quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Dear Teacher, pt III

 

Dois dias se passaram desde o banheiro do clube de leitura. Dois dias desde que você me deixou ali, com o corpo em chamas e a alma em estilhaços. Não fui à sua última aula. De propósito. Se era distância que você queria, eu te dei. Mas agora... te vejo.

Você estaciona atrás da livraria. Coincidência? Destino? Eu não sei mais distinguir. Só sei que qualquer sinal seu, eu agarro como quem se afoga agarra o ar.

Te observo entrar. Aproveito o momento e saio pela porta lateral, cortando caminho direto até o estacionamento.

O céu do entardecer queima em tons de laranja e dourado, a luz rasgando as sombras do dia que morre.

Me encosto no capô do seu carro. Braços cruzados, o corpo alinhado ao aço frio, contrastando com o calor que pulsa em mim desde o instante que te vi.

Espero você. Como quem espera o impacto de algo inevitável.

 

** Jonathan **

 

Ao empurrar a porta da livraria, minha cabeça ainda está em outro lugar — ou melhor, em você. Sempre em você.

O som suave da porta se fechando atrás de mim mal chega aos meus ouvidos. O céu em tons de laranja e cobre me cega por um segundo. E então te vejo.

Encostada no meu carro.

Como uma maldita visão saída direto dos meus pensamentos mais impróprios.

Meus pés hesitam, só por um instante. Mas já é tarde. Você está ali. Real. Presente. Irresistível.

Engulo em seco, ajusto o colarinho da camisa quase por reflexo. Te encarar me exige mais do que deveria.

— Faltou à aula. — comento, tentando soar neutro, mas minha voz falha. Grave, baixa.

Dou mais alguns passos até parar a um metro de distância de você.

Você não se move. Não sorri. Não diz nada.

Só me olha.

E essa porra desse silêncio me quebra mais do que qualquer grito.

— Não faz isso comigo. — minha mão se fecha ao lado do corpo, como se quisesse conter algo que insiste em sair. — Eu já tô fodido o bastante, Maddy.

O jeito que o seu nome sai da minha boca...

Não há mais barreira. Nenhuma.

 

** Maddy **

 

Estreito os olhos conforme você fala, e cada palavra sua é uma tentativa falha de manter o controle. Gosto disso. Do seu desespero camuflado, da forma como tenta parecer inatingível enquanto se desmancha por dentro. É patético. É poético. E me excita mais do que deveria.

— Já está anoitecendo. Pode me dar uma carona pra casa?

Minha voz sai neutra, impassível. O rosto, uma máscara impenetrável. Mas por dentro... eu já saboreio o que vem a seguir.

Gosto desse jogo silencioso. Dessa tensão que paira no ar como eletricidade prestes a explodir.

E o melhor de tudo é saber: você é previsível. Pelo menos pra mim.
Eu já sei exatamente onde essa carona vai dar.

 

** Jonathan **

 

Ela me conhece. Mais do que eu gostaria de admitir.

E o jeito que me olha agora... como quem espreme minha alma num espremedor de suco. Eu podia dizer não. Podia.

Mas não digo.

Puxo a chave do bolso e aperto o botão, destravando as portas com um estalo seco.

— Entra.

A palavra sai mais como uma ordem do que um convite.

Dou a volta no capô devagar, porque se eu me mover rápido demais, sei o que vai acontecer. E talvez eu queira. Talvez eu precise.

Entro no carro. A ignição faz o motor rugir baixo. Você entra também, sem dizer nada. Fecha a porta.

Te sinto ali do meu lado. O perfume. A energia. O corpo. O pecado todo comprimido em forma de garota.

— É bom saber que você sabe me encontrar. Mesmo quando eu não quero ser achado. — murmuro, os olhos fixos na rua, as mãos no volante... mas a mente já bem longe dali.

Seus joelhos se tocam, cruzam. E eu vejo isso. No canto do olho, como um míssil pronto pra atingir minha sanidade.

Arranco com o carro.

Mas não é pra sua casa que eu estou dirigindo.

E nós dois sabemos disso.

