Seis meses não é nada.
E ao mesmo tempo é tempo pra caralho.
Tempo suficiente pra aprender o som da tua respiração quando
você dorme pesado. Tempo suficiente pra saber quando você tá fingindo que
dorme. Tempo suficiente pra perceber que eu acordo antes do sol não por causa
dos walkers… mas pra conferir se você ainda tá ali.
A casa é grande pra diacho. Antiga. Daquelas que tinham
família, cachorro, criança correndo pelo corredor. Agora tem arma encostada na
parede, janela com barricada e gente dormindo espalhada como se o mundo pudesse
acabar de novo a qualquer segundo.
Porque pode.
Eu durmo com a espingarda ao alcance da mão e contigo colada
em mim. Teu corpo quente nas minhas costas ou enroscado no meu peito,
dependendo da noite. Às vezes você rouba o cobertor. Às vezes eu acordo com teu
joelho cravado nas minhas costelas. Reclamo, xingo baixo, mas não me mexo.
Não sou idiota.
Sei que isso aqui é perigoso.
Não a casa.
Você.