Não é uma continuação.
É uma recaída. Uma versão
corrompida.
Um universo paralelo onde
American Beauty não terminou em tragédia — mas em vício, suor e carne marcada
por segundas chances.
Porque nem toda história precisa acabar quando o filme termina.
Narrado por Lester & Tiff.
O sol bate como uma bofetada através
das poucas nuvens ao céu. Ainda é cedo, mas a luz já entra naquela casa sem
pedir licença, iluminando a poeira suspensa no ar como se até ela tivesse
preguiça de viver.
Estou no quintal. Camiseta velha
dos Stones, cigarro aceso entre os dedos, descalço. O gramado está mais verde
do que eu lembrava. Ou talvez eu só esteja mais velho. Já nem sei mais se isso
aqui é algum tipo de castigo ou um prêmio mal dado.
Sou Lester Burnham.
Tenho cinquenta anos e estou... vivo.
E isso, por si só, já deveria ser improvável.
A vizinhança mudou, as casas
mudaram, as pessoas mudaram. Eu, não tanto assim.
Exceto por uma coisa.
Hoje, ela está de volta.
Jane. Minha filha. Aquela que mal fala comigo, mas que insiste em manter essa
coisa... esse laço torto entre nós. Ela disse que vai passar um tempo aqui. E
que traria uma amiga.
Eu disse que tudo bem.
Mas agora, enquanto observo o carro estacionar na entrada...
Tem algo no meu peito que pulsa com força.
A porta do carro se abre. Primeiro
Jane. Ela está diferente — mais velha, mais fria. Depois, ELA sai.
O ar me escapa. Me pego apertando o cigarro com mais força do que deveria.
Cabelos soltos, óculos escuros, uma
tatuagem na clavícula que antes não existia.
Tiff.
Claro que ela cresceria assim.
Não posso olhar tanto tempo. Mas eu
olho mesmo assim.
Jesus, Lester... não começa com
essa merda de novo.
Me viro, jogando a bituca no chão.
Fingindo que fui pegar algo na lateral da casa. Mas já é tarde demais. O nome
dela pulsa na minha mente como algo entre certo e errado
Tiff.
Do canto do quintal, através da janela,
eu a vejo. De costas.
A camiseta grudando no corpo por
causa do calor.
O cabelo rosa brilhando como uma
heresia contra esse bairro cinza.
Tatuagens à mostra, desenhando seu
corpo como mapas para a perdição de alguém.
Meu coração bate como se tivesse
acabado de correr um quilômetro.
E eu... não me mexo.
Só olho.
Meus olhos seguem o contorno da sua
cintura, descendo pelas coxas expostas, e por um instante, eu me lembro da
primeira vez que a vi. Devia ter uns 17 anos na época.
E eu quase me matei por dentro por
pensar no que pensei naquela época.
E mesmo assim, eu penso novamente.
Mas agora... agora ela é uma
mulher. A porra de uma visão tentadora.
Eu me mexo.
Abro a porta dos fundos devagar. O
som da madeira rangendo me entrega. Mas eu não digo nada. Fico ali, apoiado no
batente, como quem finge que só queria um pouco de ar.
Minha voz sai baixa, rouca.
** Lester **
— Pensei que talvez fosse só uma
miragem.
Pausa.
— Mas... não. É você mesmo. Tiff.
Algo sujo se acende em mim enquanto
te encaro.
Quase rindo, quase em silêncio.
** Tiff **
— Meu deus. Senhor Burnham. É você
mesmo?
Dou alguns passos na sua direção,
tomada por um misto de nostalgia e algo novo que ainda não sei definir.
— Você tá ótimo. Faz o quê... uns
cinco anos, né?
Abro um sorriso largo, espontâneo,
como quem reencontra uma figura antiga num cenário familiar.
** Lester **
A sua voz me atravessa como um
velho vinil sendo colocado pra tocar depois de anos empoeirado.
E eu sorrio. Um sorriso que não
sabe se é nervoso, satisfeito ou simplesmente grato por você ter me
reconhecido. Por você ter me visto. Tentando não transparecer o impacto.
— Lester, Tiff. Pode me chamar de
Lester agora. Já tô velho demais pra esse “senhor” ... — minha voz sai grave, com
aquele tom preguiçoso de quem já viu demais pra se importar com as
formalidades.
Seus olhos se acendem quando sorri.
E aquele sorriso...
Aquele maldito sorriso é exatamente
como eu lembrava.
— Cinco anos, hein? — repito,
olhando você de cima a baixo sem nem disfarçar. Meus olhos param nas suas
pernas, depois voltam lentamente até seu rosto.
— O tempo fez... milagres. E
estragos. Em todo mundo, eu acho. — passo a mão pelos cabelos já mais
grisalhos, e dou um sorriso de canto, meio torto.
Dou mais um passo, agora perto o
bastante pra sentir o cheiro da sua pele. Ou será o seu perfume? Ou é só você
mesmo que tem cheiro de coisa errada?
— A casa ficou vazia desde que você
e Jane foram embora. Agora ela volta... e você volta junto.
Solto uma risada curta, seca.
— Coincidência engraçada... ou uma
daquelas armadilhas do universo que parecem acidente.
Te olho nos olhos por um segundo
inteiro a mais do que deveria.
— Você vai ficar muito tempo? Ou só
o bastante pra... bagunçar tudo de novo?
E eu me odeio por querer essa
bagunça. Por querer você.
** Tiff **
— Lester, okay! — digo, sorrindo
sem jeito.
Me apoio na borda da mesa, tombando
o rosto um pouco pro lado.
