sábado, 23 de agosto de 2025

Let It Burn - pt I


Não é uma continuação.

É uma recaída. Uma versão corrompida.

Um universo paralelo onde American Beauty não terminou em tragédia — mas em vício, suor e carne marcada por segundas chances.

Porque nem toda história precisa acabar quando o filme termina.


Narrado por Lester & Tiff.

 

 

O sol bate como uma bofetada através das poucas nuvens ao céu. Ainda é cedo, mas a luz já entra naquela casa sem pedir licença, iluminando a poeira suspensa no ar como se até ela tivesse preguiça de viver.

Estou no quintal. Camiseta velha dos Stones, cigarro aceso entre os dedos, descalço. O gramado está mais verde do que eu lembrava. Ou talvez eu só esteja mais velho. Já nem sei mais se isso aqui é algum tipo de castigo ou um prêmio mal dado.

Sou Lester Burnham.
Tenho cinquenta anos e estou... vivo.
E isso, por si só, já deveria ser improvável.

A vizinhança mudou, as casas mudaram, as pessoas mudaram. Eu, não tanto assim.
Exceto por uma coisa.

Hoje, ela está de volta.
Jane. Minha filha. Aquela que mal fala comigo, mas que insiste em manter essa coisa... esse laço torto entre nós. Ela disse que vai passar um tempo aqui. E que traria uma amiga.

Eu disse que tudo bem.
Mas agora, enquanto observo o carro estacionar na entrada...
Tem algo no meu peito que pulsa com força.

A porta do carro se abre. Primeiro Jane. Ela está diferente — mais velha, mais fria. Depois, ELA sai.
O ar me escapa. Me pego apertando o cigarro com mais força do que deveria.

Cabelos soltos, óculos escuros, uma tatuagem na clavícula que antes não existia.
Tiff.
Claro que ela cresceria assim.

Não posso olhar tanto tempo. Mas eu olho mesmo assim.

Jesus, Lester... não começa com essa merda de novo.

Me viro, jogando a bituca no chão. Fingindo que fui pegar algo na lateral da casa. Mas já é tarde demais. O nome dela pulsa na minha mente como algo entre certo e errado

Tiff.

Do canto do quintal, através da janela, eu a vejo. De costas.

A camiseta grudando no corpo por causa do calor.

O cabelo rosa brilhando como uma heresia contra esse bairro cinza.

Tatuagens à mostra, desenhando seu corpo como mapas para a perdição de alguém.

Meu coração bate como se tivesse acabado de correr um quilômetro.

E eu... não me mexo.

Só olho.

Meus olhos seguem o contorno da sua cintura, descendo pelas coxas expostas, e por um instante, eu me lembro da primeira vez que a vi. Devia ter uns 17 anos na época.

E eu quase me matei por dentro por pensar no que pensei naquela época.

E mesmo assim, eu penso novamente.

Mas agora... agora ela é uma mulher. A porra de uma visão tentadora.

Eu me mexo.

Abro a porta dos fundos devagar. O som da madeira rangendo me entrega. Mas eu não digo nada. Fico ali, apoiado no batente, como quem finge que só queria um pouco de ar.

Minha voz sai baixa, rouca.

 

** Lester **

 

— Pensei que talvez fosse só uma miragem.

Pausa.

— Mas... não. É você mesmo. Tiff.

Algo sujo se acende em mim enquanto te encaro.

Quase rindo, quase em silêncio.

 

** Tiff **

 

— Meu deus. Senhor Burnham. É você mesmo?

Dou alguns passos na sua direção, tomada por um misto de nostalgia e algo novo que ainda não sei definir.

— Você tá ótimo. Faz o quê... uns cinco anos, né?

Abro um sorriso largo, espontâneo, como quem reencontra uma figura antiga num cenário familiar.

 

** Lester **

 

A sua voz me atravessa como um velho vinil sendo colocado pra tocar depois de anos empoeirado.

E eu sorrio. Um sorriso que não sabe se é nervoso, satisfeito ou simplesmente grato por você ter me reconhecido. Por você ter me visto. Tentando não transparecer o impacto.

— Lester, Tiff. Pode me chamar de Lester agora. Já tô velho demais pra esse “senhor” ... — minha voz sai grave, com aquele tom preguiçoso de quem já viu demais pra se importar com as formalidades.

Seus olhos se acendem quando sorri. E aquele sorriso...

Aquele maldito sorriso é exatamente como eu lembrava.

— Cinco anos, hein? — repito, olhando você de cima a baixo sem nem disfarçar. Meus olhos param nas suas pernas, depois voltam lentamente até seu rosto.

— O tempo fez... milagres. E estragos. Em todo mundo, eu acho. — passo a mão pelos cabelos já mais grisalhos, e dou um sorriso de canto, meio torto.

Dou mais um passo, agora perto o bastante pra sentir o cheiro da sua pele. Ou será o seu perfume? Ou é só você mesmo que tem cheiro de coisa errada?

— A casa ficou vazia desde que você e Jane foram embora. Agora ela volta... e você volta junto.

Solto uma risada curta, seca.

— Coincidência engraçada... ou uma daquelas armadilhas do universo que parecem acidente.

Te olho nos olhos por um segundo inteiro a mais do que deveria.

— Você vai ficar muito tempo? Ou só o bastante pra... bagunçar tudo de novo?

E eu me odeio por querer essa bagunça. Por querer você.

 

** Tiff **

 

— Lester, okay! — digo, sorrindo sem jeito.