 

** Maddy **

 

— É muita pretensão sua achar que eu estava à sua procura. – murmuro com desdém, revirando os olhos enquanto encaro a paisagem pela janela do carro.

Apoio a mochila de livros sobre as pernas com um gesto seco, numa tentativa silenciosa de bloquear o peso do seu olhar que ainda sinto me queimando de lado.

— E sobre não ter ido à aula... Aposto que não perdi nada de importante.

Dou de ombros com indiferença, mas no fundo, cada palavra minha é um golpe calculado — como quem torce um pano até a última gota, arrancando de você cada traço de dignidade que ainda tenta preservar.

 

** Jonathan **

 

Dou uma risada seca. Daquelas que mais parecem um suspiro debochado.

— Você não perde nada, Maddy. Você rouba.

Meu olhar ainda está na estrada, mas meus dedos apertam o volante como se aquilo pudesse conter o que eu estou sentindo agora.

— Rouba o foco, rouba o ar, rouba a porra da minha sanidade.

Faço a curva mais fechada do que devia. A tensão nos meus ombros é quase visível.

— Sua ausência na aula foi a coisa mais presente daquela manhã.

— E agora, você senta aí do meu lado com essa postura de desdém... como se não tivesse lambido minha alma dois dias atrás.

Paro no sinal vermelho, viro o rosto devagar na sua direção.

— Vai continuar fingindo?

Minha voz é baixa, carregada. Uma ameaça doce embalada em culpa.

— Que eu não te conheço o bastante pra saber quando sua boca mente, mas seu corpo... implora?

 

** Maddy **

 

Puxo um elástico preto do pulso e prendo o cabelo num rabo de cavalo desleixado, como quem não se importa — ou como quem sabe exatamente o efeito de parecer que não se importa.

— Você se acha bom em me ler, em me decifrar… — murmuro, ainda sem te olhar. — Mas existem partes de mim que continuam trancadas. Partes que você ainda não teve coragem de tocar.

Inclino o corpo pro lado, os joelhos subindo sobre o banco do passageiro. Uma das mãos repousa no encosto do seu assento, a outra desliza firme pra dentro da sua calça, num movimento sem hesitação.

Meus dedos encontram seu membro e o envolvem antes mesmo que você consiga formar qualquer reação consciente. Ele já responde ao meu toque, à minha presença.

Aproximo o rosto do seu, os lábios roçando o contorno da sua orelha. Quando falo, minha voz é grave, suja, úmida.

— Eu poderia pegar o seu pau agora mesmo — e sim, eu disse pau, sem metáforas nem floreios — e enfiar ele tão fundo na minha garganta que você esqueceria até seu próprio nome.

Nada de regras gramaticais. Nada de elegância literária.

Só eu, crua. E você, entregue.

 

** Jonathan **

 

Engulo em seco, sentindo a espiral do prazer e da tensão se acenderem na espinha como faísca em pólvora.

Sua mão me envolve com uma naturalidade perversa, e é como se tudo ao redor desaparecesse — o semáforo, a cidade, o resto do mundo.

Meu corpo reage antes da minha mente ter qualquer chance de impedir.

— Você é doente... — sussurro entre os dentes, sem conseguir afastar sua mão, sem querer.

Minhas coxas se contraem, o quadril pressiona pra frente como se eu quisesse mais da sua palma.

— Doente, perversa, cruel...

Fecho os olhos por um segundo, tentando manter a sanidade, mas você aperta mais forte, e um gemido escapa antes que eu possa impedir.

— E eu tô completamente fodido por você.

Minha mão sai do volante, desliza pela lateral da sua coxa, firme, decidida.

— Abre essa boca.

Minha voz sai baixa, quente, imperativa.

— Agora.

E por mais uma vez... eu não pareço mais com seu professor.

 

** Maddy **

 

Tiro o sorriso do rosto como quem fecha um livro na melhor parte. Meus dedos deslizam lentamente pra fora da sua calça, deixando um rastro de frustração e silêncio denso entre nós. Inclino o corpo pra trás, recostando contra o banco, como se nada tivesse acontecido.

