Já fazia um tempo que eu sabia que
ela passava por aquela área. Não por boato, nem por trilha óbvia, mas porque
algumas coisas não acontecem por acaso. Walker abatido sem barulho. Armadilha
desmontada com cuidado. Porta fechada depois de saque, como se alguém ainda se
importasse com ordem num mundo que não liga mais pra isso.
Gente descuidada não sobrevive
assim.
Gente desesperada também não.
Eu não segui de imediato. Observei
à distância por dias, cruzando sinais, confirmando padrões. Quem anda sozinho
por escolha costuma ser mais perigoso do que grupo grande. E ela andava sozinha
como quem sabe exatamente o que tá fazendo.
Quando a vejo dessa vez, não me
escondo tanto quanto antes. Fico entre as árvores, besta firme nas mãos,
respirando devagar, deixando o mundo fazer barulho por mim. Ela se move com
calma, sem pressa, parando onde faz sentido parar. Olha o terreno antes de avançar.
Calcula. Não desperdiça energia.
Isso chama atenção.
Ela entra num prédio pequeno,
antigo, desses que ninguém gosta de limpar sozinho. Lugar apertado, portas
demais, cheiro de ferrugem e mofo. Gente inexperiente evita. Gente experiente
entra rápido e sai rápido.
Eu espero.