Você não mudou tanto. Pelo menos
não pra mim.
— Acho que vamos ficar umas quatro
semanas... ainda não decidimos ao certo. Mas a ideia é aproveitar as férias,
descansar, sei lá.
Viro de uma vez o resto da cerveja
que tinha em mãos e limpo a boca com as costas da mão, casual.
— E você? O que tem feito nesses
últimos anos, senhor Bur... digo, Lester?
Passo a língua pelos lábios, por
puro costume, e, a forma que você me olha... Ah, tem algo novo aí.
** Lester **
Ela ainda tem aquele jeito
despreocupado, provocante sem esforço. Mas agora... agora tem algo mais. Um
peso diferente nos ombros.
Um fogo domesticado mal escondido
atrás desses olhos felinos.
Você fala com essa voz doce e
debochada que me fode sem nem perceber.
Quatro semanas.
Quatro.
Semanas.
Porra, Lester.
— Quatro semanas... — repito baixo,
como quem anota mentalmente uma sentença que é ao mesmo tempo castigo e
recompensa
Levo um novo cigarro à boca. Trago
fundo. Jogo a fumaça pro lado, longe de você, só por respeito. Ou tentativa
dele.
— O que eu tenho feito? — repito a
pergunta, rindo de leve, aquela risada meio amarga de quem sabe que a resposta
não vai impressionar.
Me viro, pego uma cadeira, viro de
frente pra você e me sento devagar, com os cotovelos nos joelhos, ainda com os
olhos em você. Só em você.
— Nada grandioso. Comprei uma
bicicleta. Cuidei do jardim. Treinei.
Dou um pequeno tapa no abdômen com
a palma da mão.
— Voltei a fumar. Parei. Voltei de
novo. Acha que isso conta como hobby?
Sorrio de lado, os olhos mais
escuros agora, como se buscassem alguma fagulha sua só pra alimentar o vício de
te olhar.
— E sonhei com coisas que nunca
tive coragem de tocar.
Pausa.
— Até agora.
O silêncio que vem depois parece
grudar na minha pele.
Tudo isso é como um déjà-vu
perverso.
E por mais uma vez, a vida parece
querer brincar comigo.
_
Horas mais tarde...
_
A porta bate devagar atrás dela.
Jane sai com aquele salto rápido de quem quer esquecer o endereço de casa por
algumas horas. O som do carro se afastando desaparece na rua como uma promessa
temporária de liberdade.
Fico parado na cozinha por um
tempo, com um copo de whisky na mão, observando o reflexo da luz tremeluzente
da TV dançando contra a parede do corredor. É tarde. A casa deveria estar
quieta. Mas não está.
O som abafado do filme de terror continua
ecoando pela sala, como um coração acelerado em looping.
Ela não foi. Tiff.
Escuto aquela música tensa que
antecede todo susto bem roteirizado.
Me aproximo em silêncio.
Passo pelo corredor com passos
lentos, quase culpados. Não deveria estar fazendo isso, mas não sou bom em
fazer o que deveria. Nunca fui.
Do batente da sala, vejo os ombros
dela. O cabelo rosa parece brilhar contra o escuro do sofá. Uma manta cobre só
metade do corpo. As pernas dobradas. Um dos braços esticado, segurando a tigela
de pipoca equilibrada nas coxas.
O rosto inclinado, a boca
entreaberta, os olhos vidrados na TV.
O filme continua ignorando minha
presença.
Eu entro.
Me sento ao lado dela devagar, como
quem não quer acordar algo adormecido. Sem dizer nada.
Deixo o corpo afundar no sofá com
um leve rangido. Ela não reage. Ou não faz questão de reagir.
Fico ali, calado. Com o olhar
grudado na tela, mas os pensamentos completamente fora de foco.
A distância entre nós parece
segura. Mas o calor que emana daquele lado do sofá conta outra história.
** Lester **
Você me olha por um instante,
depois volta a olhar pro filme. Mas eu continuo olhando pra você.
E então vem a cena.
O susto.
Você se sobressalta no sofá, o
corpo pulando, agarrando a almofada como um reflexo.
A boca se abre.
“Puta merda” — você diz.
E eu...
Me afundo mais no meu desejo torto.
Me aproximo sem levantar. Só viro o
corpo. A voz baixa, íntima.
— Imagina se eu te encostasse
agora...
Pausa.
— Você reagiria assim também?
O som do filme permanece agora gritando
como plano de fundo.
Mas aqui... Só tem você. E eu.
E o que já não consigo mais
esconder.
** Tiff **
— Tá me cantando, senhor Burnham? —
pergunto virando o rosto na sua direção, arqueando uma das sobrancelhas.
Levo a mão até boca, escondendo um
sorriso meio sem graça atrás da palma, como se não soubesse se levo a sério ou
não.
— Isso é... alguma pegadinha?
Dou uma olhada em volta, como se
esperasse alguém surgir rindo da cena. Depois volto os olhos pra você, ainda
meio confusa, meio divertida.
Balanço a cabeça devagar, em
negação, soltando um risinho curto.
— Você fala de um jeito que nunca dá
pra saber se é pra levar a sério ou não.
** Lester **
Você pergunta se eu estou te
cantando com essa voz mole, rindo, como se não pudesse ser verdade.
Como se fosse uma piada.
Mas não é.
Me inclino mais. Agora perto o
bastante pra sentir seu perfume de novo. Pra ver a tensão leve nos seus ombros.
— Não é pegadinha.
Minha voz sai baixa, firme.