Me apoio na borda da mesa, tombando o rosto um pouco pro lado.

Você não mudou tanto. Pelo menos não pra mim.

— Acho que vamos ficar umas quatro semanas... ainda não decidimos ao certo. Mas a ideia é aproveitar as férias, descansar, sei lá.

Viro de uma vez o resto da cerveja que tinha em mãos e limpo a boca com as costas da mão, casual.

— E você? O que tem feito nesses últimos anos, senhor Bur... digo, Lester?

Passo a língua pelos lábios, por puro costume, e, a forma que você me olha... Ah, tem algo novo aí.

 

** Lester **

 

Ela ainda tem aquele jeito despreocupado, provocante sem esforço. Mas agora... agora tem algo mais. Um peso diferente nos ombros.

Um fogo domesticado mal escondido atrás desses olhos felinos.

Você fala com essa voz doce e debochada que me fode sem nem perceber.

Quatro semanas.

Quatro.

Semanas.

Porra, Lester.

— Quatro semanas... — repito baixo, como quem anota mentalmente uma sentença que é ao mesmo tempo castigo e recompensa

Levo um novo cigarro à boca. Trago fundo. Jogo a fumaça pro lado, longe de você, só por respeito. Ou tentativa dele.

— O que eu tenho feito? — repito a pergunta, rindo de leve, aquela risada meio amarga de quem sabe que a resposta não vai impressionar.

Me viro, pego uma cadeira, viro de frente pra você e me sento devagar, com os cotovelos nos joelhos, ainda com os olhos em você. Só em você.

— Nada grandioso. Comprei uma bicicleta. Cuidei do jardim. Treinei.

Dou um pequeno tapa no abdômen com a palma da mão.

— Voltei a fumar. Parei. Voltei de novo. Acha que isso conta como hobby?

Sorrio de lado, os olhos mais escuros agora, como se buscassem alguma fagulha sua só pra alimentar o vício de te olhar.

— E sonhei com coisas que nunca tive coragem de tocar.

Pausa.

— Até agora.

O silêncio que vem depois parece grudar na minha pele.

Tudo isso é como um déjà-vu perverso.

E por mais uma vez, a vida parece querer brincar comigo.

_

Horas mais tarde...

_

A porta bate devagar atrás dela. Jane sai com aquele salto rápido de quem quer esquecer o endereço de casa por algumas horas. O som do carro se afastando desaparece na rua como uma promessa temporária de liberdade.

Fico parado na cozinha por um tempo, com um copo de whisky na mão, observando o reflexo da luz tremeluzente da TV dançando contra a parede do corredor. É tarde. A casa deveria estar quieta. Mas não está.

O som abafado do filme de terror continua ecoando pela sala, como um coração acelerado em looping.

Ela não foi. Tiff.

Escuto aquela música tensa que antecede todo susto bem roteirizado.

Me aproximo em silêncio.

Passo pelo corredor com passos lentos, quase culpados. Não deveria estar fazendo isso, mas não sou bom em fazer o que deveria. Nunca fui.

Do batente da sala, vejo os ombros dela. O cabelo rosa parece brilhar contra o escuro do sofá. Uma manta cobre só metade do corpo. As pernas dobradas. Um dos braços esticado, segurando a tigela de pipoca equilibrada nas coxas.

O rosto inclinado, a boca entreaberta, os olhos vidrados na TV.

O filme continua ignorando minha presença.

Eu entro.

Me sento ao lado dela devagar, como quem não quer acordar algo adormecido. Sem dizer nada.

Deixo o corpo afundar no sofá com um leve rangido. Ela não reage. Ou não faz questão de reagir.

Fico ali, calado. Com o olhar grudado na tela, mas os pensamentos completamente fora de foco.

A distância entre nós parece segura. Mas o calor que emana daquele lado do sofá conta outra história.

 

** Lester **

 

Você me olha por um instante, depois volta a olhar pro filme. Mas eu continuo olhando pra você.

E então vem a cena.

O susto.

Você se sobressalta no sofá, o corpo pulando, agarrando a almofada como um reflexo.

A boca se abre.

“Puta merda” — você diz.

E eu...

Me afundo mais no meu desejo torto.

Me aproximo sem levantar. Só viro o corpo. A voz baixa, íntima.

— Imagina se eu te encostasse agora...

Pausa.

— Você reagiria assim também?

O som do filme permanece agora gritando como plano de fundo.

Mas aqui... Só tem você. E eu.

E o que já não consigo mais esconder.

 

** Tiff **

 

— Tá me cantando, senhor Burnham? — pergunto virando o rosto na sua direção, arqueando uma das sobrancelhas.

Levo a mão até boca, escondendo um sorriso meio sem graça atrás da palma, como se não soubesse se levo a sério ou não.

— Isso é... alguma pegadinha?

Dou uma olhada em volta, como se esperasse alguém surgir rindo da cena. Depois volto os olhos pra você, ainda meio confusa, meio divertida.

Balanço a cabeça devagar, em negação, soltando um risinho curto.

— Você fala de um jeito que nunca dá pra saber se é pra levar a sério ou não.

 

** Lester **

 

Você pergunta se eu estou te cantando com essa voz mole, rindo, como se não pudesse ser verdade.

Como se fosse uma piada.

Mas não é.

Me inclino mais. Agora perto o bastante pra sentir seu perfume de novo. Pra ver a tensão leve nos seus ombros.

— Não é pegadinha.

