escreveu.

Você é seu texto agora.

Você é cada frase molhada, cada sussurro lascivo, cada metáfora depravada.

Seguro seus pulsos, prendendo-os contra o encosto do sofá, meu corpo arqueado sobre o seu, os olhos fixos nos seus.

Quero que veja.

Quero que sinta.

Quero que nunca consiga escrever outra linha sem lembrar disso.

— Você tá me sentindo?

Minhas estocadas se intensificam, mais profundas, mais selvagens.

— Você sente meu nome dentro de você, Maddy?

— Porque agora… você é minha história.

E eu vou escrever até o ponto final.

E se tiver que te rasgar em prazer até lá…

Queime comigo.

 

** Maddy **

 

Sinto meu ventre se contrair, o corpo se apertando em torno do seu a cada investida, a cada deslizar do seu membro que me preenche até o limite do que consigo suportar — e desejar.

Tudo em mim pulsa. Tudo em mim arde.

— Eu vou… — a voz escapa trêmula, falha, quase irreconhecível. — Eu vou gozar de novo…

Puxo as mãos, e as deslizo pelos seus braços, mapeando cada músculo, cada tensão contida sob a pele.

Subo até seus ombros, então envolvo sua nuca com urgência e fome.

Puxo você pra mim até que sua boca encontre a minha — e te beijo como se o prazer precisasse de um corpo pra escapar.

Minhas coxas se apertam ao seu redor, cravando você em mim, e a cada arquejo meu, você responde indo mais forte, mais fundo.

E então… eu desabo.

Meu corpo explode em êxtase, o prazer escorrendo entre nós como poesia devassa, embriagada de sordidez e verdade.

Meus dedos se cravam na sua nuca como âncoras, meus lábios se fundem aos seus, e minha língua dança dentro da sua boca enquanto gemo seu nome com tudo o que sou.

Meu corpo vibra. Estremece. Se descompassa inteiro.

E pela primeira vez, eu me sinto completamente possuída — e livre.

Tudo ao mesmo tempo.

 

** Jonathan **

 

Sinto quando seu corpo começa a se entregar — primeiro na voz, depois no toque, por fim no aperto quente e frenético dentro de você.

— Goza pra mim, Maddy — sussurro entre os dentes, rosnando contra sua boca, enquanto minha mão desce novamente pro seu quadril, te puxando com força contra mim. — Me mostra o que você escreve com o corpo.

E você mostra.

Seu gozo me envolve inteiro, escorrendo entre nossos corpos, deixando nossos sexos colados, suados, sujos.

Seu gemido abafado contra minha boca me arrebenta por dentro.

Sua língua me invade, seus dedos se cravam na minha nuca, seu corpo treme sob o meu — e tudo em mim se dissolve.

Me afundo mais, muito mais, porque você me puxa, me aperta, me exige.

Estoco fundo, mais fundo, e sinto minhas bolas se chocando contra você, molhadas, ensopadas do seu prazer.

— Você é minha perdição — grito rouco contra seu pescoço, mordendo sua clavícula, o gosto salgado da sua pele me enlouquecendo. — Minha culpa... minha porra de inspiração... e agora você é minha.

A pressão em mim é absurda. Você me aperta como se implorasse pra me levar com você.

E eu vou.

Enterro com tudo uma última vez, segurando sua cintura com ambas as mãos, e gozo com a violência de alguém que segurou o desejo por páginas demais.

Meu gozo jorra quente dentro de você, pulsando forte, espesso, descontrolado.

Afundo a testa no seu ombro, o corpo ainda se movendo levemente, como se não suportasse parar.

— Porra... Maddy... você… — minha voz falha, e só o som da nossa respiração preenchendo o silêncio diz o que nenhuma palavra mais consegue.

Você não é minha aluna.

Você é meu fim.

E o começo de tudo que eu nunca vou conseguir apagar.

 

** Maddy **

 

Ainda te sinto pulsar dentro de mim, e isso provoca pequenos espasmos que percorrem meu corpo sem aviso — reflexos involuntários do prazer que ainda reverbera entre nós, como ecos quentes de um terremoto recém passado.

Você afunda o rosto no meu pescoço, sua respiração quente e descompassada dançando contra a minha pele, deixando trilhas invisíveis que queimam devagar.

Seu peso sobre mim me prende de um jeito que não sufoca — me entrega.