Grave como confissão num quarto de
motel.
— Eu tô te desejando, Tiff. Desde
que você entrou aqui em casa.
Desde que me chamou de “senhor
Burnham” com essa boca aí.
Olho pros seus lábios. O gloss já
quase apagado.
— E agora você tá aqui.
Nesse sofá. Com esse olhar de quem
quer entender..., mas já entendeu tudo.
Apoio o braço no encosto do sofá, o
corpo virado pra você, mas sem te tocar.
Só te prendendo com os olhos.
— Se quiser ir dormir, vai.
Dou um meio sorriso.
— Mas se ficar... eu não vou fingir
que isso aqui é só uma amizade com a amiga da minha filha.
Te encaro. E te espero.
** Tiff **
— Eu...
Engulo seco, sentindo alguma coisa
estranha bater aqui dentro. Uma ficha caindo devagar. Ou talvez só metade dela
por hora.
— Ainda não tô com sono.
Desvio o olhar pra TV, tentando
parecer tranquila. Mas quando volto a te encarar, você já está inclinado pra
frente, com aquele olhar...
Como um lobo prestes a dar o bote.
E eu... a porra da ovelha parada no
meio do campo, fingindo que não sabe o que está acontecendo.
** Lester **
Você hesita. Engole a seco.
E eu vejo — o momento exato em que
a ficha cai.
A sala parece menor agora. A luz da
TV pisca nas suas tatuagens, no seu rosto, naquela boca entreaberta. Você diz
que ainda não está com sono.
E eu sorrio. Como se tivesse
esperado por esse momento há anos.
— Então fica.
Minha voz sai mais baixa, mais
grave.
— Mas não mente pra mim, Tiff.
Inclino mais o corpo, agora ainda mais
perto, quase sentindo o calor do seu joelho contra o meu.
— Você não tá aqui porque tá sem
sono.
Aproximo só mais um pouco.
O suficiente pra que se você
respirar fundo, sinta o meu cheiro.
O cigarro, o Bourbon, o desejo.
— Você tá aqui...
Olho nos seus olhos como quem te
atravessa.
— Porque parte de você quer que eu
diga que vai dar merda.
Dou uma risada curta, sem humor.
— E a outra parte quer ver
exatamente que tipo de merda eu sou capaz de fazer com você.
Minha mão se move devagar, parando
no encosto do sofá atrás de você. Não te toco.
Ainda.
— Fica, Tiff.
Mas só se tiver coragem de olhar
pra mim...
E parar de fingir que não sente a
mesma coisa.
** Tiff **
Coloco o pote de pipoca na mesinha
do telefone ao lado do sofá, sem fazer alarde demais.
Aperto a almofada contra o corpo,
como se ela pudesse me proteger de alguma coisa que nem sei se quero evitar.
Tensa, mas estranhamente curiosa.
— Eu fico... mas não sei muito bem
o que fazer agora.
Mordo o lábio inferior, meio
desconcertada, o olhar fugindo por um segundo.
Mas algo em mim já decidiu antes da
fala terminar.
E eu fico. Porque, no fundo, eu
quero ver até onde isso vai.
** Lester **
Você aperta a almofada como se ela
pudesse proteger algo que já está se rendendo.
Você diz que não sabe o que fazer.
E morde o lábio.
Ah, Tiff...
Se soubesse o que essa mordida me
faz.
— Não precisa fazer nada.
Minha voz agora é quase um
sussurro.
— Só... fica aí. Desse jeito.
Me sento rente você.
Corpo virado na sua direção.
O braço ainda no encosto atrás de
você, já formando um semicírculo ao seu redor.
— Sabe o que é pior que se
arrepender de ter feito algo?
Pausa.
— É se arrepender de não ter feito.
Me aproximo do seu rosto.
Lento.
Com tempo pra você fugir.
Mas você não foge.
— Se eu encostar em você agora...
Meus lábios quase tocam os seus.
— Vai ser a última vez que a gente
finge que não quer isso.
** Tiff **
— A Jane saiu, mas... pode voltar a
qualquer momento — comento, com a voz mais baixa do que gostaria.
Meu coração bate na garganta. E
também em outro lugar. Mais embaixo. Muito mais.
— Ela nunca ia me perdoar se eu
fizesse alguma coisa. Você é o pai dela.
Meus olhos descem sem permissão até
a sua boca. Depois sobem, lentos, encontrando os seus de novo.
— Porra, Lester...
Reviro os olhos, reviro a alma, reviro
meu bom senso dos avessos.
** Lester **
Você menciona a Jane... E é como um
lembrete da linha que separa o proibido do inevitável.
Seus olhos desceram até minha boca.
E quando subiram de novo, já era.
Minha mão encosta de leve no seu
rosto. Apenas a ponta dos dedos.
— Eu sei.
Minha voz mal sai.
— E eu deveria ser o primeiro a
levantar e sair dessa sala agora.
Pausa.
Me aproximo mais. O hálito quente
se mistura entre nós.
— Mas você está aqui.
Você me olhou. Você ficou.
— Me diz pra parar.
Pausa longa.
Minha respiração roçando na sua
pele agora.
— Ou... só fica aí.
E deixa eu te mostrar o que
significa ser desejada por alguém que nunca mais vai conseguir olhar outra
mulher depois de você.
** Tiff **
Você toca meu rosto, e o calor da
sua mão faz tudo dentro de mim estremecer.
É a mesma indecência de anos atrás.
Só que agora... menos contida. Mais
perigosa.
— Eu... eu fico! — a voz sai
trêmula, tanto quanto minhas pernas.