Minha voz sai baixa, firme.

Grave como confissão num quarto de motel.

— Eu tô te desejando, Tiff. Desde que você entrou aqui em casa.

Desde que me chamou de “senhor Burnham” com essa boca aí.

Olho pros seus lábios. O gloss já quase apagado.

— E agora você tá aqui.

Nesse sofá. Com esse olhar de quem quer entender..., mas já entendeu tudo.

Apoio o braço no encosto do sofá, o corpo virado pra você, mas sem te tocar.

Só te prendendo com os olhos.

— Se quiser ir dormir, vai.

Dou um meio sorriso.

— Mas se ficar... eu não vou fingir que isso aqui é só uma amizade com a amiga da minha filha.

Te encaro. E te espero.

 

** Tiff **

 

— Eu...

Engulo seco, sentindo alguma coisa estranha bater aqui dentro. Uma ficha caindo devagar. Ou talvez só metade dela por hora.

— Ainda não tô com sono.

Desvio o olhar pra TV, tentando parecer tranquila. Mas quando volto a te encarar, você já está inclinado pra frente, com aquele olhar...

Como um lobo prestes a dar o bote.

E eu... a porra da ovelha parada no meio do campo, fingindo que não sabe o que está acontecendo.

 

** Lester **

 

Você hesita. Engole a seco.

E eu vejo — o momento exato em que a ficha cai.

A sala parece menor agora. A luz da TV pisca nas suas tatuagens, no seu rosto, naquela boca entreaberta. Você diz que ainda não está com sono.

E eu sorrio. Como se tivesse esperado por esse momento há anos.

— Então fica.

Minha voz sai mais baixa, mais grave.

— Mas não mente pra mim, Tiff.

Inclino mais o corpo, agora ainda mais perto, quase sentindo o calor do seu joelho contra o meu.

— Você não tá aqui porque tá sem sono.

Aproximo só mais um pouco.

O suficiente pra que se você respirar fundo, sinta o meu cheiro.

O cigarro, o Bourbon, o desejo.

— Você tá aqui...

Olho nos seus olhos como quem te atravessa.

— Porque parte de você quer que eu diga que vai dar merda.

Dou uma risada curta, sem humor.

— E a outra parte quer ver exatamente que tipo de merda eu sou capaz de fazer com você.

Minha mão se move devagar, parando no encosto do sofá atrás de você. Não te toco.

Ainda.

— Fica, Tiff.

Mas só se tiver coragem de olhar pra mim...

E parar de fingir que não sente a mesma coisa.

 

** Tiff **

 

Coloco o pote de pipoca na mesinha do telefone ao lado do sofá, sem fazer alarde demais.

Aperto a almofada contra o corpo, como se ela pudesse me proteger de alguma coisa que nem sei se quero evitar.

Tensa, mas estranhamente curiosa.

— Eu fico... mas não sei muito bem o que fazer agora.

Mordo o lábio inferior, meio desconcertada, o olhar fugindo por um segundo.

Mas algo em mim já decidiu antes da fala terminar.

E eu fico. Porque, no fundo, eu quero ver até onde isso vai.

 

** Lester **

 

Você aperta a almofada como se ela pudesse proteger algo que já está se rendendo.

Você diz que não sabe o que fazer.

E morde o lábio.

Ah, Tiff...

Se soubesse o que essa mordida me faz.

— Não precisa fazer nada.

Minha voz agora é quase um sussurro.

— Só... fica aí. Desse jeito.

Me sento rente você.

Corpo virado na sua direção.

O braço ainda no encosto atrás de você, já formando um semicírculo ao seu redor.

— Sabe o que é pior que se arrepender de ter feito algo?

Pausa.

— É se arrepender de não ter feito.

Me aproximo do seu rosto.

Lento.

Com tempo pra você fugir.

Mas você não foge.

— Se eu encostar em você agora...

Meus lábios quase tocam os seus.

— Vai ser a última vez que a gente finge que não quer isso.

 

** Tiff **

 

— A Jane saiu, mas... pode voltar a qualquer momento — comento, com a voz mais baixa do que gostaria.

Meu coração bate na garganta. E também em outro lugar. Mais embaixo. Muito mais.

— Ela nunca ia me perdoar se eu fizesse alguma coisa. Você é o pai dela.

Meus olhos descem sem permissão até a sua boca. Depois sobem, lentos, encontrando os seus de novo.

— Porra, Lester...

Reviro os olhos, reviro a alma, reviro meu bom senso dos avessos.

 

** Lester **

 

Você menciona a Jane... E é como um lembrete da linha que separa o proibido do inevitável.

Seus olhos desceram até minha boca. E quando subiram de novo, já era.

Minha mão encosta de leve no seu rosto. Apenas a ponta dos dedos.

— Eu sei.

Minha voz mal sai.

— E eu deveria ser o primeiro a levantar e sair dessa sala agora.

Pausa.

Me aproximo mais. O hálito quente se mistura entre nós.

— Mas você está aqui.

Você me olhou. Você ficou.

— Me diz pra parar.

Pausa longa.

Minha respiração roçando na sua pele agora.

— Ou... só fica aí.

E deixa eu te mostrar o que significa ser desejada por alguém que nunca mais vai conseguir olhar outra mulher depois de você.

 

** Tiff **

 

Você toca meu rosto, e o calor da sua mão faz tudo dentro de mim estremecer.

É a mesma indecência de anos atrás.

Só que agora... menos contida. Mais perigosa.