Mas o que eu mais gosto… é desse silêncio carregado de inconformismo que paira no ar. Quase palpável. Quase denso.

— Nesse momento, a única coisa sob seu controle aqui… é esse carro. — disparo com a voz firme, carregada de sarcasmo e luxúria. Um veneno doce na sua orelha.

Você me olha de relance, mas logo volta a encarar a estrada. O maxilar contraído, as sobrancelhas arqueadas como uma interrogação suja. E o jeans? Cada vez mais tenso, como se te castigasse por não me ter.

Aproveito esse intervalo. Pego sua mão que repousa ainda sobre minha coxa. Seguro com as duas minhas, dobrando seus dedos até que restem apenas o médio e o indicador estendidos — os mesmos dois dedos que aprenderam o caminho do meu corpo como se fossem tinta deslizando numa folha em branco.

Entreabro os lábios e os levo à minha boca. Primeiro devagar, depois mais fundo. Sua respiração prende. Sua mão treme. Meus olhos fixos nos seus.

Os dedos deslizam pela minha língua, sentem o calor, a umidade, o limite. Quando os retiro, estão cobertos de saliva e de um tremor que nem você vai conseguir disfarçar.

E eu só sorrio. Porque agora, você sabe que não está no comando de mais nada.

 

** Jonathan **

 

Meus dedos tremem como se tocassem fogo.

Você os envolve, os engole, os profana com a boca como se fossem uma extensão do meu corpo — e de fato são, porque cada centímetro seu agora reverbera dentro de mim.

A estrada à frente vira um borrão. Só consigo ver o contorno da sua boca em volta dos meus dedos, a saliva quente escorrendo até minha palma, seu olhar sem vergonha nenhuma da merda que está fazendo comigo.

Tiro a mão de você bruscamente, mas não porque quero parar — é porque se eu não o fizer agora, vou parar esse carro e foder você no primeiro terreno baldio da próxima esquina.

Passo a mão no rosto, tentando recuperar o controle. Mas não há mais controle. Há apenas um caos com nome, idade e um rabo maldito que vive me deixando duro no meio da porra da cidade.

— Puta que pariu, Maddy...

Minha voz sai rouca. Não é raiva. É desejo.

Cruzo as pernas dirigindo, como se isso fosse conter algo. Não vai.

— Você vai acabar comigo. Vai me destruir sem nem encostar mais em mim.

E é isso que me assusta. E me excita.

Porra.

Você me viciou.

E agora sabe disso.

 

** Maddy **

 

Te dou alguns instantes pra acreditar que aquilo acabaria ali.

Mas como sempre, você subestima a minha capacidade de transformar qualquer espaço, qualquer minuto, em um palco pra nossa perdição.

Inclino o corpo pra frente outra vez, deslizando por debaixo do seu braço estendido, ainda cravado no volante como se isso pudesse manter algum controle.

Com uma das mãos, abro o botão do seu jeans. O zíper vem em seguida, obediente, faminto. A outra mão se apoia na lateral do seu banco, firme, me dando apoio como quem se prepara pra um mergulho sem volta.

Seu membro salta pra fora como se tivesse sido libertado de uma prisão injusta. Latejante. Imoral. Meu.

E então, sem teatrinhos, sem mais ensaio, eu te envolvo. Com os lábios, com a língua, com a garganta, com tudo o que tenho de profano.

Com toda a culpa que me escorre como pecado bendito.

 

** Jonathan **

 

— Ah, caralho... — solto entre os dentes, com a voz presa na garganta, quase num rosnado.

Meu corpo inteiro tensiona. As mãos apertam o volante com tanta força que os nós dos dedos ficam brancos, mas mesmo assim, a outra vontade em mim é mais forte. Muito mais.

Sua boca me engole por inteiro, sem cerimônia, sem aviso. Uma oferenda crua e pecaminosa bem ali, no meio do trânsito da minha existência.

Inclino o quadril só o suficiente, oferecendo tudo pra você como se não fosse mais dono de nada — nem do carro, nem de mim mesmo.

— Você não tem noção do que tá fazendo...