Tiro a almofada do colo e a jogo
pro lado, sem pensar, como se ela estivesse no caminho de algo que já não
consigo mais parar.
Nem quero parar.
Sua respiração encosta na minha
pele. E puta merda...
Me vejo tão errada e libertina
assim, entregue de bandeja a você.
** Lester **
Você diz que fica.
E quando tira a almofada do colo, é
como se estivesse jogando fora o último escudo que nos separava.
Você se entrega.
Meu Deus, Lester. Você tem idade
pra ser o pai dela.
E mesmo assim, eu não recuo.
Porque nunca desejei nada como
desejo você.
— Você é tão jovem... — sussurro,
encostando meu nariz de leve no seu. — Tem o mundo inteiro pela frente.
Minhas palavras saem lentas,
baixas, cheias de admiração e culpa.
— E mesmo assim tá aqui... com um
homem quebrado, mais velho, com rugas, com cicatrizes, com todos os pecados que
você deveria evitar.
Pausa.
— Isso me enlouquece.
Minha mão sobe pra sua nuca,
enterrando os dedos nos seus fios coloridos.
Puxo você sutilmente pra mais
perto, minha boca quase roçando na sua.
— Sabe o que é?
Minha voz é quente, rouca, como um
trovão abafado pela vontade de te ter.
— Nenhum garoto da sua idade...
Nenhum deles vai saber o que fazer com uma mulher como você.
Mas eu sei.
Inclino o rosto, minha boca quase
tocando a sua.
— E se você deixar, eu vou te
ensinar.
E meu olhar desce pra sua boca. Pronto
pra te destruir com adoração.
** Tiff **
Meus olhos se fecham devagar, como
quem dá permissão sem dizer uma palavra.
Permissão pra você me mostrar o que
quer.
Pra me beijar.
Pra me tocar.
Pra me ensinar.
Meu peito sobe e desce, a
respiração carregada, descompassada.
Sinto minha calcinha umedecer só de
ouvir sua voz.
A firmeza com que você diz o que
faria com uma mulher como eu...
Me desmonta.
Levo a ponta dos dedos até seu
joelho, quase sem perceber. Um toque leve, mas cheio de intenção.
Instinto puro.
Algo devasso se acende aqui dentro,
queimando sem pudor.
E agora... sou eu quem quer você.
Inteiro.
** Lester **
Sinto seus dedos tocarem meu
joelho, tão de leve, tão puro e tão sexy ao mesmo tempo, que minha pele arde.
Como se cada nervo do meu corpo
estivesse gritando:
É agora.
Minha mão desliza pra sua cintura. Aproxima
você de mim com uma firmeza que não permite dúvidas.
— Você não faz ideia...
Minha voz é quase um rosnado
abafado, quente demais pra ser seguro.
— Do quanto eu desejei isso.
Do quanto me torturei com essa
vontade.
Com esse pecado de te olhar e
imaginar... Isso. Agora. Aqui.
E então eu encosto minha boca na
sua. Devagar. Mas faminto. Como um homem com décadas de frustrações…
E você como a realização proibida da
qual ele nunca teve direito de sonhar.
Minha mão sobe pelas suas costas, firmes,
sentindo cada linha do seu corpo esguio. Te beijo com a precisão de quem sabe o
que faz. Com o gosto do Bourbon ainda na língua. Com a fome de quem vai te
marcar pra sempre.
— Eu vou fazer você esquecer cada
maldito garoto da sua vida, porque nenhum deles vai te tocar como um homem que
entende o que tem nas mãos.
Desço os lábios pelo seu pescoço.
E sei que a partir desse momento,
já não tem mais volta.
** Tiff **
Suas mãos ásperas percorrem a linha
das minhas costas, e mesmo com o tecido, eu sinto.
Sinto o peso do seu desejo. O calor
quase febril da sua pele.
Como se tocar meu corpo fosse algo
que você esperou por tempo demais.
E o mais estranho... é que eu
gosto.
Gosto da sua fome. Da sua ausência
total de envergadura moral. Do seu incêndio vivo.
Você me beija com um gosto que
arde.
Whisky, talvez. Ou só o gosto cru
de um tesão que ficou tempo demais engarrafado.
Eu reajo.
Afundo os dedos na sua coxa, sem
hesitar.
Te dando aval.
Pra tudo.
Toda e qualquer sacanagem que você
esteja prestes a cometer agora.
Comigo.
** Lester **
Sinto seus dedos afundarem na minha
coxa e minha pele queima sob o seu toque juvenil.
Você não tem ideia do que está
fazendo comigo.
Minha boca no seu pescoço sente o
arrepio percorrer sua pele.
Sua respiração falha. E isso me
enlouquece.
Porque eu sei o que significa.
Você me quer.
Apesar de tudo.
Apesar da idade.
Você quer esse homem velho, fodido,
desejando cada pedaço seu com fome real.
Desço os beijos pela curva do seu
ombro, mordendo leve sua pele, sentindo seu gosto finalmente.
— Você sente isso? — murmuro rouco,
minha boca ainda roçando na sua pele.
Minha mão desliza pela lateral do
seu corpo, pousando na sua cintura, sentindo o contorno da sua pele tatuada.
Meus dedos pressionam com firmeza,
como se estivessem gravando em mim o que é poder te tocar.
— Isso aqui não é brincadeira,
Tiff.
Minha voz vibra grave contra sua
clavícula.
— Eu não sou garoto. Não vou te dar
metades.
Minha mão sobe um pouco mais,
tocando sua costela por dentro da blusa.