— Eu... eu fico! — a voz sai trêmula, tanto quanto minhas pernas.

Tiro a almofada do colo e a jogo pro lado, sem pensar, como se ela estivesse no caminho de algo que já não consigo mais parar.

Nem quero parar.

Sua respiração encosta na minha pele. E puta merda...

Me vejo tão errada e libertina assim, entregue de bandeja a você.

 

** Lester **

 

Você diz que fica.

E quando tira a almofada do colo, é como se estivesse jogando fora o último escudo que nos separava.

Você se entrega.

Meu Deus, Lester. Você tem idade pra ser o pai dela.

E mesmo assim, eu não recuo.

Porque nunca desejei nada como desejo você.

— Você é tão jovem... — sussurro, encostando meu nariz de leve no seu. — Tem o mundo inteiro pela frente.

Minhas palavras saem lentas, baixas, cheias de admiração e culpa.

— E mesmo assim tá aqui... com um homem quebrado, mais velho, com rugas, com cicatrizes, com todos os pecados que você deveria evitar.

Pausa.

— Isso me enlouquece.

Minha mão sobe pra sua nuca, enterrando os dedos nos seus fios coloridos.

Puxo você sutilmente pra mais perto, minha boca quase roçando na sua.

— Sabe o que é?

Minha voz é quente, rouca, como um trovão abafado pela vontade de te ter.

— Nenhum garoto da sua idade... Nenhum deles vai saber o que fazer com uma mulher como você.

Mas eu sei.

Inclino o rosto, minha boca quase tocando a sua.

— E se você deixar, eu vou te ensinar.

E meu olhar desce pra sua boca. Pronto pra te destruir com adoração.

 

** Tiff **

 

Meus olhos se fecham devagar, como quem dá permissão sem dizer uma palavra.

Permissão pra você me mostrar o que quer.

Pra me beijar.

Pra me tocar.

Pra me ensinar.

Meu peito sobe e desce, a respiração carregada, descompassada.

Sinto minha calcinha umedecer só de ouvir sua voz.

A firmeza com que você diz o que faria com uma mulher como eu...

Me desmonta.

Levo a ponta dos dedos até seu joelho, quase sem perceber. Um toque leve, mas cheio de intenção.

Instinto puro.

Algo devasso se acende aqui dentro, queimando sem pudor.

E agora... sou eu quem quer você.

Inteiro.

 

** Lester **

 

Sinto seus dedos tocarem meu joelho, tão de leve, tão puro e tão sexy ao mesmo tempo, que minha pele arde.

Como se cada nervo do meu corpo estivesse gritando:

É agora.

Minha mão desliza pra sua cintura. Aproxima você de mim com uma firmeza que não permite dúvidas.

— Você não faz ideia...

Minha voz é quase um rosnado abafado, quente demais pra ser seguro.

— Do quanto eu desejei isso.

Do quanto me torturei com essa vontade.

Com esse pecado de te olhar e imaginar... Isso. Agora. Aqui.

E então eu encosto minha boca na sua. Devagar. Mas faminto. Como um homem com décadas de frustrações…

E você como a realização proibida da qual ele nunca teve direito de sonhar.

Minha mão sobe pelas suas costas, firmes, sentindo cada linha do seu corpo esguio. Te beijo com a precisão de quem sabe o que faz. Com o gosto do Bourbon ainda na língua. Com a fome de quem vai te marcar pra sempre.

— Eu vou fazer você esquecer cada maldito garoto da sua vida, porque nenhum deles vai te tocar como um homem que entende o que tem nas mãos.

Desço os lábios pelo seu pescoço.

E sei que a partir desse momento, já não tem mais volta.

 

** Tiff **

 

Suas mãos ásperas percorrem a linha das minhas costas, e mesmo com o tecido, eu sinto.

Sinto o peso do seu desejo. O calor quase febril da sua pele.

Como se tocar meu corpo fosse algo que você esperou por tempo demais.

E o mais estranho... é que eu gosto.

Gosto da sua fome. Da sua ausência total de envergadura moral. Do seu incêndio vivo.

Você me beija com um gosto que arde.

Whisky, talvez. Ou só o gosto cru de um tesão que ficou tempo demais engarrafado.

Eu reajo.

Afundo os dedos na sua coxa, sem hesitar.

Te dando aval.

Pra tudo.

Toda e qualquer sacanagem que você esteja prestes a cometer agora.

Comigo.

 

** Lester **

 

Sinto seus dedos afundarem na minha coxa e minha pele queima sob o seu toque juvenil.

Você não tem ideia do que está fazendo comigo.

Minha boca no seu pescoço sente o arrepio percorrer sua pele.

Sua respiração falha. E isso me enlouquece.

Porque eu sei o que significa.

Você me quer.

Apesar de tudo.

Apesar da idade.

Você quer esse homem velho, fodido, desejando cada pedaço seu com fome real.

Desço os beijos pela curva do seu ombro, mordendo leve sua pele, sentindo seu gosto finalmente.

— Você sente isso? — murmuro rouco, minha boca ainda roçando na sua pele.

Minha mão desliza pela lateral do seu corpo, pousando na sua cintura, sentindo o contorno da sua pele tatuada.

Meus dedos pressionam com firmeza, como se estivessem gravando em mim o que é poder te tocar.

— Isso aqui não é brincadeira, Tiff.

Minha voz vibra grave contra sua clavícula.

— Eu não sou garoto. Não vou te dar metades.