Mas tem. Você sabe exatamente. E é isso que mais me destrói.

O som molhado da sua boca se movimentando em mim, a forma como você me segura como se me devorasse, me deixa num estado primitivo, desgraçado, à beira da implosão.

Fecho os olhos por um instante, o carro ainda em movimento, um perigo latejando entre os bancos. Mas o verdadeiro perigo está entre suas pernas, entre os seus dentes, na forma como sua língua me castiga com precisão.

— Maddy... se você continuar... eu juro por Deus...

Mas não. Deus não tem nada a ver com isso.

Você me tem.

Por completo.

Até a última gota.

 

** Maddy **

 

Sinto cada fibra do seu corpo se tensionar sob meu domínio, como se meu toque fosse um feitiço de impulso involuntário. E por um instante, sorrio com você preso na minha garganta — quando acelera o carro por reflexo, traído pelo prazer.

Minha língua dança em círculos lascivos, lenta e depois voraz, percorrendo cada veia pulsante com a devoção de uma oração obscena. Me afundo, uma, duas, três vezes… até meus lábios tocarem a base do seu corpo, selando a profanação com um beijo sufocado de desejo.

Você vacila ao volante, pragueja entre dentes, geme como se implorasse por controle e fosse negado — e isso, isso me atiça ainda mais.

Meu rosto colado ao seu ventre, minhas mãos firmes nas suas coxas, e o som do motor misturado aos seus gemidos faz tudo soar como uma sinfonia pornograficamente bela.

 

** Jonathan **

 

— Porra... Maddy... — minha voz escapa como um sussurro rasgado, sem controle, rouco de luxúria e desespero.

Minhas coxas contraem, meu pé pesa no acelerador, o carro dá um solavanco leve antes de minha mão buscar, tateando, o câmbio — errando de marcha, perdendo o compasso, como se meu corpo já não me pertencesse.

Você me chupa como quem quer me destruir. Não há pausa, não há piedade. Só o som úmido, indecente, da sua boca me engolindo por inteiro.

Me torturando.

Me enlouquecendo.

— Você vai me matar... — digo quase rindo, quase implorando.

Mas eu não quero que pare.

Minha mão direita larga o volante, busca o topo da sua cabeça. Meus dedos se enterram no seu cabelo preso, guiando seus movimentos, empurrando, afundando, rendido à fome que você me mostra com a boca. Meus quadris se erguem involuntários, buscando mais.

Cada estocada da sua garganta em mim faz minha visão borrar, meu juízo falhar, minha alma sair do corpo só pra observar o caos que você me causa.

Não há mais regras.

Não há mais certo ou errado.

Há apenas você, ali embaixo, me tomando inteiro.

E eu, maldito, querendo gozar na sua boca como se fosse minha única salvação.

 

** Maddy **

 

Sinto suas coxas retesarem, seu abdômen contrair como uma onda que precede a quebra final. Você segura o ar nos pulmões, como se pudesse conter também o clímax — mas é aí que mora o pecado. É aí que mora a graça.

Aperto ainda mais os lábios ao seu redor, minha cabeça sobe e desce com ritmo impiedoso, cravando seu prazer na base da minha garganta sem dar margem para raciocínio, culpa ou fuga.

Seu membro incha, pulsante, como se quisesse se fundir a mim. Meus olhos lacrimejam, mas não recuo. Me entrego à intensidade, ao domínio, ao fim inevitável.

E quando o ápice te rasga por dentro, suas mãos se afundam nos meus cabelos, me guiando até o limite do meu fôlego — e do seu desejo. Sua essência invade minha boca quente, meu corpo inteiro se curva pra recebê-lo. É doce, quente, culpado. Um veneno que eu bebo sorrindo.

Quando ergo o rosto, lenta, ainda com vestígios de você nos cantos dos meus lábios, você freia o carro bruscamente — e o som do pneu contra o asfalto se mistura ao riso sórdido que escapa da minha garganta.

 

** Jonathan **

 

Minha mão ainda está no seu cabelo, mas sem a força de antes — agora, é como se eu me apoiasse ali, tentando não desmoronar.