Me faz sentir submissa. Tão sua.

Você é meu conto erótico que atravessou o papel.

Virou carne.

Toque.

Gozo.

Minha boca encontra seu ombro, os lábios se arrastando devagar contra a pele úmida de suor, ainda arfando, ainda famintos.

Saboreio o sal do seu corpo como quem lê a última linha de um livro proibido.

— Eu não vou me esquecer disso nunca… — murmuro, quase sem voz, afogada no resto de tesão que ainda escorre pela minha pele.

E é verdade.

Porque agora você não é só personagem.

É memória.

 

** Jonathan **

 

Ainda estou dentro de você, ainda quente, ainda duro, ainda marcado pelo seu corpo como se fôssemos feitos pra isso — pra esse erro.

Seu corpo me aperta em espasmos leves, ritmados com os tremores da sua respiração, como se cada contração dissesse fica.

E eu fico.

Afundo o rosto no seu pescoço, respiro você — o cheiro do seu suor, do seu cabelo, do seu orgasmo ainda escorrendo entre nós.

Você é devassa e poesia, sagrada e imoral, e tudo em mim reconhece isso como destino.

— Eu também não. — Minha voz sai abafada contra sua pele. — Nem se eu tentar. Nem se eu me esconder de mim mesmo.

Minha mão acaricia sua lateral com o dorso dos dedos, como quem escreve em silêncio sobre um corpo que agora é meu papel favorito.

Beijo seu ombro, depois a curva do pescoço, depois o queixo.

Levanto o rosto devagar, olho pra você ali debaixo de mim, e pela primeira vez... não vejo dúvida.

Vejo realização.

— Você me reescreveu, Maddy.

— E agora… eu sou seu personagem.

Meu polegar acaricia o canto da sua boca.

E o mundo lá fora... já não tem mais importância.

Porque esse capítulo ainda não acabou.

E você, deitada sob mim, ainda tem fome.

E eu...

Estou faminto.

 

** Maddy **

 

Seu corpo, agora imóvel, pesa sobre o meu como um lembrete cálido do que acabamos de cometer.

A respiração de ambos vai diminuindo aos poucos, até que tudo se torna silêncio, exceto o som abafado da chuva lá fora e do meu coração, que ainda não decidiu se está calmo ou em ruínas.

Meus dedos desenham traços invisíveis nas suas costas.

Você está entregue.

Abandonado.

Como se, por um instante, o mundo inteiro tivesse saído de cena só pra nos deixar ali, suspensos num tempo que não existe fora do nosso toque.

Minhas pernas ainda estão entrelaçadas as suas. Meus lábios ainda estão trêmulos do seu nome.

Eu deveria levantar. Mas não consigo.

Quero te manter ali por mais alguns minutos. Ou pra sempre, se isso não fosse pedir demais.

Fecho os olhos.

E, pela primeira vez, durmo com o corpo satisfeito…

E o coração em guerra.

 

** Jonathan **

 

2:27am.

O ponteiro brilha fraco no escuro. Meus olhos demoram pra entender onde estou.

O calor ainda preso ao meu corpo, a umidade secando entre nossas peles. Seu cheiro… impregnado em mim.

Você dorme sobre o sofá, parcialmente coberta pelo meu braço. Seu rosto está sereno.

Satisfeito.

Como se o mundo tivesse se calado só pra você descansar.

Mas então…

A ficha cai.

Meu estômago afunda.

Deslizo devagar, com o cuidado de não acordar você, e mesmo assim, meu toque hesita.

Me dói sair de perto. Me dói levantar. Me dói respirar no mundo onde você e eu não devíamos ter acontecido.

Me visto em silêncio.

As roupas ainda carregam o peso do que fizemos — e o perfume da sua pele.

Olho pra você mais uma vez.

Você não é mais só minha aluna.

Você não é só o que eu desejei.

Você é a lembrança que nunca vai me abandonar. E o erro do qual nunca vou conseguir me arrepender.

Fecho a porta atrás de mim devagar.

E cada passo até o carro soa como um capítulo escrito com dor.

Mas o pior…

É que, mesmo agora, dirigindo pela cidade vazia, voltando pra casa…

Eu já estou com saudade de você.

Um comentário:

  1. Gostei muito,vc tem o dom.Pena mesmo foi nao ter começado escrever antes.

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