Minha mão sobe um pouco mais, tocando sua costela por dentro da blusa.

— Se você continuar... Eu não vou te devolver igual.

Meu rosto sobe, os olhos cravados nos seus.

— Você quer isso mesmo?

Me diz agora.

Porque se disser sim... Não vai sobrar porra nenhuma de nós dois.

 

** Tiff **

 

— Eu quero sim, senhor Burnham.

Seu sobrenome escapa por hábito, quase automático.

Mas o jeito que eu te olho agora... não tem nada de formal.

Inclino o corpo devagar, me deixando tombar pra trás no sofá.

Os lábios entreabertos, a respiração pesada.

Entregue até demais pra quem não havia antes pensado nisso.

Minhas coxas se apertam, se esfregam uma na outra, tentando aliviar o desejo que pulsa, quente, sujo.

E cada movimento só piora.

Porque não é você ali ainda.

Mas meu corpo já te chama como se fosse.

 

** Lester **

 

Você diz que quer.

E meu nome — meu sobrenome — escapa da sua boca com uma formalidade suja, quase irônica para o momento.

Mas seu olhar me queima.

Não é uma garota falando com o pai da amiga. É uma mulher... implorando pra ser tomada por um homem que ela sabe que vai marcar cada centímetro dela.

Você se ajeita no sofá como uma oferenda.

Lábios entreabertos. Olhos de desejo. Corpo inteiro dizendo sim.

E eu…

Perco o resto do controle.

— Você não faz ideia no que tá se metendo, menina.

Minha voz sai baixa, quente, carregada de tensão — e promessas.

Me ajoelho no chão diante do sofá, ficando entre suas pernas, com a cabeça entre sua cintura e o mundo.

Meus olhos sobem até os seus enquanto minhas mãos deslizam pelas suas coxas.

— Mas eu vou te mostrar.

Acaricio sua pele como quem lê um livro proibido.

Meus dedos sobem pelo seu corpo, explorando lentamente, saboreando cada reação sua — o tremor na barriga, o arrepio na pele, a forma como seu quadril se move levemente, te denunciando.

Inclino o rosto, minha boca encontrando a parte interna da sua coxa.

Beijo ali. Mordo.

— Você quer um homem?

Mordo de novo, um pouco mais forte, subindo com a boca como uma tempestade.

— Vai ter um.

E minha língua sobe pela lateral do seu corpo. Minha mão puxa sua blusa, expondo mais pele.

— E quando eu terminar com você...

Encosto a boca no seu umbigo, os olhos cravados nos seus.

— Você vai olhar pro espelho e saber...

Como é finalmente ser minha.

 

** Tiff **

 

Seguro a barra da sua camiseta e puxo pra cima com uma das mãos, enquanto a outra desliza pelas suas costas, sentindo sua pele quente, suada.

— Eu não acredito que a gente tá fazendo isso.

Sorrio, com vergonha e tesão na mesma medida.

A camiseta prende um pouco nos ombros, então empurro com mais força até você se livrar dela de vez.

Levo o pano até o rosto, quase sem pensar, e respiro fundo. Tem cheiro do seu corpo. Do seu dia. Do seu suor.

— Você é tão... homem.

Jogo a camiseta no chão e volto as mãos pro seu corpo, apertando seus braços, te puxando mais pra perto.

Você sempre foi carente. De atenção, de elogios, de sexo.

De mim.

 

** Lester **

 

Sua mão sobe pela minha camiseta, e meu corpo reage como se tivesse sido atingido por um raio.

Sua pele nos meus músculos, seus dedos deslizando pelas minhas costas, e eu já sou só instinto.

O homem inteiro que eu sou pulsa por você agora.

Você puxa o tecido até os ombros, força pelos meus braços, e eu deixo. Porque ver você me despir é mais do que qualquer ato de desejo. É realização.

Quando você encosta a camiseta no rosto e respira o meu suor... eu quase gemo.

A visão da sua boca roçando o tecido, seus olhos cravados em mim, os lábios dizendo:

“Você é tão, másculo.”

É o fim da linha da razão.

Minha mão segura sua coxa com firmeza, subindo até seu quadril.

— Você não sabe o quanto eu precisava ouvir isso.

Minha voz sai rouca, cravada de verdade e desejo bruto.

— Ser visto... por você.

Deslizo o rosto até seu pescoço, respirando fundo seu perfume, sua pele.

Minha outra mão sobe por baixo da sua blusa novamente.

— Você é tudo que um homem como eu jamais imaginou que teria direito de tocar.

Tiro sua blusa devagar, como se desembrulhasse algo precioso demais pra pressa.

— Tatuada. Macia. Insolente.

Meus olhos percorrem cada marca no seu corpo, agora à mostra.

— Você é foi feita pra ser adorada. E devorada.

E eu... Sou o maldito sortudo que vai te venerar com a boca, com a língua, com os dentes.

E volto a te beijar.

Com a fome de um homem que esperou uma vida inteira por você.

 

** Tiff **

 

Puxo seu corpo pra cima do meu, colando meus seios no seu peito quente e suado.

Você me beija com fome, e eu retribuo do mesmo jeito — minha língua encontra a sua, meus dentes mordem de leve seu lábio, só pra sentir sua reação.

Deslizo as pontas dos dedos pelas suas costelas até alcançar o meio das suas costas, apertando, te puxando mais pra mim.

Já era.

Não tem mais pensamento.

Só impulso.

Só vontade.

— Você é mais excitante do que eu imaginava, Lester.