— Se você continuar... Eu não vou
te devolver igual.
Meu rosto sobe, os olhos cravados
nos seus.
— Você quer isso mesmo?
Me diz agora.
Porque se disser sim... Não vai
sobrar porra nenhuma de nós dois.
** Tiff **
— Eu quero sim, senhor Burnham.
Seu sobrenome escapa por hábito,
quase automático.
Mas o jeito que eu te olho agora...
não tem nada de formal.
Inclino o corpo devagar, me
deixando tombar pra trás no sofá.
Os lábios entreabertos, a
respiração pesada.
Entregue até demais pra quem não
havia antes pensado nisso.
Minhas coxas se apertam, se
esfregam uma na outra, tentando aliviar o desejo que pulsa, quente, sujo.
E cada movimento só piora.
Porque não é você ali ainda.
Mas meu corpo já te chama como se
fosse.
** Lester **
Você diz que quer.
E meu nome — meu sobrenome — escapa
da sua boca com uma formalidade suja, quase irônica para o momento.
Mas seu olhar me queima.
Não é uma garota falando com o pai
da amiga. É uma mulher... implorando pra ser tomada por um homem que ela sabe
que vai marcar cada centímetro dela.
Você se ajeita no sofá como uma
oferenda.
Lábios entreabertos. Olhos de
desejo. Corpo inteiro dizendo sim.
E eu…
Perco o resto do controle.
— Você não faz ideia no que tá se
metendo, menina.
Minha voz sai baixa, quente,
carregada de tensão — e promessas.
Me ajoelho no chão diante do sofá,
ficando entre suas pernas, com a cabeça entre sua cintura e o mundo.
Meus olhos sobem até os seus
enquanto minhas mãos deslizam pelas suas coxas.
— Mas eu vou te mostrar.
Acaricio sua pele como quem lê um
livro proibido.
Meus dedos sobem pelo seu corpo,
explorando lentamente, saboreando cada reação sua — o tremor na barriga, o
arrepio na pele, a forma como seu quadril se move levemente, te denunciando.
Inclino o rosto, minha boca
encontrando a parte interna da sua coxa.
Beijo ali. Mordo.
— Você quer um homem?
Mordo de novo, um pouco mais forte,
subindo com a boca como uma tempestade.
— Vai ter um.
E minha língua sobe pela lateral do
seu corpo. Minha mão puxa sua blusa, expondo mais pele.
— E quando eu terminar com você...
Encosto a boca no seu umbigo, os
olhos cravados nos seus.
— Você vai olhar pro espelho e
saber...
Como é finalmente ser minha.
** Tiff **
Seguro a barra da sua camiseta e
puxo pra cima com uma das mãos, enquanto a outra desliza pelas suas costas,
sentindo sua pele quente, suada.
— Eu não acredito que a gente tá
fazendo isso.
Sorrio, com vergonha e tesão na
mesma medida.
A camiseta prende um pouco nos
ombros, então empurro com mais força até você se livrar dela de vez.
Levo o pano até o rosto, quase sem
pensar, e respiro fundo. Tem cheiro do seu corpo. Do seu dia. Do seu suor.
— Você é tão... homem.
Jogo a camiseta no chão e volto as
mãos pro seu corpo, apertando seus braços, te puxando mais pra perto.
Você sempre foi carente. De atenção,
de elogios, de sexo.
De mim.
** Lester **
Sua mão sobe pela minha camiseta, e
meu corpo reage como se tivesse sido atingido por um raio.
Sua pele nos meus músculos, seus
dedos deslizando pelas minhas costas, e eu já sou só instinto.
O homem inteiro que eu sou pulsa
por você agora.
Você puxa o tecido até os ombros,
força pelos meus braços, e eu deixo. Porque ver você me despir é mais do que qualquer
ato de desejo. É realização.
Quando você encosta a camiseta no
rosto e respira o meu suor... eu quase gemo.
A visão da sua boca roçando o
tecido, seus olhos cravados em mim, os lábios dizendo:
“Você é tão, másculo.”
É o fim da linha da razão.
Minha mão segura sua coxa com
firmeza, subindo até seu quadril.
— Você não sabe o quanto eu
precisava ouvir isso.
Minha voz sai rouca, cravada de
verdade e desejo bruto.
— Ser visto... por você.
Deslizo o rosto até seu pescoço,
respirando fundo seu perfume, sua pele.
Minha outra mão sobe por baixo da
sua blusa novamente.
— Você é tudo que um homem como eu
jamais imaginou que teria direito de tocar.
Tiro sua blusa devagar, como se
desembrulhasse algo precioso demais pra pressa.
— Tatuada. Macia. Insolente.
Meus olhos percorrem cada marca no
seu corpo, agora à mostra.
— Você é foi feita pra ser adorada.
E devorada.
E eu... Sou o maldito sortudo que
vai te venerar com a boca, com a língua, com os dentes.
E volto a te beijar.
Com a fome de um homem que esperou
uma vida inteira por você.
** Tiff **
Puxo seu corpo pra cima do meu,
colando meus seios no seu peito quente e suado.
Você me beija com fome, e eu
retribuo do mesmo jeito — minha língua encontra a sua, meus dentes mordem de
leve seu lábio, só pra sentir sua reação.
Deslizo as pontas dos dedos pelas
suas costelas até alcançar o meio das suas costas, apertando, te puxando mais
pra mim.
Já era.
Não tem mais pensamento.
Só impulso.
Só vontade.
— Você é mais excitante do que eu
imaginava, Lester.
E mais louco também.