O suor escorre pela lateral do meu rosto, o peito sobe e desce num ritmo alucinado, e por alguns segundos, só há silêncio.

Silêncio e o som da minha respiração tentando alcançar o tempo que você me roubou.

Freio o carro com mais força do que deveria, como se só assim eu conseguisse retomar o controle de mim mesmo.

Mas não há controle algum.

Viro o rosto devagar, te encaro. O brilho perverso nos seus olhos. O canto da sua boca marcado por mim. Você me sujou com a boca e com o olhar, e agora carrego essa marca por dentro.

— Você... — minha voz falha. Engulo em seco.

Puxo o zíper ainda aberto, tentando recuperar alguma dignidade — se é que ainda restou.

— É impossível manter qualquer lógica perto de você.

Passo a mão no rosto, no cabelo, no peito.

— Um dia você vai me matar com essa boca, garota.

E o pior... é que eu não me importaria.

 

** Maddy **

 

— Vai fingir agora que não estava ansioso pra saber como eram meus lábios em você?

Minha voz escorre lenta, maliciosa, enquanto passo a língua devagar pelos cantos da boca, limpando a sentença dos meus atos com a naturalidade de quem nunca soube o que é arrependimento.

— Você não consegue dizer não pra mim, Jonathan Miller. Mesmo que quisesse. O que, sinceramente, eu duvido que vá acontecer um dia.

Te olho com a calma de quem tem o controle, como se estivesse marcando meu nome a ferro quente em cada pensamento seu.

Lanço o olhar pro lado, pra casa velha e abandonada diante de nós. O carro parado ali, envolto pelo crepúsculo, parece fazer parte da cena de um filme maldito e delicioso.

— O destino parece sempre estar a nosso favor, não acha? Uma pena... — meu olhar volta pro seu rosto, o sorriso enviesado mordendo o canto da minha boca. — Você acabou de gozar. Senão, eu ia pedir bis.

Inclino o rosto, sussurrando rente ao seu ouvido com um hálito carregado do gosto da sua rendição.

— Mas não se preocupa... eu sou paciente. E você?

 

** Jonathan **

 

Meu punho aperta o volante com força, os nós dos dedos esbranquiçando novamente — não é raiva, é desespero. É essa tensão insuportável entre querer manter a compostura e te jogar contra esse banco e te foder até esquecer o próprio nome.

Você lambe a própria boca como se soubesse exatamente o que está fazendo comigo.

Claro que sabe. Sempre sabe.

— Você é um castigo, Maddy. Um maldito castigo disfarçado de presente.

Minha voz sai grave, rouca, ainda embargada da última descarga que me fez quase perder o controle do carro.

Desvio o olhar pra casa velha à nossa frente. A pintura descascada, as janelas lacradas com madeira podre, o silêncio do lugar. O tipo de silêncio que pede por algo indecente.

— Uma pena é você achar que eu preciso de mais de cinco minutos pra estar pronto de novo.

Me viro devagar, olho pra você — o rabo de cavalo improvisado, o rosto manchado por mim, o fogo nos olhos.

— Desce do carro, Maddy.

Minha voz não pede. Ordena.

— Ou a gente termina o que começou, ou você para de provocar quem não sabe parar de te desejar.

 

** Maddy **

 

A noite parece segurar a respiração junto comigo.

Minha mão ainda repousa na maçaneta do carro quando escuto você bater a porta com mais força do que o necessário, como se aquele gesto carregasse tudo o que estava preso dentro de você até agora.

Me viro devagar.

O silêncio da rua contrasta com o som seco dos seus passos se aproximando por trás.

A casa velha à nossa frente parece observar tudo, cúmplice do que quer que esteja prestes a acontecer ali.

Engulo em seco.

Tem algo no ar.

Algo que muda tudo.

Você está atrás de mim agora. E eu não sei se fujo, se corro, ou se apenas fico… esperando que você finalmente me tome como parte da sua perdição.

 

** Jonathan **

 

Voçê caminha à frente, com aquele andar provocante como se nem soubesse o que carrega entre as pernas.