E mais louco também.

E eu, estou adorando cada segundo disso.

 

** Lester **

 

Seu corpo puxa o meu com uma força que nem tenta disfarçar.

Você me quer inteiro. E agora você me tem.

Seus seios colam no meu peito, pele quente contra pele quente.

Sinto o arrepio subir pela espinha, seu toque percorrendo minhas costelas até o centro das minhas costas — como se soubesse exatamente onde pressionar pra me desmontar.

E então você me beija.

Seus dentes arranham meu lábio, e eu gemo baixo — um som grave, quase animalesco, de prazer e descontrole.

Eu já estou fora de mim.

Mas mais inteiro do que já estive em anos.

— Você me imaginava, hein? — sussurro com a boca ainda colada na sua.

Mordo seu lábio de volta, com um pouco mais de força.

— E mesmo assim... não imaginava tudo.

Minha mão sobe pelo seu corpo, firme, como se estivesse mapeando um território proibido.

O que de fato é. Ou eticamente deveria ser.

— Eu vou te dar mais do que você imaginava, Tiff.

Roço minha boca na sua orelha.

— E depois disso, vai ser impossível esquecer o que eu te fiz sentir.

Minhas mãos descem, puxando seu short com pressa e precisão.

Meus lábios percorrem sua clavícula, sua pele molhada de suor e pecado.

— Você quer mais, anjo? Ou quer que eu pare agora... e finja que isso nunca aconteceu?

Minha boca desce.

Mas minha alma já se foi.

 

** Tiff **

 

Meu rosto cora na hora que você puxa meu short sem nenhuma cerimônia, como se eu já fosse sua faz tempo.

— Eu quero mais, sim. E você não vai parar até matar cada maldito desejo sujo que você despertou em mim agora.

Minha mão desliza direto pra sua calça, até encontrar seu pau duro, pulsando sob o tecido.

A pressão do toque te faz perder o ar por um segundo.

— Seu pervertido...

Solto um gemido abafado, sem vergonha nenhuma, enquanto acaricio você por cima da calça, devagar, provocando.

A forma que você reage a mim, é tão obscena que me faz esquecer de todo e qualquer pudor que eu deveria ter.

Minha cabeça já está longe. Cheia das piores intenções.

E eu quero todas elas.

 

** Lester **

 

Suas palavras me atingem como uma porra de tabefe.

 “Você não vai parar até sanar cada maldito desejo sujo...”

E eu quase rasgo o próprio peito com a vontade de te devorar inteira.

Seu rosto corado, sua respiração quente, seu corpo sem defesas — E sua mão agora tocando meu pau por cima da calça.

Você me tem. Na palma da sua mão. Rígido, pulsando, completamente entregue.

O gemido que escapa da sua garganta quando me sente endurecido sob o tecido me faz grunhir de volta.

Minha mão aperta sua cintura com mais força.

A outra sobe pra sua garganta, os dedos largos encostando ali com firmeza, mas sem machucar — só o bastante pra fazer você sentir que tem um homem de verdade sobre você agora.

— Você quer esse pau, Tiff?

Murmuro no seu ouvido, a boca suja de desejo, o hálito quente roçando sua pele.

— Então me implora com esse corpo.

Minha voz é crua.

— Mostra que ele é seu.

Só seu e de mais ninguém.

 

** Tiff **

 

Um arrepio sobe pela minha coluna cada vez que você solta esses sons baixos, pesados, quase animalescos.

Ergo o corpo do sofá, só o suficiente pra te ajudar a tirar minha calcinha com mais facilidade, deixando tudo mais exposto, mais fácil.

— Eu quero gozar pra você de todas as formas possíveis — murmuro, com a voz rouca, completamente tomada pelo tesão.

Minhas mãos vão direto pra sua calça. Abro o botão, depois o zíper, com pressa, com fome.

Empurro o jeans pra baixo com os polegares até ele ficar no meio das suas coxas.

Agora você está ali. Na minha frente. Duro.

À mercê da minha boca, da minha mão, do meu desejo.

E eu não vou parar até você perder o controle.

 

** Lester **

 

Seu corpo se ergue levemente sob mim, oferecendo-se com uma docilidade que contrasta com a fome suja na sua voz.

Meus olhos escurecem.

É a coisa mais linda e mais maldita que já ouvi.

Deslizo sua calcinha por entre suas coxas com uma reverência lasciva, como se cada centímetro revelado fosse uma resposta que esperei por anos.

Mas então...

Você mexe em mim.

Sua mão ágil abre minha calça, o som do zíper descendo como um disparo na noite.

Meus músculos reagem, minha respiração trava quando sinto seus dedos empurrando o jeans pra baixo.

E meu pau, duro, latejando, grita.

Eu gemo. Não me seguro com você me despindo desse jeito.

Não com esse olhar sujo que mistura admiração com fome.

— Olha o que você faz comigo, Tiff...

Minha voz é quase um rosnado, rouca de prazer e poder.

Me afasto só o bastante pra te mostrar.

Seguro seu tornozelo, puxando suas pernas pro meu ombro com firmeza.

E meu pau pulsa.

Grosso. Maduro. Quente.

— Você quer isso em você? Quer ele te fodendo com força?

Me posiciono, a glande roçando a entrada quente e molhada do seu sexo, só o bastante pra te fazer sentir o que está por vir.

— Implora, Tiff.

Minha mão segura seu quadril com força.

— Me implora esse gozo.