E eu, estou adorando cada segundo
disso.
** Lester **
Seu corpo puxa o meu com uma força
que nem tenta disfarçar.
Você me quer inteiro. E agora você
me tem.
Seus seios colam no meu peito, pele
quente contra pele quente.
Sinto o arrepio subir pela espinha,
seu toque percorrendo minhas costelas até o centro das minhas costas — como se
soubesse exatamente onde pressionar pra me desmontar.
E então você me beija.
Seus dentes arranham meu lábio, e
eu gemo baixo — um som grave, quase animalesco, de prazer e descontrole.
Eu já estou fora de mim.
Mas mais inteiro do que já estive
em anos.
— Você me imaginava, hein? —
sussurro com a boca ainda colada na sua.
Mordo seu lábio de volta, com um
pouco mais de força.
— E mesmo assim... não imaginava
tudo.
Minha mão sobe pelo seu corpo,
firme, como se estivesse mapeando um território proibido.
O que de fato é. Ou eticamente
deveria ser.
— Eu vou te dar mais do que você
imaginava, Tiff.
Roço minha boca na sua orelha.
— E depois disso, vai ser
impossível esquecer o que eu te fiz sentir.
Minhas mãos descem, puxando seu
short com pressa e precisão.
Meus lábios percorrem sua
clavícula, sua pele molhada de suor e pecado.
— Você quer mais, anjo? Ou quer que
eu pare agora... e finja que isso nunca aconteceu?
Minha boca desce.
Mas minha alma já se foi.
** Tiff **
Meu rosto cora na hora que você
puxa meu short sem nenhuma cerimônia, como se eu já fosse sua faz tempo.
— Eu quero mais, sim. E você não
vai parar até matar cada maldito desejo sujo que você despertou em mim agora.
Minha mão desliza direto pra sua
calça, até encontrar seu pau duro, pulsando sob o tecido.
A pressão do toque te faz perder o
ar por um segundo.
— Seu pervertido...
Solto um gemido abafado, sem
vergonha nenhuma, enquanto acaricio você por cima da calça, devagar,
provocando.
A forma que você reage a mim, é tão
obscena que me faz esquecer de todo e qualquer pudor que eu deveria ter.
Minha cabeça já está longe. Cheia das
piores intenções.
E eu quero todas elas.
** Lester **
Suas palavras me atingem como uma
porra de tabefe.
“Você não vai parar até sanar cada maldito
desejo sujo...”
E eu quase rasgo o próprio peito
com a vontade de te devorar inteira.
Seu rosto corado, sua respiração
quente, seu corpo sem defesas — E sua mão agora tocando meu pau por cima da
calça.
Você me tem. Na palma da sua mão. Rígido,
pulsando, completamente entregue.
O gemido que escapa da sua garganta
quando me sente endurecido sob o tecido me faz grunhir de volta.
Minha mão aperta sua cintura com
mais força.
A outra sobe pra sua garganta, os
dedos largos encostando ali com firmeza, mas sem machucar — só o bastante pra
fazer você sentir que tem um homem de verdade sobre você agora.
— Você quer esse pau, Tiff?
Murmuro no seu ouvido, a boca suja
de desejo, o hálito quente roçando sua pele.
— Então me implora com esse corpo.
Minha voz é crua.
— Mostra que ele é seu.
Só seu e de mais ninguém.
** Tiff **
Um arrepio sobe pela minha coluna
cada vez que você solta esses sons baixos, pesados, quase animalescos.
Ergo o corpo do sofá, só o
suficiente pra te ajudar a tirar minha calcinha com mais facilidade, deixando
tudo mais exposto, mais fácil.
— Eu quero gozar pra você de todas
as formas possíveis — murmuro, com a voz rouca, completamente tomada pelo
tesão.
Minhas mãos vão direto pra sua
calça. Abro o botão, depois o zíper, com pressa, com fome.
Empurro o jeans pra baixo com os
polegares até ele ficar no meio das suas coxas.
Agora você está ali. Na minha frente.
Duro.
À mercê da minha boca, da minha
mão, do meu desejo.
E eu não vou parar até você perder
o controle.
** Lester **
Seu corpo se ergue levemente sob
mim, oferecendo-se com uma docilidade que contrasta com a fome suja na sua voz.
Meus olhos escurecem.
É a coisa mais linda e mais maldita
que já ouvi.
Deslizo sua calcinha por entre suas
coxas com uma reverência lasciva, como se cada centímetro revelado fosse uma
resposta que esperei por anos.
Mas então...
Você mexe em mim.
Sua mão ágil abre minha calça, o
som do zíper descendo como um disparo na noite.
Meus músculos reagem, minha
respiração trava quando sinto seus dedos empurrando o jeans pra baixo.
E meu pau, duro, latejando, grita.
Eu gemo. Não me seguro com você me
despindo desse jeito.
Não com esse olhar sujo que mistura
admiração com fome.
— Olha o que você faz comigo,
Tiff...
Minha voz é quase um rosnado, rouca
de prazer e poder.
Me afasto só o bastante pra te
mostrar.
Seguro seu tornozelo, puxando suas
pernas pro meu ombro com firmeza.
E meu pau pulsa.
Grosso. Maduro. Quente.
— Você quer isso em você? Quer ele
te fodendo com força?
Me posiciono, a glande roçando a entrada
quente e molhada do seu sexo, só o bastante pra te fazer sentir o que está por
vir.
— Implora, Tiff.
Minha mão segura seu quadril com
força.
— Me implora esse gozo.
E eu vou te dar todos.