Mas sabe.

O rangido da madeira sob nossos pés anuncia a entrada na casa abandonada. O cheiro de poeira, madeira velha e ferrugem escorre pelas paredes úmidas. A luz da rua morre atrás de nós quando empurro a porta e ela fecha num estalo seco.

Minhas mãos agarram sua cintura e eu a levanto com um único impulso. Você prende as pernas em torno do meu corpo com um reflexo obsceno — natural demais pra ser acidental.

Apoio seu peso contra a porta. Tão leve, tão frágil.

— Você quer me levar à ruína, não é? — murmuro, já com o maxilar trincado, a respiração quente.

Você sorri. A maldita sorri.

E então eu desabo.

Minhas mãos sobem, puxando o vestido por cima da sua cabeça sem delicadeza. Meus dedos tremem quando tocam sua pele quente. A renda da calcinha praticamente se desfaz quando rasgo ela com um único puxão.

— Isso é doença, Maddy... — minha voz falha de culpa e tesão. — Você é minha porra de vício.

Solto o cinto com uma das mãos, abro o jeans às pressas e abaixo só o suficiente pra me libertar. E então...

Me afundo em você.

Brutal, direto, como se meu corpo soubesse o caminho antes mesmo da razão acompanhar.

Você se agarra nos meus ombros, na madeira áspera atrás, em qualquer coisa que a impeça de desmoronar.

— Diga que me odeia. — rosno entre estocadas.

Mas você geme.

Cada gemido dela é mais um tijolo no altar da minha destruição.

E eu continuo. Rápido. Suado. Desesperado.

Porque tudo o que eu sinto agora é...

Ódio.

De mim.

Por amar tanto o pecado que você é.

 

** Maddy **

 

— Não consigo odiar você.

A frase se arrasta da minha garganta entre gemidos entrecortados, arfados, sujos de tudo que você provoca em mim. Como se o ar só fizesse sentido quando vem misturado ao seu nome, ao seu peso, ao seu corpo me possuindo sem freio.

Seus movimentos são erráticos, urgentes, como se até seu instinto estivesse te traindo. Como se cada estocada fosse uma confissão de culpa, um pedido de perdão e uma punição ao mesmo tempo.

Vejo poesia no seu desespero. Vejo beleza na sua raiva. Vejo tudo que escrevi nos meus contos tomar forma em você — em carne, osso, suor, gozo. E tudo se agarra a mim com dentes, unhas, e um calor que parece incendiar minhas entranhas.

Passo a língua do seu queixo à ponta do seu nariz, lambendo sua culpa, marcando sua ruína.

— Eu… eu te amo, Jonathan. — sai como um sussurro sufocado, obsceno, embriagado de uma verdade que nem eu esperava dizer. Escorre da minha boca entre os estalos da madeira sob minhas costas, entre o barulho molhado e pornográfico dos nossos corpos se chocando.

Digo antes que meu cérebro tenha tempo de impedir.
Digo porque é verdade.

 

** Jonathan **

 

Essas palavras.

As palavras que eu tanto procurei nos livros errados, nas bocas erradas, em páginas que não sabiam sangrar como você.

“Eu te amo, Jonathan.”

Elas me atravessam como uma lâmina quente.

Me rasgam por dentro enquanto meu corpo continua te fodendo como se o mundo inteiro não passasse de uma extensão do seu ventre.

— Cala a boca. — sussurro contra sua boca, mas meu tom é mais um apelo do que uma ordem. — Não diz isso… não diz isso, Maddy.

Porque se disser mais uma vez, eu não saio daqui.

Eu te preencho até explodir.

Eu te prendo, te escondo, te devoro.

Minhas mãos te apertam tão forte que quase posso sentir seus ossos sob meus dedos.

E mesmo assim, não é o bastante.

Eu te quero mais fundo, mais dentro, mais minha.

Tão minha que nem Deus consiga arrancar você de mim.

Te empurro com mais força contra a porta, e o rangido que ecoa não é nada comparado ao estalo suado do meu corpo colidindo ao seu.