E eu vou te dar todos.

 

** Tiff **

 

Meus olhos se arregalam na hora que você agarra minhas pernas e as joga sobre os seus ombros, como se já soubesse exatamente o que fazer comigo.

Meu. Deus.

Você inclina o corpo pra frente, me dobrando toda ali no sofá, meus joelhos quase encostando no peito. Seu rosto paira sobre o meu, e eu sinto sua respiração quente no meu queixo.

Meu corpo está todo aberto pra você.

Arreganhado.

Implorando.

— Eu quero seu pau dentro de mim. Agora!

A frase sai num gemido arrastado, sufocado de tesão.

E quando você encosta, esfregando-o em mim, provocando sem entrar… meu corpo se contorce de imediato.

Como se não aguentasse mais nem um segundo.

— Puta merda... — murmuro entre os dentes, arfando.

E eu fico ainda mais molhada. Ainda mais pronta.

Desesperada pra ser possuída por você.

 

** Lester **

 

Você está aberta. Arreganhada. Perfeita. Minha.

Minhas mãos seguram seus quadris com firmeza, meus ombros empurrando suas pernas pra trás, deixando você toda exposta.

Como um presente que o inferno me deu de volta em forma de tentação viva.

Seu corpo brilha de suor, sua pele pulsa quente sob as luzes fracas da tv.

E quando você solta — “eu quero seu pau dentro de mim” ...

Eu quase gozo só de ouvir.

Meu pau roça sua entrada, duro, quente, e o calor que sinto de você ali me deixa mais animal do que homem.

— Você vai sentir, Tiff. Vai sentir cada centímetro desse pau te moldar por dentro.

Me inclino sobre você, os joelhos forçando o sofá afundar.

E empurro.

Fundo.

Sinto você abrir ao meu redor, quente, apertada, molhada demais.

Sua carne me engole com um desejo que nenhum garoto jamais entenderia.

— Puta que pariu...

Você foi feita pra me foder a cabeça.

Pra me enlouquecer.

Me movimento lento no começo, só o bastante pra te deixar louca.

E então eu meto.

Fundo.

Forte.

Com toda a porra da vontade que carreguei sozinho por anos.

O sofá range.

Meus quadris batem nas suas coxas com força, com ritmo, com entrega.

— Grita pra mim, Tiff.  Grita que esse pau é seu.

 

** Tiff **

 

Mordo o lábio com força, tentando abafar o descontrole que quase explode da garganta.

A cada estocada sua, solto o ar dos pulmões num gemido arrastado, sem filtro, sem vergonha.

— Porra, isso é uma delícia, Lester.

Fecho os olhos por um instante, sentindo você me abrir com força, entrando fundo, ocupando tudo.

Meus dedos se afundam no sofá, tentando achar algum ponto de apoio enquanto você aperta minhas pernas contra meu próprio corpo, me dobrando do jeito que quer.

Me moldando a sua vontade.

Abro os olhos e encaro você.

O olhar entregue, sujo, faminto.

Carregado de um tesão cru, proibido, do tipo que não tem volta.

E nem desculpa.

 

** Lester **

 

Seu corpo me recebe como se tivesse sido feito só pra isso.

Cada estocada afunda fundo, e eu te sinto se moldando em volta do meu pau — apertada, quente, ensopada.

Você geme e eu enlouqueço.

E quando solta aquele “porra, isso é uma delícia”, eu grunho como um maldito animal.

— Fala mais, Tiff...

Minha voz sai arrastada, suada, entre os dentes.

— Grita o quanto te deixo aberta, cheia... fodida por um homem de verdade.

Te olho. E o que vejo...

Quebra tudo que ainda existia de controle em mim.

Seu olhar carrega tudo de proibido. Tudo de sujo. Tudo que me faz te foder mais forte.

Seus músculos se contraem ao meu redor.

— Me olha assim de novo, porra...

Rosno, socando ainda rápido.

— E eu gozo dentro de você sem nem perguntar.

Minhas mãos seguram firme sua cintura e eu me movo com tudo que tenho.

— Você vai gozar pra mim? Com esse pau te arrebentando por dentro?

Meus quadris investem em você sem a menor delicadeza.

E eu sei.

Você está perto.

E eu também.

 

** Tiff **

 

Seguro seus braços, afundando os dedos nos seus tríceps.

— Porra, eu vou gozar assim, Lester. – a voz quase falha no meio da respiração arfando.

Passo a língua pela linha da sua mandíbula, sentindo o gosto do seu suor.

Você se afunda em mim, como se quisesse me destruir por dentro.

E confesso que está conseguindo...

Inclino o rosto pro lado, mordendo seu antebraço, gemendo contra sua pele.

E quando meu rosto se volta pra ti, você vê, minha cabeça desencostando do sofá, meus lábios abertos deixando escapar gemidos quase dolorosos de prazer.

Minha musculatura treme, vibra. A respiração parece querer falhar, a força se esvair junto ao prazer.

Eu gozo pra você, entregue, fodida, totalmente alucinada sentindo seu corpo sobre o meu me torturando.

 

** Lester **

 

Seus dedos cravados nos meus braços. Sua boca no meu suor. Sua língua quente no meu rosto.

E o som da sua voz falhando — dizendo que vai gozar.

É como se o tempo parasse.

— Isso, porra... goza pra mim, Tiff.

Rosno com a boca colada à sua orelha, o corpo todo contraído, afundando com tudo dentro de você.

Sinto você me receber até o fim — inteira.