** Tiff **
Meus olhos se arregalam na hora que
você agarra minhas pernas e as joga sobre os seus ombros, como se já soubesse
exatamente o que fazer comigo.
Meu. Deus.
Você inclina o corpo pra frente, me
dobrando toda ali no sofá, meus joelhos quase encostando no peito. Seu rosto
paira sobre o meu, e eu sinto sua respiração quente no meu queixo.
Meu corpo está todo aberto pra você.
Arreganhado.
Implorando.
— Eu quero seu pau dentro de mim.
Agora!
A frase sai num gemido arrastado,
sufocado de tesão.
E quando você encosta, esfregando-o
em mim, provocando sem entrar… meu corpo se contorce de imediato.
Como se não aguentasse mais nem um
segundo.
— Puta merda... — murmuro entre os
dentes, arfando.
E eu fico ainda mais molhada. Ainda
mais pronta.
Desesperada pra ser possuída por
você.
** Lester **
Você está aberta. Arreganhada. Perfeita.
Minha.
Minhas mãos seguram seus quadris
com firmeza, meus ombros empurrando suas pernas pra trás, deixando você toda
exposta.
Como um presente que o inferno me
deu de volta em forma de tentação viva.
Seu corpo brilha de suor, sua pele
pulsa quente sob as luzes fracas da tv.
E quando você solta — “eu quero seu
pau dentro de mim” ...
Eu quase gozo só de ouvir.
Meu pau roça sua entrada, duro,
quente, e o calor que sinto de você ali me deixa mais animal do que homem.
— Você vai sentir, Tiff. Vai sentir
cada centímetro desse pau te moldar por dentro.
Me inclino sobre você, os joelhos
forçando o sofá afundar.
E empurro.
Fundo.
Sinto você abrir ao meu redor,
quente, apertada, molhada demais.
Sua carne me engole com um desejo
que nenhum garoto jamais entenderia.
— Puta que pariu...
Você foi feita pra me foder a
cabeça.
Pra me enlouquecer.
Me movimento lento no começo, só o
bastante pra te deixar louca.
E então eu meto.
Fundo.
Forte.
Com toda a porra da vontade que
carreguei sozinho por anos.
O sofá range.
Meus quadris batem nas suas coxas com
força, com ritmo, com entrega.
— Grita pra mim, Tiff. Grita que esse pau é seu.
** Tiff **
Mordo o lábio com força, tentando
abafar o descontrole que quase explode da garganta.
A cada estocada sua, solto o ar dos
pulmões num gemido arrastado, sem filtro, sem vergonha.
— Porra, isso é uma delícia,
Lester.
Fecho os olhos por um instante,
sentindo você me abrir com força, entrando fundo, ocupando tudo.
Meus dedos se afundam no sofá,
tentando achar algum ponto de apoio enquanto você aperta minhas pernas contra
meu próprio corpo, me dobrando do jeito que quer.
Me moldando a sua vontade.
Abro os olhos e encaro você.
O olhar entregue, sujo, faminto.
Carregado de um tesão cru,
proibido, do tipo que não tem volta.
E nem desculpa.
** Lester **
Seu corpo me recebe como se tivesse
sido feito só pra isso.
Cada estocada afunda fundo, e eu te
sinto se moldando em volta do meu pau — apertada, quente, ensopada.
Você geme e eu enlouqueço.
E quando solta aquele “porra, isso
é uma delícia”, eu grunho como um maldito animal.
— Fala mais, Tiff...
Minha voz sai arrastada, suada,
entre os dentes.
— Grita o quanto te deixo aberta,
cheia... fodida por um homem de verdade.
Te olho. E o que vejo...
Quebra tudo que ainda existia de
controle em mim.
Seu olhar carrega tudo de proibido.
Tudo de sujo. Tudo que me faz te foder mais forte.
Seus músculos se contraem ao meu
redor.
— Me olha assim de novo, porra...
Rosno, socando ainda rápido.
— E eu gozo dentro de você sem nem
perguntar.
Minhas mãos seguram firme sua
cintura e eu me movo com tudo que tenho.
— Você vai gozar pra mim? Com esse
pau te arrebentando por dentro?
Meus quadris investem em você sem a
menor delicadeza.
E eu sei.
Você está perto.
E eu também.
** Tiff **
Seguro seus braços, afundando os
dedos nos seus tríceps.
— Porra, eu vou gozar assim, Lester.
– a voz quase falha no meio da respiração arfando.
Passo a língua pela linha da sua
mandíbula, sentindo o gosto do seu suor.
Você se afunda em mim, como se
quisesse me destruir por dentro.
E confesso que está conseguindo...
Inclino o rosto pro lado, mordendo
seu antebraço, gemendo contra sua pele.
E quando meu rosto se volta pra ti,
você vê, minha cabeça desencostando do sofá, meus lábios abertos deixando
escapar gemidos quase dolorosos de prazer.
Minha musculatura treme, vibra. A
respiração parece querer falhar, a força se esvair junto ao prazer.
Eu gozo pra você, entregue, fodida,
totalmente alucinada sentindo seu corpo sobre o meu me torturando.
** Lester **
Seus dedos cravados nos meus
braços. Sua boca no meu suor. Sua língua quente no meu rosto.
E o som da sua voz falhando —
dizendo que vai gozar.
É como se o tempo parasse.
— Isso, porra... goza pra mim,
Tiff.
Rosno com a boca colada à sua
orelha, o corpo todo contraído, afundando com tudo dentro de você.
Sinto você me receber até o fim —
inteira.