— Fala. — ordeno entre dentes, arfando contra seu pescoço. — Porra, fala de novo, Maddy.

Minha boca encontra sua clavícula e morde com uma força animalesca.

Quero te marcar.

Quero que toda vez que você se olhe no espelho, lembre do quanto sou sujo, doente, seu.

E quando você geme “Jonathan”, como se fosse sua oração mais profana, eu percebo…

Que estou condenado.

E você é a sentença.

Mas ainda não gozo.

Porque eu quero te ouvir dizer de novo.

E de novo.

E de novo.

 

** Maddy **

 

Você manda eu me calar, depois pede pra eu repetir.

Diz pare — ao mesmo tempo que me implora pra continuar.

Me julga com os mesmos lábios que me endeusa.

Com a mesma indignação que me fode.

E é nesse paradoxo que eu me perco.

Que eu me lanço, de olhos fechados, no abismo que é amar você.

Sinto meu corpo sucumbir mais uma vez, dominado, possuído, devastado pelo prazer de te ter dentro de mim. Você — que já está entranhado na minha pele, no meu gosto, no meu nome.

Aperto suas costas com as coxas, minhas mãos invadindo sua pele por debaixo da camisa, arranhando com força, como se cada unha pudesse entalhar minha presença em você.

Meus dedos se afundam em sua carne como raízes famintas. Minha boca geme contra seu pescoço, desesperada.

— Eu te amo, professor Miller. — digo entre gemidos altos, quase histéricos, sujos de prazer e verdade.

Meu corpo se prende ao seu como se tentasse prender você à mim.

Como se pudesse, mesmo que por um segundo, tornar você meu.

Mesmo que não seja.

Mesmo que nunca vá ser.

 

** Jonathan **

 

Você me diz isso de novo. E de novo, meu coração falha.

“Eu te amo, professor Miller.”

Essa porra de frase deveria me fazer parar. Me afastar. Me vestir. Me arrepender.

Mas não.

Ela me arrebenta.

Me incendeia de dentro pra fora.

Me quebra com tesão, com culpa, com uma ternura suja que me faz querer morrer metido nela.

— Foda-se… — rosno contra sua boca, mordendo seu lábio inferior até sentir o gosto metálico da promessa que eu nunca deveria ter feito.

As palavras somem.

Só sobra o som do seu corpo se chocando ao meu, do suor escorrendo dos nossos rostos, das minhas mãos segurando sua bunda com força, te puxando mais, te esmagando em mim.

— Então me ama mais forte. — exijo, e deslizo o rosto pelo seu pescoço com uma respiração quase animalesca. — Me ama com essa crueldade que me destrói. Me ama até eu esquecer o nome da minha mulher, até eu deixar de ser quem eu era antes de você.

Meus quadris se movem com mais brutalidade, e o barulho da porta vibrando atrás de nós se mistura ao estalo suado e lascivo da nossa pele.

— Porra, Maddy... você acabou comigo.

Meus olhos se fecham, e eu gozo com a cabeça afundada no seu ombro, cravando os dedos no seu corpo como se ainda não fosse o suficiente.

Mas não saio de dentro. Não me movo. Não respiro.

Só fico ali.

Trêmulo.

Sufocado.

Escravo da merda que isso virou.

E mesmo assim, pensando em como posso fazer isso de novo.

Mais uma vez.

E outra.

Até que você me mate de vez.

 

** Maddy **

 

Minhas pernas deslizam lentamente pela lateral do seu corpo, sentindo cada relevo de músculo e pecado, até que meus pés toquem o chão daquela casa vazia.

Pego o vestido amarrotado, pendurado no desalinho de um momento que fugiu de qualquer moral.

A calcinha rasgada, deixo ali — relíquia suja de uma noite que nunca devia ter existido… mas que sempre existiria entre nós.

Me visto. Encosto as costas na parede desgastada, tentando puxar o fôlego como quem volta de um naufrágio.

As pernas ainda trêmulas denunciam o estrago — não apenas do corpo, mas da alma.

— Vou pra casa andando agora. Está perto mesmo.