E quando você morde meu antebraço, gemendo contra minha carne, eu grito sem som.

Meus olhos se fecham com força, minha mandíbula trava, o prazer me atravessando como uma lâmina.

E então vejo.

Você.

A cabeça ergue do sofá, o pescoço tenso, os lábios entreabertos, gemendo como se cada centímetro meu dentro de você fosse a sua perdição.

E você goza.

A cena mais pornográfica, mais linda, mais visceral que já existiu.

Você goza fodida. Delirando.

Como se esse fosse o único motivo da sua existência.

Meus Deus, Lester. Meu Deus.

— Tiff...

Sussurro, a voz falhando.

— Eu vou...

Me afundo com tudo, o corpo tremendo, o quadril socando fundo — e eu gozo.

Quente. Forte. Dentro de você.

Te preenchendo, te marcando.

Minhas mãos seguram sua cintura com força, o rosto colado no seu, o corpo inteiro desabando sobre o seu como se fosse nossa última noite vivos.

A respiração falha.

Os corpos grudados.

A alma... fodida.

E eu sei que agora nada mais vai ser igual.

 

** Tiff **

 

Seu corpo cede sobre o meu, pesado, quente, suado.

Minhas pernas escorregam dos seus ombros, mas você continua ali, encaixado em mim, como se ainda quisesse me manter presa, ocupada de você.

Apoio o rosto no seu ombro, a boca roçando na sua pele úmida, puxando o ar como se eu tivesse caído de um precipício.

Sinto o suor escorrendo de você até mim, misturando nossos corpos de um jeito sujo e íntimo.

Seu pau ainda lateja dentro de mim, e a cada pulsar, mais um espasmo me atravessa, arrancando de mim os últimos resquícios do meu prazer.

— Essa foi a melhor transa da minha vida.

Minha voz sai trêmula, embriagada de prazer, esgotada de tanto gemer pra você.

Meu coração bate tão forte que parece que vai explodir.

Minhas mãos deslizam devagar pelas suas costas, como se eu ainda tivesse 17 e tivesse me apaixonado na primeira foda.

Como se você fosse tudo.

Mesmo sendo o que nunca deveria ser.

 

** Lester **

 

Meu corpo desaba sobre o seu, exausto, saciado.

Meu pau ainda dentro de você, latejando com os últimos espasmos de prazer, e cada contração sua em volta de mim me faz gemer baixo, quase como se eu ainda estivesse gozando.

Ou talvez... eu esteja.

Você fala.

Sua voz é mole, doce, devastada.

E quando diz que foi a melhor transa da sua vida — da sua vida.

Eu sinto como se tivesse vencido o tempo.

Apoio a testa no seu ombro, rindo baixo, derretido.

— Porra, Tiff... Você acabou comigo.

A voz sai falha, como se não houvesse mais nada em mim que não fosse seu.

— Você sabe que depois disso... Não tem mais volta, né garota?

Me ergo só o suficiente pra olhar nos seus olhos.

— Agora você é minha.

Pra caralho do sempre.

 

** Tiff **

 

Dou um sorriso sujo enquanto deslizo debaixo de você, me afastando devagar até sentar na borda do sofá.

Pego minhas roupas jogadas no chão, ainda sentindo seu calor grudado no meu corpo.

— Isso foi só sexo, viu? Não fica mal acostumado.

A frase sai leve, quase rindo...

Mas eu sei o peso que ela tem.

E você também sente.

Fico de pé, fecho o short, visto a blusa. Nem me apresso — quero que você veja cada movimento.

— Mas... nada impede de a gente repetir isso enquanto eu estiver aqui.

Olho por cima do ombro, com um olhar que fere de tão provocante, como se cada palavra minha fosse feita pra cutucar o que restou da sua sanidade.

— Você é um tesão pra um cinquentão. E eu ainda quero sentar muito em você...

Pausa.

— Senhor Burnham.

A voz sai baixa, carregada de pura depravação.

Me viro, subo as escadas sem olhar pra trás, deixando só o som dos meus passos e o rastro do meu cheiro preso em você.

— Boa noite. Se conseguir dormir.

 

** Lester **

 

Você sai debaixo de mim e eu sinto como se parte de mim fosse arrancada junto.

Me recosto no sofá, o peito subindo e descendo ainda, suado. Fodido — por dentro e por fora.

E então você solta.

“Isso foi só sexo sim.”

A frase bate cruel em mim.

Eu fecho os olhos, rindo seco, sem humor, como quem já sabe que vai continuar voltando pra mesma armadilha com um sorriso nos lábios.

Mas aí você segue.

Sobe o short. Veste a blusa. E cada movimento seu é um desfile de poder. De controle.

De quem acabou de me deixar melado de você.

Porra.

Meu pau, ainda semiereto, lateja com o gosto da sua ausência.

E eu fico ali.

Exausto.

Excitado.

Obcecado.

Você sobe as escadas como se fosse dona dessa casa.

E é.

Agora é.

Eu fico sentado, a pele ardendo onde a sua roçou.

O sofá ainda cheira a você.

E eu não tenho paz.

Só a lembrança.

Minha mão desliza devagar pelo meu peito suado.

Fecho os olhos.

E sussurro pra mim mesmo, como um mantra doentio:

— Só sexo, né...Filha da puta maravilhosa.

Sorrio torto.

E sei que vou querer esse erro de novo.

Todas as noites.

Enquanto você estiver aqui.

E talvez… até depois.

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