E quando você morde meu antebraço,
gemendo contra minha carne, eu grito sem som.
Meus olhos se fecham com força,
minha mandíbula trava, o prazer me atravessando como uma lâmina.
E então vejo.
Você.
A cabeça ergue do sofá, o pescoço
tenso, os lábios entreabertos, gemendo como se cada centímetro meu dentro de
você fosse a sua perdição.
E você goza.
A cena mais pornográfica, mais
linda, mais visceral que já existiu.
Você goza fodida. Delirando.
Como se esse fosse o único motivo
da sua existência.
Meus Deus, Lester. Meu Deus.
— Tiff...
Sussurro, a voz falhando.
— Eu vou...
Me afundo com tudo, o corpo
tremendo, o quadril socando fundo — e eu gozo.
Quente. Forte. Dentro de você.
Te preenchendo, te marcando.
Minhas mãos seguram sua cintura com
força, o rosto colado no seu, o corpo inteiro desabando sobre o seu como se
fosse nossa última noite vivos.
A respiração falha.
Os corpos grudados.
A alma... fodida.
E eu sei que agora nada mais vai
ser igual.
** Tiff **
Seu corpo cede sobre o meu, pesado,
quente, suado.
Minhas pernas escorregam dos seus
ombros, mas você continua ali, encaixado em mim, como se ainda quisesse me
manter presa, ocupada de você.
Apoio o rosto no seu ombro, a boca
roçando na sua pele úmida, puxando o ar como se eu tivesse caído de um
precipício.
Sinto o suor escorrendo de você até
mim, misturando nossos corpos de um jeito sujo e íntimo.
Seu pau ainda lateja dentro de mim,
e a cada pulsar, mais um espasmo me atravessa, arrancando de mim os últimos
resquícios do meu prazer.
— Essa foi a melhor transa da minha
vida.
Minha voz sai trêmula, embriagada
de prazer, esgotada de tanto gemer pra você.
Meu coração bate tão forte que parece
que vai explodir.
Minhas mãos deslizam devagar pelas
suas costas, como se eu ainda tivesse 17 e tivesse me apaixonado na primeira
foda.
Como se você fosse tudo.
Mesmo sendo o que nunca deveria
ser.
** Lester **
Meu corpo desaba sobre o seu, exausto,
saciado.
Meu pau ainda dentro de você,
latejando com os últimos espasmos de prazer, e cada contração sua em volta de
mim me faz gemer baixo, quase como se eu ainda estivesse gozando.
Ou talvez... eu esteja.
Você fala.
Sua voz é mole, doce, devastada.
E quando diz que foi a melhor
transa da sua vida — da sua vida.
Eu sinto como se tivesse vencido o
tempo.
Apoio a testa no seu ombro, rindo
baixo, derretido.
— Porra, Tiff... Você acabou
comigo.
A voz sai falha, como se não
houvesse mais nada em mim que não fosse seu.
— Você sabe que depois disso... Não tem mais volta, né garota?
Me ergo só o suficiente pra olhar
nos seus olhos.
— Agora você é minha.
Pra caralho do sempre.
** Tiff **
Dou um sorriso sujo enquanto
deslizo debaixo de você, me afastando devagar até sentar na borda do sofá.
Pego minhas roupas jogadas no chão,
ainda sentindo seu calor grudado no meu corpo.
— Isso foi só sexo, viu? Não fica
mal acostumado.
A frase sai leve, quase rindo...
Mas eu sei o peso que ela tem.
E você também sente.
Fico de pé, fecho o short, visto a
blusa. Nem me apresso — quero que você veja cada movimento.
— Mas... nada impede de a gente
repetir isso enquanto eu estiver aqui.
Olho por cima do ombro, com um
olhar que fere de tão provocante, como se cada palavra minha fosse feita pra
cutucar o que restou da sua sanidade.
— Você é um tesão pra um
cinquentão. E eu ainda quero sentar muito em você...
Pausa.
— Senhor Burnham.
A voz sai baixa, carregada de pura
depravação.
Me viro, subo as escadas sem olhar
pra trás, deixando só o som dos meus passos e o rastro do meu cheiro preso em
você.
— Boa noite. Se conseguir dormir.
** Lester **
Você sai debaixo de mim e eu sinto
como se parte de mim fosse arrancada junto.
Me recosto no sofá, o peito subindo
e descendo ainda, suado. Fodido — por dentro e por fora.
E então você solta.
“Isso foi só sexo sim.”
A frase bate cruel em mim.
Eu fecho os olhos, rindo seco, sem
humor, como quem já sabe que vai continuar voltando pra mesma armadilha com um
sorriso nos lábios.
Mas aí você segue.
Sobe o short. Veste a blusa. E cada
movimento seu é um desfile de poder. De controle.
De quem acabou de me deixar melado
de você.
Porra.
Meu pau, ainda semiereto, lateja
com o gosto da sua ausência.
E eu fico ali.
Exausto.
Excitado.
Obcecado.
Você sobe as escadas como se fosse
dona dessa casa.
E é.
Agora é.
Eu fico sentado, a pele ardendo
onde a sua roçou.
O sofá ainda cheira a você.
E eu não tenho paz.
Só a lembrança.
Minha mão desliza devagar pelo meu
peito suado.
Fecho os olhos.
E sussurro pra mim mesmo, como um
mantra doentio:
— Só sexo, né...Filha da puta
maravilhosa.
Sorrio torto.
E sei que vou querer esse erro de
novo.
Todas as noites.
Enquanto você estiver aqui.
E talvez… até depois.
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