Minha voz sai baixa, quase gentil demais pra quem acabou de te engolir como veneno.

Me ergo nas pontas dos pés, e deixo nos seus lábios um beijo curto, doce…

Cruel como toda despedida que mente ser a última.

— Não me esquece.

Mas você não vai.

Eu sei.

Eu sempre soube.

Abro a porta, e no último segundo, me viro sobre o ombro, te olho como se te roubasse mais uma vez.

Pego a mochila de livros no banco do seu carro, e sigo pela rua embebida em penumbra, onde a noite cobre tudo como um véu silencioso e sacrílego.

Onde até os passos parecem carregar culpa.

E a escuridão, saudade.

 

** Jonathan **

 

Eu continuo ali, imóvel, com o jeans ainda aberto e o peito arfando como se algo tivesse arrancado minha alma pela garganta.

O silêncio me invade como um juiz.

Fico olhando pro espaço que seu corpo ocupou há segundos.

Seu cheiro ainda paira no ar — doce, proibido, vicioso.

Minha culpa se espalha pela pele, pelo zíper aberto, pelos gemidos ainda ecoando na madeira da porta.

Não me mexo.

Não consigo.

Minha mão passa pelo cabelo, suada, trêmula, suja de você.

E então, deixo o peso do corpo cair contra a parede contrária, escorregando até o chão como um homem derrotado.

Porque é isso que eu sou agora.

Um homem que não consegue mais se afastar do próprio vício.

“Não me esquece.”

Como se eu fosse capaz.

Como se houvesse um canto sequer da minha mente que você já não tivesse invadido.

Maddy Sweet.

Minha maldição com lábios de anjo.

Eu deveria odiar você.

Mas só sei me odiar por desejar tudo isso mais uma vez.

 

**

 

Minutos se arrastam como horas dentro daquela casa vazia.

Meus dedos deslizam pelas costas, onde o tecido da camisa cola na pele úmida.

Sinto o ardor — linhas finas, cortadas por suas unhas…

Marcas que queimam.

Mas não pela dor.

Pelo que significam.

Você me cravou como quem assina a própria obra.

E eu?

Sou a tela suja, o quadro torto que agora sangra por tê-la deixado partir.

Me levanto devagar, sentindo o peso do mundo em cada vértebra.

Meu jeans ainda aberto, pendendo nos quadris, camisa desalinhada, suor secando no corpo como um lembrete de que existi por alguns minutos apenas pra você.

E isso...

Isso me destrói.

Passo a palma da mão pela nuca, fecho os olhos.

O gosto do seu nome ainda está na minha boca.

O gosto da sua saliva, do seu amor doente, das palavras que você me disse enquanto gemia.

“Eu te amo, professor Miller.”

Deus...

E o pior de tudo?

Eu amo você também.

Amo como quem se afoga na própria tragédia, como quem assina a sentença antes do julgamento.

Mas tenho uma casa.

Uma esposa.

Um casamento em ruínas sustentado por aparências.

E agora...

Tenho você.

Não no papel.

Mas nas costas.

No cheiro.

Na consciência.

No pau ainda melado de prazer e de pecado.

Saio da casa.

A noite me recebe como cúmplice.

O céu escuro não julga.

Mas meu próprio coração não para de martelar.

Cada passo até o carro é um “por quê?”

Por que deixei você entrar?

Por que me deixei te possuir?

Por que, caralho, eu não consigo mais viver sem o som da sua voz dizendo que me ama?

Entro no carro.

Fecho a porta.

E no espelho retrovisor...

Vejo meus olhos.

Vejo o homem que se tornou refém de uma menina com alma de tempestade. Daquela força da natureza com olhos verdes.

Dirijo em silêncio.

A cada semáforo, minha mente revisita sua boca.

Seu gemido.

Sua garganta me engolindo.

Seu corpo preso entre mim e uma porta podre que soube mais da nossa verdade do que qualquer capela sagrada.

Eu deveria rezar.

Mas não rezo.

Porque amar você...

É a única coisa que ainda me faz sentir vivo.

Mesmo que me mate, aos poucos.

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